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segunda-feira, 15 de março de 2010

O melhor amigo do homem? A galinha!

A galinha está a um passo de destronar o cão como melhor amigo do Homem. Apesar do seu aspecto pouco apelativo e da sua relação com o dono estar pouco desenvolvida este animal detinha já alguns trunfos a seu favor.

O primeiro deles é claro a quantidade de ovos que nos oferece ao longo da sua vida. Ovos indispensáveis especialmente para aqueles com pouco jeito para cozinhar (como eu) e que se contentam com uma omelete para saciar a fome. Além dos ovos podemos comer a galinha e fazer uma sopa com ela, ao passo que o cão além de não ser "comestível" ainda devora a taça da ração a uma velocidade assustadora. Até aqui poderia parecer um empate sem fim à vista mas eis que a galinha chega com um argumento de peso para resolver o impasse.

Os tais "restos" que se dão às galinhas são uma importante medida de redução na produção de lixo. Basta verificarmos que praticamente todos os materiais são já recicláveis (papel, vidro, plástico, pilhas, electrodomésticas, móveis, etc.) sobrando os resíduos orgânicos. Estes podem ser colocados num compustor para produzir adubo mas apenas uma parte serve para esse efeito, sendo a galinha menos selectiva nos resíduos que consome conseguindo assim uma maior taxa de redução.

Esta teoria foi já posta em prática em Mouscron, Bélgica e parece estar a ter bons resultados. 50 pares de galinhas foram distribuídos por vários habitantes com moradias para que possam assim deixar produzir praticamente lixo algum. As idas ao caixote do lixo para despejar os sacos são coisa do passado. O futuro passa por dar o "lixo" à galinha.

Uma medida natural e cuja importância deve ser valorizada como mais uma boa ideia para o "cabaz" de soluções de reaproveitamento e reciclagem de produtos e resíduos.

É caso para dizer que é preciso acrescentar uma galinha ao lado de cada ecoponto.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Masdar



Esta é a cidade do futuro, Masdar. Localizada perto de Abu Dhabi surge como um passo de gigante dado pelos Emirados Árabes Unidos (EAU) rumo a um futuro sustentável. É uma cidade construída de raiz que irá albergar 40.000 pessoas e criar 70.000 postos de trabalho. Será a primeira cidade do mundo com emissões neutras de carbono e zero desperdício bem como com um consumo de água substancialmente inferior ao normal (menos 75%). Uma iniciativa que pretende ser a "maquete" para uma revolução global que mude a face das nossas cidades.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Plug-in Paris

Paris prepara-se para dar um grande passo rumo à sua sustentabilidade. Depois de em 2007 a cidade ter sido "inundada" por bicicletas para aluguer (10.000) o presidente da câmara prepara uma nova iniciativa para 2011. Encher a cidade com carros eléctricos para aluguer.

Tendo como base o sucesso do programa implementado em 2007, Paris decidiu levar o conceito mais longe ao querer alargar esta rede de "aluguer sustentável" aos carros eléctricos. O programa será composto inicialmente por 3.000 veículos que podem ser encontrados em 27 munícipios da cidade. O custo por dia será de 49 euros sendo que as reservas poderão ser feitas pela internet, telefone ou via SMS.

Com este tipo de programas e iniciativas pretende-se não só melhorar o ambiente da cidade em si devido a menores emissões de gases poluentes mas acima de tudo alterar mentalidades. As pessoas podem desfrutar e descobrir os benefícios de andar de bicicleta sem terem de comprar uma. Depois de constatarem que é um veículo perfeitamente capaz de satisfazer as suas necessidades de mobilidade irão tornar-se muito mais receptivas e quem sabe, alterar por completo a forma como se deslocam diariamente. O mesmo em relação aos carros eléctricos. Esta iniciativa permite que as pessoas experimentem este tipo de veículos e ao descobrirem as suas vantagens irão certamente ser influenciadas quando decidirem adquirir um carro novo.

Tendo em conta experiências anteriores e com os incentivos adequados, penso que estas iniciativas têm todos os "ingredientes" para serem um sucesso. Espero que daqui a uns anos estes sistemas sejam um ponto em comum de todas as grandes cidades europeias.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O comboio ecológico

O transporte ferroviário é sem dúvida aquele cuja pegada de carbono é menor devendo ser olhado como um excelente meio de transporte a desenvolver no futuro. Seja no transporte de passageiros ou de mercadorias, seja nas linhas urbanas, sub-urbanas ou de longo curso, o comboio apresenta-se cada vez mais como uma solução eficaz para ligar não só os vários pontos da cidade mas também as cidades umas às outras.

Se olharmos para os diferentes tipos de transporte ferroviário como o eléctrico, o metro, o comboio "em si" ou o TGV verificamos que a sua versatilidade é enorme pois é capaz de se adaptar a um vasto leque de necessidades e aplicações. Além de ser o meio de transporte com maior eficiência energética por passageiro, bem como o facto de a electricidade consumida poder ser produzida a 100% por fontes renováveis o comboio poderá apresentar no futuro outra "vantagem" ecológica.

Um consórcio entre empresas, institutos e o próprio Estado está a criar bancos ferroviários sustentáveis. O objectivo da investigação é minimizar o impacto ambiental da montagem de comboios, alterando alguns dos componentes incluídos nos bancos bem como servir de base de know-how para projectos futuros. Um destes componentes é a cortiça (a Corticeira Amorim faz parte do consórcio), algo que para mim ilustra o facto de podermos somar múltiplos benefícios com a protecção ambiental. A cortiça é um produto ecologicamente sustentável pois além de ser natural, favorece a plantação de árvores autóctones e funciona como um "sumidouro" de carbono. É fascinante como se descobrem cada vez mais aplicações para um produto tão simples e antigo (a cortiça é actualmente utilizada na fuselagem dos foguetões por exemplo) e Portugal tem muito a beneficiar com a expansão da mesma. Além dos benefícios ambientais, Portugal como o maior exportador mundial de cortiça colheria grandes benefícios económicos e sociais. A indústria da cortiça move vários milhões por ano e assegura uma quantidade extremamente razoável de postos de trabalho, estando também fortemente ligada ao sector da investigação e tecnologia, outra área essencial para o futuro do nosso país e onde se tem visto um aumento extraordinário do investimento tanto público como privado.

Este é apenas um exemplo de que com um pouco de imaginação e vontade somos capazes de criar soluções ambientalmente responsáveis enquanto estimulamos o futuro da nossa economia e geramos novos empregos e oportunidades.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O futuro das energias renováveis

Ainda com o desânimo de Copenhaga presente acho que é importante reflectir sobre a evolução e o futuro das energias renováveis. É do conhecimento geral que o actual modelo de desenvolvimento é insustentável. Não só pelos efeitos nocivos que os combustíveis fósseis representam para o meio ambiente e para a saúde pública mas também por factores como a instabilidade de preços, a segurança energética e o facto de serem recursos finitos. É preciso uma alteração na forma como produzimos e consumimos energia. Uma alteração que é capaz de gerar riqueza, criar milhares de empregos qualificados, aumentar as exportações e diminuir as importações, entre outros benefícios sociais e económicos. Esta alteração é conseguida através de um "mix" de energias renováveis. É para a evolução desse mix que vamos olhar.

A energia eólica terrestre (in-shore) está num estado muito avançado de maturação daí ser aquela que a nível mundial mais se tem expandido e aquela cujo investimento é maior. Portugal não é excepção. A eólica marítima (off-shore) também tem os seus equipamentos bem desenvolvidos contudo tem-se deparado com alguns problemas na fixação dos mesmos devido à irregularidade da plataforma marítima. Estes problemas de engenharia estão no bom caminho para serem resolvidos e penso que um modelo comercial a nível mundial estará disponível num futuro bastante próximo. Com uma saturação cada vez maior da capacidade terrestre as empresas que investem no vento sem dúvida irão centrar as suas atenções para o mar até porque esse ambiente permite a edificação de turbinas maiores que produzem mais energia.

A energia solar tem vindo a conhecer desenvolvidos significativos apesar de ainda não se ter dado um "boom" mundial como aconteceu com a energia eólica. Multiplicam-se os projectos de grandes centrais solares térmicas e fotovoltaicas mas a microgeração (que na minha opinião é a grande força do solar) avança a um ritmo relativamente tímido. Investigadores por todo o mundo estão a aumentar a eficiência dos paineis tornando a energia solar mais rentável a cada ano que passa. Contudo penso que é o fabrico de paineis com materiais mais acessíveis economicamente que permitirá a tal explosão que o solar necessita. Esses paineis de "nova geração" estão em fase de desenvolvimento e, na minha opinião, serão essenciais para os países concretizarem as suas ambições de redução de CO2.

A energia das ondas e dos oceanos são dois projectos ainda numa fase "inicial" do ponto de vista de exploração comercial generalizada mas apesar de poderem demorar algum tempo a atingir a escala necessária não deixam de ser extremamente prometedores. Existe um projecto na Florida que pretende aproveitar a força das correntes marítimas para gerar energia eléctrica suficiente para suprir 1/3 das necessidades daquele estado. Pelo elevado potencial que estas tecnologias comportam devem-se centrar investimentos na investigação das mesmas. Penso que serão duas fontes de energia fundamentais no médio e longo prazo.

Os biocombustíveis são, a par com a nuclear, a fonte de energia "limpa" mais contestada. Tal deriva maioritariamente do facto de esta fonte de energia utilizar os mesmos solos que poderiam ser utilizados para produzir alimentos ou para manter intactas as florestas virgens que esta indústria destroi devido à sua grande necessidade de "espaço". Este problema pode a vir a ser resolvido com os biocombustíveis de "segunda geração". Estes novos biocombustíveis são conseguidos a partir de desperdícios domésticos, indústriais ou agrícolas ou de plantas (como por exemplo algas) que requerem pouco solo e que não substituem o alimento humano. Uma alternativa que poderá vir a ser extremamente útil especialmente para meios de transporte como o aéreo onde não existem por enquanto outras soluções viáveis.

Em suma penso que nos últimos anos têm existido avanços significativos em praticamente todos os tipos de energias renováveis e que deveremos apostar continuamente no melhoramento da eficiência de cada uma delas. Não devemos esperar que determinados desenvolvimentos surjam para começar a agir mas sem dúvida que existem tecnologias com o potencial de tornar bem mais fácil e rápida a tarefa de chegar à produção energética a 100% a partir de fontes renováveis.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Mar | Energias Renováveis

Costuma-se dizer que Portugal é um país de escassos recursos. Quando abordamos os recursos energéticos tradicionais (petróleo e carvão) estamos perto do zero. A era da energia barata chegou e com ela a Revolução Industrial. O desenvolvimento do nosso país fez-se então à custa da importação destes dois recursos vitais para alimentar a "sede" do crescimento. Quanto mais nos desenvolvíamos mais petróleo e carvão importávamos causando um desequilíbrio na balança comercial.

Estaríamos nós condenados a este endividamento eterno para sustentar o desenvolvimento do país? Conseguiríamos nós estender esta factura infinitamente?

Com o surgimento em massa das energias renováveis e com a mudança do paradigma energético descobrimos provavelmente a maior riqueza de sempre de Portugal. Esta é a oportunidade de reduzirmos a factura, pagarmos a mesma e começar a lucrar no mercado global da energia. O nosso país dispõem de um mix energético bastante atractivo em quase todas as energias alternativas e que nos confere uma capacidade de produção bastante acima das nossas actuais necessidades, que por força da eficiência, se poderão manter estáveis. É este o nosso petróleo. Com a vantagem de não ser ambientalmente condenável e de não lhe podermos perspectivar um fim.

O mar, desígnio nacional com elevada tradição não foge a esta regra. Ao estudarmos a História de Portugal encontramos no mar um aliado, algo que impulsionou a nossa Nação. Encontramos o responsável pelos nossos momentos mais áureos. Existe uma proporcionalidade entre a "expansão" dos mares e oceanos e a expansão do nosso país. Tal como no passado, o mar revela-se no presente como um importante aliado para o futuro. Algo que poderá impulsionar uma vez mais Portugal. Em tempos idos a expansão dos mares era a expansão do conhecimento. Hoje a expansão dos mares é a expansão da energia. E uma vez mais devemos aproveitar esta oportunidade e trilhar caminhos por onde ninguém se atreveu a viajar. Temos que ser pioneiros outra vez e revelar ao mundo um outro mundo. Não continentes nem povos mas como produzir energia nesta imensidão azul que ocupa 70% da superfície terrestre.

Seja na energia das ondas, na energia das correntes marítimas ou na eólica offshore, Portugal tem a possibilidade, a coragem e o dever de aproveitar este novo recurso. Existem projectos-piloto nestas áreas e eles simbolizam as primeiras caravelas a partir de Lisboa rumo ao desconhecido. Com certeza iremos encontrar dificuldades. Tal como no passado, não será fácil manter a rota certa. Mas se tivermos a coragem para lutar até ao fim a recompensa será imensa.

Existe um novo tesouro no fundo do mar e nós portugueses temos todas as condições de o ir reclamar.


Introdução ao post aqui

sábado, 8 de agosto de 2009

Dial4Light

Hoje ao ler a Visão encontrei um artigo bastante interessante sobre eficiência energética. Devido às dificuldades financeiras a autarquia da vila de Dorentrup na Alemanha decidiu desligar todos os candeeiros de rua para poupar na factura energética. A população ficou preocupada e com um crescente sentimento de insegurança até que dois habitantes dessa pequena vila decidiram trabalhar em conjunto com a autarquia e com a empresa local de energia para encontrarem uma solução.

A solução foi a criação de uma aplicação para o telemóvel que permite aos moradores acenderem as luzes da sua rua. Para isso basta introduzir o código da rua que querem ver iluminada e a sua activação é instantânea, durando alguns minutos. A este projecto foi dado o nome de "Dial4Light" (liga para a luz). Esta inovação pioneira permite a esta vila de 9.000 habitantes poupar 12 toneladas de dióxido de carbono por ano, além da poupança económica por parte da autarquia.

domingo, 2 de agosto de 2009

Energias Renováveis | Combate à pobreza

Este post do Carlos Santos levou-me a reflectir sobre a relação que existe entre as tecnologias ligadas ao ambiente e o seu potencial como instrumentos de combate à pobreza, melhoria da qualidade de vida e inclusão social. Todos nós conhecemos os benefícios que as energias renováveis nos oferecem em matéria de ambiente. O mesmo para tecnologias como a captação de água, carro eléctrico, construção sustentável, etc. Contudo é comum esquecermo-nos dos benefícios sociais das tecnologias "verdes", sobretudo o seu potencial para melhorar a qualidade de vida das camadas sociais com menos recursos. Para além do imperativo ambiental e económico, sem dúvida que encontramos aqui outro forte motivo para investir nesta área, investindo assim num futuro mais justo socialmente.

Programas que ofereçam ou possibilitem a aquisição de painéis solares térmicos e fotovoltaicos a pessoas com menores recursos económicos (e que sem auxilio do governo central ou local não teriam dinheiro para o investimento inicial) levam a uma redução ou anulação da factura do gás e da electricidade. Ora, visto as despesas diminuírem existe efectivamente um maior rendimento disponível mensalmente. Seja este dinheiro extra investido em alimentação, vestuário, educação, etc. e estamos a contribuir para um futuro melhor para essas pessoas. Estamos a contribuir para a sua inclusão social, fomentando assim também a competitividade do país. Um programa deste género poderá substituir ou complementar instrumentos como o microcrédito e sem dúvida será bem mais proveitoso para todas as partes que a atribuição de um subsídio por si só.

Tecnologias de captação de água em conjunto com energias renováveis são capazes de fornecer água e electricidade a populações pobres sem acesso a estas duas necessidades básicas. Permitem também que se inicie a produção de alimentos (através da agricultura e pecuária), lançando assim as "bases" para que essa população evolua positivamente e se vá afastando degrau a degrau do mundo da pobreza e da miséria. Permitiria aos países desenvolvidos que forneceriam gratuitamente as tecnologias ou a um custo baixo (com pagamentos por exemplo quando a agricultura e pecuária já estivessem num elevado nível de maturação) desenvolver as suas indústrias ligadas ao ambiente, protegendo assim milhões de postos de trabalho e promovendo a sua expansão e investigação. As necessidades iniciais daquelas populações iriam gerar emprego para os países desenvolvidos. Com benefícios para ambas as partes, poderia nascer assim uma relação saudável que estimulava a economia dos países desenvolvidos enquanto libertava das malhas da pobreza os países em desenvolvimento.

Programas que incentivem a compra de carros eléctricos, tornando-os economicamente "apetecíveis" poderiam ter efeitos muito positivos na nossa sociedade. Imagine-se programas que apoiem a compra de veículos eléctricos para organizações sem fins lucrativos. Com a poupança verificada no combustível, essas organizações teriam mais dinheiro para desenvolver a sua missão. Ao fomentarmos a compra de carros eléctricos estaríamos a contribuir para a defesa dos direitos humanos, direitos dos animais, protecção de sem-abrigo, protecção a desempregados, protecção de menores, prática de desporto e hábitos saudáveis, apoio à terceira idade, combate à pobreza e exclusão social, protecção do ambiente e tudo aquilo que qualquer associação ou organização desenvolva.

No fundo estaríamos a contribuir para um mundo melhor. Este post pretende provar que com vontade e um pouco de imaginação é possível aliar as energias renováveis a uma perspectiva social ampla e justa. Penso que este tipo de exemplos seria o suficiente para apostar nestas tecnologias mas existe também o imperativo económico e ambiental. As tecnologias "verdes" estão provadas como sendo um motor ambiental e económico mas o seu papel social é de enorme importância e a sua influência poderá no futuro ser comprada a outros instrumentos inovadores fruto da vontade de fazer a diferença e de deixarmos o mundo um pouco melhor do que como o encontrámos.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Um mar mais azul

Tive o prazer de escrever o seguinte texto para celebrar o primeiro aniversário do blog O Valor das Ideias de Carlos Santos.

"Portugal é o país da UE com a ZEE (Zona Económica Exclusiva) mais extensa e é bem conhecida a relação que o nosso país tem com a imensidão azul que cobre mais de 70% da superfície terrestre. Esta riqueza que chega até de nós desde as profundezas aumentou bastante o seu valor tornando-se num potencial à escala global, a mesma escala do problema que pode resolver. Estou a falar da nova geração de energias renováveis que incluem o mar como parte da solução e onde Portugal se pode posicionar na dianteira mundial, conquistando e descobrindo uma vez mais todos os oceanos existentes.

Seja na energia eólica offshore, na energia das ondas ou na energia das correntes marítimas, a nossa historia, o nosso conhecimento, o nosso empenho e os nossos recursos naturais permitem que Portugal alcance uma posição de topo nesta área. Agradam-me os investimentos que estão a ser feitos neste sector e espero que se multipliquem à medida que os resultados vão surgindo e que a tecnologia vai amadurecendo. Pelo imperativo ambiental, económico e até social é vital que o nosso país não perca esta oportunidade de contribuir para um mundo mais sustentável, para a criação de milhares de empregos qualificados, para a criação de riqueza e para o desenvolvimento de Portugal e do mundo.

É caso para dizer que o mar ficou mais azul."

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Carro Eléctrico

Uma vertente essencial no âmbito do desenvolvimento sustentável é a mobilidade. O automóvel é o principal meio de transporte a nível mundial e Portugal em particular, sente fortemente essa dependência. Apesar de muitos problemas relacionados com a mobilidade poderem ser resolvidos com investimentos em transportes públicos, a flexibilidade do carro torna-o insubstituível. É preciso então, encontrar soluções que melhorem este meio de transporte tornando-o mais "amigo" do ambiente.

Uma das principais mudanças necessárias é a alteração dos motores a combustão para motores eléctricos. Se a energia produzida para carregar as baterias que alimentam estes motores provir de fontes renováveis e limpas, estamos a evitar a emissão de gases poluentes que prejudicam o meio ambiente e a saúde pública. Outras mudanças serão necessárias (por exemplo a incorporação de materiais reciclados na construção do veículo) mas este tem sido o "cavalo de batalha" das principais marcas do ramo automóvel. O imperativo ambiental aliado a um preço cada vez mais inconstante do petróleo (e consequentemente das gasolinas e gasóleos) leva a uma procura renovada por carros eléctricos. As marcas aperceberam-se que este é o veículo do futuro e talvez a chave para tentar solucionar a crise do ramo automóvel. Os projectos de investigação e desenvolvimento multiplicam-se numa corrida desenfreada para melhorar esta tecnologia. As melhorias ao nível do desempenho e autonomia são notáveis e prometem continuar. Não duvido que caso esta tecnologia seja implantada com sucesso nos carros, as marcas passem a desenvolver soluções para outro tipo de veículos terrestres (motas, camiões, etc.) disseminando a tecnologia do veículo eléctrico como uma alternativa ambientalmente responsável e económica. Os governos de vários países já desenvolveram parcerias essencialmente para a constituição de redes de abastecimento a nível nacional. Portugal é um desses pioneiros, tendo negociado com a Renault-Nissan a implementação dos carros eléctricos no mercado português e com empresas como a Martifer, Sonae, Galp, EDP e outras o sistema de abastecimento. Este sistema tem uma importância muitas vezes esquecida por todos nós. Acima frisei as melhorias no desempenho e na autonomia dos carros eléctricos mas o carro em si é apenas metade da solução. O carregamento deste veículos é demorado e se em casa podemos deixá-lo a carregar durante a noite, o carregamento em viagem torna-se mais complicado. É até equacionada a hipótese de se trocar as baterias em vez de as carregarmos nesses postos de abastecimento. Se para "atestar" o meu carro demoro 4 horas, é preferível trocar a bateria descarregada por uma carregada. De seguida o posto de abastecimento carrega a minha bateria que servirá para outro cliente.

Também nesta área surgiu um importante desenvolvimento, fundamental para o sucesso da nova geração de automóveis. Uma empresa norte-americana, a Evoasis conseguiu reduzir o tempo de espera de várias horas para 20 minutos. O "segredo" está nas tomadas que são de 440 volts. Esta empresa projectou uma estação de abastecimento que será testada em Londres devido à densidade populacional. Esta inovadora estação de abastecimento para carros eléctricos assemelha-se a uma doca (os automóveis estacionam em torno de um centro) e os condutores podem ver televisão, aceder à internet ou visitar o café da estação. O objectivo é proporcionar conforto aos utilizadores de carros eléctricos enquanto esperam que os seus veículos sejam carregados com energia renovável já que esta estação utiliza o sol e o vento para produzir a energia de que necessita.

Apesar de achar que 20 minutos é ainda demasiado tempo (penso que o tempo médio deveria rondar os 5 minutos) este desenvolvimento é extremamente importante. O sucesso do carro eléctrico vai depender do veículo em si mas também da rede de abastecimento. No caso do veículo é preciso mostrar que um carro eléctrico é tão autónomo e veloz quanto um carro convencional, demonstrando aos condutores que se adequa perfeitamente às suas necessidaes diárias. No caso da rede de abastecimento é preciso introduzir uma nova "filosofia" onde o condutor se habitua a esperar mas fá-lo com qualidade e aproveitando esse tempo para desenvolver outras tarefas (por exemplo consultar o e-mail já que tem acesso à internet ou adiantar qualquer tipo de trabalho), compensando desse modo o tempo "perdido" já que o vai poupar mais tarde. O carro eléctrico vai chegar para ficar e até à sua entrada "a sério" no mercado muitos mais desenvolvimentos e melhorias se seguirão.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Protecção dos Ecossistemas

A Greenpeace Portugal já existe numa forma online há algum tempo. Contudo, não existiam acções directas em Portugal por não haver um escritório físico da Greenpeace no nosso país. Já existe um em quase todos os países da Europa e actualmente, esta organização não-governamental está a concentrar os seus recursos em países em vias de desenvolvimento por serem aqueles cuja população está menos sensibilizada para as alterações climáticas, por serem aqueles que irão sofrer as consequências mais graves do problemas resultantes das alterações climáticas (como aumento de secas e cheias) e pelo papel importante que esses países têm, alertando para a necessidade de se desenvolverem de uma forma sustentável.

No Verão passado, Portugal recebeu a visita de um navio da Greenpeace. Este evento marcou uma reviravolta na presença da Greenpeace no nosso país. Apesar de ainda não existir um escritório físico, existem grupos de voluntários que realizam acções directas e contactam com a população. A participação e informação online aumentou bastante e já possível qualquer português ajudar a Greenpeace através do computador ou através de acções directas. A última acção desta organização desenrolou-se no início deste mês, incidindo sobre o tema-chave da Greenpeace Portugal, a protecção dos ecossistemas marinhos.

Dez activistas da Greenpeace (4 deles portugueses) realizaram uma campanha de sensibilização junto da sede do grupo Jerónimo Martins (detentor do Feira Nova e Pingo Doce), tentando contactar com a administração do grupo. O objectivo desta acção é sensibilizar os hiper e supermercados do grupo para adoptarem uma política sustentável na compra de peixe, evitando assim a destruição da vida nos oceanos. Pingo Doce e Feira Nova são os "alvos" da Greenpeace pois estão cotados em último lugar no 2º ranking de compra de peixe realizado pela mesma organização. Em resposta a não serem recebidos pela administração do grupo, decidiram colocar um banner gigante na fachada do edifício onde se pode ler "Jerónimo Martins destrói os oceanos". Todos os activistas acabaram detidos pela polícia.

Esta acção, como tantas outras levadas a cabo pela Greenpeace e outras ONG um pouco por todo o mundo recordam-nos da urgência de proteger os ecossistemas mundiais e do nosso papel na sua protecção. Em primeiro lugar temos que perceber a importância dos ecossistemas, pois só assim chegamos à conclusão de que é efectivamente necessário protegê-los. De uma forma simples podemos afirmar que sem equilíbrio nos ecossistemas mundiais a espécie humana extingue-se. O planeta, tal como a nossa sociedade, resulta de um conjunto de interacções e relações entre os vários elementos que compõem esse sistema. No caso do planeta, os elementos são muito variados e entre eles podemos encontrar todos os animais, plantas, etc. da Terra. Como nas relações em sociedade, aquilo que eu fizer vai afectar todo o sistema e aquilo que os outros elementos do sistema fizerem vai afectar-me a mim. O equilíbrio que a Natureza criou é um conjunto de consequências das relações e interacções dos elementos do sistema. Relações essas que podem ser classificadas de saudáveis já que contribuem para a manutenção do equilíbrio que é necessário. O problema é que estamos a alterar essas relações tão profundamente que estamos a alterar as consequências finais e essas novas consequências que produzimos não contribuem para a manutenção do equilíbrio do sistema, antes pelo contrário contribuem para a sua degradação. É urgente inverter esta tendência e para tal acontecer, todos nós temos de tomar medidas. Na nossa sociedade existem regras. Regras essas que tentam assegurar que todas as relações processadas pelos elementos são saudáveis e portanto, não vão pôr em causa o equilíbrio do sistema. Quando alguém quebra uma dessas regras, efectuando uma acção que degrada o equilíbrio, existem punições que têm como objectivo parar de imediato essa acção e anular a sua existência no futuro. A chave para a defesa e protecção dos ecossistemas reside em adoptar o mesmo sistema. Nós estamos interessados numa sociedade saudável (por exemplo acho que é consensual que é bom podermos sair à rua sem termos medo de ser assaltados) da mesma forma que estamos interessados em ecossistemas saudáveis. O interesse é o de sobreviver e o de viver com qualidade. Temos que impor regras que limitem as relações e interacções com os ecossistemas mundiais por forma a que produzam consequências saudáveis e geradoras de equilíbrio. Temos que garantir o cumprimento dessas regras e punir quem não as cumpre. Já temos a "receita" mas falta aplicá-la e é aí que todos nós jogamos um papel fundamental. Uma vez mais, o processo é simples. O sistema circulatório da sociedade global é o dinheiro. E é ele que influencia tudo, incluindo as relações que mantemos com os ecossistemas. Cada um de nós é detentor de um pouco do "sangue" que circula nesta sistema. Se não financiarmos o actual sistema circulatório e colocarmos o nosso sangue num sistema diferente, vão-se produzir alterações significativas. Obviamente que sozinhos não iremos conseguir, daí muitas ONG não se limitarem a agir individualmente mas tentarem convencer cada vez mais pessoas a adoptar os mesmos comportamentos. Mas é esta a receita e é este o processo a ser seguido. É por isto que devemos lutar, até porque o resultado desta "guerra" irá determinar o nosso futuro.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Green High Tech

Cada vez mais o "verde" é sinónimo de uma multiplicidade maior de coisas. No início "green" era algo que se destacava pelo seu desempenho ambiental (melhor que os produtos concorrentes), pela sua neutralidade carbónica (através da compensação de emissões) ou por ser um produto que nos auxiliava a proteger o ambiente e a natureza (poupança de energia, poupança de água, redução do volume de lixo, etc.). Verde é a cor da Natureza e o "green" lutava pela sua protecção.

Com uma maior sensibilização e mediatização dos problemas associados às alterações climáticas, "green" passou a significar também um estilo de vida. Uma moda. Ser verde é uma opção, a opção "correcta" e "fixe". Simboliza a preocupação com um problema global e a vontade em deixar de ser parte do problema para ser parte da solução. "Green" é um modo de vida associado ao desenvolvimento sustentável e à paz, não só entre os povos, mas entre o ser humano e o planeta. É o modo de vida do futuro.

A procura incessante por produtos amigos da Natureza, verdes, carbono zero, biológicos, ou qualquer outra designação que esteja associada à salvação da Terra levou a que "green" adquirisse um terceiro significado. O do dinheiro. Cada vez mais é importante para uma marca estar associada ao movimento verde para vender e publicitar os seus produtos. A procura por produtos "green" leva as empresas a adaptarem-se a esta nova realidade e a publicidade e marketing levada a cabo pelos grandes grupos leva-nos a querer ainda mais os produtos verdes. "Green" é uma estratégia empresarial com uma componente cada vez mais essencial para alcançar o sucesso.

Se aliarmos estes três diferentes significados para "green" verificamos que existe um elevado leque de pessoas interessadas nesta área. Qualquer que seja o motivo, é difícil encontrar quem não tenha interesse pelo verde. Este interesse leva-nos a querer um verde cada vez maior e melhor. É por isso que cada vez mais marcas/produtos/empresas estão associadas a este mundo (até as petrolíferas). É preciso inovar, criar, inventar, experimentar, estudar, etc. Tudo para completar cada vez mais o "green" e aperfeiçoá-lo. Surge assim o quarto significado. "Green" é sinónimo de inovação tecnológica. Aliada à engenharia/tecnologia ambiental estão invenções de ponta numa indústria virada para o futuro. É o "Green" High Tech e representa a tecnologia que vai moldar o nosso mundo e a nossa sociedade.

Seguem-se dois exemplos da aposta em Green High Tech:

1) As potências asiáticas unem-se em torno da tecnologia verde para desafiar a supremacia americana. Em Agosto os líderes da China, Japão e Coreia estarão presentes numa cimeira cujo objectivo é unir os recursos e competências destes três países para alcançarem uma cooperação na área ambiental que seja capaz de liderar a nível mundial este tipo de tecnologia. O Japão é o líder em automóveis híbridos e eléctricos, a China tem bastante dinheiro para investir e a Coreia é bastante conhecida pela sua robótica de ponta. Se juntarmos estes ingredientes veremos que é expectável a saída de novas e inovadoras tecnologias capazes de revolucionar a área ambiental. Esta invulgar cooperação destina-se principalmente a proteger o sector industrial asiático bem como retirar dividendos económicos e não proteger o planeta em si. Esta cimeira representa a importância que o sector ambiental tem vindo a ganhar. Ao apostar nele, é possível retirar benefícios de diversas frentes. As potências asiáticas querem estar preparadas para o futuro e sabem que o futuro reside no "green".

2) O suíço Bertrand Picard apresentou ao mundo o seu avião solar. O "Solar Impulse" é um avião que funciona a 100% com a energia solar e é capaz de voar durante a noite (visto que acumula energia durante o dia nas suas baterias), atingindo uma velocidade de 70 km/hora. O objectivo é realizar em 2012 uma volta ao mundo naquele avião para demonstrar que existem soluções ambientalmente responsáveis para o sector da aviação. Pessoalmente fiquei bastante agradado com esta notícia. Quando falei sobre o futuro dos transportes, mostrei-me bastante preocupado com o sector da aviação, visto ser bastante difícil conseguir colocar aviões comerciais a voar com energia 100% renovável. Este planador de Picard apesar de ser somente um pequeno avião, demonstra que com esforço, investigação, vontade e investimento é possível ultrapassar os obstáculos e escrever um novo capítulo na história da aviação.

PS: Estive ausente durante uma semana. Quero que todos saibam que escrevo por prazer e só o estive por motivos profissionais e de saúde. Peço desculpa a todos aqueles que gostam de ler/comentar neste espaço. Espero agora voltar ao ritmo normal.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Resíduos e Recursos Naturais | problema e solução

Quando falamos de problemas ambientais a primeira ideia que nos vem à cabeça são painéis solares e turbinas eólicas. Pensamos nós, que quando produzirmos 100% da nossa electricidade através de fontes renováveis não teremos mais problemas. Raramente se fala na enorme quantidade de resíduos que produzimos e no esgotamento quase total que estamos a provocar a uma variedade de recursos naturais, recursos esses dos quais dependemos para sobreviver. A água será provavelmente o exemplo mais mediático. As campanhas que sensibilizam para a reciclagem são dos poucos focos que sensibilizam para esta temática. Mas não nos podemos esquecer que o primeiro dos 3R (reduzir, reutilizar e reciclar) não é reciclar, aliás esse é mesmo o último.

A reciclagem é um passo fundamental para a sustentabilidade futura do planeta mas só resultará se for acompanhada pelos outros dois passos (reduzir e reutilizar) e se a conseguirmos aplicar à totalidade de resíduos que produzimos. Porque os recursos naturais não são infinitos, temos de explorá-los a um ritmo que permita a sua regeneração e perceber a importância de criar um ciclo que conceba a sua reutilização e reciclagem um sem número de vezes. No meu entender, uma gestão sustentável neste campo é quando simplesmente não necessitarmos dos contentores convencionais. Quando 0% dos nossos resíduos forem encaminhados para um aterro porque a sua totalidade foi para centros de tratamento e reciclagem. É uma meta ambiciosa e mas temos de lutar por ela. O primeiro passo é reduzir ao máximo o volume de resíduos que produzimos e isso faz-se com pequenas atitudes como comprar embalagens maiores do que um conjunto de embalagens menores (por exemplo comprar uma garrafa de 2L de Coca-Cola invés de 6 latas de 0,33L). O segundo passo é reutilizar o nosso lixo, reduzindo ainda mais o total a ser tratado e reciclado, algo também alcançável com pequenos passos como aproveitar as embalagens para futuras utilizações (encher as garrafas de água com água corrente invés de adquirir mais água engarrafada ou aproveitar boiões de vidro para fazer pequenos vasos). Por fim, todo o lixo restante seria encaminhado para tratamento e reciclagem. Agrada-me o facto de ver que cada vez mais resíduos podem ser tratados e reciclados (por exemplo a expansão da reciclagem de óleos alimentares, tinteiros, telemóveis, radiografias, etc.). Acredito nesta expansão e numa eficiência cada vez maior no processo de reciclagem. Os ecopontos têm de se actualizar para estarem preparados para receberem um conjunto cada vez mais alargado de resíduos e a sensibilização tem ser cada vez maior.

De seguida apresento dois exemplos de uma estratégia a seguir:

1) José Pedro Gomes e António Feio ("a dupla da Treta") vão ser pela segunda vez as caras da campanha de sensibilização da Ecopilhas que alerta para a reciclagem de pilhas e baterias usadas. As filmagens decorreram na feira da Tapada das Mercês e o anúncio vai estar disponível nos 3 canais generalistas.

2) A Lipor para sinalizar o Dia Mundial do Ambiente decidiu sensibilizar a população do Grande Porto para dois dos seus projectos que permitem melhorar a qualidade de vida nos centros urbanos, ao mesmo tempo que se contribui para um meio ambiente mais sustentável. Um deles é o projecto "Horta à Porta". Este projecto consiste em criar hortas biológicas nos centros urbanos e envolver a comunidade local na sua gestão. Em troca do seu trabalho os habitantes podem usufruir gratuitamente dos produtos por si cultivados, estando já em funcionamento 12 hortas. O projecto "Terra-a-Terra" visa distribuir 10.000 compostores aos portuenses. Estes compostores permitem produzir abudo natural através dos resíduos orgânicos que todos os dias produzimos. Com a sua utilização estima-se que a produção total de resíduos diminua em 300 quilos anuais.

sábado, 13 de junho de 2009

Ambiente | 1-1 ao intervalo

O dia de hoje contou com um vasto volume de notícias sobre ambiente e o futuro do planeta. Terminou a conferência de Bona (com a duração de 2 semanas) cujo objectivo era "preparar terreno" para alcançar um acordo na conferência de Copenhaga, Dinamarca a realizar em Dezembro deste ano. Esta conferência é extremamente importante já que se espera que seja criado o "sucessor" do protocolo de Quioto. Neste novo protocolo a vigorar entre o período 2012-2020 espera-se um sério compromisso na redução das emissões por parte dos países desenvolvidos, uma contenção da subida das emissões por parte dos países em desenvolvimento e acima de tudo, um acordo que abranja o mundo todo e que seja ratificado por todos os países.

Infelizmente estas duas semanas de negociações pouco contribuíram para o desenvolvimento da situação. Criaram antes um impasse, que terá de ser resolvido caso se pretenda estabelecer um novo protocolo na Dinamarca. A maioria dos países em desenvolvimento pretende uma redução de 25-40% por parte dos países desenvolvidos, meta que estes consideram prejudicar demasiado a sua economia. Bill Hare do IPCC teme tanto o efeito deste novo impasse que afirma que chegar-se a um consenso por volta dos 25% já é bastante difícil. A meta dos EUA foi enfraquecida em relação à proposta inicial de Obama e o Japão apresentou a sua própria meta que se situa numa redução de 8% até 2020 (face aos níveis de 1990). Estes "entraves" por parte dos países desenvolvidos aliam-se à fraca vontade de mudar por parte de países como a China e a Índia, criando este desacordo. Ninguém está disposto a dar o primeiro passo, algo que é lamentado pelas associações ambientalistas que acusam os políticos de inacção face ao problema.

Na minha opinião a Conferência de Bona foi uma grande derrota no desenvolvimento de um novo protocolo. Estava à espera de uma maior liderança por parte dos países desenvolvidos mas também um maior envolvimento por parte das potências emergentes como a China e a Índia. É dificil mas imprescindível terminar Copenhaga com um novo projecto e que terá de cortar pelo menos em 25% as emissões dos países desenvolvidos bem como estabelecer 2020 como o ano "limite" para o aumento das emissões por parte das novas potências.

Contudo o dia de hoje foi também marcado por uma importante "vitória" no campo ambiental. Organizações não-governamentais como a Greenpeace bem como muitas outras, têm lutado sistematicamente pela floresta Amazónica tentando impedir a sua destruição. Esta floresta encerra em si mais de um terço de toda a biodiversidade mundial e é sem dúvida, o "pulmão" do planeta. Todos os dias são abatidos ínumeros hectares de floresta virgem que dão a origem a plantações de biodiesel, explorações agrícolas ou pecuárias. Além de toda esta destruição do património natural da Amazónia, a degradação da floresta está muitas vezes associada a condições de trabalho miseráveis ou mesmo escravas. O Ministério Público Federal do Pará decidiu juntar-se nesta luta e publicou uma lista de fazendas (explorações) pecuárias que abatem indiscriminadamente a floresta para obterem cada vez mais terrenos. A competitividade económica dos produtos é ganha à custa das condições inumanas dos seus trabalhadores.

Em resposta as três maiores cadeias de supermercados do Brasil decidiram deixar de comprar carne proveniente destas fazendas. Wal-Mart, Pão de Açúcar e Carrefour são as três cadeias que tomaram esta decisão, após reunião entre todas. Espera-se agora que estas acções se ampliem por mais 72 compradores de produtos provenientes daquelas explorações bem como se extenda a outros dois estados brasileiros com grande influência no destino da Amazónia, Mato Grosso e Rondónia. As associações ambientalistas congratulam-se por esta vitória mas continuam a longa batalha de salvar a Amazónia que está muito longe de terminar.

Tanto a derrota como a vitória de hoje vão ter um grande impacto mundial. Ao intervalo está 1-1 e eu tenho a camisola do planeta Terra vestida. Como vai acabar o jogo?

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Home - Introdução

O planeta Terra é a nossa casa. Independentemente da nossa cor, raça, nacionalidade, crença religiosa, sexo, peso, altura, qualidade de vida, etc. Supostamente por ser a casa de todos nós, deveríamos instintivamente cuidar dela. Infelizmente não o fazemos muitas vezes por ignorância. Quantos de nós conhecem a verdadeira dimensão do nosso planeta, o conjunto de relações interdependentes existentes e todos os recursos disponíveis? Eu não e duvido que alguém conheça o nosso planeta a 100%. Contudo existem formas de nos informamos de uma maneira geral e simples mas que pode ser fundamental para uma melhor compreensão da nossa casa. E essa compreensão é a melhor forma de nos convencer a agir em prol dela e lutarmos pela sua preservação.

A Terra é uma só entidade, simbolizada por todos os seres vivos existentes e por todos os elementos que a compõem. O ser humano individualmente não existe. Apenas existe quando interligado com o meio que o rodeia, ou seja, ligado aos outros seres vivos e ao próprio ambiente. É essa ligação que por vezes é esquecida devido a um afastamento cada vez maior da Natureza e do mundo natural. Mas não nos podemos esquecer que tudo aquilo que construímos e desenvolvemos vem sempre de algo existente na natureza, de algo existente no planeta que habitamos. Podemos esquecer a natureza mas não podemos viver sem ela. Podemos criar uma "bolha" à nossa volta mas a única forma de a sustentarmos é com os recursos angariados fora da bolha. A preservação da Terra não é uma opção ou uma prova de bom coração mas sim uma obrigação e uma necessidade. Necessidade essa que ao não ser cumprida nos leva à extinção.

Home é um novo documentário de Yann Arthus-Bertrand acerca do planeta Terra. Este ambientalista é bastante conhecido pelas suas excelentes imagens aéreas que retratam o nosso planeta de uma forma única. Este documentário além de expor toda a beleza que a Terra encerra, lança também um olhar preocupado sobre o seu futuro, alertando para uma correcta e eficaz gestão dos recursos naturais. Essa será a única forma de mantermos o planeta saudável e belo. O vídeo está disponível no Youtube (na íntegra até 14 de Junho) e a sua estreia mundial realizou-se em mais de 50 de países. Sem duvida um excelente contributo para conhecermos melhor o nosso planeta e para nos envolvermos activamente na sua protecção.

Tenciono voltar a abordar este documentário após visionar o mesmo. O próximo post sobre Home será um resumo do vídeo e a minha crítica face ao mesmo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Água | Importância e gestão

Como forma de sinalizar o Dia Mundial do Ambiente (05 de Junho), a Câmara Municipal de Lisboa decidiu implementar duas medidas que contribuem para a sustentabilidade do município.

Actualmente existem apenas 2 pontos de recolha de equipamentos electrónicos e eléctricos em todo o município e esse número será alargado para 15, tentando aumentar a recolha deste tipo de resíduos que são extremamente prejudiciais para o ambiente quando atingem o seu "fim de vida" e não são devidamente tratados e reciclados. A outra medida anunciada pela CML é uma modificação na limpeza das ruas. A limpeza urbana envolve um consumo de 2 milhões de metros cúbicos por ano. A alteração implementada é a origem dessa água que actualmente deriva da própria rede, ou seja, consome água potável. A partir do Dia Mundial do Ambiente essa água passou a ser recolhida das ETAR de Chelas e Alcântara passando a consumir água tratada resultando numa enorme poupança de água potável pois a água tratada já foi previamente utilizada. Esta tarefa ficou a cargo dos camiões cisterna da autarquia e resulta de uma parceria entre a CML, a Simtejo e a EPAL.

Tomo o Dia Mundial do Ambiente e estas duas medidas implementadas pela Câmara Municipal de Lisboa somente como ponto de partida para analisar a temática da água, focando-me na sua importância enquanto recurso vital para a vida humana, bem como para todas as formas de vida que conhecemos. Cada vez existem mais cientistas, economistas, ambientalistas, etc. a denominar a água como o "ouro azul" ou o "ouro do séc.XXI".

Infelizmente a água não tem tido grande relevo quando se aborda a luta contra as alterações climáticas. Esse campo está monopolizado pela geração de energia renovável. É importante substituir o petróleo e o carvão enquanto geradores de energia mas temos que nos recordar que esse não é o nosso único problema e como tal, temos de abordar todos os outros que somente conjugados serão capazes de apresentar uma verdadeira solução para o planeta e para a Humanidade.

Actualmente, de uma forma teórica, a água é abundante para nós (habitantes dos países desenvolvidos) pois basta ligar a torneira e até é relativamente barata, especialmente quando comparada com os preços dos combustíveis. Tudo isto leva-nos a negligenciar a verdadeira importância da água e a crescente necessidade de reduzir os nossos consumos. Sem electricidade não seria possível o mundo de hoje. Sem água não seria possível qualquer mundo.

Também do ponto de vista económico é imperativo pouparmos água e garantir a sua sustentabilidade futura. O desenvolvimento de novas potências leva a numerosos crescimentos no consumo de água per capita e vem agudizar as dificuldades globais em fornecer quantidade equivalente à procura. Países como a China estão já a sentir os efeitos da escassez da água levando-a a realizar projectos megalómanos como a construção de um túnel subterrâneo entre o Rio Amarelo e o Rio Yantzé para transferir caudal do segundo para o primeiro. Mesmo em Portugal assistimos a uma exploração cada vez mais dispendiosa dos recursos hídricos (ligada à tão contestada taxa de recursos hídricos) fruto de uma oferta cada vez menor e de mais difícil acesso. A escassez de água afectará todo o mundo mas os países do sul da Europa serão dos mais afectados. Corremos também de risco de aumentar a pobreza nos países subdesenvolvidos e de proliferar mais doenças bem como de prejudicar seriamente a agricultura a nível mundial bem como a pecuária. O seu custo será cada vez maior e à medida que cada vez menos pessoas tiverem acesso a um bem absolutamente indispensável os conflitos e tensões sociais tornar-se-ão cada vez mais frequentes e violentos. Todos os países terão de participar numa solução global para este problema e comprometer-se a implementar medidas sérias. Os projectos megalómanos apenas adiam o problema e não podemos "confiar" no gelo para nos salvar pois está a derreter a uma velocidade recorde. A dessalinização não se apresenta como solução pela elevada quantidade de energia que necessita e pelo facto da água dessalinizada não ter os mesmos componentes que a água doce.

Uma nova gestão é urgente! E a responsabilidade dessa gestão é do governo, das empresas mas também nossa. Não podemos esperar que leis e incentivos governamentais ou campanhas nos media façam o nosso trabalho. Como forma de finalizar o meu post deixo uma pequena lista com algumas sugestões ao alcance de todos nós para reduzirmos o consumo de água.

- Não tomar banhos mas sim duches rápidos.
- Verificar e reparar todas as anomalias em torneiras e canalizações.
- Regar as plantas ao final da tarde ou anoitecer para evitar uma maior evaporação.
- Lavar o carro com um balde ou com uma mangueira de pressão.
- Colocar redutores de caudal nas torneiras.
- Colocar uma garrafa de 1,5L (cheia) no autoclismo.
- Ao lavar os dentes utilizar um copo e não água corrente.
- Reutilizar a água do banho para regar as plantas.
- Utilizar a máquina de lavar loiça e de lavar roupa somente com a carga cheia.
- Desligar a água enquanto ensaboa as mãos ou coloca shampôo ou gel de banho no corpo.

sábado, 6 de junho de 2009

Livros - 2


"A Vingança de Gaia" é um livro de James Lovelock sobre alterações climáticas e o futuro do planeta Terra. A sua edição em Portugal cabe à Gradiva.

Neste livro James Lovelock oferece-nos a sua perspectiva pessoal acerca do estado de "saúde" do nosso planeta e que atitudes devemos tomar no futuro. Lovelock tem uma posição bastante extremista e é um acérrimo defensor da energia nuclear.

De uma forma directa e simples mas baseada em factos e análises, o autor desfaz as nossas esperanças de poder evitar as consequências das alterações climáticas. O planeta já está a mudar e a única coisa que podemos fazer é tentar adaptarmo-nos e desacelarar o processo. Não existe uma via fácil para a salvação da Terra e actualmente não estamos sequer perto de construir uma solução. O planeta Terra é um sistema vivo (Gaia) e está em guerra com a espécie humana. Se não mudarmos as nossas atitudes e os nossos pensamentos caminhamos para uma lenta e penosa guerra da qual não teremos hipóteses de sair vitoriosos.

Pessoalmente discordo do autor em bastantes aspectos, nomeadamente na questão da energia nuclear. Contudo, recomendo este livro pois dá-nos um "banho" de realidade demonstrando que a espécie humana não tem tudo controlado e que não existe uma "cura" milagrosa, fácil e rápida para enfrentar o nosso maior problema... A degradação do local onde vivemos e do qual dependemos para sobreviver.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Mobilidade | Meios de Transporte

Cada vez mais as populações vivem mais afastadas do seu local de trabalho. As zonas centrais das grandes cidades são demasiado caras e os subúrbios estão geralmente ocupados pelas populações de fracos recursos, constituindo frequentemente problemas de ordenamento do território e de segurança pública. A classe média tende assim a afastar-se cada vez mais do centro na sua busca de qualidade de vida. Formam-se assim centros urbanos que funcionam como autênticos "dormitórios". Estes centros são constituídos na sua quase totalidade por edifícios habitacionais, não existindo comércio nem outros edifícios públicos ou privados que sejam prestadores de serviços. De dia parecem cidades fantasma pois não existem actividades que fixem pessoas nestes locais.

Com a multiplicação destes centros torna-se necessário fornecer vias de comunicação para a deslocação diária casa-emprego e vice-versa. Infelizmente, na maioria dos casos, a única forma de nos deslocarmos é de automóvel (exemplo aqui). Essa quase total dependência do transporte privado provoca graves problemas como a elevada emissão de gases poluentes, poluição sonora, acidentes de viação, congestionamento do trânsito, perda da qualidade de vida e uma excessiva concentração de veículos ligeiros provocando uma necessidade crescente de terrenos para parqueamento e um congestionamento da cidade como um todo. É urgente procurar novas alternativas e acima de tudo, torná-las atractivas para que tenham uma forte adesão. De seguida, vou analisar os vários meios de transporte e a sua evolução. Todos têm a sua utilidade e tal como nas energias renováveis, a "solução" será uma combinação de todos, potenciando as suas vantagens e construindo uma mobilidade segura, rápida, cómoda, barata e sustentável. Analisarei não só os transportes capazes de fazer a deslocação casa-trabalho mas todos aqueles que ligam os vários pontos do mundo, seja em em curtas, médias ou longas distâncias.

Comboio - Um meio de transporte cada vez mais versátil e que se apresenta como uma solução para vários problemas. Não depende das condições de tráfego e é capaz de transportar bastantes pessoas. Comboios urbanos e suburbanos conseguem fazer as ligações casa-emprego sem congestionar as cidades e sem toda a poluição associada. Poderia ser mais utilizado no transporte de mercadorias. Para se tornar sustentável necessita que a produção eléctrica para o seu funcionamento provenha de fontes renováveis. É necessário investir também na segurança e na competitividade económica. A grande desvantagem do comboio é a sua fraca mobilidade, ou seja, não se consegue adaptar a rotas alternativas, estando limitado às linhas ferroviárias. Para compensar este factor é necessário investir no transporte intermodal para que as estações ferroviárias disponham de outros meios de transporte (táxis, metro, autocarros, etc.) capazes de fazer as ligações mais específicas. Com a proliferação dos comboios de alta-velocidade poderia ser rápido e cómodo viajar por toda a Europa evitando os check-in e check-out que os aeroportos nos obrigam. Na minha opinião, este meio de transporte deveria ser privilegiado a nível local, regional, nacional e europeu tanto no transporte de mercadorias como de passgeiros. Uma mobilidade do futuro e com vista a resolver os problemas associados à mesma terá de englobar o comboio como uma solução principal.

Avião - O mais rápido dos meios de transporte. Excelente para transportar pessoas em viagens de longa distância e para transportar mercadorias perecíveis. Provavelmente o mais díficil de tornar sustentável tendo em conta a sua enorme necessidade de energia, contudo já existem motores de nova geração que consomem menos 15% que os actuais o que é um excelente primeiro passo. É necessário apostar fortemente na investigação para que os avioes se tornem cada vez mais rápidos e gastem cada vez menos energia o que consequentemente os tornará cada vez mais económicos. Penso que actualmente este meio de transporte poderia perder alguma da sua importância especialmente nos vôos domésticos e europeus em detrimento do ferroviário. O avião é insubstituível mas pode ser "fintado" em médias distâncias, continuando com a sua primazia no longo curso e numa crescente banalização da sua utilização consequência de preços cada vez mais atractivos e de uma burocracia cada vez menor. É necessário apostar na evolução do transporte aéreo mas numa perspectiva de mobilidade futura penso que este meio de transporte terá de perder "peso".

Barco - A grande vantagem do transporte marítimo é a sua gigantesca capacidade de carga. Consegue transportar enormes quantidades de mercadorias de uma ponta do globo para a outra. Nesta perspectiva não vejo, num futuro próximo, qualquer "concorrente" para este meio de transporte. Não havendo possibilidade de o substituir é necessário adaptá-lo à mobilidade futura. Tal como no avião, existem tecnologias que permitem consumir menos energia mas em relação ao comboio e ao automóvel, o barco continua bastante atrás numa óptica de mobilidade sustentável. A solução é a contínua aposta na investigação. Penso que é necessário as trocas comerciais se processarem mais próximas, tentando diminuir a necessidade de barcos de elevado porte. Contudo as trocas intercontinentais terão tendência para aumentar sendo necessário construir barcos cada vez maiores e que consumam cada vez menos energia. O desenvolvimento dos portos e sua ligação com outros meios de transporte é também um sector essencial para o desenvolvimento do transporte marítimo.

Automóvel - É o mais utilizado e aquele que acarreta maiores problemas. Todos nós nos temos que mentalizar que uma mobilidade futura compreende uma forte redução na quantidade de automóveis utilizados. Não é sustentável de nenhum ponto de vista cada um de nós se deslocar diariamente de automóvel, percorrendo distâncias cada vez maiores. Vejo o futuro do automóvel como um meio de transporte que utilizamos em casos de excepção e não como um meio de transporte para as deslocações rotineiras, independentemente da distância percorrida. É necessário apostar mais nos transportes colectivos como o autocarro e o comboio e desincentivar a utilização do automóvel. Sou a favor de medidas como portagens à entrada das cidades desde que existam alternativas e desde que os transportes colectivos sejam seguros, cómodos e económicos. É preciso estudar as alternativas, implementá-las e de seguida fomentá-las, incentivando a sua utilização e desincentivando a utilização do automóvel. Só reunindo todas estas condições é que será possível realizar mudanças em grande escala. A redução do número de automóveis particulares não se esgota apenas na utilização de transportes alternativas. Iniciativas como o car-sharing devem ser apoiadas e por fim, deve-se desenvolver uma tecnologia sustentátel em torno deste meio de transporte. É importante reduzir o seu número mas é igualmente importante que os existentes não poluam, e nesse campo, o automóvel apresenta-se numa estado avançado de desenvolvimento estando a sua massificação para breve.

Bicicleta - A utilização de meios de transporte como a bicicleta são completamente ignorados como uma solução para a mobilidade sustentável. Numa mobilidade do futuro o uso de bicicletas e outros meios de transporte similares (por exemplo a Segway) têm de ser encarados com seriedade e o seu uso massificado tem de ser promovido. É necessário uma autêntica "corrida" à construção de ciclovias dotando todos os centros urbanos de poderosas ligações. É necessário também um forte investimento na educação das populações para sensibilizar as mesmas em torno das várias vantagens que este tipo de transporte encerra (vantagens económicas, sociais, ambientais, etc.). Para assegurar o sucesso da massificação do uso da bicicleta nas deslocações diárias é necessário dotar as cidades e os outros meios de transporte de equipamentos que visem o seu transporte e parqueamento. Uma mobilidade futura tem de assegurar que os autocarros e os comboios conseguem transportar bicicletas e que as cidades têm locais para as parquear. Um veículo que actualmente se ignora encerra em si uma grande solução para a mobilidade futura.

Resumindo, a actual mobilidade não é sustentável de nenhum ponto de vista e é necessário alterar a realidade. Nenhum meio de transporte pode ser substituído na sua totalidade mas o seu peso tem de ser alterado e em todos eles é possível desenvolver tecnologias que levem a melhorias. Melhorias essas que podem começar em cada um de nós e com a forma como nos deslocamos pois devemos ser os primeiros a procurar soluções e a exigi-las caso não existam. A mobilidade é essencial para a nossa sociedade e reflectirá o futuro que queremos construir.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

China | Economia, Ambiente e Sociedade

O dragão vermelho é sem dúvida um país bastante interessante de estudar numa óptica do seu futuro e, consequentemente do futuro do mundo. A sua dimensão geográfica, a sua quantidade de população, a sua produção industrial e acima de tudo o seu dinheiro, tornam a China numa gigantesca potência em franco crescimento, mesmo com uma crise mundial.

A sua economia merece por mérito próprio ser estudada por todos nós, encerrando em si diversas lições. A mão-de-obra barata foi um pilar do milagre económico chinês tornando este país no "produtor do mundo", exportações essas facilitadas pela crescente globalização. Um crescimento "viral" que se multiplicava sozinho mas sempre com o olhar atento do Estado. Não era necessário dinamizar a procura interna enquanto os países ocidentais tivessem dinheiro para gastar e condições para se endividar consumindo sofregamente os produtos oriundos de Pequim. As obras megalómanas em torno do Jogos Olímpicos foram uma pequena amostra do poderio económico chinês revelando essa nova face ao mundo. Com uma crise de procura global que veio atingir fortemente as exportações chinesas, o tendão de Aquiles da sua economia, Pequim não esperou por uma cura milagrosa e decidiu agir. Quer se concorde ou não com a opção chinesa para solucionar a crise, há que dar o mérito devido a Wen Jiabao por agir de forma rápida e decisiva. Para contornar o problema da falta de procura dos seus produtos nos mercados internacionais, a China aposta agora numa dinamização do consumo interno, aproveitando o recursos endógeno que é a sua elevadíssima população. Isto permite à China "fintar" parte da crise e ao mesmo tempo assumir menores riscos em relação a crises futuras deste género. Apostou também no investimento público como forma de reanimar artificialmente a procura, ou seja, o Estado absorve a produção com as suas obras enquanto os privados se mostram relutantes. Ao mesmo tempo este investimento gera emprego e incentiva o consumo interno conferindo outra ajuda ao escoamento da produção. Seja a melhor opção ou não o governo chinês pode-se gabar de algo que a Europa não pode... Actuar! A China está a propor ao mundo uma alternativa a seguir, tal como um líder propoe um caminho à sua tribo.

As alterações climáticas e o meio ambiente estão cada vez mais na ordem do dia e o regime chinês está atento. Apesar de inaugurar 2 centrais a carvão por semana, a China será provavelmente pioneira em muitas áreas da conservação do meio ambiente e será capaz de fazer uma adaptação relativamente rápida à produção de energia por fontes renováveis. Costumo dizer que tudo o que é chinês é megalómano e a área do ambiente não será diferente. A China é o maior poluidor mundial em termos brutos (em emissões per capita continua muito atrás do maior poluidor, os EUA) mas será dos países com uma transação mais fácil para a sociedade "carbono zero". Veja-se o exemplo dos sacos de plástico. A sua distribuição gratuita foi pura e simplesmente proibida reduzindo a sua quantidade drasticamente. O regime de Pequim é, para o bem e para o mal, um regime forte e a população chinesa acata no geral as "ordens" do seu governo. O plano de estímulos chinês investe mais do dobro em energias "verdes" que o plano de Obama, plano esse apelidado de "Green New Deal". A China está actualmente a fazer investimento colossais em investigação ligada à problemática das alterações climáticas. O pós-Quioto será revelador da posição chinesa mas acredito que quando a China quiser mudar o seu rumo vai fazê-lo "à maneira chinesa", ou seja, de uma forma megalómana. E acredito que essa metamorfose ocorrerá rapidamente pois Wen Jibao já se apercebeu que ambiente e economia andam de mãos de dadas. Possivelmente a China passará de maior poluidor mundial para maior produtor mundial de energias renováveis num relativo curto espaço de tempo. E aí a Europa e os EUA vão lamentar todas as indecisões e todas as metas enfraquecidas e ainda assim, sucessivamente inatingidas.

O mundo está em constante evolução e esta crise é capaz de acelerar determinados fenómenos. Num país que está a sofrer as alterações que a China sofre, essa transformação na sociedade é ainda maior. Será interessante caracterizar o estilo de vida chinês em 2020-2030 e verificar que a política e economia chinesa são únicas e têm os seus trunfos para jogar na política internacional.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Ambiente | Futuro | Loucura?

A edição nº846 da revista Visão (referente a 21/05 até 27/05) tem como tema de capa "Como Salvar a Terra do Calor do Sol". Este título refere-se a vários megaprojectos que vão ganhando cada vez mais apoiantes e sobre os quais se pondera cada vez mais a sua efectiva concretização. Tal acontece porque cada vez mais cientistas (e não só) não acreditam que os líderes mundiais sejam capaz de agir atempadamente, reduzindo as emissões de gases poluentes e travando o aumento do aquecimento global. Seguem-se esses projectos inovadores:

1) Escudo Solar - Um escudo solar a orbitar em torno da Terra com 2 mil quilómetros quadrados constituído por 16 biliões de placas de vidro conseguiria filtrar 2% da radiação solar, o suficiente para conter o aquecimento global. Este escudo apesar de actuar directamente sobre o problema sem efeitos colaterais e com uma possibilidade de destruição caso algo corra mal tem como inconvenientes o seu transporte e o seu elevadíssimo custo de fabrico.

2) Água salgada na atmosfera - Mil aspersores (navios gigantes com chaminés) sediados nos vários oceanos seriam capazes de expelir 15.800 metros metros cúbicos de água por segundo em direcção ao céu, aumentando a capacidade de reflexão das nuvens. Apesar de na teoria este projecto não ter qualquer efeito negativo para o ambiente seria preciso um imenso esforço internacional para construir os mil aspersores e para os sustentar visto serem autênticos sorvedouros de energia.

3) Material reflector em larga escala - Plataformas de plástico ou película espelhada sediadas nos oceanos e nos desertos seriam capazes de aumentar o albedo da Terra. Este processo não interferiria com o ambiente visto apenas "imitar" o poder reflector do gelo mas somente quantidades inimagináveis de material poderiam aumentar os actuais 30% de luz solar que a Terra envia de volta para o espaço.

4) Dióxido de enxofre na atmosfera - A injecção de dióxido de enxofre na estratosfera (entre 1,5 a 4,5 milhões de toneladas) iria aumentar a quantidade de calor bloqueado pela Terra. Este método tem eficácia comprovada e as quantidades exigidas são perfeitamente exequíveis. Contudo o dióxido de enxofre interfere com a camada de ozono e pode provocar chuvas ácidas além das reservas demonstradas por vários cientistas quando se manipula quimicamente a atmosfera.

5) Aspiração do CO2 - Além da captação e sequestro do CO2 produzido pelas centrais termoeléctricas (CCS) existem projectos para máquinas que "purificam" o ar. Utilizando soda cáustica conseguem absorver ar contaminado com dióxido de carbono e "devolvê-lo" com níveis bastante inferiores. Os principais problemas são a quantidade de máquinas necessárias (tendo em conta os actuais níveis de CO2 e o seu presumível aumento), respectivo consumo de energia e locais onde se armazene em segurança o dióxido de carbono sequestrado.

6) Cultivo oceânico - O pó de ferro introduzido nos oceanos origina uma maior concentração de fitoplâncton à superfície. Esta teoria é provada pelas várias erupções vulcânicas. Tal como todas as outras plantas, o fitoplâncton absorve dióxido de carbono surgindo a ideia de "cultivar" os oceanos com ferro para que estes aumentem a sua capacidade de absorção de CO2. Apesar de ter eficácia comprovada desconhece-se os efeitos desta técnica nos cada vez mais frágeis ecossistemas marinhos.

Pessoalmente não considero que nenhum destes projectos seja a solução em si mas apenas um plano de recurso como afirmam muitos cientistas. A solução passa por parar a desflorestação, criar reservas naturais terrestres e marinhas e fazer uma fiscalização efectiva nas mesmas, remodelar as áreas urbanas e industriais florestando as mesmas, apostar fortemente na eficiência energética, investir em fontes de energia renovável com especial ênfase em projectos locais e continuar a investigação em melhorar a nossa mobilidade, rumo a uma alternativa sustentável. Estes são para mim, alguns passos essenciais para encarar o problema de "frente" e tentar resolvê-lo.

Não prevejo grande sucesso para a ideia dos aspersores visto ser demasiado complicado construir e manter um milhar deles, especialmente tendo em conta a quantidade de energia que gastam. O mesmo se aplica em relação à aplicação de materiais reflectores em desertos e oceanos. A quantidade é simplesmente demasiada para ser posta em prática. É verdade que o dióxido de enxofre tem a sua eficácia comprovada, contudo sou contra a alteração química da atmosfera pois temo os efeitos nefastos e irreversíveis que tal manipulação possa gerar. O CCS é uma tecnologia prometedora e com vários projectos já implantados com sucesso. Tal como os aspersores, para mim a solução não passa por milhares (milhões?) de máquinas purificadoras absorvendo quantidades cada vez maiores de CO2. Vejo o a aspiração como uma tecnologia de adaptação e de "remediação", ou seja, sou a favor que as centrais termoeléctricas enterrem o CO2 que produzem em poços de gás e petróleo já esgotados até que sejam substituídas por fontes de energia renovável. Sou também a favor que após atingirmos uma sociedade "carbono zero" (parando o aquecimento global) aspiremos algum CO2 para reverter aquilo que já poluímos em demasia. Em relação ao cultivo oceânico, sou completamente contra pelo mesmo motivo que da injecção de dióxido de enxofre na atmosfera. Os efeitos nos ecossistemas marinhos são imprevisíveis e possivelmente irreversíveis. A única solução que me alicia verdadeiramente como "plano B" é o tal escudo solar visto não interferir directamente com o nosso planeta e ser fácil de o desactivar caso se comprove que a sua utilização não é benéfica.