segunda-feira, 1 de junho de 2009

China | Economia, Ambiente e Sociedade

O dragão vermelho é sem dúvida um país bastante interessante de estudar numa óptica do seu futuro e, consequentemente do futuro do mundo. A sua dimensão geográfica, a sua quantidade de população, a sua produção industrial e acima de tudo o seu dinheiro, tornam a China numa gigantesca potência em franco crescimento, mesmo com uma crise mundial.

A sua economia merece por mérito próprio ser estudada por todos nós, encerrando em si diversas lições. A mão-de-obra barata foi um pilar do milagre económico chinês tornando este país no "produtor do mundo", exportações essas facilitadas pela crescente globalização. Um crescimento "viral" que se multiplicava sozinho mas sempre com o olhar atento do Estado. Não era necessário dinamizar a procura interna enquanto os países ocidentais tivessem dinheiro para gastar e condições para se endividar consumindo sofregamente os produtos oriundos de Pequim. As obras megalómanas em torno do Jogos Olímpicos foram uma pequena amostra do poderio económico chinês revelando essa nova face ao mundo. Com uma crise de procura global que veio atingir fortemente as exportações chinesas, o tendão de Aquiles da sua economia, Pequim não esperou por uma cura milagrosa e decidiu agir. Quer se concorde ou não com a opção chinesa para solucionar a crise, há que dar o mérito devido a Wen Jiabao por agir de forma rápida e decisiva. Para contornar o problema da falta de procura dos seus produtos nos mercados internacionais, a China aposta agora numa dinamização do consumo interno, aproveitando o recursos endógeno que é a sua elevadíssima população. Isto permite à China "fintar" parte da crise e ao mesmo tempo assumir menores riscos em relação a crises futuras deste género. Apostou também no investimento público como forma de reanimar artificialmente a procura, ou seja, o Estado absorve a produção com as suas obras enquanto os privados se mostram relutantes. Ao mesmo tempo este investimento gera emprego e incentiva o consumo interno conferindo outra ajuda ao escoamento da produção. Seja a melhor opção ou não o governo chinês pode-se gabar de algo que a Europa não pode... Actuar! A China está a propor ao mundo uma alternativa a seguir, tal como um líder propoe um caminho à sua tribo.

As alterações climáticas e o meio ambiente estão cada vez mais na ordem do dia e o regime chinês está atento. Apesar de inaugurar 2 centrais a carvão por semana, a China será provavelmente pioneira em muitas áreas da conservação do meio ambiente e será capaz de fazer uma adaptação relativamente rápida à produção de energia por fontes renováveis. Costumo dizer que tudo o que é chinês é megalómano e a área do ambiente não será diferente. A China é o maior poluidor mundial em termos brutos (em emissões per capita continua muito atrás do maior poluidor, os EUA) mas será dos países com uma transação mais fácil para a sociedade "carbono zero". Veja-se o exemplo dos sacos de plástico. A sua distribuição gratuita foi pura e simplesmente proibida reduzindo a sua quantidade drasticamente. O regime de Pequim é, para o bem e para o mal, um regime forte e a população chinesa acata no geral as "ordens" do seu governo. O plano de estímulos chinês investe mais do dobro em energias "verdes" que o plano de Obama, plano esse apelidado de "Green New Deal". A China está actualmente a fazer investimento colossais em investigação ligada à problemática das alterações climáticas. O pós-Quioto será revelador da posição chinesa mas acredito que quando a China quiser mudar o seu rumo vai fazê-lo "à maneira chinesa", ou seja, de uma forma megalómana. E acredito que essa metamorfose ocorrerá rapidamente pois Wen Jibao já se apercebeu que ambiente e economia andam de mãos de dadas. Possivelmente a China passará de maior poluidor mundial para maior produtor mundial de energias renováveis num relativo curto espaço de tempo. E aí a Europa e os EUA vão lamentar todas as indecisões e todas as metas enfraquecidas e ainda assim, sucessivamente inatingidas.

O mundo está em constante evolução e esta crise é capaz de acelerar determinados fenómenos. Num país que está a sofrer as alterações que a China sofre, essa transformação na sociedade é ainda maior. Será interessante caracterizar o estilo de vida chinês em 2020-2030 e verificar que a política e economia chinesa são únicas e têm os seus trunfos para jogar na política internacional.

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