A participação cívica é essencial para um bom funcionamento da sociedade e fulcral para que se consigam atingir padrões cada vez mais elevados de desenvolvimento social e humano. Todos nós temos direitos e consequentemente deveres. Todos nós temos poder para alterar um pouco o nosso mundo, a nossa aldeia, vila ou cidade. E esse poder vai também influenciar o nosso distrito, o nosso país e o mundo como um todo.
Temos o poder e temos a responsabilidade de mudar. Mudar de acordo com as nossas opiniões e fazendo aquilo que em consciência consideramos ser o melhor. O mais importante não é a ideologia em si mas a vontade de participar. Podemos discordar em quase tudo em relação a outra pessoa mas o objectivo deverá ser comum. O de lutar por algo melhor. Existem diversos instrumentos que devem ser valorizados como forma de aumentar e "melhorar" a participação cívica de todos nós. Isto depende do poder político mas também das populações. O esforço é conjunto bem como os benefícios.
O primeiro instrumento de participação cívica numa democracia é o voto, algo que infelizmente é cada vez mais desvalorizado. Cabe aos partidos políticos renovar a sua imagem e as suas atitudes para que possam alcançar a confiança de mais eleitores mas cabe também à sociedade civil procurar e "exigir" mais e melhor propaganda política, envolvendo-se na vida política de Portugal sem que para isso tenha de ser militante de partido algum ou ter o sentido de voto pré-definido. É urgente uma "renovação" partidária não no sentido de se continuarem a criar mais e mais partidos políticos mas sim alterar o paradigma em que baseiam a sua relação com as populações com vista a criar uma maior proximidade e cumplicidade.
Apesar da base da participação cívica se centrar no voto e na escolha democrática do nossos representantes é natural que este não seja o instrumento mais próximo das pessoas nem aquele que apele a uma maior união e coesão social da qual resultam benefícios para todos, independentemente da ideologia ou opinião sobre determinado tema. A participação cívica é feita também através do voluntariado. Existem ínumeras instituições em todos os concelhos do nosso país possibilitando-nos um trabalho gratificante numa área do nosso interesse e num raio de acção bastante semelhante à nossa realidade quotidiana. É extremamente gratificante e enriquecedor do ponto de vista pessoal e social dispensar um pouco do nosso tempo a auxiliar algo ou alguém que precisa do nosso apoio. Além do auxílio directo estamos também com esses actos a ganhar experiência sobre esse tema, algo que nos possibilita exercer os nossos direitos e deveres de uma forma muito mais consciente. Estas experiências podem por exemplo levar a exigências políticas que não existiriam se não estivessemos alertados para o problema e respectiva solução. Se cada um de nós der um pouco de si, será uma ajuda tremenda no presente e uma ajuda ainda maior para o desenvolvimento futuro de Portugal.
Outros instrumentos estão também a ser implantados de forma progressiva com vista a uma maior e melhor participação cívica. Porque são os nossos problemas e muitas vezes sabemos as soluções. Precisamos de mecanismos que nos permitam comunicar a detecção e resolução dos problemas que encontramos seja a nível local, nacional ou internacional. E acima de tudo precisamos de vontade e de sentido de responsabilidade. Devemos exigir um futuro melhor mas devemos também ajudar a construir esse futuro. Um exemplo de um mecanismo "recente" é a implantação e expansão dos orçamentos participativos. Estes orçamentos permitem que qualquer pessoa apresente projectos que considere serem úteis e benéficos, sendo realizada de seguida uma votação para encontrar o projecto "vencedor" e portanto a ser financiado. Considero o mecanismo em si como algo extraordinário. Dá-nos a possibilidade de moldar de uma forma bastante significativa a realidade à nossa volta e sem dúvida que incita à abertura de debates amplos e dos quais resultam excelentes ideias e iniciativas. Na minha opinião o sucesso destes orçamentos depende da vontade de quem tem a responsabilidade de gestão (por exemplo as câmaras municipais com o orçamento municipal) e da vontade dos seus participantes. Se existir uma abertura e um compromisso sério da parte do primeiro e uma vontade de participar e de agir de forma directa por parte do segundo, este mecanismo sem dúvida contribuirá para o desenvolvimento e coesão social, aproximando e reforçando as relações entre poder político e sociedade civil. O orçamento participativo, se for bem explorado, pode funcionar como o "pacto" que obriga ambas as partes a lutarem com o mesmo objectivo e a apoiarem-se mutuamente pois o sucesso de uma das partes está dependente do sucesso do todo.
Mais participação cívica traz benefícios económicos e sociais mas acima de tudo acorda-nos para algo que temos vindo a esquecer. Portugal é de todos e com o trabalho de todos beneficiaremos todos.
Mostrar mensagens com a etiqueta politica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta politica. Mostrar todas as mensagens
sábado, 30 de janeiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Sindicatos
O sindicalismo é algo que teve as suas origens na revolução industrial que se começou a desenvolver no século XVIII. Grandes números de trabalhadores detinham as mesmas necessidades e enfrentavam as mesmas dificuldades e problemas laborais. Como tal, começaram a unir-se e a criar associações que os protegessem e auxiliassem bem como exercendo pressões para que os seus patrões compreendessem as suas dificuldades.
Na minha opinião os sindicatos foram um elemento fundamental na luta pelos direitos dos trabalhadores, muitos deles sendo hoje reconhecidos como direitos fundamentais. As pessoas perceberam que unindo-se teriam uma força muito maior para lutar pelos seus direitos e objectivos. É a ideia também implícita na noção de sociedade. A união entre as pessoas trabalhando para o bem comum vai levar a uma concretização dos seus interesses individuais e essa soma de interesses individuais é o bem comum. Os sindicatos representaram uma visão, ou até mesmo uma revolução, tornando-se num instrumento essencial para o "avanço" da sociedade em termos de direitos e humanismo. Penso que a sua acção positiva ultrapassou o âmbito das colectividades de operários e trabalhadores.
Nos dias de hoje os sindicatos mantêm uma grande influência na esfera pública, política e económica. São capazes de condicionar decisões governamentais e de provocar mudanças sociais. Apesar de considerar os sindicatos uma peça fundamental para prosseguirem a contínua luta pelos direitos dos trabalhadores e de todos nós fico extremamente desapontado com o carácter extremamente politizado dos mesmos bem como com as suas crescentes preocupações individuais como sindicato em detrimento da preocupação com a classe que defendem. Um sindicalista é e deve ser livre de ter as suas opções e opiniões políticas mas não pode deixar que as mesmas interfiram no seu dever enquanto sindicalista. Da mesma forma que apelamos às mais variadas classes profissionais que cumpram a sua função na íntegra independentemente do contentamento/descontentamento com determinada política ou reforma que os afecte, também os sindicatos deveriam estar "imunes" ao poder político. Um sindicato serve para unir as pessoas e para defender os interesses da classe que representa independentemente das opções políticas dos seus associados e dirigentes. Se um sindicato for dominado de forma directa ou indirecta por determinado movimento ou partido político então é impossível que a sua actuação não seja afectada. Deixa de ser "realista" na forma como defende os seus associados, deixando de compreender os verdadeiros problemas e dificuldades e ficando portanto ao lado da solução que deveria ser apresentada. Da mesma forma que um sindicato deve ser imune ao poder político também não se deve deixar afectar pelo poder económico. É óbvio que os sindicatos necessitam de financiamento e que necessitem de profissionais remunerados mas o dinheiro não se deve tornar na questão dominante. A concentração do sindicato não deve estar focada em aumentar as suas "receitas" nem em encontrar novas formas de financiamento mas sim na luta pelos direitos dos trabalhadores. Os sindicatos devem ter um papel imparcial para que possam participar verdadeiramente nas negociações com o governo e patronato. Se algum destes dois (poder político ou poder económico) manipular ou controlar o sindicato então a negociação passa a chamar-se pressão e essa pressão já não defende de forma "pura" os interesses dos trabalhadores.
Considero o sindicalismo em si como algo com grande história e que já produziu resultados bastantes positivos do ponto de vista social. São algo de positivo e algo necessário na actualidade para que continuem a desempenhar o seu papel. Contudo, os sindicatos só são positivos quando defendem os interesses a que estão "destinados" defender porque nem o poder político nem o poder económico necessitam de mais "defensores".
Na minha opinião os sindicatos foram um elemento fundamental na luta pelos direitos dos trabalhadores, muitos deles sendo hoje reconhecidos como direitos fundamentais. As pessoas perceberam que unindo-se teriam uma força muito maior para lutar pelos seus direitos e objectivos. É a ideia também implícita na noção de sociedade. A união entre as pessoas trabalhando para o bem comum vai levar a uma concretização dos seus interesses individuais e essa soma de interesses individuais é o bem comum. Os sindicatos representaram uma visão, ou até mesmo uma revolução, tornando-se num instrumento essencial para o "avanço" da sociedade em termos de direitos e humanismo. Penso que a sua acção positiva ultrapassou o âmbito das colectividades de operários e trabalhadores.
Nos dias de hoje os sindicatos mantêm uma grande influência na esfera pública, política e económica. São capazes de condicionar decisões governamentais e de provocar mudanças sociais. Apesar de considerar os sindicatos uma peça fundamental para prosseguirem a contínua luta pelos direitos dos trabalhadores e de todos nós fico extremamente desapontado com o carácter extremamente politizado dos mesmos bem como com as suas crescentes preocupações individuais como sindicato em detrimento da preocupação com a classe que defendem. Um sindicalista é e deve ser livre de ter as suas opções e opiniões políticas mas não pode deixar que as mesmas interfiram no seu dever enquanto sindicalista. Da mesma forma que apelamos às mais variadas classes profissionais que cumpram a sua função na íntegra independentemente do contentamento/descontentamento com determinada política ou reforma que os afecte, também os sindicatos deveriam estar "imunes" ao poder político. Um sindicato serve para unir as pessoas e para defender os interesses da classe que representa independentemente das opções políticas dos seus associados e dirigentes. Se um sindicato for dominado de forma directa ou indirecta por determinado movimento ou partido político então é impossível que a sua actuação não seja afectada. Deixa de ser "realista" na forma como defende os seus associados, deixando de compreender os verdadeiros problemas e dificuldades e ficando portanto ao lado da solução que deveria ser apresentada. Da mesma forma que um sindicato deve ser imune ao poder político também não se deve deixar afectar pelo poder económico. É óbvio que os sindicatos necessitam de financiamento e que necessitem de profissionais remunerados mas o dinheiro não se deve tornar na questão dominante. A concentração do sindicato não deve estar focada em aumentar as suas "receitas" nem em encontrar novas formas de financiamento mas sim na luta pelos direitos dos trabalhadores. Os sindicatos devem ter um papel imparcial para que possam participar verdadeiramente nas negociações com o governo e patronato. Se algum destes dois (poder político ou poder económico) manipular ou controlar o sindicato então a negociação passa a chamar-se pressão e essa pressão já não defende de forma "pura" os interesses dos trabalhadores.
Considero o sindicalismo em si como algo com grande história e que já produziu resultados bastantes positivos do ponto de vista social. São algo de positivo e algo necessário na actualidade para que continuem a desempenhar o seu papel. Contudo, os sindicatos só são positivos quando defendem os interesses a que estão "destinados" defender porque nem o poder político nem o poder económico necessitam de mais "defensores".
domingo, 3 de janeiro de 2010
África - A corrupção como um entrave ao desenvolvimento
O continente africano tem, infelizmente, séculos de histórias tristes para contar. Desde o tempo dos Descobrimentos e respectiva escravatura dos nativos africanos, à forma como eram tratados já depois da abolição da escravatura por parte dos países colonizadores até aos dias hoje, África tem um sem fim de problemas associados à exploração de todo um povo para benefício de uns quantos.
A realidade actual não é muito diferente e quando pensamos em corrupção e ditadores vem-nos logo à cabeça uma mão cheia de chefes de estado africanos. Desde Robert Mugabe no Zimbabwe, Qaddafi na Líbia, Museveni no Uganda até ao próprio José Eduardo dos Santos em Angola, entre tantos outros. O número de ditadores (de forma mais ou menos dissimulada) em África corresponderá quase ao número total de países. A pobreza e a miséria são o "prato do dia" num continente com riquezas enormes.
São estes ditadores inumanos aliados a um total alheamento real por parte dos estados ditos desenvolvidos que impedem o desenvolvimento do continente africano. Homens que governam países onde todos os dias morrem milhares de pessoas à fome enquanto os mesmos estão nas suas luxuosas moradias ou viajam nos seus jactos particulares. Chefes de estado que não têm vergonha das disparidades que existem no seu território. Que não têm o mínimo remorso em explorar os seus compatriotas. Que preferem comprar armas a comprar pão.
Enquanto estes chefes de estado governarem é impossível combater a pobreza de uma forma verdadeiramente eficaz. É impossível alcançar a paz. É impossível lutar pela igualdade de direitos, pelo acesso à educação, etc. Quando alguém que governa não se preocupa minimamente com os problemas dos governados como é que é possível resolver os mesmos? Enquanto esta for a realidade de África o verdadeiro desenvolvimento humano vai continuar a ser nulo ou muito ténue. Porque mesmo que um país cresça economicamente é preciso ver o que melhorou na vida das pessoas. Não é somente para o PIB que devemos olhar, especialmente nestes países. Mais importante que ver estatísticas sobre o crescimento económico dos países africanos é ver o que pode ser feito para os desenvolver verdadeiramente e não para continuarem numa longa e sem fim exploração, seja por parte de estrangeiros seja pelos seus "compatriotas".
Enquanto existir este tipo de corrupção (se é que a isto se pode chamar corrupção) em África não vão existir planos que sucedam verdadeiramente. Os países ricos podem continuar a mandar milhares de milhões todos os anos em ajuda humanitária que a vida real dos povos africanos pouco ou nada vai melhorar. Podemos todos continuar a doar a organizações não-governamentais que tentam aliviar alguns problemas mas nunca os vão conseguir resolver. Podemos fazer apelos, aplicar sanções económicas e muitas outras coisas mas África vai continuar a ser África tal como a conhecemos. Estima-se que nos últimos 50 anos África tenha recebido 2,3 biliões de dólares em ajudas e que no mínimo 60% desse dinheiro tenha sido desviado pelas elites corruptas. Podemos continuar a enviar "peixes" para África mas se nunca os ensinarmos a "pescar" tudo o que conseguimos é ir adiando o problema. E as elites corruptas de África não parecem querer que os seus povos aprendam a pescar.
Infelizmente é esta fonte "inesgotável" de riqueza do continente africano que nas mãos de uns quantos homens se tem transformado numa verdadeira fonte de pesadelos para cerca de mil milhões de pessoas.
A realidade actual não é muito diferente e quando pensamos em corrupção e ditadores vem-nos logo à cabeça uma mão cheia de chefes de estado africanos. Desde Robert Mugabe no Zimbabwe, Qaddafi na Líbia, Museveni no Uganda até ao próprio José Eduardo dos Santos em Angola, entre tantos outros. O número de ditadores (de forma mais ou menos dissimulada) em África corresponderá quase ao número total de países. A pobreza e a miséria são o "prato do dia" num continente com riquezas enormes.
São estes ditadores inumanos aliados a um total alheamento real por parte dos estados ditos desenvolvidos que impedem o desenvolvimento do continente africano. Homens que governam países onde todos os dias morrem milhares de pessoas à fome enquanto os mesmos estão nas suas luxuosas moradias ou viajam nos seus jactos particulares. Chefes de estado que não têm vergonha das disparidades que existem no seu território. Que não têm o mínimo remorso em explorar os seus compatriotas. Que preferem comprar armas a comprar pão.
Enquanto estes chefes de estado governarem é impossível combater a pobreza de uma forma verdadeiramente eficaz. É impossível alcançar a paz. É impossível lutar pela igualdade de direitos, pelo acesso à educação, etc. Quando alguém que governa não se preocupa minimamente com os problemas dos governados como é que é possível resolver os mesmos? Enquanto esta for a realidade de África o verdadeiro desenvolvimento humano vai continuar a ser nulo ou muito ténue. Porque mesmo que um país cresça economicamente é preciso ver o que melhorou na vida das pessoas. Não é somente para o PIB que devemos olhar, especialmente nestes países. Mais importante que ver estatísticas sobre o crescimento económico dos países africanos é ver o que pode ser feito para os desenvolver verdadeiramente e não para continuarem numa longa e sem fim exploração, seja por parte de estrangeiros seja pelos seus "compatriotas".
Enquanto existir este tipo de corrupção (se é que a isto se pode chamar corrupção) em África não vão existir planos que sucedam verdadeiramente. Os países ricos podem continuar a mandar milhares de milhões todos os anos em ajuda humanitária que a vida real dos povos africanos pouco ou nada vai melhorar. Podemos todos continuar a doar a organizações não-governamentais que tentam aliviar alguns problemas mas nunca os vão conseguir resolver. Podemos fazer apelos, aplicar sanções económicas e muitas outras coisas mas África vai continuar a ser África tal como a conhecemos. Estima-se que nos últimos 50 anos África tenha recebido 2,3 biliões de dólares em ajudas e que no mínimo 60% desse dinheiro tenha sido desviado pelas elites corruptas. Podemos continuar a enviar "peixes" para África mas se nunca os ensinarmos a "pescar" tudo o que conseguimos é ir adiando o problema. E as elites corruptas de África não parecem querer que os seus povos aprendam a pescar.
Infelizmente é esta fonte "inesgotável" de riqueza do continente africano que nas mãos de uns quantos homens se tem transformado numa verdadeira fonte de pesadelos para cerca de mil milhões de pessoas.
A crescente influência chinesa em África
Num mundo com contornos cada vez mais diferentes daqueles a que estávamos habituados uma coisa é certa. A geopolítica mundial está e continuará a sofrer alterações cada vez mais profundas.
Um exemplo bem vivo desta tendência é o crescente investimento chinês em África. Uma das formas mais eficazes de expandir a influência real de um determinado Estado de uma forma globalizada não é através da conquista territorial como em séculos passados. É através do investimento económico que se consegue esse "poder". África é um continente extremamente rico e o seu papel nas decisões globais irá seguramente aumentar à medida que se desenvolve e que a cobiça pelos seus recursos aumenta devido à crescente escassez dos mesmos. Veja-se o caso recente da África do Sul que se encontra no restrito grupo de países com quem Obama negociou directamente e firmou o acordo de Copenhaga (EUA, China, Índia, Brasil e África do Sul). Veja-se o crescimento económico de Angola, entre tantos outros exemplos. É caso para dizer que África é um investimento rentável não só do ponto de vista económico mas também geopolítico.
A China está bem ciente desta realidade e aproveita um momento em que a recessão dos países desenvolvidos contrasta com o seu enorme crescimento económico para potenciar e maximizar a sua influência naquele continente e, consequentemente, a sua influência global. Em 2008 China e África protagonizaram trocas comerciais no valor de 74 mil milhões de euros algo que certamente será superado em 2009 e com uma forte tendência de crescimento no próximos anos. Os bancos chineses respondem à forte procura de crédito deste continente especialmente numa altura de crise em que os governos são fortemente afectados pela descida de matérias-primas como o petróleo. Em Angola já existem mais de 50 grupos chineses a operar e a força de trabalho chinesa neste país é superior a 50.000 trabalhadores. Multiplicam-se as linhas de crédito, a aquisição de capitais dos bancos nacionais e concursos de financiamento ganhos por bancos chineses a operar em África.
Apesar dos impactos que já estão a ser sentidos com esta táctica "impiedosa" por parte dos bancos chineses será no longo prazo que estas operações irão dar os seus "frutos". A China está a "comprar" África e com essa aquisição está também a comprar um papel cada vez mais destacado na sua influência global.
Um exemplo bem vivo desta tendência é o crescente investimento chinês em África. Uma das formas mais eficazes de expandir a influência real de um determinado Estado de uma forma globalizada não é através da conquista territorial como em séculos passados. É através do investimento económico que se consegue esse "poder". África é um continente extremamente rico e o seu papel nas decisões globais irá seguramente aumentar à medida que se desenvolve e que a cobiça pelos seus recursos aumenta devido à crescente escassez dos mesmos. Veja-se o caso recente da África do Sul que se encontra no restrito grupo de países com quem Obama negociou directamente e firmou o acordo de Copenhaga (EUA, China, Índia, Brasil e África do Sul). Veja-se o crescimento económico de Angola, entre tantos outros exemplos. É caso para dizer que África é um investimento rentável não só do ponto de vista económico mas também geopolítico.
A China está bem ciente desta realidade e aproveita um momento em que a recessão dos países desenvolvidos contrasta com o seu enorme crescimento económico para potenciar e maximizar a sua influência naquele continente e, consequentemente, a sua influência global. Em 2008 China e África protagonizaram trocas comerciais no valor de 74 mil milhões de euros algo que certamente será superado em 2009 e com uma forte tendência de crescimento no próximos anos. Os bancos chineses respondem à forte procura de crédito deste continente especialmente numa altura de crise em que os governos são fortemente afectados pela descida de matérias-primas como o petróleo. Em Angola já existem mais de 50 grupos chineses a operar e a força de trabalho chinesa neste país é superior a 50.000 trabalhadores. Multiplicam-se as linhas de crédito, a aquisição de capitais dos bancos nacionais e concursos de financiamento ganhos por bancos chineses a operar em África.
Apesar dos impactos que já estão a ser sentidos com esta táctica "impiedosa" por parte dos bancos chineses será no longo prazo que estas operações irão dar os seus "frutos". A China está a "comprar" África e com essa aquisição está também a comprar um papel cada vez mais destacado na sua influência global.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
O mundo com Obama
Passou quase um ano desde que Barack Obama tomou posse como o primeiro presidente afro-americano dos EUA. A magia da sua eleição cobriu o mundo inteiro e encheu de esperanças todos os povos. Ele, Obama, não ia só resolver todos os problemas do seu país como os do mundo inteiro. Foi nessa esperança que assentou a sua candidatura e foi essa esperança que lhe deu uma vitória altamente improvável. Passado praticamente um ano será que o mundo mudou assim tanto como a sua eleição deixava antever?
Na minha opinião sim. O mundo não mudou tanto quanto eu gostaria e nem todas as mudanças ocorridas são positivas. Mas penso que a eleição de Obama trouxe um novo fôlego para os EUA e para o mundo tendo a sua administração desenvolvido esforços em praticamente todas as frentes de batalha em que se encontra (e não são poucas) produzindo já alguns resultados concretos.
No plano interno Obama fez algo absolutamente crucial e fê-lo em tempo recorde. Aprovar o seu plano de estímulos. Apesar dos cortes efectuados para que a peça legislativa fosse aprovada pelas duas Câmaras do Senado este plano de estímulos económicos é fundamental para que a maior economia do mundo saia da profunda recessão em que se encontra. Permite criar empregos, salvar empresas em risco, investir em novas infra-estruturas essenciais para o bem-estar da população e investir no futuro da América (por exemplo o denominado "Green New Deal"). As novas regras de regulamentação financeira são ferramentas importantes para prevenir uma nova crise desta magnitude. Outra grande vitória, especialmente se considerarmos o tipo de economia em que os EUA assentam bem como o seu pensamento dominante nesta temática. Os trabalhos realizados para o encerramento da base de Guantanamo, um dos estandartes da campanha de Obama. Uma vitória na política doméstica mas também um passo essencial para sarar a imagem dos EUA no mundo. De destacar também os esforços em matéria ambiental onde a administração de Obama se tem batido fortemente por fazer aprovar legislação doméstica em matéria de alterações climáticas. Por último, a mais recente vitória com a aprovação do "sistema de saúde" que se encontra agora a um fio de ser oficializado. Caso seja aprovado este diploma vai permitir a 30 milhões de americanos que não dispõem de seguro de saúde ter uma protecção.
No plano externo além da situação de Guantanamo referida anteriormente (onde me orgulho de Portugal ter feito parte da solução) o capital político de Obama está bem vincado na nova ordem internacional. A forma como tem conseguido gerir a sua relação de interdependência com a China (G2) gerando benefícios mútuos é notável. O avanço das relações diplomáticas com as potências emergentes como a Índia e o Brasil são também de extrema importância, especialmente no longo prazo onde estas nações terão um papel fundamental na construção do futuro global. Um exemplo deste poder negocial é a Cimeira de Copenhaga. Pessoalmente fiquei extremamente desiludido com o resultado final da cimeira mas tenho de reconhecer que se não fosse o envolvimento pessoal de Obama na recta final da mesma, o retrocesso teria sido bastante maior. E nem aquele pequeno acordo não vinculativo que une pela primeira vez os maiores poluidores com os futuros maiores poluidores teria sido possível.
O mundo não mudou tanto quanto eu gostaria. Obama não conseguiu aprovar os diplomas da forma que eu gostaria. Obama não conseguiu acordos globais como eu gostaria. Mas conseguiu caminhar na direcção certa. E conseguiu fazer algo pela América quando os projectos de lei têm de passar por 3 fases antes de ser aprovados. E conseguiu fazer algo pelo mundo quando a "moral" dos EUA está em níveis mínimos e quando o seu poderio económico e militar é cada vez mais reduzido no contexto mundial. Quando olho para trás vejo que o mundo já começou a mudar e talvez um dia tenha mudado tanto quanto eu gostaria.
Yes We Can!
Na minha opinião sim. O mundo não mudou tanto quanto eu gostaria e nem todas as mudanças ocorridas são positivas. Mas penso que a eleição de Obama trouxe um novo fôlego para os EUA e para o mundo tendo a sua administração desenvolvido esforços em praticamente todas as frentes de batalha em que se encontra (e não são poucas) produzindo já alguns resultados concretos.
No plano interno Obama fez algo absolutamente crucial e fê-lo em tempo recorde. Aprovar o seu plano de estímulos. Apesar dos cortes efectuados para que a peça legislativa fosse aprovada pelas duas Câmaras do Senado este plano de estímulos económicos é fundamental para que a maior economia do mundo saia da profunda recessão em que se encontra. Permite criar empregos, salvar empresas em risco, investir em novas infra-estruturas essenciais para o bem-estar da população e investir no futuro da América (por exemplo o denominado "Green New Deal"). As novas regras de regulamentação financeira são ferramentas importantes para prevenir uma nova crise desta magnitude. Outra grande vitória, especialmente se considerarmos o tipo de economia em que os EUA assentam bem como o seu pensamento dominante nesta temática. Os trabalhos realizados para o encerramento da base de Guantanamo, um dos estandartes da campanha de Obama. Uma vitória na política doméstica mas também um passo essencial para sarar a imagem dos EUA no mundo. De destacar também os esforços em matéria ambiental onde a administração de Obama se tem batido fortemente por fazer aprovar legislação doméstica em matéria de alterações climáticas. Por último, a mais recente vitória com a aprovação do "sistema de saúde" que se encontra agora a um fio de ser oficializado. Caso seja aprovado este diploma vai permitir a 30 milhões de americanos que não dispõem de seguro de saúde ter uma protecção.
No plano externo além da situação de Guantanamo referida anteriormente (onde me orgulho de Portugal ter feito parte da solução) o capital político de Obama está bem vincado na nova ordem internacional. A forma como tem conseguido gerir a sua relação de interdependência com a China (G2) gerando benefícios mútuos é notável. O avanço das relações diplomáticas com as potências emergentes como a Índia e o Brasil são também de extrema importância, especialmente no longo prazo onde estas nações terão um papel fundamental na construção do futuro global. Um exemplo deste poder negocial é a Cimeira de Copenhaga. Pessoalmente fiquei extremamente desiludido com o resultado final da cimeira mas tenho de reconhecer que se não fosse o envolvimento pessoal de Obama na recta final da mesma, o retrocesso teria sido bastante maior. E nem aquele pequeno acordo não vinculativo que une pela primeira vez os maiores poluidores com os futuros maiores poluidores teria sido possível.
O mundo não mudou tanto quanto eu gostaria. Obama não conseguiu aprovar os diplomas da forma que eu gostaria. Obama não conseguiu acordos globais como eu gostaria. Mas conseguiu caminhar na direcção certa. E conseguiu fazer algo pela América quando os projectos de lei têm de passar por 3 fases antes de ser aprovados. E conseguiu fazer algo pelo mundo quando a "moral" dos EUA está em níveis mínimos e quando o seu poderio económico e militar é cada vez mais reduzido no contexto mundial. Quando olho para trás vejo que o mundo já começou a mudar e talvez um dia tenha mudado tanto quanto eu gostaria.
Yes We Can!
Etiquetas:
copenhaga,
eua,
obama,
politica,
relacoes internacionais
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Eleições Europeias
Este domingo dia 07 de Junho realizam-se as Eleições Europeias iniciando um ciclo de 3 actos eleitorais a realizar este ano. 2009 será provavelmente um dos anos mais importantes para a jovem democracia portuguesa. Apesar de o sufrágio ter como objectivo eleger os 22 representantes de Portugal no Parlamento Europeu (órgão com cada vez mais poderes e numa perspectiva em que cada vez mais decisões se tomam ao nível comunitário e não nacional) perspectiva-se uma elevada abstenção fruto da descredibilização do sistema político e aqueles que se dirigem às urnas, fazem-no na sua maioria para "punir" ou "premiar" o governo vigente.
Pessoalmente estou a achar a campanha um pouco fraca no sentido em que se privilegia pouco as propostas concretas e dá-se mais ênfase a ataques directos entre candidatos. Os cabeça-de-lista estão a reportar as opiniões dos partidos e a atacar/defender o governo em detrimento de informarem os eleitores daquilo que farão caso sejam eleitos no dia 07 de Junho. A comunicação social e a população como um todo também tem a sua quota de "culpa" pela forma como a campanha se está a desenrolar. A comunicação social privilegia nos seus espaços informativos as "picardias" entre candidatos e deixa que as propostas passem despercebidas contribuindo para uma menor qualidade da campanha. A população no geral peca pelo facto de se interessar nessas autênticas novelas entre partidos invés de estudar as propostas e os conteúdos de cada partido, fazendo de seguida o seu juízo e orientando o seu sentido de voto de acordo com o mesmo.
Estas eleições marcam também a estreia de novos partidos que tentam romper com os actuais e tentam aproveitar o actual descontentamento pelos políticos no geral para captar votos. Na minha opinião esta proliferação de novos partidos deve-se também à inflexibilidade dos existentes, ou seja, cada partido tem uma linha fixa de pensamento do qual nenhum militante pode discordar. Esta situação leva a que muitos partidos defendem ideologias muito similares somente com pequenas diferenças. Não sou a favor de que se imponha um limite ao número de partidos que podem existir mas acho que os próprios partidos teriam mais a ganhar se privilegiassem o debate interno invés de fomentarem o sucessivo fraccionamento.
De acordo com as sondagens/análises que consultei e de acordo com a minha opinião pessoal apresento a minha "aposta" para os resultados de domingo:
PS - 8 eurodeputados
PSD - 6/7 eurodeputados
BE - 3 eurodeputados
CDU - 2/3 eurodeputados
CDS/PP - 1/2 eurodeputado(s)
MEP - 0/1 eurodeputado
NOTA: Acredito que se a CDU conseguir um 3º eurodeputado o PSD não elegerá mais de 6 e se o MEP conseguir eleger a Laurinda Alves é porque o CDS não consegue ir além de Nuno Melo.
Pessoalmente estou a achar a campanha um pouco fraca no sentido em que se privilegia pouco as propostas concretas e dá-se mais ênfase a ataques directos entre candidatos. Os cabeça-de-lista estão a reportar as opiniões dos partidos e a atacar/defender o governo em detrimento de informarem os eleitores daquilo que farão caso sejam eleitos no dia 07 de Junho. A comunicação social e a população como um todo também tem a sua quota de "culpa" pela forma como a campanha se está a desenrolar. A comunicação social privilegia nos seus espaços informativos as "picardias" entre candidatos e deixa que as propostas passem despercebidas contribuindo para uma menor qualidade da campanha. A população no geral peca pelo facto de se interessar nessas autênticas novelas entre partidos invés de estudar as propostas e os conteúdos de cada partido, fazendo de seguida o seu juízo e orientando o seu sentido de voto de acordo com o mesmo.
Estas eleições marcam também a estreia de novos partidos que tentam romper com os actuais e tentam aproveitar o actual descontentamento pelos políticos no geral para captar votos. Na minha opinião esta proliferação de novos partidos deve-se também à inflexibilidade dos existentes, ou seja, cada partido tem uma linha fixa de pensamento do qual nenhum militante pode discordar. Esta situação leva a que muitos partidos defendem ideologias muito similares somente com pequenas diferenças. Não sou a favor de que se imponha um limite ao número de partidos que podem existir mas acho que os próprios partidos teriam mais a ganhar se privilegiassem o debate interno invés de fomentarem o sucessivo fraccionamento.
De acordo com as sondagens/análises que consultei e de acordo com a minha opinião pessoal apresento a minha "aposta" para os resultados de domingo:
PS - 8 eurodeputados
PSD - 6/7 eurodeputados
BE - 3 eurodeputados
CDU - 2/3 eurodeputados
CDS/PP - 1/2 eurodeputado(s)
MEP - 0/1 eurodeputado
NOTA: Acredito que se a CDU conseguir um 3º eurodeputado o PSD não elegerá mais de 6 e se o MEP conseguir eleger a Laurinda Alves é porque o CDS não consegue ir além de Nuno Melo.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Prisão de Guantánamo
De acordo com este artigo do jornal i, o senado americano negou a cedência da verba pedida pelo Presidente Barack Obama para encerrar o estabelecimento prisional de Guantánamo.
Esta prisão é uma mancha na imagem interna e externa dos EUA e uma das explicações para o aumento do "anti-americanismo" durante os 8 anos da presidência Bush. Segundo o mesmo artigo, os senadores chumbaram o pedido do Presidente por este não ter apresentado uma alternativa para os reclusos, frisando que só aceitarão analisar uma proposta quando Obama clarificar o que vai acontecer aos prisioneiros actualmente instalados em Guantánamo. Apesar de "compreender" os receios do Congresso penso que foi uma atitude incorrecta, passando a explicar o porquê.
Uma das soluções apontadas é o acolhimento por parte dos países da UE dos prisioneiros de Guantánamo. Sou defensor desta alternativa, obviamente depois de bem analisada, ponderada e discutida. Os EUA são um aliado histórico da Europa e para mim a história é para se honrar. Após a 2ª Guerra Mundial os Estados Unidos auxiliaram a Europa através do "plano Marshall", que apesar de ter como objectivo conter o comunismo soviético e aumentar a influência americana na região, teve um papel bastante importante na reconstrução europeia. Este é apenas um exemplo da união existente e de como uma relação harmoniosa é capaz de defender os interesses de ambas as partes.
Guantánamo é um problema sério para Obama. Foi uma das suas mais mediáticas promessas eleitorais e é uma das muitas medidas que vai ter de tomar para recuperar o prestígio americano e assumir a sua posição de liderança global. É um facto que Obama tem um enorme interesse em que a UE acolha os prisioneiros, permitindo a resolução do problema mas, na minha opinião, a Europa também tem um grande interesse em receber os "reclusos". A Europa tem a sua posição cada vez mais enfraquecida no contexto global, algo agravado pelas discordâncias internas e pelo aparecimento de novas potências no continente asiático e americano. E Obama já provou várias vezes que se consegue relacionar com praticamente todo o mundo. Esta é uma oportunidade para a UE se evidenciar no contexto global, recuperando alguns "pontos" na cooperação com os EUA. Caso contrário penso que nós (europeus) iremos caminhar para uma Europa cada vez mais isolada do mundo, enquanto os vectores políticos e económicos se afastam do velho continente.
Onde está o erro do Senado americano? Ao não aprovar a proposta não colocaram pressão na Europa. Actualmente os 27 têm muita dificuldade em gerar consensos em qualquer matéria e este assunto não foge à regra. Se os EUA não pressionarem a Europa, não vai ser a mesma a resolver este impasse. Penso eu que seria mais fácil aprovarem o pedido e depois Obama e a sua administração "convencerem" a Europa a aceitar os prisioneiros do que o reverso, onde primeiro a Europa mostra o "sinal verde" e depois Obama formaliza o pedido ao Senado.
Como última nota quero apenas salientar a posição de Luís Amado (ministro dos negócios estrangeiros) que tenta levar esta temática a debate e se mostra disponível para estudar uma solução com os EUA.
Esta prisão é uma mancha na imagem interna e externa dos EUA e uma das explicações para o aumento do "anti-americanismo" durante os 8 anos da presidência Bush. Segundo o mesmo artigo, os senadores chumbaram o pedido do Presidente por este não ter apresentado uma alternativa para os reclusos, frisando que só aceitarão analisar uma proposta quando Obama clarificar o que vai acontecer aos prisioneiros actualmente instalados em Guantánamo. Apesar de "compreender" os receios do Congresso penso que foi uma atitude incorrecta, passando a explicar o porquê.
Uma das soluções apontadas é o acolhimento por parte dos países da UE dos prisioneiros de Guantánamo. Sou defensor desta alternativa, obviamente depois de bem analisada, ponderada e discutida. Os EUA são um aliado histórico da Europa e para mim a história é para se honrar. Após a 2ª Guerra Mundial os Estados Unidos auxiliaram a Europa através do "plano Marshall", que apesar de ter como objectivo conter o comunismo soviético e aumentar a influência americana na região, teve um papel bastante importante na reconstrução europeia. Este é apenas um exemplo da união existente e de como uma relação harmoniosa é capaz de defender os interesses de ambas as partes.
Guantánamo é um problema sério para Obama. Foi uma das suas mais mediáticas promessas eleitorais e é uma das muitas medidas que vai ter de tomar para recuperar o prestígio americano e assumir a sua posição de liderança global. É um facto que Obama tem um enorme interesse em que a UE acolha os prisioneiros, permitindo a resolução do problema mas, na minha opinião, a Europa também tem um grande interesse em receber os "reclusos". A Europa tem a sua posição cada vez mais enfraquecida no contexto global, algo agravado pelas discordâncias internas e pelo aparecimento de novas potências no continente asiático e americano. E Obama já provou várias vezes que se consegue relacionar com praticamente todo o mundo. Esta é uma oportunidade para a UE se evidenciar no contexto global, recuperando alguns "pontos" na cooperação com os EUA. Caso contrário penso que nós (europeus) iremos caminhar para uma Europa cada vez mais isolada do mundo, enquanto os vectores políticos e económicos se afastam do velho continente.
Onde está o erro do Senado americano? Ao não aprovar a proposta não colocaram pressão na Europa. Actualmente os 27 têm muita dificuldade em gerar consensos em qualquer matéria e este assunto não foge à regra. Se os EUA não pressionarem a Europa, não vai ser a mesma a resolver este impasse. Penso eu que seria mais fácil aprovarem o pedido e depois Obama e a sua administração "convencerem" a Europa a aceitar os prisioneiros do que o reverso, onde primeiro a Europa mostra o "sinal verde" e depois Obama formaliza o pedido ao Senado.
Como última nota quero apenas salientar a posição de Luís Amado (ministro dos negócios estrangeiros) que tenta levar esta temática a debate e se mostra disponível para estudar uma solução com os EUA.
Etiquetas:
eua,
obama,
politica,
relacoes internacionais
Subscrever:
Mensagens (Atom)
