sexta-feira, 26 de junho de 2009

Videojogos

O sector dos videojogos nasceu da revolução tecnológica iniciada no século XX e que está a atingir um ritmo cada vez mais acelerado. Com o seu desenvolvimento aumenta também a sua importância para o bem e para o mal. É inegável o papel que hoje em dia esta indústria desempenha na nossa sociedade.

Os jogos influenciam as nossas escolhas, as nossas opiniões, as nossas análises. Eles fazem parte da nossa formação e educação. Apesar da sua influência se ter iniciado nos sectores mais jovens, é cada vez mais alargado o sector etário a que os jogos se destinam visto os seus consumidores estarem a ficar cada vez mais "variados" tanto em idades como em gostos. Recordo-me da seguinte frase na apresentação da PlayStation 3: "Isto (PS3) não é uma consola mas sim um centro de entretenimento". O mesmo se aplica às suas rivais (Xbox 360 e Nintendo Wii).

As consolas de futuro irão responder a um número cada vez maior de necessidades de entretenimento e lazer. Existe um enorme potencial e é preciso saber aproveitá-lo.

Plataformas online permitem a interacção entre pessoas, a realização de negócios e eventos online, a difusão de informação, "encurtar" distâncias e entreter os seus utilizadores ou ajudá-los profissionalmente. Novas aplicações (como o dispositivo EyeToy da Sony ou a consola Wii da Nintendo) permitem realizar exercício físico de uma forma agradável e sem sairmos do conforto das nossas casas. A existência de um leque cada vez mais alargado de gadgets (os veteranos volantes e pistolas passaram a ter como companhia espadas, pompons, tacos de snooker, canas de pesca, instrumentos musicais, plataformas de dança, bolas de futebol, etc.) permite novas experiências aos utilizadores e uma maneira cada vez mais diversificada e personalizada de entretenimento. Já é possível termos o nosso personal trainer digital e muitas mais profissões se seguirão. Os videojogos permitem também um treino bastante real de diversas situações e a acumulação de experiência nessas áreas. Existem simuladores de gestão, tácticas militares, saúde, condução, etc. bastante próximos da realidade e a aprendizagem obtida nesses mesmos simuladores poderá ser bastante importante para o nosso desempenho na "vida real". Além da aprendizagem em sectores específicos que podem ser um "complemento" à nossa formação podemos simplesmente desenvolver a nossa mente com a ajuda dos videojogos (por exemplo a Big Brain Academy da Wii ou o Buzz da Sony) o que não substituindo outros métodos (como a leitura) terá também um papel importante dadas as suas especificidades e a componente de diversão associada. A acumulação de informação nova através do acto de jogar é também em si uma forma de aprendizagem (aprendi bastante sobre os povos e civilizações antigas a jogar Age of Empires). Uma vez mais, é a componente de diversão associada ao jogo que torna a absorção de informação tão "natural" e a aprendizagem tão fácil. A tecnologia portátil tem também conhecido um grande desenvolvimento. A cultura "Anyone, Anytime, Anywhere" das consolas portáteis pode ter um excelente papel por exemplo, no aproximar de culturas e consequentemente, todos os benefícios que daí advêm.

Em suma, creio que os videojogos estão a desempenhar um forte papel na nossa sociedade e a sua tendência será para aumentar. Alegra-me ver todos os desenvolvimentos que estão a ser feitos, o que me leva a aumentar a "fasquia" do potencial que este sector encerra. Uma forte e correcta aposta nesta área poderá levar a uma melhor educação (pilar essencial de uma sociedade), a um maior convivío entre as pessoas (maior aproximação cultural, racial, etc.), a uma sociedade mais feliz e a outros benefícios (económicos, saúde, entre outros).

Pessoalmente sou um viciado em videojogos :) Gosto praticamente de todos os géneros, especialmente quando jogo com os meus amigos mas sou um "especialista" em FPS (first person shooter, são aqueles que só vemos a arma e não o boneco todo). Sou um fã incondicional da Sony (cá em casa habitam a PS2, PS3 e PSP) porque ligo bastante aos gráficos e aos jogos de "ponta" mas os meus pais preferem a Wii porque gostam é de se mexer enquanto jogam e não terem um comando com 500 teclas. A minha irmã adora os Buzz e o EyeToy porque gosta de interacção (e também gosta quando o Buzz diz que ela é mais inteligente que eu). Seja qual for o gosto, recomendo os videjogos a todas as pessoas. Possibilita um excelente tempo que combina aprendizagem, convívio e diversão.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Competitividade Empresarial - A importância do comércio justo

Ao ler um artigo sobre uma eventual deslocalização da Michelin para a Índia, lembrei-me uma vez mais da temática do comércio justo. E a sua relação com a competitividade empresarial.

Na altura de crise em que vivemos, muito se discute sobre o futuro das trocas comerciais a nível mundial. Qual será a solução? Apostar num forte proteccionismo para defender a produção nacional ou promover uma circulação de capitais e bens cada vez mais livre por todo o mundo?

Para mim, e como costuma dizer o meu amigo Carlos Santos, a cor da verdade é o cinzento. Se me perguntassem directamente qual das duas soluções acima apresentadas seria a correcta, eu diria que nenhuma. A solução, no meu entender, será antes uma outra alternativa. Em primeiro lugar devo referir que sou a favor do comércio livre, desde que justo. Não partilho da visão de que devemos perseguir a nossa auto-suficiência. Para mim, além de actualmente isso ser impossível, acho que seria bastante prejudicial para o nosso país. Não nos devemos encerrar em nós próprios. Devemos exportar o nosso melhor e importar o melhor dos outros. Pondo isto, não sou a favor de proteccionismos. Mas também não sou a favor de um comércio totalmente livre. Livre sim mas também regulado. Porque para mim, combater o dumping social (mesmo que isso signifique proteger produtos nacionais) não é proteccionismo mas uma questão de "moral" e "ética".

Para mim, o dumping (social, ambiental, etc.) só serve para distorcer a noção de competitividade. Porque a competitividade e a concorrência deviam gerar melhorias a todos os níveis e assim obtermos produtos com uma qualidade cada vez mais elevada que consequentemente proporcionariam uma qualidade de vida cada vez maior a um leque mais alargado de pessoas. As empresas deviam "combater" para nos aumentarem as regalias e os ordenados em troca dos nossos serviços. Não devíamos ser nós a implorar para que usem as nossas qualificações e aptidões. Pode ser uma ideia até bastante utópica mas já está presente em certas empresas de topo e deveríamos trabalhar no sentido de alargar essa noção a todos os tipos de emprego. Numa situação desesperada como aquela que enfrentamos actualmente, muitas pessoas pensam que as empresas lhes estão a fazer um "favor" ao não as despedirem. Em alguns casos será assim, mas na maioria dos casos o patronato aproveita-se desta situação para explorar os trabalhadores. Quantas empresas com boa saúde financeira é que já se aproveitaram da crise para proceder a despedimentos, redução de salários, regalias, etc?

Neste aspecto o comércio justo pode e deve ter um papel fundamental na competitividade empresarial. Porque se retirarmos o dumping as empresas terão de encontrar outras formas de se "sobrepor" umas às outras. Formas essas que poderiam ser benéficas para nós e para o planeta, ao contrário do dumping que é altamente destrutivo para o ambiente e para o capital social. Pagarmos o preço justo pelos produtos não deveria ser uma opção mas uma "obrigação". As associações/organizações de comércio desempenham um papel bastante importante mas sem o auxílio governamental torna-se bastante difícil produzir mudanças a nível mundial.

O potencial do comércio justo é enorme. Serviria para reduzir a pobreza (com consequências bem conhecidas na educação e saúde), para melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas, para financiar projectos de desenvolvimento local, para adaptar melhor os países subdesenvolvidos às alterações climáticas, etc. Essencialmente o comércio justo poderia financiar a resolução de vários problemas à escala global. E ao mesmo tempo, trazer o benefício de moldarmos a competitividade empresarial para um outro patamar que não o do desrespeito pelos Direitos Humanos. Assim sim, mereceria a pena defender o comércio livre e aproveitarmos os seus benefícios não só económicos como sociais (como o aproximar de culturas e povos).

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Aniversário

Quero pedir desculpa a todos os meus leitores pela pequena interrupção aqui no Pensamento Alinhado. Tento sempre fazer um post por dia e ser regular nas publicações para garantir que todos encontram novidades fresquinhas aqui no blog :)

Ontem realizei o Exame Nacional de História e hoje faço anos pelo que não consigo ter tempo para fazer um post à altura daqueles que me lêem. Amanhã quinta-feira, a vida "volta ao normal" e continuarei a publicar como habitualmente. Sempre contando com a colaboração e opinião de todos.

Cumprimentos a todos!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Direitos dos Animais

Frequentemente quando pensamos em direitos pensamos somente nos Direitos Humanos. Tendo em conta a quantidade de vezes que diariamente esses direitos são desrespeitados por todo o mundo, é "normal" esse problema ocupar a totalidade do nosso pensamento. Infelizmente a defesa dos Direitos Fundamentais chega para nos ocupar o dia e fazer reflectir sobre uma realidade pouco animadora.

Mas os animais também têm direitos e estão reconhecidos internacionalmente. Não existem direitos sem deveres. O dever desses animais é simplesmente o de existirem porque se desaparecerem, desaparecerá com eles a sustentabilidade do nosso planeta e no extremo, levará à nossa extinção. O Homem prova todos os dias que não é inteligente o suficiente para querer resolver problemas que podem ditar o seu próprio fim, pelo que nem com esta relação de interdependência tão elevada os animais estão protegidos. Pelo contrário. Sempre fui a favor da defesa dos animais mas ultimamente, por influência de amigos, o meu trabalho de voluntariado têm-se concentrado nesta área. Esta nova experiência levou-me a despertar para esta realidade e sem dúvida que me sensibilizou muito mais para a temática. Escolhi quatro pontos específicos para abordar este tema geral. Circos, touradas, peles e zoos. O vegetarianismo e a sua relação com a defesa dos animais e defesa de um planeta sustentável será tratado em post próprio bem como a importância dos ecossistemas.

Circos) Pessoalmente sou contra circos que utilizem animais. Nunca me senti muito interessado por espectáculos circenses (mesmo os que não utilizam animais) mas respeito quem goste de assistir aos mesmos. Sou contra os circos que utilizam animais por duas razões. A primeira é a forma como a maioria deles treinam os animais (não digo a totalidade porque tenho receio de desconhecer algum método) que envolve sempre sofrimento e medo. A única razão para um felino passar por um arco em chamas não é agradar a ninguém mas sim sujeitar-se a esse risco devido ao medo que tem das chicotadas, etc. O mesmo para os macacos que se equilibram em monociclos e por aí fora. A segunda razão são as próprias condições de vida a que os animais são sujeitos. São tratados como autênticos objectos e a sua única utilidade para os donos é somente o lucro. Tanto as condições em que vivem e são transportados como as relações que estabelecem com os humanos são degradantes para os animais. Considero que levam uma vida infeliz e vêem os seus direitos desrespeitados só para satisfazerem a nossa necessidade de entretenimento.

Touradas) As touradas constituem em Portugal uma forte tradição. Para mim a tradição não é sagrada e se uma tradição está errada então devemos alterá-la ou proceder à sua extinção. A morte por lapidação (apedrejamento) é uma prática bastante antiga e tradicional de punir determinados crimes em alguns países e não é isso que me impede de repudiar completamente essa sentença. A tradição somos nós que a criamos e ao extinguirmos uma hoje poderemos estar a criar uma para o amanhã. É importante recordar a nossa História, a nossa cultura e os nossos hábitos mas não os devemos impedir que esses mesmos hábitos mudem. Evoluímos e a mudança de determinados hábitos/concepções é fruto dessa evolução. Aquilo que está bem hoje não tem necessariamente de estar correcto amanhã. Pondo isto sou também contra as touradas pois não concordo com o sofrimento do touro uma vez mais só com o fundamento de servir a nossa necessidade de entretenimento. Dois homens quando entram num ringue para lutar escolheram esse caminho e estão conscientes daquilo que se vai passar. O touro não escolhe entrar na arena nem escolhe sofrer, seja até à morte ou não.

Peles) Os vídeos que demonstram a forma como é retirada a pele/pêlo aos animais são das coisas mais tristes que já vi durante a minha vida. Pessoalmente não consigo manter uma postura séria quando vejo esses vídeos, já que a sua intensidade é tão grande que é impossível conter o sentimento de revolta. Tenho de confessar que de toda a exploração animal, a indústria das peles é aquela pela qual tenho menor tolerância e compreensão em relação aos seus defensores. Se em relação aos circos e touradas concebo a possibilidade de debate, não consigo ver um argumento sério que defenda a utilização de peles no nosso vestuário. Os animais são criados em instalações que os colocam desde nascença dentro de uma gaiola minúscula até chegar o dia do seu abate. Para manter toda a qualidade da pele, a mesma tem de ser retirada com o animal vivo e sem qualquer tipo de anestesia. Eu supunha que civilização e desenvolvimento significassem mais que a existência de prédios, dinheiro, carros e computadores. A conclusão da minha posição está bem explícita desde o início. Sou completamente contra a utilização de peles naturais para a confecção de vestuário, calçado, acessórios, etc.

Zoos) Esta é para mim a questão mais complicada. O meu pensamento de base encontra-se na óptica de apoio à existência de jardins zoológicos embora mantenha bastantes reservas. Temos que nos recordar que os animais nos zoos não estão no seu habitat natural e como tal é imperativo modernizar as condições desses parques para minorarmos ao máximo esses efeitos negativos na vida do animal. Algo que também diferencia (ou deverá diferenciar) este tipo de "exploração" animal das restantes é a relação entre os animais e os seus tratadores. Os tratadores dos zoos não têm interesses económicos nos animais pelo que têm todas as condições para manter uma relação genuína com o animal que está a seu cargo. E isto será sempre bastante importante para minorar uma vez mais o impacto da falta do habitat natural. De seguida vou esclarecer os motivos que me levam a entender que os jardins zoológicos são bastante importantes na própria defesa dos animais. Primeiro que tudo, penso que os zoos desempenham um papel fundamental na transmissão de conhecimento sobre as espécies e na sensibilização das populações. Será muito mais fácil sensibilizarmos alguém para a conservação de determinado habitat se essa pessoa tiver contacto e informações com as espécies desse mesmo habitat. Isto ganha especial relevo na protecção dos oceanos e das espécies marinhas. É difícil exigir às pessoas que tomem uma atitude e mudem os seus hábitos em prol de um "mundo" tão distante e vasto como os ecossistemas marinhos. Instalações como o Oceanário têm um papel fundamental na defesa dos animais que eles próprios albergam. Bastante importante é também a pesquisa que pode ser feita nestes animais. Ao compreendermos melhor os seus hábitos poderemos protegê-los melhor. Não conseguimos criar "santuários" para nenhuma espécie se não soubermos as suas necessidades. Por último, o papel que os zoos podem ter na própria conservação das espécies. Muitas vezes estas infraestruturas albergam animais que se continuassem no seu habitat natural morreriam (por exemplo crias órfãs) e por vezes reintroduzem-nas mais tarde de novo nesse mesmo habitat. Os programas de recuperação têm também um papel importante para evitar a extinção de mais espécies e apoiar aquelas que se encontram ameaçadas.

Acima de tudo é necessário enquadrar a defesa dos animais na defesa do próprio planeta já que têm tanto direito de habitar nesta casa como nós. E são extremamente importantes pois a sua sobrevivência é a nossa sobrevivência. Mesmo por interesses egoístas a sua protecção deveria ser uma prioridade.

Super-Obama

video
Este vídeo da empresa de comédia JibJab faz uma caracterização bastante engraçada da eleição e das políticas da administração Obama. Apesar do carácter humorístico do vídeo, podemos analisar através do mesmo, as linhas que orientam a política do 44º presidente dos EUA e constatar o mediatismo (diria mesmo heroísmo) que ainda rodeia esta figura. Um vídeo para reflectir descontraidamente sobre o futuro dos EUA e analisarmos de acordo com os nossos pensamentos, as qualidades e defeitos das medidas levadas a cabo pelo presidente eleito a 04 de Novembro de 2008.

domingo, 21 de junho de 2009

Prémio Lemniscata


Hoje o blog Pensamento Alinhado foi distinguido com o prémio Lemniscata. Este prémio é concedido por um blog que tenha previamente recebido o mesmo e que pode distribui-lo por 7 blogs que ache terem qualidade suficiente para o receberem. O Valor das Ideias de Carlos Santos foi o blog que premiou este espaço. De seguida coloco o texto oficial e escolho os blogs que eu próprio distingo.

""O blog O Valor das Ideias atribuiu a Pensamento Alinhado, o Prémio Lemniscata:

O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."

Sobre o significado de LEMNISCATA:LEMNISCATA: “curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.”
Lemniscato: ornado de fitas Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores(In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora)
Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente.
Texto da editora de “Pérola da cultura”
Seguindo as regras este prémio é para ser atribuído de seguida a 7 blogues.
Assim, atribuo-o a:


Alguns destes blogs já receberam ínumeras menções. Outros talvez nenhuma. Alguns são veteranos da blogosfera, outros serão novatos como eu. O único critério que coloquei para a atribuição das minhas distinções foi somente o facto de por qualquer motivo, sentir que completam e influenciam a minha vivência na blogosfera. Concordo com várias opiniões publicadas nos blogs distinguidos, com outras discordarei totalmente. Mas respeito todos eles e a verdade é que, dia após dia, não dispenso a sua consulta. A ordem das distinções é completamente aleatória e o critério utilizado imprime neutralidade na selecção. Infelizmente o facto de ser novato na blogosfera não me permite conhecer todo o talento que habita neste mundo virtual. Talento que mereceria muito mais que eu, ser distinguido. Espero com o tempo vir a conhecer novos blogs de qualidade e quando a oportunidade surgir, realizar a devida vénia.

Um agradecimento a todos os que por aqui passam, lêem, comentam e debatem. Tenho o privilégio de já ter realizado várias discussões neste espaço, discussões essas que me ensinaram bastante. Escrevo para aprender e sem a participação de todos os que por aqui passam, seria impossível aprender algo. A importância deste prémio será diferente de blogger para blogger. Para mim é muito importante já que simboliza uma homenagem à construção deste pequeno espaço, que apesar de contar com um só autor, deriva de uma construção conjunta de que todos aqueles que me lêem neste momento fazem parte. Uma visita, um seguidor, um comentário. Tudo isso contribui e me dá força para querer escrever cada vez mais e melhor. Uma vez mais um agradecimento a todos e um apelo a que a vossa extrordinária contribuição continue.

Um agradecimento especial ao Carlos Santos pela atribuição da distinção. O Carlos é professor universitário, doutorou-se em Oxford e faz análises económicas como poucos se podem gabar de fazer. Acompanhou de forma excelente as eleições americanas de 2008, tornou o seu blog numa referência e publicou um excelente livro a respeito do mandato de Obama. Tudo isso merece ser respeitado mas não é por isso que elogio o Carlos. É benfiquista. Tenho que lhe oferecer uma camisola bem azul mas não será por isso que o vou deixar de elogiar. Elogio-o por ser meu amigo. Isso é algo que deriva da interacção entre as pessoas. Algo sem preço, sem influências de clubes de futebol, partidos políticos, graus académicos, etc. Elogio-o por sempre me ter recebido no seu espaço. Por ter estado sempre disponível para debater todos os temas comigo. Por confiar em mim. Por me ajudar a evoluir e a crescer. Por se preocupar. E se este agradecimento simboliza algo é o meu total respeito para com ele. E acima de tudo a amizade.

A "saga" contínua e irei analisar muitos mais temas neste espaço, tentando sempre corresponder à confiança depositada. Como sempre, estão todos convidados a lançar desafios e a fomentar o debate, transmitindo as vossas opiniões!


sábado, 20 de junho de 2009

Igualdade de Direitos

Decorreu hoje a 10ª Marcha do orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros). A décima edição desta marcha apoiada por 11 organizações contou com a presença de cerca de mil pessoas. O objectivo dos participantes é chamar à atenção para a discriminação de que são alvo e para os direitos que lhes são negados (nomeadamente casamento civil e adopção de crianças).

Lisboa foi o local escolhido para a realização da marcha, sendo que o seu trajecto se iniciou no Príncipe Real e terminou nos Restauradores. Ano após ano a Marcha do orgulho LGBT tem vindo a ganhar cada vez mais apoiantes que se sentem de alguma forma excluídos da sociedade, alguns afirmam mesmo que são "cidadãos de segunda". A principal "vitória" destes manifestantes foi a revisão constitucional de 2004 que passou a incluir a orientação sexual como uma categoria em função da qual ninguém pode ser discriminado. Entre os participantes existe o sentimento de que se cumprem com os mesmos deveres que outros cidadãos (heterossexuais) deveriam ter os mesmos direitos.

A marcha iniciou-se às 17:30 e após passar por várias ruas da capital, terminou nos Restauradores onde representantes das associações organizativas discursaram.

Pessoalmente não penso que faça sentido discriminarmos estas pessoas. Desde que cumpram com os seus deveres (e que são comuns a todos nós independentemente da nossa orientação sexual) não vejo qualquer argumento para serem tratados como "cidadãos de segunda". Aquilo que nos distingue dos animais é a nossa capacidade de racíocinio e de evolução constante pelo que não acredito em teses do género "ser homessexual é contra-natura". Por esse prisma também será contra-natura termos deveres e direitos instituídos. Porque existe a Constituição? Porque evoluímos. Porque não competimos mortalmente pelas fêmeas? Porque evoluímos. Porque vemos a sexualidade como algo mais que pura reprodução? Porque evoluímos. Porque aceitamos pessoas que se sintam atraídas por outras pessoas do mesmo sexo? Porque evoluímos. E por aí fora...

Da mesma maneira que devemos respeitar a orientação religiosa, orientação cultural, orientação de pensamentos, orientação artística, etc. devemos respeitar também a orientação sexual de cada um. Pondo isto, sou a favor do casamento civil entre homossexuais. Se a Igreja Católica deveria ou não ser a favor, isso é algo diferente. Eu posso ter a minha opinião, mas só segue a religião católica quem quer. Não existe uma "obrigação" de ser contra nem de ser a favor. É algo que cabe à instituição em si e que caberá aos seus seguidores avaliar, julgar e decidir. Sob a "tutela" da Constituição estamos todos e como tal, é essencial permitir o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, para garantirmos a igualdade de direitos que afirmamos respeitar. Em relação à adopção de crianças mantenho algumas reservas, e não me considero suficientemente informado para conseguir afirmar sim ou não. As minhas reservas não derivam de qualquer tipo de discriminação mas antes da forma como a sociedade em geral iria aceitar essa ideia. Se de facto os homossexuais são diariamente alvo de discriminação, isso não seria nada positivo para a criança que têm a sua cargo. Ou seja, é muito difícil para um filho de um casal homossexual se integrar na sociedade e ver a sua situação respeitada desde infância se os próprios pais são discriminados e se a maioria das pessoas vê a sua situação como algo "incorrecto". Para as crianças entenderem que a homossexualidade é algo perfeitamente normal e que em nada modifica os nossos direitos e deveres, é necessário primeiro que os adultos tenham essa noção.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Livros - 3


"E agora, Obama?" é um livro de Carlos Santos sobre as suas perspectivas para o futuro dos EUA sob o comando do presidente Barack Obama. A sua edição cabe à Esfera do Caos.

Neste livro Carlos Santos revela-nos a actuação de Obama e da sua administração em todos os campos. Podemos encontrar considerações sobre como solucionar a crise, reformar a educação e a saúde, política externa e relações internacionais, ambiente, energia, etc.

A eleição do primeiro presidente afro-americano encheu-se de mediatismo por todo o mundo e o seu lema de "esperança" dominou os cinco continentes, tornando-o num verdadeiro líder mundial. Apesar de todas as promessas e planos realizados pela sua administração, Obama não terá um mandato fácil. Tem uma crise nunca antes vista por resolver, milhões de desempregados desesperados, duas guerras sem fim à vista e um sistema de saúde e de educação em constante degradação. Tudo isto a juntar a um imperativo ambiental cada vez mais vincado e onde os EUA se deixaram ficar para trás bem como relações internacionais extremamente complicadas.

O autor tem o dom de explicar de forma simples e fundamentada os planos de Obama ponto a ponto, decifrando as suas qualidades e defeitos. Tema por tema, começamos a compreender a tarefa hercúlea que este presidente terá de enfrentar e mesmo com a sua vontade férrea, é impossível cumprir todos os objectivos num prazo de 5 anos. Alguns poderão levar mais tempo que o esperado, outros poderão nunca ser atingidos na sua totalidade. Uma coisa é certa, a administração Obama terá de trabalhar rápido e bem e a cooperação internacional é essencial para inverter a actual situação.

Pessoalmente gostei bastante do livro. Acompanhei a eleição de Obama desde as primárias com Hillary Clinton e explorei muitas das suas propostas. Contudo, até ler este livro não tinha uma verdadeira noção de como poderiam ser postas em prática e dos prós e contras que essas mesmas propostas iriam enfrentar. Carlos Santos avalia de certa forma o futuro dos EUA e consequentemente, o futuro do mundo.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Resíduos e Recursos Naturais | problema e solução

Quando falamos de problemas ambientais a primeira ideia que nos vem à cabeça são painéis solares e turbinas eólicas. Pensamos nós, que quando produzirmos 100% da nossa electricidade através de fontes renováveis não teremos mais problemas. Raramente se fala na enorme quantidade de resíduos que produzimos e no esgotamento quase total que estamos a provocar a uma variedade de recursos naturais, recursos esses dos quais dependemos para sobreviver. A água será provavelmente o exemplo mais mediático. As campanhas que sensibilizam para a reciclagem são dos poucos focos que sensibilizam para esta temática. Mas não nos podemos esquecer que o primeiro dos 3R (reduzir, reutilizar e reciclar) não é reciclar, aliás esse é mesmo o último.

A reciclagem é um passo fundamental para a sustentabilidade futura do planeta mas só resultará se for acompanhada pelos outros dois passos (reduzir e reutilizar) e se a conseguirmos aplicar à totalidade de resíduos que produzimos. Porque os recursos naturais não são infinitos, temos de explorá-los a um ritmo que permita a sua regeneração e perceber a importância de criar um ciclo que conceba a sua reutilização e reciclagem um sem número de vezes. No meu entender, uma gestão sustentável neste campo é quando simplesmente não necessitarmos dos contentores convencionais. Quando 0% dos nossos resíduos forem encaminhados para um aterro porque a sua totalidade foi para centros de tratamento e reciclagem. É uma meta ambiciosa e mas temos de lutar por ela. O primeiro passo é reduzir ao máximo o volume de resíduos que produzimos e isso faz-se com pequenas atitudes como comprar embalagens maiores do que um conjunto de embalagens menores (por exemplo comprar uma garrafa de 2L de Coca-Cola invés de 6 latas de 0,33L). O segundo passo é reutilizar o nosso lixo, reduzindo ainda mais o total a ser tratado e reciclado, algo também alcançável com pequenos passos como aproveitar as embalagens para futuras utilizações (encher as garrafas de água com água corrente invés de adquirir mais água engarrafada ou aproveitar boiões de vidro para fazer pequenos vasos). Por fim, todo o lixo restante seria encaminhado para tratamento e reciclagem. Agrada-me o facto de ver que cada vez mais resíduos podem ser tratados e reciclados (por exemplo a expansão da reciclagem de óleos alimentares, tinteiros, telemóveis, radiografias, etc.). Acredito nesta expansão e numa eficiência cada vez maior no processo de reciclagem. Os ecopontos têm de se actualizar para estarem preparados para receberem um conjunto cada vez mais alargado de resíduos e a sensibilização tem ser cada vez maior.

De seguida apresento dois exemplos de uma estratégia a seguir:

1) José Pedro Gomes e António Feio ("a dupla da Treta") vão ser pela segunda vez as caras da campanha de sensibilização da Ecopilhas que alerta para a reciclagem de pilhas e baterias usadas. As filmagens decorreram na feira da Tapada das Mercês e o anúncio vai estar disponível nos 3 canais generalistas.

2) A Lipor para sinalizar o Dia Mundial do Ambiente decidiu sensibilizar a população do Grande Porto para dois dos seus projectos que permitem melhorar a qualidade de vida nos centros urbanos, ao mesmo tempo que se contribui para um meio ambiente mais sustentável. Um deles é o projecto "Horta à Porta". Este projecto consiste em criar hortas biológicas nos centros urbanos e envolver a comunidade local na sua gestão. Em troca do seu trabalho os habitantes podem usufruir gratuitamente dos produtos por si cultivados, estando já em funcionamento 12 hortas. O projecto "Terra-a-Terra" visa distribuir 10.000 compostores aos portuenses. Estes compostores permitem produzir abudo natural através dos resíduos orgânicos que todos os dias produzimos. Com a sua utilização estima-se que a produção total de resíduos diminua em 300 quilos anuais.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Irão - actualização

Após explorar a situação iraniana no campo das relações internacionais e após analisar as eleições presidenciais realizadas naquele país, volto de novo ao tema para uma actualização geral. Nas redes sociais como o Facebook ou o Twitter, a situação vivida actualmente no Irão tem sido das mais debatidas e analisadas. Muitos bloggers já reflectiram e abordaram o tema.

A reeleição de Ahmadinejad não tem sido aceite pacificamente pela oposição, apoiante do candidato Moussavi. Imediatamente após a divulgação dos resultados oficiais, Moussavi contestou os mesmos e assegurou que existiram ínumeras falhas no processo eleitoral que beneficiaram o actual presidente. A oposição reclama que caso não existissem falhas, o seu candidato teria vencido as eleições de 12 de Junho. O ayatollah Khamenei (alto líder espiritual do Irão) considerou que a eleição decorreu normalmente e felicitou o facto da taxa de participação se ter situado nos 82%. Acrescentou ainda que a reeleição de Ahmadinejad era uma festa e que o povo deveria apoiar o seu presidente. Estes apelos de pouco serviram para acalmar os ânimos no Irão e os apoiantes de Moussavi decidiram mesmo sair à rua e protestar contra a fraude eleitoral. De realçar que a comunidade internacional concordou que muito provavelmente terá de facto existido uma manipulação dos resultados, apoiando a posição de Moussavi. A eleição do candidato da oposição era vista como um bom sinal para a resolução diplomática da questão do programa nuclear iraniano. Questão essa que vindo a degradar sucessivamente as relações internacionais com este país, nomeadamente com os EUA.

Ahmadinejad (o tal que querer "apagar" Israel do mapa) não tardou a reagir e expressou que os protestos eram orquestrados pela oposição somente para destabilizar o regime e para enfraquecer a posição do presidente "democraticamente" eleito. A polícia respondeu em força e já morreram 7 pessoas no decorrer dos protestos, sendo que muitas mais ficaram feridas com gravidade. A escalada de tensões no país parece não ter fim e os protestantes não desistem da sua luta, bem como a polícia não desiste de os reprimir cada vez com mais violência. Mas não é só a polícia que tem uma atitude digna de um regime ditatorial. O próprio governo já fez questão de "dar razão" a quem os acusa de falsa democracia, ao negar o acesso à informação.

Durante o período de campanha eleitoral, Ahmadinejad bloqueou a rede social Facebook no seu país porque Moussavi contava com 5000 apoiantes nessa mesma rede e utilizava-a para organizar e gerir a campanha. Sem surpresas, o governo iraniano decidiu agora bloquear todas as redes sociais bem como alguns sites/blogs que relatavam a situação catastrófica que ocorre actualmente no país ou que contestavam os resultados eleitorais. Os jornalistas internacionais foram proíbidos de trabalhar fora dos seus escritórios e nem os telemóveis escaparam às restrições, nomeadamente os SMS. Moussavi já declarou que estas restrições servem para tentar "silenciar" a revolta que ocorre no país bem como esconder o massacre de que os manifestantes estão a ser alvo, já que muitos jovens iranianos decidiram utilizar as redes sociais para relatar o que se estava a passar no seu país. As manifestações multiplicam-se um pouco por todo o mundo e até em Portugal a comunidade iraniana já se manifestou para mostrar solidariedade para com os seus compatriotas.

Será que após este post ainda é possível aceder ao blog a partir do Irão?

Trabalho Infantil - Chaga do séc. XXI

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, mais de 200 milhões de crianças em todo o mundo são vítimas de exploração laboral. No dia 12 de Junho assinalou-se o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil. Este dia trouxe até nós uma recordação verdadeiramente chocante e que nos leva a reflectir sobre a condição humana, independentemente da religião, raça, etc.

Estas crianças são sujeitas a tráfico humano, conflitos armados, exploração sexual, escravatura e trabalhos de risco. Esta exploração leva a que o seu desenvolvimento (físico, psicológico e emocional) fique gravemente afectado para sempre. Um pouco por todo o mundo este flagelo tem vindo a diminuir e Portugal não foge à regra, que até à década de 90 ainda não tinha "despertado" para este problema. Contudo os mais de 200 milhões de crianças que todos os dias vêem os seus direitos fundamentais a serem-lhes negados, recordam-nos da pior maneira que o problema está longe de ser resolvido.

A temática deste ano aborda os efeitos que a crise económica mundial pode ter no aumento do número de crianças em situação de exploração laboral. Uma aposta forte na educação (essencialmente via expansão do ensino primário de forma gratuita) é a "chave" da solução para este problema global.

Não existem pretextos que sirvam para negligenciarmos esta realidade ou para deixarmos de lutar para a alterar. É absolutamente repugnante pensar na exploração laboral de qualquer ser humano mas as crianças são o futuro do planeta e é por elas e para elas que todos nós devemos olhar. O facto do número de crianças exploradas estar a diminuir não é motivo de alegria quando pensamos nos milhões que ainda não estão a salvo. Este problema, como outros, é um problema global. Apesar da maioria das vítimas se encontrar em países pobres, esta chaga social encontra-se em todo o mundo, incluindo no nosso pequeno Portugal. E este problema não afecta só as crianças mas sim toda a sociedade pois ao negarmos direitos às mesmas, estamos a contribuir para uma sociedade menos tolerante, menos próspera, menos desenvolvida e menos cooperante. É na infância que formamos a nossa personalidade e não existe nada no mundo que possa compensar inteiramente uma infância "perdida".

Cabe a todos nós a obrigação de lutarmos pelas nossas crianças para que ano após ano possamos verificar que a Organização Internacional do Trabalho divulga dados cada vez mais animadores, ou neste caso, cada vez menos sufocantes.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Coreia do Norte - degradação do ambiente internacional

Além do Irão, outro foco de tensão nas relações internacionais é a Coreia do Norte. Após o último ensaio nuclear, realizado a 25 de Maio deste ano e analisado aqui, o regime de Pyongyang voltou a despertar as atenções da comunidade internacional como não fazia desde 2006, data do anterior ensaio nuclear. A reacção foi imediata e as vozes convergiram no sentido de condenar este ensaio.

Previa-se que o Conselho de Segurança da ONU tomasse medidas concretas e assim aconteceu. Foram aprovadas novas sanções a aplicar à Coreia do Norte. Os sistemas de inspecções aéreas, marítimas e terrestres de cargas destinadas ou provenientes daquele país serão reforçados bem como o embargo de armas e as sanções financeiras agravadas o que se traduz num congelamento de contas bancárias de entidades e indivíduos. A administração Bush tomou no passado uma medida que congelou as contas bancárias norte-coreanas fora do país, medida essa que levou a um "retrocesso" na posição de Pyongyang. Estas medidas visam não só condenar o teste nuclear como tentar impedir que a Coreia do Norte desenvolva ainda mais a sua tecnologia atómica com fins militares já que os especialistas apontam que este país se está a "mover" nesse sentido, enriquecendo urânio e processando barras de combustível para obter plutónio. Recordo que o teste de Maio passado revelou uma potência maior que aquele realizado em 2006, de acordo com alguns especialistas, confirmando assim um desenvolvimento significativo deste tipo de tecnologia.

O enviado de Obama à Coreia do Norte revelou que o presidente dos EUA se encontra disponível para negociar e mediar a situação recorrendo à diplomacia. Tal pode acontecer com os parceiros envolvidos, ou seja, negociações conjuntas com a Coreia do Sul, Japão, Rússia e China ou mesmo directamente entre os dois países.

Através de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros foi conhecida a reacção da Coreia do Norte face às novas sanções impostas pela ONU. Pyongyang é bem explícita referindo que nunca irá renunciar às suas ambições atómicas e que o seu plutónio será utilizado para fins militares. Adverte ainda que considera estas sanções como um "acto de guerra". Além da sua reacção agressiva, o governo norte-coreano refere ainda que dispõe da tecnologia necessária para continuar a progredir nos seus objectivos militares e que cerca de um terço das barras de combustível utilizadas para produzir plutónio já foram reprocessadas.

Pyongyang entendeu estas sanções como uma "provocação" e há quem alerte para a realização de novos testes, nomeadamente com mísseis cujo alcance abrange os EUA, como forma de responder às mesmas. É importante colocar uma "tampa" na degradação desta relação extremamente complicada. A comunidade internacional não se pode dar ao luxo de seguir numa espiral de provocações e sanções provocando a erosão da situação. Só o tempo dirá se estas sanções irão surtir o efeito desejado mas para já, é perfeitamente plausível colocar o cenário em que a Coreia do Norte acelera ainda mais o desenvolvimento nuclear e programe para breve novos testes com vários tipos de mísseis. Penso que o facto de Obama ter deixado claro que a sua administração está disponível para negociar foi extremamente importante para formar essa tal "tampa". As negociações a ocorrerem serão realizadas muito provavelmente com os outros 4 parceiros. É difícil escolher entre agravar as sanções e arriscar enfurecer Pyongyang ou "ignorar" os avisos norte-coreanos e Pyongyang entender tal facto como um "sinal verde" para continuar a sua política de desenvolvimento atómico com fins militares. E nesta situação, a opinião dos parceiros, em especial da China, ditará provavelmente o futuro dos acontecimentos.

domingo, 14 de junho de 2009

Paz no Médio Oriente - discurso de Netanyahu

Ontem, após a análise dos resultados eleitorais das eleições presidenciais no Irão, alertei para o facto do discurso de Benjamin Netanyahu se revestir de uma enorme importância para a resolução do impasse no processo de paz respeitante ao Médio Oriente. O primeiro-ministro israelita tinha prometido pronunciar-se sobre uma nova política de paz e de segurança.

Netanyahu propôs a criação de um estado palestiniano desmilitarizado e impôs como condição necessária para a abertura de negociações, o reconhecimento de Israel como o "Estado dos judeus". Em jeito de resposta a Obama, frisou que Israel está disposto a negociar com todos os países árabes mas nunca com o Hamas, já que esta organização palestiniana tem um carácter terrorista e deseja a destruição do estado de Israel. Em relação aos colonatos, Netanyahu deixou claro que não serão construídos novos mas alertou para o facto da questão dos refugiados palestianos ter que ser resolvida fora do território de Israel.

Em suma, Israel deixou em aberto a possibilidade da existência de um estado palestiniano mas nunca sob o controlo do Hamas e que em nenhuma situação, coloque a segurança do estado judaico em risco.

Pessoalmente considero estas declarações como um passo em frente, após o "balde de água fria" das eleições iranianas. Netanyahu tem vindo a moderar cada vez mais a sua posição e já admite a criação de um estado palestiniano. Os apelos de Obama estão a surtir o efeito desejado em Jerusálem. Este ponto de "cedência" em relação à criação de um estado palestiniano é absolutamente essencial para as reivindicações árabes. É natural que Israel se descarte de negociar com o Hamas, sendo o afastamento dessa organização a "moeda de troca" face a uma hipotética criação de um estado palestiniano. A questão da desmilitarização realça de forma implícita o controlo que esse futuro estado teria por parte da comunidade internacional, leia-se EUA e Israel. É neste ponto que penso existir margem de manobra e as negociações poderão levar Netanyahu a ceder pouco a pouco esse controlo que actualmente propõe. O facto de Israel reconhecer a hipótese da criação de um estado palestiniano é a "semente" que só poderá germinar via negociações e diplomacia directa.

Actualização: Washington já reagiu ao discurso de Netanyahu e considerou-o como um passo em frente para a resolução dos conflitos no Médio Oriente. A administração Obama compreende as questões de segurança evocadas pelos israelitas mas realça que o reconhecimento da possibilidade de existir um estado palestiniano é sem dúvida um sério compromisso para a resolução pacífica da situação.

sábado, 13 de junho de 2009

Irão - Eleições Presidenciais

O actual presidente iraniano foi dado como vencedor das eleições presidenciais, segundo fontes oficiais. Ahmadinejad terá conseguido cerca de 63% dos votos enquanto que o seu principal adversário, Mir Moussavi não terá ido além dos 34%. Apresentaram-se 4 candidatos às eleições mas a luta real para a presidência era somente entre estes dois candidatos. Por ser considerado como o mais "moderado", Moussavi era apoiado em massa pela comunidade internacional que depositava nele as esperanças de resolver através de negociações a questão do desenvolvimento de tecnologia nuclear por parte de Teerão.

A vitória de Ahmadinejad foi assim vista como um "retrocesso" nas negociações e uma potencial ameaça para a comunidade ocidental. A liderar estas reacções está obviamente Israel que apelou uma vez mais à comunidade internacional para se unir no esforço de combater o programa nuclear iraniano. Após um belo discurso de Obama no Cairo, uma nova abertura dos EUA face a todo o mundo árabe e uma suposta nova "abertura" de Israel em resolver o impasse no processo de paz do Médio Oriente, a reeleição do presidente cessante foi uma dura "pancada" nos progressos que se previam alcançar para a região.

Apesar de Ahmadinejad ter sido apontado como favorito, ninguém estava à espera de uma margem de diferença de praticamente 30%. Esta discrepância leva os especialistas internacionais a duvidarem do verdadeiro resultado eleitoral. Os apoiantes de Moussavi entraram em confrontos com a polícia em várias cidades e o candidato derrotado já declarou terem existido sérias irregularidades no processo eleitoral. Moussavi diz que não vai baixar os braços e vai lutar para repor a veracidade nos resultados eleitorais que, segundo ele, lhe dão uma clara vitória caso não fossem manipulados.

As reacções da comunidade internacional convergem com este ponto de vista, suspeitando que tenham existido fortes irregularidades. Ahmadinejad tomou determinadas medidas como proibir o acesso à rede social Facebook (onde Moussavi tinha cerca de 5.000 apoiantes declarados) que de certa forma, dão "razão" a este tipo de suspeitas. Benjamim Netanyahu tem marcado para amanhã um importante discurso onde abordará o processo de paz e de segurança de Israel. Aguarda-se com expectativa um discurso que será seguramente decisivo. Por sua vez, o líder espiritual do Irão, o ayatollah Khamenei considerou este resultado como sendo positivo para o seu país bem como o grau de participação eleitoral que rondará os 82%. Pondo isto, Khamenei apelou à calma no país e ao apoio ao presidente reeleito.

Pessoalmente não esperava estes resultados. Nos últimos dias a situação parecia estar a seguir um rumo favorável e a eleição de Moussavi, na minha óptica, seria excelente para alimentar ainda mais a esperança de negociações com vista à paz na região e a uma nova era de cooperação entre os vários países. Ahmadinejad era dado como favorito e apesar de ser "apoiante" de Moussavi, tenho que admitir que seria uma eleição difícil de vencer. Contudo não estava minimamente à espera de uma margem tão alargada e custa-me a acreditar que não tenham existido irregularidades que beneficiassem o actual presidente. O presidente do Irão nunca demonstrou "fair play" durante o período de campanha e não me surpreenderia minimamente que tivesse manipulado as eleições. Os esforços internacionais tornam-se assim mais difíceis já que esta eleição a confirmar-se, será um "balde de água fria" nas expectativas criadas. Temo também que amanhã o primeiro-ministro israelita assuma um tom agressivo face a este resultado e à situação gerada à sua volta, dissipando por completo os avanços recém-conquistados. Complica-se ainda mais uma das "tarefas" de Obama.

NASA | Missão adiada

O vaivém espacial Endeavour deveria ter descolado às 12:17 hora de Lisboa. Contudo o lançamento foi abortado devido a um problema no tanque de combustível externo. Quando o tanque estava já a 98% da sua capacidade detectou-se uma fuga de hidrogénio que comprometeu o lançamento.

Esta fuga é bastante semelhante à detectada em Março no vaivém Discovery. A NASA está bastante preocupada com este problema técnico que se vem repetindo nos lançamentos. Os engenheiros apenas poderão começar a resolver o problema daqui a 24 horas, o tempo necessário para esvaziar o tanque. As reparações deverão demorar pelo menos 4 dias mas prevê-se que o lançamento seja realizado com a maior brevidade possível.

A actual missão do vaivém Endeavour é entregar e instalar os últimos elementos do laboratório japonês Kibo na Estação Espacial Internacional. A duração estimada desta missão é de 16 dias e representa mais um passo na "conquista espacial".

Ambiente | 1-1 ao intervalo

O dia de hoje contou com um vasto volume de notícias sobre ambiente e o futuro do planeta. Terminou a conferência de Bona (com a duração de 2 semanas) cujo objectivo era "preparar terreno" para alcançar um acordo na conferência de Copenhaga, Dinamarca a realizar em Dezembro deste ano. Esta conferência é extremamente importante já que se espera que seja criado o "sucessor" do protocolo de Quioto. Neste novo protocolo a vigorar entre o período 2012-2020 espera-se um sério compromisso na redução das emissões por parte dos países desenvolvidos, uma contenção da subida das emissões por parte dos países em desenvolvimento e acima de tudo, um acordo que abranja o mundo todo e que seja ratificado por todos os países.

Infelizmente estas duas semanas de negociações pouco contribuíram para o desenvolvimento da situação. Criaram antes um impasse, que terá de ser resolvido caso se pretenda estabelecer um novo protocolo na Dinamarca. A maioria dos países em desenvolvimento pretende uma redução de 25-40% por parte dos países desenvolvidos, meta que estes consideram prejudicar demasiado a sua economia. Bill Hare do IPCC teme tanto o efeito deste novo impasse que afirma que chegar-se a um consenso por volta dos 25% já é bastante difícil. A meta dos EUA foi enfraquecida em relação à proposta inicial de Obama e o Japão apresentou a sua própria meta que se situa numa redução de 8% até 2020 (face aos níveis de 1990). Estes "entraves" por parte dos países desenvolvidos aliam-se à fraca vontade de mudar por parte de países como a China e a Índia, criando este desacordo. Ninguém está disposto a dar o primeiro passo, algo que é lamentado pelas associações ambientalistas que acusam os políticos de inacção face ao problema.

Na minha opinião a Conferência de Bona foi uma grande derrota no desenvolvimento de um novo protocolo. Estava à espera de uma maior liderança por parte dos países desenvolvidos mas também um maior envolvimento por parte das potências emergentes como a China e a Índia. É dificil mas imprescindível terminar Copenhaga com um novo projecto e que terá de cortar pelo menos em 25% as emissões dos países desenvolvidos bem como estabelecer 2020 como o ano "limite" para o aumento das emissões por parte das novas potências.

Contudo o dia de hoje foi também marcado por uma importante "vitória" no campo ambiental. Organizações não-governamentais como a Greenpeace bem como muitas outras, têm lutado sistematicamente pela floresta Amazónica tentando impedir a sua destruição. Esta floresta encerra em si mais de um terço de toda a biodiversidade mundial e é sem dúvida, o "pulmão" do planeta. Todos os dias são abatidos ínumeros hectares de floresta virgem que dão a origem a plantações de biodiesel, explorações agrícolas ou pecuárias. Além de toda esta destruição do património natural da Amazónia, a degradação da floresta está muitas vezes associada a condições de trabalho miseráveis ou mesmo escravas. O Ministério Público Federal do Pará decidiu juntar-se nesta luta e publicou uma lista de fazendas (explorações) pecuárias que abatem indiscriminadamente a floresta para obterem cada vez mais terrenos. A competitividade económica dos produtos é ganha à custa das condições inumanas dos seus trabalhadores.

Em resposta as três maiores cadeias de supermercados do Brasil decidiram deixar de comprar carne proveniente destas fazendas. Wal-Mart, Pão de Açúcar e Carrefour são as três cadeias que tomaram esta decisão, após reunião entre todas. Espera-se agora que estas acções se ampliem por mais 72 compradores de produtos provenientes daquelas explorações bem como se extenda a outros dois estados brasileiros com grande influência no destino da Amazónia, Mato Grosso e Rondónia. As associações ambientalistas congratulam-se por esta vitória mas continuam a longa batalha de salvar a Amazónia que está muito longe de terminar.

Tanto a derrota como a vitória de hoje vão ter um grande impacto mundial. Ao intervalo está 1-1 e eu tenho a camisola do planeta Terra vestida. Como vai acabar o jogo?

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Economia | EUA vs UE

Hoje a Agência Financeira publicou uma série de artigos que permitem fazer uma análise sobre a actualidade económica e reflectir no seu futuro. Através da comparação e da análise dos dados, podemos reflectir sobre as opções tomadas pela UE e as opções levadas a cabo pela Casa Branca. São duas linhas distintas de pensamento que resultaram em duas formas diferentes de abordar uma crise comum.

Para começarmos a análise nada melhor que um artigo global. O FMI deverá rever em alta a sua previsão para o crescimento da economia em 2010. A actual expectativa situa-se no 1,9% e deverá subir meio ponto para os 2,4%. No campo da economia global, são boas notícias e a noção de retoma começa a solidificar as suas bases e a aumentar os seus argumentos. O mesmo artigo termina dizendo que esta revisão em alta se deve aos planos de estímulos levados a cabo por vários governos (por exemplo os EUA e a China). A previsão para 2009 continua a apontar para uma contracção global de 1,3%.

Apesar da retoma internacional começar a ganhar contornos cada vez mais delineados, a situação na Europa não é animadora. Já nos EUA a esperança parece passar dos discursos de Obama para os números em si.

Após os primeiros seis meses do ano terem sido piores que aquilo que o BCE previra, esta instituição reviu os seus números para 2009 e 2010. A provocar o agravamento da situação económica está o galopante desemprego em toda a UE, responsável pela "falha" na previsão do Banco Central Europeu. Assim sendo estima-se uma contracção de 4,6% em 2009 e de 0,3% em 2010, afastando a retoma para um futuro mais longínquo. Além da deterioração da economia espera-se um agravamento do desemprego, ou seja, a UE ainda não atingiu o seu pico de desemprego e o mesmo deverá continuar a aumentar ao longo deste ano e do próximo. Estes números encontram-se alinhados com as previsões apontadas para Portugal que estimam uma contracção de 3% este ano e uma estagnação no próximo. O desemprego actualmente situado em 8% deverá subir até aos 10% antes de estabilizar e começar a diminuir.

Nos EUA apesar das enormes dificuldades do presente, a perspectiva de futuro é mais animadora. E existem dados a comprová-lo. O número de pedidos de subsídio de desemprego está em queda. De acordo com o Departamento do Trabalho são 6,82 milhões os americanos a receber este subsídio mas o seu crescimento está a abrandar, revelando que as empresas estão a dispensar cada vez menos pessoal, confiantes numa melhoria da situação económica já na segunda metade do presente ano. Outro número encorajador das medidas da administração Obama é o das vendas a retalho. Segundo o Departamento do Comércio este número cresceu pela primeira vez em 3 meses, subindo cerca de 0,5%.

Apesar dos números serem ainda bastante preliminares e da situação económica global estar bastante longe do normal, é seguro dizer que as perspectivas de futuro não são as mesmas, quando comparamos a UE com os EUA. Porquê? Para mim a chave reside nesta palavra: Acção!

Obama preparou cuidadosamente um plano de estímulos durante o período de transição e já como presidente, lutou severamente pela sua aplicação. Um plano onde é possível sabermos as áreas de acção e como as mesmas poderão ajudar a economia a inverter este ciclo negativo. Um plano ambicioso (e se dependesse somente de Obama seria ainda mais ambicioso) e que passado algum tempo, contou com a "ajuda" de planos para o crédito e para o mercado imobiliário. Quer sejamos a favor ou não dos planos de estímulos, temos que reconhecer mérito a Obama. O mérito de agir. A sua administração não ficou à espera que o mercado resolvesse o problema sozinho. Apostou na saúde, na educação, em energias alternativas, na reconstrução urbana e na formação profissional. Enviou fundos para os Estados aplicarem localmente e investiu em transferências para as camadas sociais com menores recursos. Aumentou a dívida? Certo. Correu riscos? Sim. É necessário ainda bastante trabalho para que o seu plano resulte? Sem dúvida. Mas a Casa Branca agiu! Actuou de acordo com aquilo que acredita ser a solução para esta crise. E a avaliar por estes números, a aposta parece estar a ser ganha,

O que fez o BCE? Desceu as taxas de juro depois dos mercados assim o preverem e a um ritmo mais lento que o esperado. E manteve-se preocupado com a inflação quando assistíamos a uma descida do preço dos produtos. Desemprego? A única preocupação do BCE em relação ao desemprego é a de dizer que o mesmo vai continuar a aumentar. E prepara-se para subir as taxas de juro mal seja possível. Soluções? Nem uma. E que recomendou a Comissão Europeia? Que os governos nacionais tomassem medidas. Como vivemos em economias isoladas e como esta crise é localizada, tem todo o sentido "mandar" os governos nacionais tomarem medidas. Mas tomar medidas sem desrespeitar o PEC senão serão alvo de sanções. Faz sentido a UE não actuar em conjunto? Não. E mesmo que fizesse, existia espaço de manobra? Não.

Pessoalmente sou a favor dos planos de estímulos. Pelo facto de acreditar que são a solução para esta crise e por aquilo que vejo na China e nos EUA. Deveria-se aplicar a mesma solução para a Europa e deveríamos esquecer a inflação, a dívida e tudo o resto e pensar sim no desemprego e nas dificuldades dos países do leste europeu. Neste período de crise a união é necessária mais que nunca e encerra em si a oportunidade de fortalecer essa mesma união e de caminharmos na direcção certa em relação à construção europeia. Não posso garantir que a solução seja um plano de estímulos europeu. Mas posso garantir que não actuar não é solução. E tanto o BCE como a Comissão Europeia não deveriam ser irredutíveis nas suas posições e nos seus pensamentos. É preciso agir, e agir rapidamente e de uma forma convicta. Os dados mencionados acima são um verdadeiro aviso para a UE. Se não actuarmos, arriscamo-nos a prolongar a recessão e a subida do desemprego enquanto o resto do mundo recupera e cresce. E com o arrastamento desta crise económica, cimenta-se cada vez mais outra crise, de uma forma quase proporcional. A crise do afastamento dos vários povos da Europa, crise essa que será bastante prejudicial para o futuro da UE e para a construção do projecto europeu.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Home - Introdução

O planeta Terra é a nossa casa. Independentemente da nossa cor, raça, nacionalidade, crença religiosa, sexo, peso, altura, qualidade de vida, etc. Supostamente por ser a casa de todos nós, deveríamos instintivamente cuidar dela. Infelizmente não o fazemos muitas vezes por ignorância. Quantos de nós conhecem a verdadeira dimensão do nosso planeta, o conjunto de relações interdependentes existentes e todos os recursos disponíveis? Eu não e duvido que alguém conheça o nosso planeta a 100%. Contudo existem formas de nos informamos de uma maneira geral e simples mas que pode ser fundamental para uma melhor compreensão da nossa casa. E essa compreensão é a melhor forma de nos convencer a agir em prol dela e lutarmos pela sua preservação.

A Terra é uma só entidade, simbolizada por todos os seres vivos existentes e por todos os elementos que a compõem. O ser humano individualmente não existe. Apenas existe quando interligado com o meio que o rodeia, ou seja, ligado aos outros seres vivos e ao próprio ambiente. É essa ligação que por vezes é esquecida devido a um afastamento cada vez maior da Natureza e do mundo natural. Mas não nos podemos esquecer que tudo aquilo que construímos e desenvolvemos vem sempre de algo existente na natureza, de algo existente no planeta que habitamos. Podemos esquecer a natureza mas não podemos viver sem ela. Podemos criar uma "bolha" à nossa volta mas a única forma de a sustentarmos é com os recursos angariados fora da bolha. A preservação da Terra não é uma opção ou uma prova de bom coração mas sim uma obrigação e uma necessidade. Necessidade essa que ao não ser cumprida nos leva à extinção.

Home é um novo documentário de Yann Arthus-Bertrand acerca do planeta Terra. Este ambientalista é bastante conhecido pelas suas excelentes imagens aéreas que retratam o nosso planeta de uma forma única. Este documentário além de expor toda a beleza que a Terra encerra, lança também um olhar preocupado sobre o seu futuro, alertando para uma correcta e eficaz gestão dos recursos naturais. Essa será a única forma de mantermos o planeta saudável e belo. O vídeo está disponível no Youtube (na íntegra até 14 de Junho) e a sua estreia mundial realizou-se em mais de 50 de países. Sem duvida um excelente contributo para conhecermos melhor o nosso planeta e para nos envolvermos activamente na sua protecção.

Tenciono voltar a abordar este documentário após visionar o mesmo. O próximo post sobre Home será um resumo do vídeo e a minha crítica face ao mesmo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Água | Importância e gestão

Como forma de sinalizar o Dia Mundial do Ambiente (05 de Junho), a Câmara Municipal de Lisboa decidiu implementar duas medidas que contribuem para a sustentabilidade do município.

Actualmente existem apenas 2 pontos de recolha de equipamentos electrónicos e eléctricos em todo o município e esse número será alargado para 15, tentando aumentar a recolha deste tipo de resíduos que são extremamente prejudiciais para o ambiente quando atingem o seu "fim de vida" e não são devidamente tratados e reciclados. A outra medida anunciada pela CML é uma modificação na limpeza das ruas. A limpeza urbana envolve um consumo de 2 milhões de metros cúbicos por ano. A alteração implementada é a origem dessa água que actualmente deriva da própria rede, ou seja, consome água potável. A partir do Dia Mundial do Ambiente essa água passou a ser recolhida das ETAR de Chelas e Alcântara passando a consumir água tratada resultando numa enorme poupança de água potável pois a água tratada já foi previamente utilizada. Esta tarefa ficou a cargo dos camiões cisterna da autarquia e resulta de uma parceria entre a CML, a Simtejo e a EPAL.

Tomo o Dia Mundial do Ambiente e estas duas medidas implementadas pela Câmara Municipal de Lisboa somente como ponto de partida para analisar a temática da água, focando-me na sua importância enquanto recurso vital para a vida humana, bem como para todas as formas de vida que conhecemos. Cada vez existem mais cientistas, economistas, ambientalistas, etc. a denominar a água como o "ouro azul" ou o "ouro do séc.XXI".

Infelizmente a água não tem tido grande relevo quando se aborda a luta contra as alterações climáticas. Esse campo está monopolizado pela geração de energia renovável. É importante substituir o petróleo e o carvão enquanto geradores de energia mas temos que nos recordar que esse não é o nosso único problema e como tal, temos de abordar todos os outros que somente conjugados serão capazes de apresentar uma verdadeira solução para o planeta e para a Humanidade.

Actualmente, de uma forma teórica, a água é abundante para nós (habitantes dos países desenvolvidos) pois basta ligar a torneira e até é relativamente barata, especialmente quando comparada com os preços dos combustíveis. Tudo isto leva-nos a negligenciar a verdadeira importância da água e a crescente necessidade de reduzir os nossos consumos. Sem electricidade não seria possível o mundo de hoje. Sem água não seria possível qualquer mundo.

Também do ponto de vista económico é imperativo pouparmos água e garantir a sua sustentabilidade futura. O desenvolvimento de novas potências leva a numerosos crescimentos no consumo de água per capita e vem agudizar as dificuldades globais em fornecer quantidade equivalente à procura. Países como a China estão já a sentir os efeitos da escassez da água levando-a a realizar projectos megalómanos como a construção de um túnel subterrâneo entre o Rio Amarelo e o Rio Yantzé para transferir caudal do segundo para o primeiro. Mesmo em Portugal assistimos a uma exploração cada vez mais dispendiosa dos recursos hídricos (ligada à tão contestada taxa de recursos hídricos) fruto de uma oferta cada vez menor e de mais difícil acesso. A escassez de água afectará todo o mundo mas os países do sul da Europa serão dos mais afectados. Corremos também de risco de aumentar a pobreza nos países subdesenvolvidos e de proliferar mais doenças bem como de prejudicar seriamente a agricultura a nível mundial bem como a pecuária. O seu custo será cada vez maior e à medida que cada vez menos pessoas tiverem acesso a um bem absolutamente indispensável os conflitos e tensões sociais tornar-se-ão cada vez mais frequentes e violentos. Todos os países terão de participar numa solução global para este problema e comprometer-se a implementar medidas sérias. Os projectos megalómanos apenas adiam o problema e não podemos "confiar" no gelo para nos salvar pois está a derreter a uma velocidade recorde. A dessalinização não se apresenta como solução pela elevada quantidade de energia que necessita e pelo facto da água dessalinizada não ter os mesmos componentes que a água doce.

Uma nova gestão é urgente! E a responsabilidade dessa gestão é do governo, das empresas mas também nossa. Não podemos esperar que leis e incentivos governamentais ou campanhas nos media façam o nosso trabalho. Como forma de finalizar o meu post deixo uma pequena lista com algumas sugestões ao alcance de todos nós para reduzirmos o consumo de água.

- Não tomar banhos mas sim duches rápidos.
- Verificar e reparar todas as anomalias em torneiras e canalizações.
- Regar as plantas ao final da tarde ou anoitecer para evitar uma maior evaporação.
- Lavar o carro com um balde ou com uma mangueira de pressão.
- Colocar redutores de caudal nas torneiras.
- Colocar uma garrafa de 1,5L (cheia) no autoclismo.
- Ao lavar os dentes utilizar um copo e não água corrente.
- Reutilizar a água do banho para regar as plantas.
- Utilizar a máquina de lavar loiça e de lavar roupa somente com a carga cheia.
- Desligar a água enquanto ensaboa as mãos ou coloca shampôo ou gel de banho no corpo.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Educação | Formação profissional

Muito se tem debatido acerca do alargamento da escolaridade obrigatória para o 12º ano. A educação é uma temática que influencia todas as outras e, numa altura de crise, assume dimensões ainda maiores. A actual ministra da educação defende que Portugal pode aspirar de forma realista a este alargamento de 3 anos na escolaridade obrigatória bem como à generalização do ensino pré-escolar. Esta proposta recebe a aprovação de todos os outros partidos com acento parlamentar apesar de questionarem o oportunismo político desta proposta, devido à proximidade com as eleições legislativas.

Pessoalmente concordo com este alargamento e fico feliz por ver que os partidos, pelo menos uma vez, se unem em torno de uma proposta que efectivamente é importante para o futuro do país. Porque é importante alargar em 3 anos a escolaridade obrigatória? Que benefícios reais traz? Como pode isso resultar num desenvolvimento de Portugal no futuro e consequentemente em uma melhor capacidade de resposta a crises futuras?

Para um país se desenvolver necessita de pessoas formadas e especializadas. Actualmente é visível a urgência de formarmos cada vez mais e melhor as pessoas e é notório que a diminuta taxa de alfabetização e baixa escolaridade da generalidade dos portugueses durante o regime do Estado Novo trouxe consequências nefastas ainda patentes nos dias de hoje. Na minha opinião, a educação está muito relacionada com o facto de Portugal ser frequentemente apontado como estando na "cauda da Europa", ou seja, se estamos nessa cauda isso deve-se em grande parte à falta de formação académica/profissional da maioria da população portuguesa. Felizmente esta tendência está-se a inverter e alargar a escolaridade obrigatória até ao 12º ano seria mais um passo na direcção correcta para a construção não do presente, mas do futuro de Portugal.

Somente após a conclusão do ensino secundário é que nos podemos candidatar ao ensino superior. Ter um grau académico superior não confere emprego garantido mas aumenta essa probabilidade e aumenta o leque de funções que podemos desempenhar. Um licenciado pode desempenhar as funções daquele que tem o ensino secundário, mas aquele que tem apenas o ensino secundário não pode desempenhar todas as funções para as quais o licenciado está habilitado. Nesse aspecto será sempre melhor para a pessoa individualmente e para o país como um todo, ter um maior número de pessoas capazes de desempenhar um maior número de funções, adaptando-se a mais empregos e correspondendo com mais facilidade às necessidades do país. Ao aumentarmos a escolaridade obrigatória para o 12º ano, estamos a promover o ingresso no ensino superior, ingresso esse que é cada vez mais fundamental para o sucesso individual e colectivo. Mesmo que esse ingresso não se verifique imediatamente após a conclusão do ensino secundário existe sempre essa possibilidade no futuro. Enquanto que alguém com o 9º mesmo que decida já em idade adulta aumentar a sua formação, muito provavelmente ficar-se-à pelo 12º ano.

Actualmente existe um gama cada vez mais alargada de cursos profissionais e técnicos inseridos nos 3 anos que marcam a duração do ensino secundário. Estes cursos através de umas reformulações e de uma carga horária mais elevada, possibilitam em 3 anos que os estudantes obtenham o 12º ano e aprendam uma profissão ao mesmo tempo, adquirindo também experiência de trabalho com o estágio que têm incluído no curso. Estes cursos são também extremamente importantes para o desenvolvimento do país, pois conferem aptidões técnicas e profissionais que são muito procuradas no mercado de trabalho. Com o desaparecimento dos cursos médios (bacharelato) foi necessário "inventar" cursos que formassem técnicos. Esta "invenção" tem no geral corrido bastante bem já que o número de escolas profissionais e de cursos disponíveis têm vindo a multiplicar, bem como a adesão aos mesmos. Ao aumentarmos a escolaridade obrigatória para o 12º ano, estamos a fomentar a adesão a estes cursos que são essenciais para a formação dos técnicos e profissionais do nosso país. Profissões como a pesca e a agricultura renascem e renovam completamente a sua imagem com este tipo de cursos. Cada vez mais é essencial todos nós termos uma formação específica que complemente a nossa formação básica e estes cursos são a resposta a essa necessidade.

Sem recorrer a nenhum estudo, digo com toda a certeza que quanto maior é a formação de um indivíduo, melhor é a sua adaptação e capacidade de argumentação. Que significa isto? Significa que quanto maior formação uma pessoa tiver, mais possibilidade existe de essa pessoa desenvolver interesses que procurem aumentar cada vez o seu conhecimento. Ler livros, ver documentários, ler artigos na internet, comentar, debater, etc. Tudo isto é importante para a formação global de uma pessoa, pois vai "completando-a". Esse conhecimento contínuo que essa pessoa procura (fruto do estímulo da sua maior formação e consequente capacidade de compreensão e análise) vai significar melhorias para essa pessoa e para o seu país. Porque uma pessoa formada é capaz de se adaptar melhor a mudanças no seu emprego (por exemplo o primeiro plano que Salazar fez para desenvolver a indústria e a agricultura portuguesa encontraram fortes dificuldades porque os operários e agricultores não se conseguiam adaptar à elevada mecanização, fruto da sua fraca formação) o que será certamente melhor para essa pessoa. Além desta melhor adaptação no mercado de trabalho e às suas alterações, uma pessoa formada que desenvolva gostos e hábitos que aumentem sucessivamente o seu conhecimento pode mais facilmente verificar e contestar injustiças e propor soluções para os problemas que encontra. Isto reflecte-se em muitos campos, como por exemplo no político. Só se uma pessoa for capaz de analisar a actuação de um governo de uma forma coerente, é que será capaz de apontar os seus defeitos e propor alternativas ou apoiar um partido que proponha essas mesmas alternativas. Ao aumentarmos a escolaridade para o 12º ano, estamos a aumentar a probabilidade de cada vez mais pessoas procurarem o contínuo aumento do seu conhecimento, sendo essa a única via para a evolução e desenvolvimento. Se ninguém estiver disposto a procurar cada vez mais, não existem alterações.

Por tudo isto sou a favor de um alargamento da escolaridade obrigatória em 3 anos. Tal como a fraca escolaridade resultante de regimes antigos revela os seus efeitos ainda nos dias de hoje, tal medida vai ser sentida não daqui a 2 anos mas daqui a 20. E aí penso que Portugal olhará para trás e constatará com gosto a diferença que tal acto produziu.

domingo, 7 de junho de 2009

Eleições Europeias 09 - Análise

Antes de começar a análise nacional e europeia sobre as eleições disputadas hoje, quero felicitar o partido vencedor em Portugal, o PSD. A grande maioria das sondagens e projecções estavam erradas, especialmente na percentagem de votos conferida ao PS. Muito se falou sobre o voto de protesto e o cartão vermelho ao governo mas a fragilidade política do PSD foi também bastante discutida. Vamos então aos resultados e à respectiva análise.

A abstenção regista uma subida ficando nos 62,8%. Isto é uma derrota clara para todos os partidos (incluindo os pequenos). Demonstra que mesmo com pouca discussão sobre a Europa e com poucas propostas para a UE, os partidos não conseguem atrair os eleitores. Cada vez mais pessoas se sentem desmobilizadas do sistema político. Este fenómeno não é exclusivo de Portugal já que estas foram as eleições com menor participação a nível europeu. Cada vez mais os políticos e as instituições políticas se afastam do seu eleitorado o que em nada beneficia os interesses nacionais nem os interesses europeus.

Em relação à previsão que tinha feito na 4ª feira errei por 1 eurodeputado. Que "trocou" o PS pelo PSD. Confesso que não estava à espera de uma vitória de Paulo Rangel e ainda menos que esta fosse, efectivamente, expressiva. Por parte das sondagens houve 2 grandes "falhas". Uma delas foi a vitória do PS e a outra a vaticinação da quase extinção por parte do CDS.

O PSD envolto em turbulências (bem visíveis na campanha de Rangel) desde a eleição de Manuela Ferreira Leite, encontrou aqui um novo ânimo. Apesar da sua percentagem de votos não ser elevada, demonstrando não conseguir capitalizar totalmente o protesto em relação ao governo, uma vitória é sempre uma vitória e com certeza irá moralizar as hostes laranjas. Pedro Passos Coelho leva assim uma bofetada, especialmente após as declarações em plena campanha para estas eleições. Quando Paulo Rangel foi anunciado como cabeça-de-lista para as eleições europeias, muitos criticaram esse facto por ser o militante do PSD que vinha a "carregar com o partido às costas" no Parlamento, com especial destaque para os confrontos com José Sócrates. Uma vez mais Rangel conseguiu carregar o seu partido fazendo uma campanha notável culminando com esta vitória. Para mim, foi essencial o seu papel já que na minha opinião, MFL não seria capaz de mobilizar tantos eleitores.

O PS foi o grande derrotado. Perdeu votos e eurodeputados, tanto para a esquerda como para a direita. Era esperado um voto de protesto mas não nestas dimensões e as imagens vindas do Hotel Altis demonstravam que ninguém no Partido Socialista estava preparado para esta situação. Apesar de Sócrates se ter envolvido bastante na campanha, tal não foi suficiente para "contornar" as críticas face a Vital Moreira. A escolha do cabeça-de-lista foi interpretada pela maioria como uma má escolha. Nesse sentido penso que Vital teve o efeito oposto a Rangel, ou seja, enquanto que o segundo conseguiu dinamizar o PSD o primeiro fechou o PS. Talvez esteja a sobrevalorizar a importância dos cabeças-de-lista mas mesmo que tal facto não alterasse o partido vencedor, penso que a margem de diferença poderia ser encurtada.

O BE foi também um grande vencedor. Conseguiu triplicar o número de eurodeputados e tornar-se a terceira força política o que é um resultado excelente. Eleição após eleição, o Bloco tem vindo a aumentar a sua influência.

A CDU manteve o número de eurodeputados e em percentagem de votos não foi uma derrotada. Contudo foi derrotada a nível moral ao passar a ser a quarta força política ainda que num quase empate com o BE.

O CDS apesar de manter o número de eurodeputados e de estar em último no campeonato dos "grandes" surge como a surpresa da noite. Os trotskistas conseguiram superar os democratas-cristãos mas não ocorreu o descalabro que muitas sondagens previam. O CDS mantem a chama acesa mesmo com a vitória do PSD, provando ter uma identidade e eleitores próprios, não estando sujeita às movimentações feitas pelo principal partido de Direita.

O MEP apesar de não ter eleito a Laurinda Alves consegue uma votação algo expressiva e que dá alento a este novo partido.

Conclusões para as legislativas? Na minha opinião, somente a de que nenhum partido conseguirá a maioria absoluta. O embate das legislativas será muito diferente do combate para as eleições europeias. Com Sócrates e Ferreira Leite como protagonistas os resultados serão diferentes e aí o PSD partirá em desvantagem apesar desta vitória. Contudo, esta vitória dá um novo argumento e fôlego para a futura campanha do PSD onde a vitória (ao contrário do que se pensava somente há 1 ou 2 meses atrás) é uma possibilidade. Sobre a sondagem para as legislativas que a SIC revelou e que apontava o PS como vencedor (com 39,6% dos votos) e o PSD bem atrás (com 33% dos votos) tendo a discordar. Creio que se as eleições legislativas fossem hoje o PS sairia vencedor mas não com um margem de quase 7% de diferença para com o PSD. As eleições europeias não provaram que o PSD "vai à frente" mas provaram que vai bem mais perto do PS do que aquilo que a maioria do nós (eu incluido) imaginavamos.

Sobre a questão do voto de protesto tendo a discordar de algumas análises realizadas na SIC. Pacheco Pereira afirmou que o crescimento do BE se deveu ao mero voto de protesto enquanto que o crescimento do PSD se deveu a quem realmente procura uma alternativa para o poder em Portugal. E nesse sentido referiu que os portugueses iriam escolher essa alternativa nas legislativas, já que estava em jogo o futuro do nosso país e o PSD era o único que reunia condições para propôr essa "ruptura" com as políticas do governo de Sócrates. Eu penso ao contrário. O voto de protesto pode ter sido canalizado para o PSD e o crescimento do BE ter sido sustentado por eleitores que querem uma nova realidade política. O PSD é o maior partido da oposição. Quem quer apenas "humilhar" Sócrates (ou seja, não se interessa pelas propostas e ideias dos partidos, querendo somente castigar o governo vigente) vota num partido qualquer, já que esse mesmo partido não precisa de se encontrar alinhado com a ideologia do eleitor pois o seu objectivo é punir o governo. Se para o eleitor é indiferente o partido em que vota, qual será o melhor partido para castigar o governo? Talvez o seu principal opositor? Porque tem a possibilidade de ganhar eleições e assim derrotar o governo. Quem vota no BE pode sem dúvida estar em desacordo com as políticas do governo PS, mas sabe que pelo menos actualmente, o BE não tem capacidade para derrotar o PS. Quem vota BE quer uma nova política em Portugal e não apenas "protestar", porque o melhor partido para protestar é o PSD. Imagine-se que o BE obtinha o mesmo resultado que obteve nestas eleições mas que as votações entre PS e PSD trocavam. Nesta situação, o PS teria eleito 8 eurodeputados (contra 7 do PSD) e batido o PSD por 5,1% nos votos. O Bloco teria tido um excelente resultado na mesma, mas seria Sócrates humilhado? Com uma vitória em eurodeputados e com uma margem de 5,1% em votos, penso que não. Analisando a situação, penso que faz mais sentido o voto de protesto ter sido canalizado para o PSD e o crescimento do BE tenha sido realizado por eleitores que compreendem e concordam efectivamente com os projectos daquele partido.

A nível europeu vimos um crescimento importante da direita, tanto do PPE como da extrema-direita. Pessoalmente não são resultados que me agradem já que esperava um reforço no número de eurodeputados do PSE. Durão Barroso verá possivelmente a releição confirmada e as políticas comunitárias não deverão sofrer nenhum "abalo" para grande desgosto meu. A democracia é mesmo assim e no geral, a direita europeia está de parabéns. Mais combates se seguirão e em especial as legislativas, serão bastante interessantes de estudar e analisar.

sábado, 6 de junho de 2009

Livros - 2


"A Vingança de Gaia" é um livro de James Lovelock sobre alterações climáticas e o futuro do planeta Terra. A sua edição em Portugal cabe à Gradiva.

Neste livro James Lovelock oferece-nos a sua perspectiva pessoal acerca do estado de "saúde" do nosso planeta e que atitudes devemos tomar no futuro. Lovelock tem uma posição bastante extremista e é um acérrimo defensor da energia nuclear.

De uma forma directa e simples mas baseada em factos e análises, o autor desfaz as nossas esperanças de poder evitar as consequências das alterações climáticas. O planeta já está a mudar e a única coisa que podemos fazer é tentar adaptarmo-nos e desacelarar o processo. Não existe uma via fácil para a salvação da Terra e actualmente não estamos sequer perto de construir uma solução. O planeta Terra é um sistema vivo (Gaia) e está em guerra com a espécie humana. Se não mudarmos as nossas atitudes e os nossos pensamentos caminhamos para uma lenta e penosa guerra da qual não teremos hipóteses de sair vitoriosos.

Pessoalmente discordo do autor em bastantes aspectos, nomeadamente na questão da energia nuclear. Contudo, recomendo este livro pois dá-nos um "banho" de realidade demonstrando que a espécie humana não tem tudo controlado e que não existe uma "cura" milagrosa, fácil e rápida para enfrentar o nosso maior problema... A degradação do local onde vivemos e do qual dependemos para sobreviver.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Energia | Fusão Nuclear

Fez hoje uma semana que foi inaugurado o novo centro de fusão nuclear, sediado na Califórnia (EUA). Apesar da sua construção ter demorado mais 7 anos que o previsto (totalizando 15) e ter custado o triplo do previsto (num total de 2.500.000.000 de euros) a sua inauguração ocorreu num ambiente de grande festa onde participaram cerca de 3500 pessoas, incluindo Arnold Schwarzenegger (Governador da Califórnia) e Steven Chu (Secretário de Estado para a Energia).

A entidade responsável por explorar o projecto é a National Ignition Facility que deverá começar a fazer testes neste novo centro já em 2010 e aperfeiçoar a produção de energia através da fusão nuclear até 2040. Há muito que se debate a fusão nuclear devido ao seu enorme potencial de produção energética sem a emissão de gases poluentes associados. A fusão nuclear consiste em reproduzir os processos químicos existentes nas estrelas e é bastante diferente da energia nuclear actual (fissão nuclear) pois produz quantidades de energia muito superiores e é mais "amiga" do ambiente. Para termos uma ideia do potencial desta fonte energética alguns estudos apontam que um kilómetro cúbico de água seria o suficiente para igualar todas as reservas de petróleo a níve mundial. A fusão nuclear não é uma descoberta recente e já se concretiza a mesma com sucesso. O problema é que se gasta mais energia no processo do que aquela que se consegue retirar, sendo o objectivo desta investigação de 30 anos contrariar esta "tendência" e provar a rentabilidade energética desta fonte de energia renovável e limpa.

Pessoalmente tenho algumas reservas em relação à fusão nuclear e quero esperar por mais avanços neste tipo de tecnologia. Confesso que estou um pouco céptico em relação ao potencial desta fonte de energia. Contudo, a fusão nuclear merece por mérito próprio o "benefício da dúvida", ou seja, sou totalmente a favor da investigação e desenvolvimento. Só assim será possível comprovar se o potencial referido por alguns cientistas corresponde mesmo à realidade. Sou um apologista dos sistemas de micro-geração interligados por redes inteligentes de distribuição mas a "promessa" da fusão nuclear é a de energia infinita e isso é obviamente aliciante para uma sociedade totalmente dependente da energia e cuja necessidade anual tem vindo a aumentar de forma galopante. Com a intermitência do preço do petróleo, com o esgotamento das fontes fósseis energéticas e com a problemática das alterações climáticas, não nos podemos "dar ao luxo" de descurar nenhuma opção nem de retirar qualquer carta do baralho. Da mesma maneira que não devemos deixar de apoiar a investigação da fusão nuclear, também não devemos depositar a totalidade das nossas esperanças nesta fonte de energia. A fusão nuclear é um dos muitos caminhos a seguir onde cada vez mais formas inovadoras de produção de energia vão surgir e submeter-se ao teste da Humanidade, estando à partida condenadas ao sucesso ou ao fracasso mas onde a única forma de saber a resposta é através da investigação.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Pobreza | Solidariedade

A pobreza é um problema que afecta todo o mundo, com especial incidência nos países subdesenvolvidos. Uma das mais severas consequências desta crise foi o aumento que provocou no número de pobres. São cada vez mais e possivelmente o seu número vai continuar a aumentar num futuro próximo. São milhares de milhões e nesse grupo estão incluídas milhões de crianças. Ninguém no mundo devia ter fome. É uma necessidade básica e um direito de todos nós.

Seguramente que aquilo que mais me impressiona são imagens vindas de países africanos e asiáticos mas quando penso bem, verifico que existem muitos milhares de portugueses numa situação semelhante. Existem inúmeras instituições que todos os dias lutam contra este flagelo e fornecem alimentos a milhões de pobres pelo mundo fora. Em Portugal é bem conhecida a acção do banco alimentar contra a fome. Cada vez mais a generalidade das pessoas apercebe-se da importância deste tipo de associações e tende a sensibilizar-se com as mesmas, apoiando as suas campanhas. Tal deve-se em parte, ao facto de muitas pessoas adquirirem a noção de que hoje são elas a contribuir mas amanhã poderão ser elas a pedir. A ONU tem como objectivo erradicar a pobreza extrema até 2015. Para o fazer é necessário fazer mais e não desviar a nossa atenção de todos os pobres, utilizando a crise como argumento.

Para mim a chave não reside necessariamente em sucessivos aumentos de doações com vista a comprar géneros alimentares. É necessário assegurar que os pobres têm um "alívio" imediato mas não nos podemos esquecer que este tipo de solução apenas adia o problema para o dia seguinte. Além deste alívio "artificial" através da doação de géneros alimentares é necessário combater as causas daquela pobreza e inverter o ciclo social da pessoa tentando com que passe de um pobre para alguém com recursos para ajudar outros pobres. É preciso garantir que aquele pobre nunca mais volta a esse estatuto.

Muitas vezes as políticas de integração e reinserção social confundem-se com as políticas de combate à pobreza, especialmente nos países desenvolvidos. Isto deve-se à constante discriminação de que os pobres são alvo diariamente, muitas vezes considerados "cidadãos de 2ª". É preciso "cultivar" esta interligação já que é possível com uma só medida combater dois problemas graves e tentar iniciar uma espiral de solidariedade rumo a uma prosperidade futura. E que espiral é essa? Não é uma espiral mas sim duas e que para mim, representam a "ideologia" de como combater a pobreza e construir um futuro próspero. Uma espiral é ascendente e a outra descendente e estão directamente relacionadas (a subida da 1ª provoca a descida da 2ª).

1ª espiral) Simboliza a verdadeira solução para o problema da pobreza e da exclusão social. Conta com medidas que podem demorar algum tempo a ser implementadas mas têm como objectivo atingir um ponto de "não retorno" na situação do pobre, ou seja, têm a possibilidade de conferir uma solução a longo prazo para a pessoa visada e para as gerações futuras.

- Acesso massificado ao micro-crédito. Permite gerar riqueza e realização pessoal bem como experiência profissional.
- Investimento na educação. A educação é a base de tudo e é absolutamente essencial para a erradicação da pobreza em certas comunidades (especialmente as subdesenvolvidas). Começa-se pela escola primária, básica, secundária e de seguida as faculdades e institutos politécnicos. Estas são as "sementes" para uma comunidade capaz de gerar riqueza e prosperidade.
- Investimento na formação técnico-profissional. Quando falo em educação penso essencialmente na formação das crianças que 15/20 anos mais tarde vão tornar a sua comunidade em algo próspero e com fortes perspectivas de futuro. Entretanto é necessário uma formação específica para a classe adulta tendo em conta os níveis de instrução e de experiência profissional (por exemplo se um agricultor em África souber colocar adubos nas suas terras e escolher a técnica de rega adequada poderá obter melhores rendimentos na sua exploração agrária, levando a um aumento do seu rendimento).
- Fomentar o comércio justo. É preciso assegurar que os produtos que compramos não provêem de uma exploração em que os produtores não recebem nem o suficiente para comer. Comércio livre sim, desde que regulado e justo. Provavelmente esta seria uma medida que traria muitos benefícios aos pobres dos países subdesenvolvidos e poderia financiar o desenvolvimento das suas comunidades.
- Investimento em infra-estruturas básicas. Sistemas de captação e distribuição de água, electricidade (energias renováveis), fogos habitacionais, hospitais, etc. Tudo isto são investimentos necessários para assegurar o desenvolvimento de uma comunidade.

2ª espiral) Simboliza o alívio imediato prestado às populações em dificuldades. Conta com medidas que não sendo em si soluções para a efectiva resolução do problema, são essenciais para sustentar a comunidade no curto prazo.

- Doação de alimentos. É imperativo assegurar a alimentação da comunidade visada.
- Doação de dinheiro. Servirá para a construção das infra-estruturas básicas e que não tenham como propósito gerar riqueza no sentido de serem rentáveis (escolas e hospitais por exemplo).
- Concessão de micro-crédito para os micro-empresários gerarem riqueza e prosperidade.
- Concessão de crédito sem juros ou com juros fixos e baixos. Este tipo de crédito poderia servir para financiar actividades que mais tarde se tornariam rentáveis como a venda de água ou de electricidade, onde as comunidades pagavam as dívidas com os lucros desse tipo de explorações.
- Formação básica, técnica e profissional. Um pilar essencial para cimentar o futuro da comunidade.
- Outros apoios como auxílio na construção das infra-estruturas e respectiva gestão levando a uma adaptação progressiva da comunidade para que se torne autónoma.

Estas duas espirais relacionam-se no sentido em que é necessário um grande investimento inicial (2ª espiral) para colocar um "tampão" nos problemas de uma determinada comunidade e financiar a sua prosperidade futura. Essa prosperidade é assegurada pela 1ª espiral cujo aumento faz diminuir o tamanho da 2ª. Ou seja, de início é necessário um grande investimento mas à medida que os investimentos surtem o seu efeito a necessidade de financiamento e apoio vai diminuindo. Quanto mais desenvolvida estiver a comunidade (fruto do investimento inicial da 2ª espiral) menor vai ser a necessidade de apoio, daí o crescimento da 1ª significar um decréscimo da 2ª. Esta é para mim, uma "receita" a ser utilizada para a efectiva erradicação da pobreza e da exclusão social associada somente com a necessidade de ser adaptada especificamente quando posta em prática.

Termino este post com um apelo a todos aqueles que quiserem lutar contra a Fome já no dia 07 de Junho, através da Marcha Mundial Contra a Fome a realizar em Lisboa e no Porto. Cada inscrição na caminhada financia 25 refeições. Para quem não puder estar presente, pode dar o seu contributo através da caminhada online. Mais informações aqui e aqui.