segunda-feira, 15 de março de 2010

O melhor amigo do homem? A galinha!

A galinha está a um passo de destronar o cão como melhor amigo do Homem. Apesar do seu aspecto pouco apelativo e da sua relação com o dono estar pouco desenvolvida este animal detinha já alguns trunfos a seu favor.

O primeiro deles é claro a quantidade de ovos que nos oferece ao longo da sua vida. Ovos indispensáveis especialmente para aqueles com pouco jeito para cozinhar (como eu) e que se contentam com uma omelete para saciar a fome. Além dos ovos podemos comer a galinha e fazer uma sopa com ela, ao passo que o cão além de não ser "comestível" ainda devora a taça da ração a uma velocidade assustadora. Até aqui poderia parecer um empate sem fim à vista mas eis que a galinha chega com um argumento de peso para resolver o impasse.

Os tais "restos" que se dão às galinhas são uma importante medida de redução na produção de lixo. Basta verificarmos que praticamente todos os materiais são já recicláveis (papel, vidro, plástico, pilhas, electrodomésticas, móveis, etc.) sobrando os resíduos orgânicos. Estes podem ser colocados num compustor para produzir adubo mas apenas uma parte serve para esse efeito, sendo a galinha menos selectiva nos resíduos que consome conseguindo assim uma maior taxa de redução.

Esta teoria foi já posta em prática em Mouscron, Bélgica e parece estar a ter bons resultados. 50 pares de galinhas foram distribuídos por vários habitantes com moradias para que possam assim deixar produzir praticamente lixo algum. As idas ao caixote do lixo para despejar os sacos são coisa do passado. O futuro passa por dar o "lixo" à galinha.

Uma medida natural e cuja importância deve ser valorizada como mais uma boa ideia para o "cabaz" de soluções de reaproveitamento e reciclagem de produtos e resíduos.

É caso para dizer que é preciso acrescentar uma galinha ao lado de cada ecoponto.

terça-feira, 9 de março de 2010

Táxis com Internet

A partir de 09 de Março os utilizadores de táxi em Taiwan vão poder utilizar a internet de forma gratuita enquanto estão naquele meio de transporte. São mais de 1.000 os veículos que irão transportar consigo esta tecnologia fornecida pela empresa de telecomunicações VMAX.

Esta é uma iniciativa que permite rentabilizar recursos e gerir melhor o tempo a quem utiliza de forma frequente os táxis ou simplesmente uma maneira recreativa de passar a viagem para quem não é um utilizador comum. Qualquer que seja o tipo de passageiro penso que esta é uma iniciativa original e bastante positiva. Talvez se desenvolvessemos este tipo de tecnologias e medidas em Portugal o táxi poderia tornar-se num meio de transporte mais "banal" fomentando a sua utilização e tornando-o mais apelativo.

É caso para dizer que para onde quer que vamos a Internet vai connosco.

domingo, 7 de março de 2010

Vinhos - para beber e vender

A vinicultura e viticultura são actividades extremamente importantes para o nosso país. O vinho é, em vários sentidos, um símbolo de Portugal e dos portugueses.

O vinho conta de certa forma a história do nosso país, faz parte da tradição, faz parte do "ser" português. Do Norte ao Sul, do continente às ilhas, praticamente todas as regiões produzem vinhos de qualidade que deliciam não só os consumidores portugueses, mas apreciadores de vinho do mundo inteiro. A arte de fazer vinho está no sangue dos portugueses e, actualmente, nos seus laboratórios também.

Se pensarmos no conjunto de indústrias que "giram" à volta do vinho apercebemo-nos da sua grande importância económica e social. E compreendemos que é um sector onde podemos e devemos apostar com vista a alcançar um futuro de sucesso. O vinho gera emprego e riqueza um pouco por todo o país contribuíndo para o desenvolvimento regional e para a diminuição das assimetrias regionais. É uma fonte de exportação não só de produtos mas da própria imagem de Portugal. A exportação da imagem do país é tão forte que potencia a criação de um segmento específico de turismo (Enoturismo). Apesar de ser uma área com uma história de vários milénios existe ainda um grande potencial no desenvolvimento de novos e melhores vinhos. É este potencial que leva a um crescente investimento em investigação e desenvolvimento, uma componente cada vez mais importante no vasto mundo dos vinhos e aquela cuja futuro parece mais promissor.

Ao olharmos para esta vastidão reparamos que o vinho emprega muitas pessoas com vários graus de qualificação e de ínumeras áreas de formação. Uma aliança entre o saber do passado e a tecnologia do futuro é a chave para expandir o sucesso deste campo e agarrar todo o seu potencial. A investigação vai ter um papel cada vez mais importante pelo que a aposta na viticultura é extremamente importante. Esta investigação além de possibilitar melhores e mais variados vinhos tem também outras aplicações como por exemplo para fins medicinais. O enoturismo é também uma área que poderíamos desenvolver mais já que este tipo de turismo está muitas vezes interligado à história de uma determinada região. Além de um melhor aproveitamento destas áreas devemos também fomentar um aumento na exportação dos nossos vinhos. Tendo em conta a disseminação da produção mundial de vinho e a entrada de novos "players" o preço é algo em que não podemos, ou raramente podemos competir. O mesmo não se passa em relação à qualidade onde temos as armas necessárias para nos conseguirmos impôr e penetrar cada vez mais no mercado global. As relações privilegiadas que mantemos com "meio mundo" podem ser uma porta de entrada bastante significativa especialmente se tivermos conta que são países com um desenvolvimento económico acelerado sendo espectável que o consumo de vinho nos mesmos aumente, focando a nossa atenção para os vinhos "gourmet" e de qualidade. A forte componente turística do nosso país associada ao facto de produzirmos vinho em praticamente todas as regiões pode ser também um pólo de difusão dos vinhos. A comunidade de emigrantes pode também funcionar como um catalisador nos mercados dos seus respectivos países, especialmente nos novos destinos de emigração (por exemplo o crescente número de portugueses que se está a fixar em Angola). Temos vinhos de qualidade capazes de competir a nível mundial e temos várias ferramentas para os promover e difundir.

Em suma acredito que esta área historicamente importante para o nosso país pode desempenhar um papel ainda maior na construção do nosso futuro com os benefícios económicos, sociais e culturais associados. Vinho made in Portugal - para beber e vender.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Desenvolvimento Regional

Numa altura em que o nosso país é assustadoramente assolado pelo desemprego torna-se ainda mais importante a árdua tarefa de tomar medidas no sentido de fomentar o desenvolvimento regional. É preciso criar postos de trabalho, criar oportunidades para uma melhor qualidade de vida, fomentando assim a fixação de pessoas em locais que têm vindo progressivamente a ser abandonados.

A grande maioria das pessoas que "foge" desses locais é por sentir que estes não lhe oferecem as oportunidades e as condições para obter uma vida melhor. A solução, na sua forma genérica, é a de criar essas oportunidades para que se possa inverter o ciclo actual. Apesar de considerar importante termos um ou dois pólos fortes economicamente que "representem" Portugal a nível internacional o desenvolvimento da totalidade do território é extremamente importante para a competitividade do país e para o bem-estar social. Existem benefícios locais e regionais que não podem ser aproveitados se os investimentos se concentrarem em meia dúzia de zonas. A utilização de recursos endógenos alia muitas vezes a componente social à componente económica, sendo possível recolher benefícios em ambas as áreas. O que fazer então para potenciar o desenvolvimento regional?

Uma das medidas que penso que deveriam ser adoptadas é um investimento de "especialização". Isto significa um conjunto de investimentos no mesmo local centrados na mesma área mas que abragessem todos os campos da mesma. Veja-se um exemplo:

Tranformar Évora na "capital" do desporto. Realizar investimentos em Évora no sentido de criar centros de alto rendimento, unidades hoteleiras especializadas, centros de investigação de medicina desportiva e outros centros de investigação relacionados (por exemplo investigação no campo da inovação do material desportivo para diversas modalidades), uma universidade com cursos relacionados (educação física, fisioterapia, etc.), uma escola com cursos profissionais relacionados, comércio especializado, um centro especializado em desporto adaptado, complexos desportivos variados, entre outros.

Apesar de todos os investimentos terem a mesma base a sua diversidade garante uma maior competitividade económica e uma bolsa de emprego relacionada com ínumeras áreas de formação e de vários graus de qualificação. Teríamos condições para receber provas desportivas de múltiplas modalidades tirando partido das suas vantagens económicas directas e indirectas (como o turismo ou o comércio), teríamos melhores condições para treinar os nossos atletas e teríamos mais hipóteses de inovar e de nos afirmarmos neste campo.

Este investimento viria no sentido de complementar aquilo que já existe no nosso país e não no sentido de passar todo o desporto para Évora. Criar condições para modalidades que actualmente não as têm, melhorar as condições para as existentes, apoiar a investigação e inovação, receber mais provas internacionais em mais modalidades, aumentar as qualificações, preparar melhor os atletas portugueses. Estes são alguns dos objectivos. Tudo aliado ao desenvolvimento regional possibilitando oportunidades de emprego e de qualidade de vida. É um investimento que pretende "subir a fasquia" e não tirá-la de um lugar para a colocar noutro.

Este é apenas um exemplo do tipo de especificação e de investimentos que penso serem uma boa solução para apoiar as comunidades locais, estimulando o desenvolvimento regional por forma a criar um tecido económico assente na totalidade do território e capaz de combater os níveis de desemprego actuais fixando as populações em locais que estão "condenados a desaparecer". O desenvolvimento regional como um estímulo económico e social.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Masdar

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Esta é a cidade do futuro, Masdar. Localizada perto de Abu Dhabi surge como um passo de gigante dado pelos Emirados Árabes Unidos (EAU) rumo a um futuro sustentável. É uma cidade construída de raiz que irá albergar 40.000 pessoas e criar 70.000 postos de trabalho. Será a primeira cidade do mundo com emissões neutras de carbono e zero desperdício bem como com um consumo de água substancialmente inferior ao normal (menos 75%). Uma iniciativa que pretende ser a "maquete" para uma revolução global que mude a face das nossas cidades.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Um novo ensino superior

O investimento mais "rentável" para qualquer Estado é no capital humano. Um país necessita de qualificações para progredir e alcançar o desenvolvimento económico e social. Empregos qualificados e especializados geram indústrias de ponta, investigação e desenvolvimento de qualidade bem como melhores condições de trabalho para os trabalhadores. São o "motor" económico de um país mas também um motor para melhorias das condições de vida.

Na base da especialização e da elevada qualificação está o ensino superior. Só com um ensino superior de qualidade e acessível a todos é que poderemos criar uma sociedade apta para enfrentar novos desafios e receber indústrias que exigam o máximo das nossas capacidades intelectuais. Pessoalmente creio que a maioria das nossas universidades tem uma qualidade algo elevada (pelo menos no sistema público) e é de louvar o número de portugueses que se destacam em praticamente todas as áreas. É urgente multiplicar investimentos no sentido de aumentar o número de oportunidades e de ofertas de emprego para pessoas com cursos superiores. Contudo, além da aposta na criação de oportunidades de emprego, é preciso também tornar o ensino superior completamente acessível. Só "atacando" as várias frentes do problema é que conseguiremos, gradualmente, substituir a nossa força de trabalho baseada na mão-de-obra barata e sediada em indústrias com fracas perspectivas de futuro por uma mão-de-obra extremamente qualificada e capaz de realizar tarefas que poucos conseguem. Esta é no meu entender o tipo de competitividade pela qual Portugal pode e deve lutar.

O ensino superior deve ser encarado assim como um investimento para o futuro e não como uma "despesa". A contrapartida para o facto de os contribuintes deverem sustentar este investimento é o de que este será útil e proveitoso para todos nós. É a "justificação" para devermos gastar cada vez mais e melhor neste campo. Proveitoso no sentido de formarmos pessoas que terão empregos bem remunerados em áreas que criam bastante riqueza para o país, aumentando as exportações e reforçando a competitividade do país. Mas o investimento deve, na minha opinião, mostrar os seus frutos desde o 1º ano de faculdade. E como mostrar esses frutos?

Através de um sistema de aulas práticas/estágios em que os alunos universitários realizavam desde o primeiro ano de faculdade uma espécie de "serviço comunitário". Estes "estágios" seriam extremamente positivos para o aluno pois no final do curso teria já bastantes experiências extra-curriculares e para a comunidade que seria "servida" de forma gratuita. Estas aulas ou estágios poderiam por exemplo funcionar numa base semanal ou quinzenal (imagine-se por exemplo uma carga horária de 2-3 horas por quinzena).

Dou agora o meu exemplo pessoal imaginando que este sistema estava em vigor. Estou no primeiro ano do curso de Direito. É óbvio que pouco sei comparado com os conhecimentos que tenho de ter para ser um verdadeiro jurista. Mas posso realizar tarefas úteis que exijam poucos conhecimentos específicos e que estejam algo relacionados com a minha área académica. Podia por exemplo redigir actas ou fazer um pouco do trabalho burocrático relacionado com os tribunais e com a justiça em geral. Estava a fazer algo relacionado com o meu curso, estava a adquirir experiência e estava a ser "útil" à sociedade. Um voluntariado relacionado com o curso que era digamos uma espécie de "agradecimento" pelo investimento feito em mim. A exigência de conhecimentos iria aumentando semestre após semestre à medida que os estágios ficavam cada vez mais complexos.

Penso que a adopção deste sistema tornaria possível por exemplo a eliminação de propinas tornando o ensino superior mais acessível à generalidade da população produzindo mais e melhores diplomados. Um investimento no futuro do país que mostrava os seus benefícios desde o primeiro minuto!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Plug-in Paris

Paris prepara-se para dar um grande passo rumo à sua sustentabilidade. Depois de em 2007 a cidade ter sido "inundada" por bicicletas para aluguer (10.000) o presidente da câmara prepara uma nova iniciativa para 2011. Encher a cidade com carros eléctricos para aluguer.

Tendo como base o sucesso do programa implementado em 2007, Paris decidiu levar o conceito mais longe ao querer alargar esta rede de "aluguer sustentável" aos carros eléctricos. O programa será composto inicialmente por 3.000 veículos que podem ser encontrados em 27 munícipios da cidade. O custo por dia será de 49 euros sendo que as reservas poderão ser feitas pela internet, telefone ou via SMS.

Com este tipo de programas e iniciativas pretende-se não só melhorar o ambiente da cidade em si devido a menores emissões de gases poluentes mas acima de tudo alterar mentalidades. As pessoas podem desfrutar e descobrir os benefícios de andar de bicicleta sem terem de comprar uma. Depois de constatarem que é um veículo perfeitamente capaz de satisfazer as suas necessidades de mobilidade irão tornar-se muito mais receptivas e quem sabe, alterar por completo a forma como se deslocam diariamente. O mesmo em relação aos carros eléctricos. Esta iniciativa permite que as pessoas experimentem este tipo de veículos e ao descobrirem as suas vantagens irão certamente ser influenciadas quando decidirem adquirir um carro novo.

Tendo em conta experiências anteriores e com os incentivos adequados, penso que estas iniciativas têm todos os "ingredientes" para serem um sucesso. Espero que daqui a uns anos estes sistemas sejam um ponto em comum de todas as grandes cidades europeias.

Firefox em ponto pequeno

O Mozzila Firefox é um dos navegadores de internet mais famosos e utilizados pelos cibernautas do mundo inteiro, ficando apenas atrás do Internet Explorer da Microsoft. Contudo a "distância" tem vindo a ser encurtada e a Mozzila procura agora dar outro passo nesse sentido. Lançar o seu Firefox para os telemóveis. Por enquanto a aplicação apenas é compatível com dois modelos da marca Nokia (N900 e N810).

Será interessante ver como respondem a Microsoft e a Google a este desafio por parte da Mozzila. É que enquanto a Internet Explorer perde gradualmente a sua hegemonia e a Google se desdobra em esforços e iniciativas para disseminar o seu Google Chrome o Firefox está, a pouco e pouco, a conquistar cada vez mais adeptos entre os utilizadores de internet.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Emprego precisa-se

Com a crise económica e financeira internacional veio também o "pesadelo" do desemprego. Um pouco por todo o mundo, milhões de empregos foram destruídos num curto espaço de tempo afectando gravemente o desenvolvimento económico e social desses países.

O desemprego é um flagelo que causa pobreza, agitação social, insegurança, entre tantos outros efeitos nefastos para uma sociedade. Também a nível económico o desemprego é avassalador. Aumentam as despesas com subsídios de desemprego e de apoio social, diminuem as receitas com impostos por via da diminuição do consumo e o volume da segurança social encolhe com menos pessoas a descontar e mais a receber. É um entrave ao desenvolvimento de um país e à prosperidade de uma população. Como tal considero que o combate ao desemprego deve ser o "núcleo duro" de uma governação em tempo de crise. Existem várias formas e maneiras de o fazer mas a prioridade deve ser comum.

Nos EUA Obama alivia impostos às PMEs para lhes facilitar o acesso ao crédito e permitir a sua modernização e coloca em prática ínumeros projectos relacionados com ambiente, telecomunicações, vias de comunicação, etc para criar novos empregos e oportunidades de negócio. Para financiar este seu estímulo à economia pretende aumentar os impostos para as pessoas singulares mais abastadas bem como criar novas taxas aos bancos para que o governo "receba de volta" uma parte da ajuda enviada aos bancos no início da crise financeira. Além disto pretende também cortar com cerca de 120 programas federais sendo que um dos mais mediáticos é aquele que previa uma nova expedição tripulada à Lua até 2020.

Por cá o governo tem apostado numa forte parceria com as IPSS para criar empregos com especial destaque para a reinserção no mercado de trabalho de pessoas que dependiam do RSI (rendimento social de inserção). Outra ferramenta que pode desempenhar um papel chave no combate ao desemprego é o microcrédito através do novo Plano Nacional de Microcrédito. Um pacto entre governo, bancos, sociedades financeiras e Associação Nacional de Acesso ao Crédito pode resultar em empréstimos até 25 mil euros com taxas de juros bonificadas a serem concedidos a pessoas com poucas ou nenhumas garantias do ponto de vista financeiro. As obras grandes públicas têm sido também apontadas como uma saída para o preocupante crescimento do desemprego nacional.

Independentemente da minha opinião pessoal sobre as medidas em si creio que a prioridade está bem definida em ambos os casos. Uma espiral crecente de desemprego é extremamente negativa sobre todos os pontos de vista. Sem emprego não há criação de riqueza, não há exportações, não há consumo, não há inovação, não há crescimento. Existe apenas uma degradação social fortemente vincada e com impactos económicos muito grandes. Para retomarmos o caminho do crescimento económico e do desenvolvimento social é urgente dizer "Emprego precisa-se!".

Cardmobili

Todos nós somos "vítimas" dos cartões de fidelização por parte de todo o tipo de empresas. Desde os cartões em cartão que nos oferecem nos restaurantes e cadeias de fast-food onde vão caribando os nossos menus até nos podermos deliciar com uma refeição grátis, ao pontos que acumulamos por abastecer o nosso carro ou por fazer compras num determinado hipermercado, eles estão por todo e vieram para ficar.

Uma estratégia bastante positiva para a empresa porque garante um consumo contínuo por parte do cliente mas na qual recebemos algo em troca da nossa fidelidade e preferência. A disseminação desta estratégia foi extremamente rápida dado que é bastante simples e aplicavél a praticamente todas as áreas de consumo. Infelizmente causam um excesso de material nas nossas carteiras e é frequente esquecermo-nos dos cartões em casa ou de nem nos darmos ao trabalho de os trazer bem como de não querermos fazer novos. Algumas empresas diminuem o tamanho dos seus cartões, outras passam a oferecê-los por forma a serem incluídos no porta-chaves mas nada disto resolve de forma definitiva e prática o nosso problema. É aí que entra o Cardmobili.

Esta é uma tecnologia que nos permite substituir todos os cartões de fidelização por uma simples aplicação no telemóvel. Basta descarregar a mesma no site da empresa que criou esta tecnologia e inserir os dados que estão nos cartões. Com esta "carteira virtual" podemos aceder a todos os cartões de fidelização de uma forma rápida, cómoda e eficaz. Com um potencial tão promissor é de esperar que a sua disseminação se desenrole de forma igual à disseminaçao dos cartões em si, fazendo-os desaparecer de uma forma tão rápida como apareceram. A empresa pretende agora alargar o leque de parceiros bem como exportar o modelo para outros mercados.

Uma excelente inovação que será bastante útil tanto para as empresas como para os consumidores.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

OE 2010 e Agências de Rating

Muito se tem falado nos últimos tempos acerca do estado das contas públicas portuguesas e da resposta do Orçamento de Estado para 2010 face a essa mesma situação. O governo português tem sido constantemente pressionado pelas agências de rating e por vários economistas bastante conceituados a nível internacional. Estes ratings e recomendações têm um peso real no futuro de Portugal já que influenciam quanto custa ao estado português pagar a sua dívida ao exterior.

Existem sem dúvida diversas matérias onde discordo do governo em relação ao orçamento, sendo que eu tomaria outras opções nomeadamente em cortes de despesa e em ganhos de receita. Independentemente da minha posição em relação ao OE 2010 penso que existe uma pressão "exagerada" sobre o nosso governo no sentido de diminuir o défice. É certo que Portugal tem um elevado nível de endividamento e que devemos gerir com seriedade as finanças nacionais. O dinheiro não é infinito e concordo que o défice terá de ser severamente reduzido. Aquilo que não concordo é que o défice seja reduzido de uma forma drástica no curto prazo caso isso tenha sérias repercussões sociais negativas. Para mim, acima dos números do défice estão os números da educação, desemprego e outros dados relativos ao desenvolvimento social. Se uma determinada situação (como a grave crise internacional que ocorreu e cujos efeitos são bem vísiveis a nível mundial) exige que se aumente o nível de dívida para colmatar um desemprego galopante então penso que essa é a escolha acertada. Uma austeridade financeira em demasiada num período como este pode levar a graves consequências sociais cujo efeito irá sem dúvida alastrar-se para o campo económico. Se continuarmos a perder emprego sem que essas perdas tenham um "fim à vista" então a quebra nas receitas será contínua e por mais cortes orçamentais que sejam realizados não existe economia que possa crescer nesse cenário. Cabe ao estado estimular a economia e criar de forma directa ou indirecta novas oportunidades de emprego e de desenvolvimento social. Se isso significa um aumento da despesa então a despesa deve ser aumentada. Estamos a aumentar a dívida mas estamos também a criar uma economia mais robusta com um crescimento maior no futuro, ou seja, uma economia que seja capaz de suportar essa dívida.

Para mim a dúvida não é se devemos gastar mas sim onde gastar. Não acredito em planos que suspendam por exemplo o TGV. Mas acredito em planos que digam "invés do TGV porque não fazer antes o projecto X que cria mais emprego e consome menos dinheiro?" Esta é para mim a alternativa. Não é pressionar o governo a fazer cortes que podem penalizar gravemente a economia e acima de tudo a sociedade. É pressionar o governo a combater os desperdícios que existem e propor alternativas de investimento com uma relação custo/benefício mais elevada que os investimentos propostos pelo governo. Repito, existem várias situações em relação ao OE 2010 de que discordo e existem bastantes situações em relação à política de investimento público de que também discordo. Por exemplo dou mais importância à reconstrução urbana de Lisboa e Porto do que ao Plano Nacional de Barragens. Mas a linha orientadora deve ser a do investimento. Sem investimento não há empresas a nascer e a prosperar. Não há novas oportunidades de negócio e de emprego. Não há uma aposta mais forte na qualificação e formação profissional. Não há desenvolvimento económico nem desenvolvimento social.

Combater o défice mas de forma responsável e tendo em conta que a preocupação social predomina sobre a preocupação financeira. Não devemos esquecer que as agências de rating e os "movimentos" que hoje "condenam" a Irlanda são aqueles que há um par de anos atrás nos diziam para importar o seu modelo de desenvolvimento. Pior que defraudar a nossa credibilidade perante a comunidade internacional (e que credibilidade tem essa dita comunidade internacional?) é defraudar os interesses e o futuro dos portugueses.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Participação Cívica

A participação cívica é essencial para um bom funcionamento da sociedade e fulcral para que se consigam atingir padrões cada vez mais elevados de desenvolvimento social e humano. Todos nós temos direitos e consequentemente deveres. Todos nós temos poder para alterar um pouco o nosso mundo, a nossa aldeia, vila ou cidade. E esse poder vai também influenciar o nosso distrito, o nosso país e o mundo como um todo.

Temos o poder e temos a responsabilidade de mudar. Mudar de acordo com as nossas opiniões e fazendo aquilo que em consciência consideramos ser o melhor. O mais importante não é a ideologia em si mas a vontade de participar. Podemos discordar em quase tudo em relação a outra pessoa mas o objectivo deverá ser comum. O de lutar por algo melhor. Existem diversos instrumentos que devem ser valorizados como forma de aumentar e "melhorar" a participação cívica de todos nós. Isto depende do poder político mas também das populações. O esforço é conjunto bem como os benefícios.

O primeiro instrumento de participação cívica numa democracia é o voto, algo que infelizmente é cada vez mais desvalorizado. Cabe aos partidos políticos renovar a sua imagem e as suas atitudes para que possam alcançar a confiança de mais eleitores mas cabe também à sociedade civil procurar e "exigir" mais e melhor propaganda política, envolvendo-se na vida política de Portugal sem que para isso tenha de ser militante de partido algum ou ter o sentido de voto pré-definido. É urgente uma "renovação" partidária não no sentido de se continuarem a criar mais e mais partidos políticos mas sim alterar o paradigma em que baseiam a sua relação com as populações com vista a criar uma maior proximidade e cumplicidade.

Apesar da base da participação cívica se centrar no voto e na escolha democrática do nossos representantes é natural que este não seja o instrumento mais próximo das pessoas nem aquele que apele a uma maior união e coesão social da qual resultam benefícios para todos, independentemente da ideologia ou opinião sobre determinado tema. A participação cívica é feita também através do voluntariado. Existem ínumeras instituições em todos os concelhos do nosso país possibilitando-nos um trabalho gratificante numa área do nosso interesse e num raio de acção bastante semelhante à nossa realidade quotidiana. É extremamente gratificante e enriquecedor do ponto de vista pessoal e social dispensar um pouco do nosso tempo a auxiliar algo ou alguém que precisa do nosso apoio. Além do auxílio directo estamos também com esses actos a ganhar experiência sobre esse tema, algo que nos possibilita exercer os nossos direitos e deveres de uma forma muito mais consciente. Estas experiências podem por exemplo levar a exigências políticas que não existiriam se não estivessemos alertados para o problema e respectiva solução. Se cada um de nós der um pouco de si, será uma ajuda tremenda no presente e uma ajuda ainda maior para o desenvolvimento futuro de Portugal.

Outros instrumentos estão também a ser implantados de forma progressiva com vista a uma maior e melhor participação cívica. Porque são os nossos problemas e muitas vezes sabemos as soluções. Precisamos de mecanismos que nos permitam comunicar a detecção e resolução dos problemas que encontramos seja a nível local, nacional ou internacional. E acima de tudo precisamos de vontade e de sentido de responsabilidade. Devemos exigir um futuro melhor mas devemos também ajudar a construir esse futuro. Um exemplo de um mecanismo "recente" é a implantação e expansão dos orçamentos participativos. Estes orçamentos permitem que qualquer pessoa apresente projectos que considere serem úteis e benéficos, sendo realizada de seguida uma votação para encontrar o projecto "vencedor" e portanto a ser financiado. Considero o mecanismo em si como algo extraordinário. Dá-nos a possibilidade de moldar de uma forma bastante significativa a realidade à nossa volta e sem dúvida que incita à abertura de debates amplos e dos quais resultam excelentes ideias e iniciativas. Na minha opinião o sucesso destes orçamentos depende da vontade de quem tem a responsabilidade de gestão (por exemplo as câmaras municipais com o orçamento municipal) e da vontade dos seus participantes. Se existir uma abertura e um compromisso sério da parte do primeiro e uma vontade de participar e de agir de forma directa por parte do segundo, este mecanismo sem dúvida contribuirá para o desenvolvimento e coesão social, aproximando e reforçando as relações entre poder político e sociedade civil. O orçamento participativo, se for bem explorado, pode funcionar como o "pacto" que obriga ambas as partes a lutarem com o mesmo objectivo e a apoiarem-se mutuamente pois o sucesso de uma das partes está dependente do sucesso do todo.

Mais participação cívica traz benefícios económicos e sociais mas acima de tudo acorda-nos para algo que temos vindo a esquecer. Portugal é de todos e com o trabalho de todos beneficiaremos todos.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Sindicatos

O sindicalismo é algo que teve as suas origens na revolução industrial que se começou a desenvolver no século XVIII. Grandes números de trabalhadores detinham as mesmas necessidades e enfrentavam as mesmas dificuldades e problemas laborais. Como tal, começaram a unir-se e a criar associações que os protegessem e auxiliassem bem como exercendo pressões para que os seus patrões compreendessem as suas dificuldades.

Na minha opinião os sindicatos foram um elemento fundamental na luta pelos direitos dos trabalhadores, muitos deles sendo hoje reconhecidos como direitos fundamentais. As pessoas perceberam que unindo-se teriam uma força muito maior para lutar pelos seus direitos e objectivos. É a ideia também implícita na noção de sociedade. A união entre as pessoas trabalhando para o bem comum vai levar a uma concretização dos seus interesses individuais e essa soma de interesses individuais é o bem comum. Os sindicatos representaram uma visão, ou até mesmo uma revolução, tornando-se num instrumento essencial para o "avanço" da sociedade em termos de direitos e humanismo. Penso que a sua acção positiva ultrapassou o âmbito das colectividades de operários e trabalhadores.

Nos dias de hoje os sindicatos mantêm uma grande influência na esfera pública, política e económica. São capazes de condicionar decisões governamentais e de provocar mudanças sociais. Apesar de considerar os sindicatos uma peça fundamental para prosseguirem a contínua luta pelos direitos dos trabalhadores e de todos nós fico extremamente desapontado com o carácter extremamente politizado dos mesmos bem como com as suas crescentes preocupações individuais como sindicato em detrimento da preocupação com a classe que defendem. Um sindicalista é e deve ser livre de ter as suas opções e opiniões políticas mas não pode deixar que as mesmas interfiram no seu dever enquanto sindicalista. Da mesma forma que apelamos às mais variadas classes profissionais que cumpram a sua função na íntegra independentemente do contentamento/descontentamento com determinada política ou reforma que os afecte, também os sindicatos deveriam estar "imunes" ao poder político. Um sindicato serve para unir as pessoas e para defender os interesses da classe que representa independentemente das opções políticas dos seus associados e dirigentes. Se um sindicato for dominado de forma directa ou indirecta por determinado movimento ou partido político então é impossível que a sua actuação não seja afectada. Deixa de ser "realista" na forma como defende os seus associados, deixando de compreender os verdadeiros problemas e dificuldades e ficando portanto ao lado da solução que deveria ser apresentada. Da mesma forma que um sindicato deve ser imune ao poder político também não se deve deixar afectar pelo poder económico. É óbvio que os sindicatos necessitam de financiamento e que necessitem de profissionais remunerados mas o dinheiro não se deve tornar na questão dominante. A concentração do sindicato não deve estar focada em aumentar as suas "receitas" nem em encontrar novas formas de financiamento mas sim na luta pelos direitos dos trabalhadores. Os sindicatos devem ter um papel imparcial para que possam participar verdadeiramente nas negociações com o governo e patronato. Se algum destes dois (poder político ou poder económico) manipular ou controlar o sindicato então a negociação passa a chamar-se pressão e essa pressão já não defende de forma "pura" os interesses dos trabalhadores.

Considero o sindicalismo em si como algo com grande história e que já produziu resultados bastantes positivos do ponto de vista social. São algo de positivo e algo necessário na actualidade para que continuem a desempenhar o seu papel. Contudo, os sindicatos só são positivos quando defendem os interesses a que estão "destinados" defender porque nem o poder político nem o poder económico necessitam de mais "defensores".

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Distribuição e redes eléctricas

A importância das energias renováveis é cada vez maior e Portugal é um exemplo desta tendência. Este sector tem um peso crescente no emprego e na riqueza produzida para além dos benefícios ambientais e outros benefícios económicos associados como a diminuição da importação de energia, algo que pesa bastante na nossa balança comercial.

Uma aposta no futuro baseada nas renováveis tem de compreender obrigatoriamente um novo sistema de distribuição eléctrica e respectiva modernização da rede. Este é um elemento fundamental para obtermos sucesso no nosso futuro energético. Está em curso um projecto que envolve 9 países da UE e 30 mil milhões de euros de investimento. Este projecto destina-se a construir uma rede de abastecimento eléctrico ao nível europeu baseado nas várias fontes de energia renovável já em operação. O facto da rede interligar a produção de vários países e de várias fontes (como a hídrica e a eólica) vai colmatar as oscilações na mesma, podendo um determinado país ou fonte compensar outro que esteja com uma produção abaixo do necessário.

Este é apenas um exemplo daquilo que será o futuro. O plano de estímulos de Obama comtempla verbas para modernizar o muito antiquado sistema de distribuição americano.

Um investimento numa nova rede de distribuição é essencial para que a mesma se adapte às realidades futuras. Uma rede que seja maioritariamente subterrânea para diminuir o risco de se danificar e quebrar a distribuição (por exemplo por condições atmosféricas adversas) bem como para diminuir os riscos para a segurança e saúde pública. Uma rede que esteja adaptada à microgeração, colocando os excedentes de um produtor a colmatar as necessidades de um consumidor. Uma rede inteligente que em caso de necessidade possa por exemplo canalizar a produção disponível para hospitais, esquadras da polícia, centros de protecção civil, etc. Uma rede que através da Internet se ligue às máquinas domésticas (máquina de lavar loiça, roupa, etc.) e lhes venda a energia quando a mesma não está a ser consumida na totalidade e portanto quando é mais barata, actualizando estes valores em tempo real. Uma rede com sistemas de monitorização mais avançados para se detectar de forma mais eficaz e precoce todas as avarias e anomalias existentes, entre outras coisas.

Este rede do futuro em conjunto com sistemas de armazenamento avançados tem o potencial de levar a eficiência energética a uma nova dimensão e reduzir a quantidade de energia que necessitamos bem como auxiliar as populações em caso de necessidade. O futuro da energia também passará certamente por aqui.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Cancro - nova esperança

Os investigadores conseguiram recentemente descodificar os mapas genéticos de mais 2 tipos de cancro: pulmão e pele. Estes são aqueles cuja taxa de mortalidade é maior, revestindo-se esta descoberta de uma extrema importância.

Numa altura em que o Governo português se prepara para realizar "mexidas" nas unidades oncológicas, esta medida dá uma nova esperança a milhões de pessoas no mundo inteiro. O cancro é sem dúvida um problema do séc. XXI já que a tendência é para o número de casos aumentar por todo o globo. É preciso o nosso sistema de saúde adaptar-se às novas realidades e a modernização das unidades oncológicas bem como uma maior disseminação de campanhas de rastreio e sensbilização da opinião pública são urgentes. Os períodos de espera para cirurgias relacionadas com doentes oncológicos são ainda demasiado longos e tudo devemos fazer para os reduzir pois como se sabe, o sucesso dos tratamentos está em muito relacionado com o estado de desenvolvimento do cancro. É preciso garantir que os pacientes podem realizar os seus tratamentos não muito longe de casa mas teríamos vantagens em concentrar unidades oncológicas em determinadas unidades hospitalares para assegurar serviços especializados com tecnologia e equipamentos de ponta. O apoio à investigação nesta área deve aumentar de forma constante e contínua.

Espera-se que estas novas descobertas na luta contra o cancro venham a produzir melhores e mais eficazes medicamentos bem como aumentar a taxa de sucesso dos tratamentos. Este desenvolvimento eleva para 5 o número de cancros que se conhece o mapa genético. Outros 50 estão em estudo. Vários cientistas alegam que são estas as descobertas que podem vir a revolucionar a luta contra o cancro. Eu espero que eles tenham razão.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Teste de atenção

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Para quem não conhece este é um vídeo muito engraçado que nos mostra o que acontece quando estamos "excessivamente concentrados". Depois de fazermos o teste ficamos surpreendidos com aquilo que vemos e não vemos.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Crise Alimentar

A fome aliada à pobreza é um dos maiores flagelos da humanidade. Se há alguns séculos atrás este fenómeno era justificado pela elevada dependência face aos fenómenos meteorológicos ou pelo subdesenvolvimento geral das populações hoje em dia a realidade do século XXI é bem diferente.

Temos tecnologia e conhecimento para produzir de forma controlada uma grande variedade e quantidade de alimentos. Temos maneira de transportar de forma rápida e eficiente os produtos que produzimos para os locais onde vão ser consumidos. Conseguimos "contornar" a dependência face à Natureza e optimizar recursos levando a que seja possível produzir alimentos em locais que anteriormente não reuniam condições para tal. Muitos Estados já atingiram um elevado grau de desenvolvimento económico e social e temos o know-how para expandir esse bem-estar social. Porque razão existem nações inteiras a passar fome quando outras deitam toneladas por dia para o lixo? Porque razão existem pessoas a passar a fome em países desenvolvidos quando aquilo que os seus vizinhos desperdiçam era o suficiente para as alimentar?

Infelizmente apesar de dispormos de tecnologia e conhecimento não parecemos dispor da vontade de partilhar e de lutar para que ninguém passe fome. Não precisamos de ir para longe. Em Portugal existem cada vez mais pessoas que não têm dinheiro para comprar alimentos, algo comprovado pela velocidade crescente com que se esgotam os stocks do Banco Alimentar e de outras organizações que se dedicam a esta causa. O mesmo se passa sensivelmente por toda a UE. E é nesta mesma UE que todos os anos milhares de toneladas dos mais variados produtos são deitados para o lixo por excederem as quotas ou por não terem as medidas ideais para serem vendidos ao público. O desperdício continua nas cadeias de supermercados que todos os dias deitam também toneladas de produtos alimentares para o lixo pois o prazo de validade das mesmas expirou. Infelizmente o desperdício não acaba aqui mas sim nas nossas casas onde milhares de pessoas não consomem aquilo que compram e acabam por deitar milhares de alimentos fora.

Não se trata de uma questão de não existir terra arável suficiente para produzir alimentos para todos nós. Não se trata de uma questão de os países desenvolvidos não terem dinheiro suficiente para doar alimentos suficientes para os países em desenvolvimento. Trata-se simplesmente de desperdício. Desperdício inútil e cujo combate iria saciar uma necessidade básica a milhões de pessoas. E esse desperdício tem de ser combatido em todas as vertentes. É claro que temos de tentar resolver a fome "de fundo" a nível mundial com medidas de apoio ao desenvolvimento agrícola nos países pobres, entre muitas outras. Mas temos de olhar para o desperdício produzido como algo bastante negativo do ponto de vista económico, ambiental e acima de tudo social. Algo que tem de ser combatido eficazmente e que será extremamente importante no combate à fome, pobreza e exclusão social. Têm de ser criados mecanismos que evitem o desperdício dos alimentos produzidos em excesso na UE (doação para países fora da UE por exemplo). Para mim é inaceitável a UE por exemplo deitar arroz fora e de seguida informar que vai doar não sei quantos milhões de euros para comprar arroz para determinado país ou região. Os retalhistas deveriam ser obrigados a doar os alimentos que actualmente deitam fora a instituições da sua área. Esses alimentos por terem terminado o prazo de validade não podem ser vendidos ao público em geral mas tendo em conta que estes produtos são desperdiçados diariamente, que o limite de validade tem uma margem de segurança e que as necessidades das instituições são diárias (fazendo com os alimentos fossem consumidos rapidamente) penso que faz todo o sentido doar estes alimentos. Por fim o combate aos desperdícios tem também que ter lugar na casa de cada um de nós, nas escolas, nas empresas, nas cadeias hoteleiras, na restauração e em todo o lado. Só devemos comprar aquilo que realmente vamos consumir, devemos aproveitar os "restos" que com um pouco de imaginação servem muitas vezes para outra deliciosa refeição. Se temos algo em excesso porque não dar um vizinho ou a alguém que sabemos que necessita? Porque não utilizar determinados desperdícios alimentares para produzir adubo orgânico que vamos utilizar ou simplesmente doar à horta comunitária da nossa área de residência?

Estas acções consertadas teriam um impacto enorme na redução da fome além dos benefícios económicos e ambientais associados. Um dos elos desta "cadeia" depende directamente de nós e temos força para pressionar os outros dois. É urgente combater esta verdadeira crise alimentar.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

High Tech 2010

O século XXI será provavelmente conhecido como o século da informação e da tecnologia. A primeira década faz justiça a esse título e ao olharmos para o futuro verificamos que a tendência não é para abrandar, mas sim o oposto. O desenvolvimento e a evolução tecnológica vão acelerar cada vez mais. Pretendo com este post lançar um olhar sobre novos desenvolvimentos tecnológicos que irão dar que falar em 2010 e que nos levam a imaginar como será o futuro, futuro esse que se aproxima a passos largos e cujas alterações acompanham o ritmo da troca de informação, cada vez mais rápida.

A Sony e a Panasonic desenvolveram uma tecnologia que possibilita a expansão da capacidade de armazenamento do Blu-ray. A capacidade passa assim de 50GB por disco para 66,8GB. O Blu-ray é apontado como o sucessor do DVD e cada vez existem mais títulos disponíveis neste formato. De recordar que são estes os discos utilizados pela consola PlayStation 3 e que os leitores de Blu-ray estão a ficar cada vez mais acessíveis, "imitando" o fenómeno que provocou a substituição das cassetes VHS pelos DVD. Melhor qualidade de som e de imagem para filmes, jogos e muitos extras!

O revolucionário Twitter que transformou banalidades em assuntos importantes e que já permitiu divulgar informações extremamente úteis bem como analisar produtos e empresas tem também várias novidades agendadas. A Google e a Microsoft firmaram um acordo com o Twitter para puderem disponibilizar páginas deste serviço de microblogging nos seus resultados de buscas. Tudo isto em troca de 17,5 milhões de dólares anuais que segundo algumas análises, serão suficientes para cobrir os custos de manutenção desta rede social. Com vista a tornar o Twitter num negócio rentável está a ser desenvolvida a ferramenta "Contributors" que pretende saciar as necessidades das empresas nesta rede social, criando uma maior proximidade entre a empresa e o consumidor. "Contributors" está a ser testado por alguns parceiros numa primeira versão beta.

A Apple pretende inovar trazendo outro iGadget que se poderá tornar num fenómeno de vendas. Um "tudo em um" digital é aquilo que a equipa de Steve Jobs pretende trazer ao mercado. Um computador portátil pequeno (notebook) com ecrã táctil (smartphone), capaz de ler e-books (kindle?) e de revolucionar a App Store com a suas características (fim do iPhone?). Ainda não se sabe muito bem o que fará este novo produto da Apple mas as expectativas são muito altas e se conseguir corresponder às mesmas então terá tudo para vingar no mercado e para provocar uma verdadeira revolução. Uma das características inovadoras é o facto do ecrã se "moldar" à imagem (ao aparecer o teclado virtual podemos sentir as teclas, ou num mapa sentir os contornos das regiões).

As novidades da "maçã" não se ficam por aqui já que querem também revolucionar o futuro da música. Rumores (baseados na compra de uma empresa que fornecia música na web por parte da Apple) sugerem que Steve Jobs e companhia irão tentar criar uma jukebox ilimitada na internet. O futuro passaria não por termos os ficheiros de música armazenados no computador, iPod, telemóvel ou em qualquer outro local mas sim acedermos a uma imensa base de dados onde escolheríamos a música e a ouvíamos através da internet. Ao pagarmos uma assinatura mensal (e não a comprar individualmente cada música ou conjunto de músicas) teriamos acesso a uma infinidade de aúdio em tempo real a partir de qualquer dispositivo com ligação à internet.

Estas e outras inovações mais ou menos esperadas irão sem dúvida influenciar vários aspectos da nossa vida, desde a forma como comunicamos e interagimos uns com os outros até à forma como nos divertimos e encaramos o lazer, passando pela forma como ouvimos música ou como acedemos à informação.

Nova aventura!

É com muita honra que aceitei o convite da equipa do Costa Rochosa para integrar o "plantel". Espero contribuir com as minhas opiniões num espaço tão nobre da discussão salutar. Alguns posts serão comuns e aqueles que não o forem, irei sempre indicar o link aqui.

Convido todos a juntarem-se ao debate não só aqui como também nesta nova casa que é de todos nós!

O comboio ecológico

O transporte ferroviário é sem dúvida aquele cuja pegada de carbono é menor devendo ser olhado como um excelente meio de transporte a desenvolver no futuro. Seja no transporte de passageiros ou de mercadorias, seja nas linhas urbanas, sub-urbanas ou de longo curso, o comboio apresenta-se cada vez mais como uma solução eficaz para ligar não só os vários pontos da cidade mas também as cidades umas às outras.

Se olharmos para os diferentes tipos de transporte ferroviário como o eléctrico, o metro, o comboio "em si" ou o TGV verificamos que a sua versatilidade é enorme pois é capaz de se adaptar a um vasto leque de necessidades e aplicações. Além de ser o meio de transporte com maior eficiência energética por passageiro, bem como o facto de a electricidade consumida poder ser produzida a 100% por fontes renováveis o comboio poderá apresentar no futuro outra "vantagem" ecológica.

Um consórcio entre empresas, institutos e o próprio Estado está a criar bancos ferroviários sustentáveis. O objectivo da investigação é minimizar o impacto ambiental da montagem de comboios, alterando alguns dos componentes incluídos nos bancos bem como servir de base de know-how para projectos futuros. Um destes componentes é a cortiça (a Corticeira Amorim faz parte do consórcio), algo que para mim ilustra o facto de podermos somar múltiplos benefícios com a protecção ambiental. A cortiça é um produto ecologicamente sustentável pois além de ser natural, favorece a plantação de árvores autóctones e funciona como um "sumidouro" de carbono. É fascinante como se descobrem cada vez mais aplicações para um produto tão simples e antigo (a cortiça é actualmente utilizada na fuselagem dos foguetões por exemplo) e Portugal tem muito a beneficiar com a expansão da mesma. Além dos benefícios ambientais, Portugal como o maior exportador mundial de cortiça colheria grandes benefícios económicos e sociais. A indústria da cortiça move vários milhões por ano e assegura uma quantidade extremamente razoável de postos de trabalho, estando também fortemente ligada ao sector da investigação e tecnologia, outra área essencial para o futuro do nosso país e onde se tem visto um aumento extraordinário do investimento tanto público como privado.

Este é apenas um exemplo de que com um pouco de imaginação e vontade somos capazes de criar soluções ambientalmente responsáveis enquanto estimulamos o futuro da nossa economia e geramos novos empregos e oportunidades.

domingo, 3 de janeiro de 2010

África - A corrupção como um entrave ao desenvolvimento

O continente africano tem, infelizmente, séculos de histórias tristes para contar. Desde o tempo dos Descobrimentos e respectiva escravatura dos nativos africanos, à forma como eram tratados já depois da abolição da escravatura por parte dos países colonizadores até aos dias hoje, África tem um sem fim de problemas associados à exploração de todo um povo para benefício de uns quantos.

A realidade actual não é muito diferente e quando pensamos em corrupção e ditadores vem-nos logo à cabeça uma mão cheia de chefes de estado africanos. Desde Robert Mugabe no Zimbabwe, Qaddafi na Líbia, Museveni no Uganda até ao próprio José Eduardo dos Santos em Angola, entre tantos outros. O número de ditadores (de forma mais ou menos dissimulada) em África corresponderá quase ao número total de países. A pobreza e a miséria são o "prato do dia" num continente com riquezas enormes.

São estes ditadores inumanos aliados a um total alheamento real por parte dos estados ditos desenvolvidos que impedem o desenvolvimento do continente africano. Homens que governam países onde todos os dias morrem milhares de pessoas à fome enquanto os mesmos estão nas suas luxuosas moradias ou viajam nos seus jactos particulares. Chefes de estado que não têm vergonha das disparidades que existem no seu território. Que não têm o mínimo remorso em explorar os seus compatriotas. Que preferem comprar armas a comprar pão.

Enquanto estes chefes de estado governarem é impossível combater a pobreza de uma forma verdadeiramente eficaz. É impossível alcançar a paz. É impossível lutar pela igualdade de direitos, pelo acesso à educação, etc. Quando alguém que governa não se preocupa minimamente com os problemas dos governados como é que é possível resolver os mesmos? Enquanto esta for a realidade de África o verdadeiro desenvolvimento humano vai continuar a ser nulo ou muito ténue. Porque mesmo que um país cresça economicamente é preciso ver o que melhorou na vida das pessoas. Não é somente para o PIB que devemos olhar, especialmente nestes países. Mais importante que ver estatísticas sobre o crescimento económico dos países africanos é ver o que pode ser feito para os desenvolver verdadeiramente e não para continuarem numa longa e sem fim exploração, seja por parte de estrangeiros seja pelos seus "compatriotas".

Enquanto existir este tipo de corrupção (se é que a isto se pode chamar corrupção) em África não vão existir planos que sucedam verdadeiramente. Os países ricos podem continuar a mandar milhares de milhões todos os anos em ajuda humanitária que a vida real dos povos africanos pouco ou nada vai melhorar. Podemos todos continuar a doar a organizações não-governamentais que tentam aliviar alguns problemas mas nunca os vão conseguir resolver. Podemos fazer apelos, aplicar sanções económicas e muitas outras coisas mas África vai continuar a ser África tal como a conhecemos. Estima-se que nos últimos 50 anos África tenha recebido 2,3 biliões de dólares em ajudas e que no mínimo 60% desse dinheiro tenha sido desviado pelas elites corruptas. Podemos continuar a enviar "peixes" para África mas se nunca os ensinarmos a "pescar" tudo o que conseguimos é ir adiando o problema. E as elites corruptas de África não parecem querer que os seus povos aprendam a pescar.

Infelizmente é esta fonte "inesgotável" de riqueza do continente africano que nas mãos de uns quantos homens se tem transformado numa verdadeira fonte de pesadelos para cerca de mil milhões de pessoas.

A crescente influência chinesa em África

Num mundo com contornos cada vez mais diferentes daqueles a que estávamos habituados uma coisa é certa. A geopolítica mundial está e continuará a sofrer alterações cada vez mais profundas.

Um exemplo bem vivo desta tendência é o crescente investimento chinês em África. Uma das formas mais eficazes de expandir a influência real de um determinado Estado de uma forma globalizada não é através da conquista territorial como em séculos passados. É através do investimento económico que se consegue esse "poder". África é um continente extremamente rico e o seu papel nas decisões globais irá seguramente aumentar à medida que se desenvolve e que a cobiça pelos seus recursos aumenta devido à crescente escassez dos mesmos. Veja-se o caso recente da África do Sul que se encontra no restrito grupo de países com quem Obama negociou directamente e firmou o acordo de Copenhaga (EUA, China, Índia, Brasil e África do Sul). Veja-se o crescimento económico de Angola, entre tantos outros exemplos. É caso para dizer que África é um investimento rentável não só do ponto de vista económico mas também geopolítico.

A China está bem ciente desta realidade e aproveita um momento em que a recessão dos países desenvolvidos contrasta com o seu enorme crescimento económico para potenciar e maximizar a sua influência naquele continente e, consequentemente, a sua influência global. Em 2008 China e África protagonizaram trocas comerciais no valor de 74 mil milhões de euros algo que certamente será superado em 2009 e com uma forte tendência de crescimento no próximos anos. Os bancos chineses respondem à forte procura de crédito deste continente especialmente numa altura de crise em que os governos são fortemente afectados pela descida de matérias-primas como o petróleo. Em Angola já existem mais de 50 grupos chineses a operar e a força de trabalho chinesa neste país é superior a 50.000 trabalhadores. Multiplicam-se as linhas de crédito, a aquisição de capitais dos bancos nacionais e concursos de financiamento ganhos por bancos chineses a operar em África.

Apesar dos impactos que já estão a ser sentidos com esta táctica "impiedosa" por parte dos bancos chineses será no longo prazo que estas operações irão dar os seus "frutos". A China está a "comprar" África e com essa aquisição está também a comprar um papel cada vez mais destacado na sua influência global.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

YouGame ou GameTube?

Corre a notícia de que o YouTube irá brevemente lançar-se numa nova aventura. A da partilha de jogos online de forma tão simplificada quanto fez com os vídeos.

O Youtube foi considerado pela revista Time a maior invenção do ano em 2006. Tal deve-se ao facto de ter banalizado a partilha de vídeos por pessoas de todo o mundo. Esta é uma das muitas revoluções que se comparam ao fenómeno da própria Internet. Na minha opinião o Youtube tem um papel chave na sensibilização para os mais diversos temas e permite unir pessoas de todo o mundo, tudo à distância de um clique. Permitiu criar um movimento mundial em torno da eleição de Obama, permitiu que todo o mundo assistisse a massacres pressionando os governos a cooperarem, permitiu sensibilizar milhões de pessoas para causas como os direitos dos animais, as alterações climáticas, entre tantas outras. Permitiu difundir talentos como Susan Boyle e criar verdadeiras estrelas como aquela "avózinha" americana que ensinava como cozinhar nos tempos da Grande Depressão para que as pessoas pudessem poupar dinheiro neste tempo de crise. O Youtube permite rir e chorar, fomenta o convívio e a multiculturalidade bem como a troca de informação contribuindo para aumentar o capital humano de uma forma generalizada. Apesar dos aspectivos de negativos que também tem, penso que o saldo é extremamente positivo e que a humanidade como um todo saiu a ganhar. Qualquer indivíduo pode expandir as suas opiniões e trocar ideias de uma forma directa, simples e praticamente sem custos.

Caso a Google decida investir nesta nova área penso que terá o potencial de criar outra revolução. A ideia é que as pessoas possam fazer anotações aos seus vídeos (como fazem agora) mas em forma de jogos online interactivos. Esta aplicação permitirá a qualquer pessoa criar jogos online baseados nos seus vídeos ou em sequências dos mesmos. No fundo penso que esta inovação poderá potenciar e maximizar todos os benefícios que referi acima. Irá aumentar o grau de vivência e interacção, aumentando e enriquecendo a nossa experiência fruto da utilização do YouTube.

Depois do Broadcast Yourself o que se seguirá?

Plano de Saúde de Obama

Este vídeo disponibilizado pela Casa Branca resume muito bem o "sistema de saúde" que Obama propôs e tem lutado por fazer aprovar. E faz-nos ver que apesar de nos queixarmos de ínumeras situações no nosso país também a "terra das oportunidades" tem as suas grandes fraquezas.


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