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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Cancro - nova esperança

Os investigadores conseguiram recentemente descodificar os mapas genéticos de mais 2 tipos de cancro: pulmão e pele. Estes são aqueles cuja taxa de mortalidade é maior, revestindo-se esta descoberta de uma extrema importância.

Numa altura em que o Governo português se prepara para realizar "mexidas" nas unidades oncológicas, esta medida dá uma nova esperança a milhões de pessoas no mundo inteiro. O cancro é sem dúvida um problema do séc. XXI já que a tendência é para o número de casos aumentar por todo o globo. É preciso o nosso sistema de saúde adaptar-se às novas realidades e a modernização das unidades oncológicas bem como uma maior disseminação de campanhas de rastreio e sensbilização da opinião pública são urgentes. Os períodos de espera para cirurgias relacionadas com doentes oncológicos são ainda demasiado longos e tudo devemos fazer para os reduzir pois como se sabe, o sucesso dos tratamentos está em muito relacionado com o estado de desenvolvimento do cancro. É preciso garantir que os pacientes podem realizar os seus tratamentos não muito longe de casa mas teríamos vantagens em concentrar unidades oncológicas em determinadas unidades hospitalares para assegurar serviços especializados com tecnologia e equipamentos de ponta. O apoio à investigação nesta área deve aumentar de forma constante e contínua.

Espera-se que estas novas descobertas na luta contra o cancro venham a produzir melhores e mais eficazes medicamentos bem como aumentar a taxa de sucesso dos tratamentos. Este desenvolvimento eleva para 5 o número de cancros que se conhece o mapa genético. Outros 50 estão em estudo. Vários cientistas alegam que são estas as descobertas que podem vir a revolucionar a luta contra o cancro. Eu espero que eles tenham razão.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Plano de Saúde de Obama

Este vídeo disponibilizado pela Casa Branca resume muito bem o "sistema de saúde" que Obama propôs e tem lutado por fazer aprovar. E faz-nos ver que apesar de nos queixarmos de ínumeras situações no nosso país também a "terra das oportunidades" tem as suas grandes fraquezas.


domingo, 16 de agosto de 2009

Cuidados Continuados e Paliativos

O Paulo Lobato desafiou-me a realizar um post acerca dos cuidados continuados e paliativos. Estou aqui para cumprir com o prometido. Em primeiro lugar, um país que se considere justo do ponto de vista social e que englobe os cuidados de saúde com uma visão ampla tem que considerar a totalidade dos seus cidadãos. Incluindo os doentes crónicos e terminais.

Agrada-me verificar que têm existido progressos neste domínio já que é uma área muitas vezes esquecida. Todas as pessoas merecem uma vida digna que respeite os seus direitos fundamentais e considero ser um dever do estado zelar por esses direitos. Os cuidados continuados têm um papel extremamente importante na coesão da sociedade e no respeito pelo indivíduo. Devemos procurar alargar a Rede Nacional de Cuidados Continuados e melhorar a mesma para que todos possam ter um acesso cada vez mais prático e com uma qualidade cada vez mais elevada.

Estes cuidados continuados devem compreender a totalidade das necessidades proporcionando uma assistência que vise a recuperação física e psicológica dos doentes e também das famílias. É preciso apostar na assistência doméstica sempre que possível para proporcionar um melhor conforto ao doente e à sua família bem como apostar no acompanhamento psicológico. Estes cuidados devem também ter em atenção as mudanças sociais que decorrem de uma situação destas e apoiar a resolução das mesmas (por exemplo algum familiar ter que se despedir para tratar do doente). O apoio durante os tratamentos é bastante importante mas o auxilio na integração social após os mesmos contem uma importância igual ou talvez ainda maior.

O mesmo deverá acontecer nos cuidados paliativos. Os doentes crónicos ou terminais não devem ser abandonados e, na minha opinião, temos o dever de lhes proporcionar a melhor qualidade de vida possível. Todos nós temos um papel a desempenhar na sociedade e uma pessoa por ter uma doença em fase terminal não significa que o seu papel se tenha extinguido automaticamente. Tal como nos cuidados continuados penso que a aposta em cuidados domiciliários e em apoios psicológicos tanto ao doente como à sua família é algo de extrema importância.

Estas pessoas tem sonhos, ambições e objectivos. Terão maiores dificuldades em concretizá-los dai necessitarem e merecerem o nosso apoio mas isso não significa que não possam contribuir para um país e um mundo melhor. Pelo potencial que essas pessoas encerram, pela construção de uma sociedade mais justa, por uma melhor compreensão da palavra saúde não devemos deixar de lutar pelos direitos de quem mais precisa. Todos nós sem excepção merecemos uma vida digna e com qualidade.

Apesar da recente evolução é preciso continuar este trabalho e esta missão na luta por um país melhor. É preciso apoiar a totalidade dos doentes, a totalidade das famílias e compreender as suas reais necessidades. O apoio na tratamento da doença ou na minimização dos seus impactos é essencial mas a integração social será talvez das melhores ajudas que podemos prestar. O apoio físico é essencial mas a mente comanda o corpo e o apoio psicológico pode ter uma influência enorme. O investimento nestas pessoas é essencial e a construção de uma sociedade mais justa é para mim um "lucro" suficiente para justificar esse mesmo investimento.

sábado, 8 de agosto de 2009

Saúde - Catástrofes

Tanto as catástrofes naturais como aquelas que têm origem humana são, na esmagadora maioria das vezes, imprevisíveis e nenhum país tem um sistema completamente seguro e fiável. O inesperado e a multiplicidade de ameaças tornam muito difícil a preparação para este tipo de situações. Mesmo com um vasto conjunto de recursos materiais e humanos, experiência, realização de simulacros, etc. o choque é inevitável.

Por serem situações fora do comum e que felizmente, ocorrem poucas vezes, são frequentemente desvalorizadas e a sua importância é tida em segundo plano. Uma reforma na saúde e uma melhoria global que queira incorporar a palavra saúde em todos os seus sentidos não pode de forma alguma deixar de contemplar esta área.

Em posts anteriores já falei indirectamente deste tema. Uma melhoria em todas as unidades de saúde conseguiria certamente corresponder melhor a este tipo de exigências. A criação de "espaços de catástrofe" é também algo que pode minimizar os efeitos nefastos deste tipo de acontecimentos. O reforço nos meios pré-hospitalares são essenciais e alguns dos investimentos realizados no pré-hospitalar são equipamentos para servir neste tipo de situações.

Contudo penso que outras medidas seriam necessárias, para dentro do possível, preparar o nosso país para este tipo de ocorrências extremamente graves. A formação é algo essencial para que qualquer outra medida tenha sucesso e como tal apoio a multiplicação de acções de formação e simulacros relacionados com diversos tipos de catástrofes e onde participassem todo o tipo de forças e organismos que, numa situação real, estariam envolvidas (GNR, PSP, INEM, Bombeiros, Protecção Civil, pessoal das unidades de saúde, etc.). Outro foco seria a reformulação das forças armadas. Esta reforma teria como objectivo dotar as Forças Armadas portuguesas de mais meios para desempenhar as suas missões humanitárias em detrimento das missões bélicas. Por exemplo, penso que o Exército tem de ter um dispositivo que lhe permita num curto espaço de tempo montar toda uma campanha que seja necessária em situação de catástrofe (tendas para abrigo, distribuição de refeições e outros objectos necessários como por exemplo cobertores, recursos humanos para auxílio nos hospitais de campanha e na busca de sobreviventes, fornecimento de recursos como combustível e energia eléctrica, etc.). É preciso reforçar a cooperação entre forças, dotá-las de uma formação mais ampla e específica e acima de tudo, redireccionar a força do nosso Exército, Marinha e Força Aérea. Estas três forças têm um papel fundamental na estrutura de uma campanha em caso de catástrofe e como tal o investimento a realizar nas Forças Armadas deverá dar prioridade a esta componente humanitária. Também os media deveriam contar com planos e dispositivos para este tipo de situações, permitindo que a sua forte influência na sociedade se faça também sentir quando a população necessita de ajuda. Na componente educacional deveriam existir alterações com vista a formar toda a população para este tipo de situações. As escolas seriam um excelente meio de difusão. Cidadãos informados e preparados são a maior mais-valia que um país pode ter e este tema não foge a essa regra. Actualmente existem pequenos simulacros mas a forma como são realizados (e falo por experiência própria) não completam em nada o nosso conhecimento sobre o assunto. Por último, também o poder empresarial pode e deve ter um forte papel a desempenhar. A cedência de instalações em caso de catástrofe ou a cedência de determinados recursos são uma dessas vertentes (por exemplo a Galp ter um protocolo que lhe permitiria ceder uma % das suas reservas de combustível em caso de necessidade para o dispositivo de campanha).

É impossível prever quando, onde e que tipo de catástrofe vai ocorrer em solo nacional. Como tal a preparação a 100% para tal acontecimento torna-se também impossível. Mas existem sem dúvida medidas que vão permitir minorar o número de vítimas e apesar de ser algo com pouca frequência, a existência de um forte dispositivo em situações de catástrofe é sem dúvida uma melhoria na saúde e qualidade de vida de todos os cidadãos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Saúde - Pré-Hospitalar

A componente pré-hospitalar da saúde é um elo essencial na sua cadeia. Sem um pré-hospitalar de sucesso, a eficácia dos cuidados hospitalares fica comprometida, por melhores que esses cuidados sejam. Apesar de historicamente termos despertado tarde para este problema e de, na minha opinião, necessitarmos de suprir muitas necessidades, contamos já com um sistema de cuidados pré-hospitalares algo avançado e que felizmente tem vindo a conhecer uma evolução bastante positiva nos últimos anos.

Estes cuidados são um "ingrediente" essencial ao apresentarmos uma receita para uma melhor saúde em Portugal e como tal, também aqui devem ser concentrados esforços, nomeadamente financeiros. Em troca iremos criar postos de trabalho e acima de tudo, melhorar a qualidade de vida de todos os portugueses.

Em qualquer parte da União Europeia podemos ligar 112 para obtermos ajuda, quer seja dos serviços de saúde, dos bombeiros ou da polícia. A parte dos cuidados pré-hospitalares está em Portugal a cargo do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) e das várias Corporações e Corpos de Bombeiros.

O INEM tem vindo a adquirir novos meios para servir cada vez mais pessoas e para servi-las melhor. Esta expansão tem permitido ir diminuindo gradualmente a dependência dos Corpos de Bombeiros que tinham sérios problemas, nomeadamente na área da formação de recursos humanos. A aquisição de VICs (Viatura de Intervenção em Catástrofe) permite montar pequenos hospitais de campanha quando necessário. As SIVs (Suporte Imediato de Vida) permitem um acompanhamento mais completo das populações, em especial aquelas cuja distância à unidade hospitalar mais próxima é bastante elevada. A expansão das viaturas médicas permite diminuir o tempo de chegada do Suporte Avançado de Vida. As moto 4 e os jipes todo o terreno permitem dar assistência a uma multiplicidade de eventos (por exemplo o Rally de Portugal) bem como chegar a locais onde as viaturas convencionais não conseguem prestar auxílio. A introdução de motas no sistema pré-hospitalar permite um socorro mais rápido, mantendo a vítima viva até chegar uma ambulância. Estes são apenas alguns dos exemplos dos novos meios que têm sido adquiridos para melhorar os nossos cuidados pré-hospitalares. A colaboração com os bombeiros tem tido também destaque, já que são eles quem continua a prestar o maior número de intervenções. Neste campo o INEM tem comprado ambulâncias para de seguida as colocar nas várias Corporações por todo o país, além de apostar fortemente na formação dos elementos dessas mesmas Corporações.

Apesar desta positiva evolução ao longo dos anos existe ainda muito por onde melhorar e se quisermos abordar seriamente e na totalidade o tema da saúde, não podemos esquecer o pré-hospitalar como um factor determinante para o sucesso, evolução e desenvolvimento de todo o sistema. O INEM ainda não está presente nas Regiões Autónomas, o que a meu ver deveria ser corrigido. A sua área de influência necessita de ser ampliada para que ano após ano possa aumentar o número de intervenções até conseguir absorver a sua totalidade. Isto permitiria uma reorganização dos meios, levando a que o INEM se concentrasse somente nos cuidados de saúde, os bombeiros em incêndios e resgate e a polícia na segurança e combate ao crime. Esta organização permitiria uma melhor especialização dos vários organismos bem como uma melhor gestão dos recursos. É preciso desenvolver projectos que funcionam ainda como "experiências" (como o caso das motas) para que se massifiquem e todo o território nacional possa beneficiar das mais-valias desses novos meios. É preciso continuar a apostar na formação, especialmente na formação constante, área que a meu ver não é concedida grande importância (frenquentemente determinadas técnicas médicas e de saúde são substituídas por outras que se descobre serem mais correctas, acontecendo o mesmo ao nível do equipamento. Só uma formação constante garante que os profissionais do pré-hospitalar estarão sempre de acordo com aquilo que melhor serve a população). É preciso construir um centro nacional para a emergência médica, centro esse com fortes recursos preparados para missões internacionais, grandes eventos (como foi o caso do Euro 2004) e situações de catástrofe em solo nacional. É preciso investir num INEM ao nível marítimo em articulação com o ISN (Instituto de Socorros a Naúfragos) e com a Marinha.

É preciso investir a todos os níveis. É preciso aproveitar a pouca experiência que ainda temos. É preciso massificar projectos com sucesso e criar novas soluções, técnicas e meios. É preciso uma maior organização e definir alguém especializado e responsável pela totalidade da emergência médica. Os cuidados pré-hospitalares são o primeiro andar do "prédio" que é a saúde e nenhum prédio se aguenta firme se a sua base não for sólida. Investir no pré-hospitalar é investir nos pilares que sustentam uma melhor saúde para todos, lançando assim o ponto de partida para uma revolução na saúde em geral.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Saúde - Deficientes físicos e motores

Uma componente bastante importante na área da saúde são as pessoas com deficiências, sejam elas físicas ou motoras. No reino animal seriam descartadas, sucumbindo à selecção natural patente na lei da vida. Mas somos humanos e penso que todos concordamos que estas pessoas devem ser apoiadas e devemos tentar que usufruam dos prazeres da vida, tanto quanto nós o fazemos.

Pondo isto é necessário investir não só nos cuidados de saúde para estas pessoas mas também na sua valorização e na melhoria da sua qualidade de vida. Melhorarmos a qualidade de vida dos nossos deficientes, é melhorarmos a sua saúde de uma forma tão ou mais importante que as maneiras "tradicionais". Estas pessoas podem ter limitações mais ou menos graves, sendo mais ou menos impeditivas. Umas podem conseguir concretizar todas as tarefas que alguém sem esse problema conseguiria, tendo somente que aplicar um pouco mais de esforço ou necessitar de uma certa adaptação (por exemplo que necessite de uma cadeira de rodas mas não tenha qualquer problema mental). Outras podem conseguir apenas realizar determinadas tarefas mais simples e após um grande esforço em conjunto com um longo processo de aprendizagem. Independentemente do grau de incapacidade dessas pessoas ou do seu problema, algo que noto na generalidade é o empenho e dedicação das mesmas. Isso é uma vantagem que temos de valorizar. A grande maioria das pessoas com problemas/deficiências tende a ser mais empenhada que alguém sem qualquer problema. Isso é um ponto que temos de focar e aproveitar.

É uma vantagem do ponto de vista social pois serão aceites mais facilmente pela sociedade. É uma vantagem do ponto de vista pessoal pois terão mais hipóteses de concretizar os seus sonhos e aspirações. É uma vantagem do ponto de vista económico pois torna o seu local de trabalho em algo mais competitivo. A chave é saber valorizar esse empenho e através dessa percepção, partir para um conjunto de medidas que valorizem quem, por mérito próprio (e não por pena), merece ser valorizado. Um exemplo muito simples são os paraolímpicos. As modalidades são adaptadas às suas limitações, logo todos os atletas competem em condições iguais. A enorme quantidade de medalhas que os nossos atletas ganham é devido ao seu mérito, empenho e dedicação. Eles provaram o seu valor, ninguém lhes "ofereceu" essa vitória só pelo facto de serem deficientes. Isto é algo que penso que deveria ser transportado para a vida geral em sociedade, para todos.

Existem incentivos, subsídios, ajudas, etc. para as pessoas deficientes. Alguns estarão correctos, outros nem por isso. Mas mais importante que esses subsídios e incentivos, é a valorização em si. A valorização social e não apenas um contrato de trabalho somente porque o governo paga uma % do vencimento daquela pessoa e é economicamente atraente para o patrão contratá-lo. Eu não sou contra este tipo de medidas, pelo contrário. Mas aquilo que afirmo é que só por si não chega. É preciso abrirmos o "combate" a outra frente totalmente diferente. A frente do dia-a-dia. Porque se melhorarmos o quotidiano dos nossos deficientes, se melhorarmos a sua qualidade de vida, se conseguirmos dar-lhes mais autonomia e independência, tudo isto terá resultados em todas as áreas. Ao melhorarmos a vida como um todo destas pessoas vamos fazer com que exista menos desemprego para pessoas com limitações, maior aceitação social (menos discriminação e maior compreensão) e uma maior valorização que será benéfica para a pessoa em si e para o próprio país. Se um deficiente conseguir trabalhar porque tem condições para tal, passa a auferir um vencimento e deixa de necessitar de um subsídio para conseguir sobreviver. Isto é um exemplo simples de algo que é melhor para todas as partes.

O investimento em pessoas com limitações é um investimento com retorno. Retorno social e económico.

No meu entender é necessário primeiro que tudo compreender os problemas. E compreender os problemas significa fazer um levantamento do tipo de limitações que existem e do número de pessoas que as têm. Falar com quem tem conhecimento dos problemas e das soluções. Falar directamente com as pessoas, falar com as instituições que apoiam estas pessoas. Ver o que é feito nos outros países e os resultados. Ver o que já foi feito cá, o que já propuseram fazer e ver os resultados. É preciso conhecer antes de agir. De seguida elaborar um plano que ponham em prática as soluções apresentadas e cujos benefícios estão comprovados. Isto significa fazer investimentos, alterar leis, alterar a mentalidade das pessoas, etc. Mas tem de ser feito e deve ser feito. Um investimento maciço ao nível económico, social, jurídico, etc.

Se uma vara auxilia um invisual, então todos os cegos em Portugal têm de ter uma. Se uma rampa permite a entrada de alguém com uma cadeira de rodas num estabelecimento então todos os estabelecimentos têm de ter uma. Se a máquina X permite a alguém sem uma mão realizar determinada tarefa tão bem quanto alguém com as duas mãos então todas as empresas que queiram contratar pessoas sem uma mão têm direito a essa máquina X gratuitamente. Isto são só alguns exemplos. Algumas medidas já foram felizmente tomadas. Mas penso que está na altura de agirmos a sério, de agirmos de forma definitiva. Está na altura de juntarmos o conhecimento de todas as instituições que neste momento batalham sozinhas, de juntarmos o conhecimento de todos os deficientes que neste momento não têm voz para exprimir os seus problemas, de juntarmos o conhecimento de tudo aquilo que já foi feito cá e nos outros países. Temos de avaliar, debater e construir soluções. E depois de termos essas soluções temos de as por em prática. Em grande, no plano nacional e em definitivo. Se isso exige alterar leis, então temos de o fazer. Se isso exige investimentos de milhões de euros então temos de o fazer.

Esta é um tema sensível e não é fácil chegarmos a uma solução geral (conjunto de muitas soluções) para problemas tão grandes e tão diversificados. Mas para mim é mais fácil do que continuar indiferente.

sábado, 1 de agosto de 2009

Saúde - Investimentos

Visto dar primazia a um sistema público de saúde em detrimento de um privado, é natural considerar que a nossa saúde deve ser alvo de fortes investimentos por parte do estado, consumindo uma grande parte do orçamento. Esses investimentos comportam o pré-hospitalar, os cuidados especializados e gerais, infra-estruturas, situações de catástrofe, etc. Os investimentos necessários no âmbito de pessoas com deficiências físicas ou motoras será tratado num post com tema próprio, post esse incluído nesta "série" da Saúde.

Seguem os investimentos que considero serem necessários:

1) Levantamento do grau de qualidade dos serviços e de conservação das infra-estruturas de todos os hospitais, centros de saúde, etc. do país.

2) Levantamento das principais necessidades ao nível de recursos humanos e materiais tanto para a saúde em geral (por exemplo necessidade de mais médicos de família) como para as especialidades (por exemplo a construção de uma unidade oncológica).

3) Após o levantamento produzir alterações em todas as unidades de saúde do país num período de 10-15 anos, dividindo os investimentos consoante a prioridade, ou seja, começando com as unidades mais críticas e seguindo para aquelas cuja intervenção seria de menor dimensão e/ou importância.

4) As alterações deveriam considerar determinados aspectos como a independência energética dessas unidades, a adaptação às necessidades apontadas pelo levantamento realizado anteriormente, uma construção moderna (e não o aproveitamento de antigas infra-estruturas que não assegurem a totalidade das necessidades) bem como os seus equipamentos e uma inclusão de espaços de investigação e de estudo, adequando a sua dimensão à própria dimensão da unidade de saúde.

5) Criação de um Plano Nacional de Melhorias nos Centros de Saúde. Este plano teria como objectivo reduzir a dependência de unidades centrais, descongestionando as urgências dessas unidades. O plano contemplaria um alargamento do horário do centro de saúde e essencialmente um alargamento das suas competências e serviços (por exemplo a instalação de uma unidade de raio-X em todos os centros de saúde evitaria que muitas pessoas se dirigissem às urgências de um hospital somente por suspeitarem de uma pequena fractura). Uma vez mais, as medidas a tomar em cada centro de saúde seriam baseadas nos relatórios do levantamento realizado.

6) Criação de "Espaços de Catástrofe" a nível distrital. Estes espaços seriam terrenos com o objectivo de poderem receber um forte dispositivo hospitalar móvel em caso de catástrofe, estando em articulação com as unidades de saúde desse mesmo distrito.

7) Multiplicação de cirurgias, tratamentos e diagnósticos com especial enfoque para as doenças mais graves, reduzindo o tempo de espera. Esta multiplicação teria de ser assegurada com o investimento realizado na alteração da unidade de saúde e seria "apoiada" pelo levantamento.

8) Criação de um Plano Nacional de Adaptação às Doenças Raras. Este plano iria incluir a criação de estudos mais completos sobre a realidade das doenças raras em Portugal (número de doenças, número de afectados, problemas do dia-a-dia, tratamentos que permitam a cura ou atenuar os efeitos dessas doenças, etc.) bem como o seu tratamento. Provavelmente este plano poderia até resultar na criação de um (ou mais) hospitais somente especializados em doenças raras, desde o seu diagnóstico até ao seu tratamento. A segunda parte do plano seria a de adaptar melhor o nosso país às dificuldades dessas mesmas pessoas (por exemplo as pessoas que necessitam de utilizar uma cadeira de rodas têm dificuldade em mover-se sem ajuda. A criação de rampas vem atenuar essa dificuldade).

Estes investimentos propostos não serão certamente os únicos necessários e além do investimento é necessário todo um processo extremamente bem elaborado para conseguir concretizar os objectivos propostos. A saúde é uma área bastante vasta e complexa, onde desde o primeiro tijolo do hospital até ao computador do médico é necessário um conhecimento extraordinário para conseguir com que as políticas resultem. Apesar dos investimentos propostos serem bastante simples e de representarem somente o primeiro passo numa longa caminhada, estão no meu entender, a promover uma melhor saúde para todos nós, sem excepções. E esse deverá ser sempre o objectivo das políticas de saúde, independentemente da nossa visão de como atingir esse objectivo. O de servir mais e melhor.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Saúde - Sistema Público

No post inaugural do tema Saúde pretendo analisar as vantagens e desvantagens de um sistema público em detrimento de um sistema privado e clarificar as razões que me levam a apostar no mesmo, bem como aquilo que penso que poderia ser melhorado.

Para mim a saúde deve ser acessível a todos, independentemente das condições sociais e económicas em que vivemos. Tal como a Educação, considero que é um direito ter acesso aos melhores cuidados de saúde desde o nascimento até à morte. Este é um sector fundamental na nossa sociedade que vai influenciar todos os outros (veja-se por exemplo a preocupação das empresas com a Gripe A). Sendo fundamental penso que faz todo o sentido investir nele e abrirmos a nossa mente a uma óptica mais ampla que a do custo/benefício em termos financeiros de forma directa. Na minha opinião a saúde não tem de dar lucro no mesmo sentido em que as empresas têm de dar pois potencia lucros cuja quantificação é bem mais difícil mas não por isso menos importantes.

Esta é razão "nuclear" pela qual apoio um sistema público de saúde. Pelo facto de não considerar necessário que a saúde dê lucro. Um hospital privado pode ser mais rigoroso nas suas contas e evitar desperdícios que um hospital público não evita mas procura sempre primeiro o lucro e não o bem-estar dos seus pacientes. Seja por negar o tratamento a alguém que não tenha dinheiro/seguro, seja por falsificar diagnósticos para receber mais subsídios estatais, seja por realizar determinados tratamentos que não sendo os mais adequados do ponto de vista médico o são do ponto de vista financeiro, os hospitais privados terão sempre todo o interesse em retirar o maior proveito económico possível da nossa situação. Não digo que o façam todos os dias nem em todos os hospitais. Eu já recorri a hospitais privados e fui bem tratado. Mas penso que quando colocamos algo à frente da saúde (neste caso o dinheiro) estamos a desviar-nos do caminho correcto. Estamos a confiar na honestidade de alguém cujo interesse não é comum ao nosso. O nosso é ficar curados. O deles é receber dinheiro.

Esta base de pensamento, esta hierarquia de prioridades terá influência em todo o processo produzindo assim resultados negativos quando apostamos num sistema privado. Com um sistema de saúde público as prioridades da administração do hospital podem convergir com as prioridades do paciente, produzindo resultados positivos.

É certo que um hospital é um investimento avultado e a factura da saúde nas contas públicas é pesada. A construção e gestão de um privado em troca de subsídios (cujo custo é muito menor) parece assim uma solução apetecível. Contudo não concordo com a mesma. Por mais que custe este investimento entendo que é essencial ser o estado a realizá-lo. A entrada nos privados poderá ocorrer na gestão (após construção do estado) mas com moldes específicos capazes de potenciar as vantagens dos privados com as prioridades de um sistema público. Uma gestão privada que anule ao máximo os desperdícios e que "rentabilize" da melhor maneira o hospital mas cujo pagamento não seja de acordo com o lucro/prejuízo daquele espaço. O montante recebido pela empresa gestora teria de estar de estar em concordância com parâmetros de sucesso em operações, tratamentos e diagnósticos e com a própria avaliação dos utilizadores. Esta seria uma forma de tentar canalizar a "sede por lucro" dos privados para algo que iria beneficiar os utilizadores e o próprio Sistema Nacional de Saúde.

Em suma, defendo um sistema público de saúde por considerar que é aquele cujas prioridades são comuns às de quem, infelizmente, necessita de recorrer a estes locais. É um investimento pesado e que produz efeitos imediatos muito nefastos para as contas públicas. Mas é um investimento a longo prazo e cujos benefícios são ainda maiores que o efeito inicial, tornando-o portanto num investimento "lucrativo" do ponto de vista social e até económico. Um bom sistema de saúde fomenta a inclusão social, gera ganhos na educação, aumenta a competitividade do país, é benéfica para as empresas, gera empregos, produz inovações tecnológicas, apoia a investigação, melhora a qualidade de vida e acima de tudo... salva pessoas.