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sábado, 25 de julho de 2009

Eu estou farto!



"No Irão morreram mais de 20 pessoas em protesto contra os resultados eleitorais e exigindo mais democracia. As liberdades fundamentais foram suspensas. Nas Honduras, militares golpistas extraditaram o presidente democraticamente eleito. Os protestos já geraram duas vítimas mortais. As liberdades fundamentais foram suspensas. Na China, 140 pessoas morreram em protestos contra a suposta hegemonia de uma etnia. 1400 pessoas foram presas e as liberdades fundamentais foram suspensas.
Estamos fartos disto! Estamos fartos de repressões e ditadurices. Estamos fartos de desrespeitos claros aos mais básicos direitos fundamentais. Estamos fartos de ver a liberdade ser suspensa. Estamos fartos de ver a democracia ser adiada em tantos países. Estamos fartos da paz ser constantemente hipotecada. Não pode ser! Estamos fartos e, dentro das possibilidades de cada um, vamos fazer barulho por isso! Temos dito!"

Para mais informações consulte www.fartos.net

Convido directamente os seguintes blogs para se juntarem a esta causa:

O Banqueiro Anarquista
Foguetório
O país do Burro
GEOCRUSOE

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Direitos dos Animais

Frequentemente quando pensamos em direitos pensamos somente nos Direitos Humanos. Tendo em conta a quantidade de vezes que diariamente esses direitos são desrespeitados por todo o mundo, é "normal" esse problema ocupar a totalidade do nosso pensamento. Infelizmente a defesa dos Direitos Fundamentais chega para nos ocupar o dia e fazer reflectir sobre uma realidade pouco animadora.

Mas os animais também têm direitos e estão reconhecidos internacionalmente. Não existem direitos sem deveres. O dever desses animais é simplesmente o de existirem porque se desaparecerem, desaparecerá com eles a sustentabilidade do nosso planeta e no extremo, levará à nossa extinção. O Homem prova todos os dias que não é inteligente o suficiente para querer resolver problemas que podem ditar o seu próprio fim, pelo que nem com esta relação de interdependência tão elevada os animais estão protegidos. Pelo contrário. Sempre fui a favor da defesa dos animais mas ultimamente, por influência de amigos, o meu trabalho de voluntariado têm-se concentrado nesta área. Esta nova experiência levou-me a despertar para esta realidade e sem dúvida que me sensibilizou muito mais para a temática. Escolhi quatro pontos específicos para abordar este tema geral. Circos, touradas, peles e zoos. O vegetarianismo e a sua relação com a defesa dos animais e defesa de um planeta sustentável será tratado em post próprio bem como a importância dos ecossistemas.

Circos) Pessoalmente sou contra circos que utilizem animais. Nunca me senti muito interessado por espectáculos circenses (mesmo os que não utilizam animais) mas respeito quem goste de assistir aos mesmos. Sou contra os circos que utilizam animais por duas razões. A primeira é a forma como a maioria deles treinam os animais (não digo a totalidade porque tenho receio de desconhecer algum método) que envolve sempre sofrimento e medo. A única razão para um felino passar por um arco em chamas não é agradar a ninguém mas sim sujeitar-se a esse risco devido ao medo que tem das chicotadas, etc. O mesmo para os macacos que se equilibram em monociclos e por aí fora. A segunda razão são as próprias condições de vida a que os animais são sujeitos. São tratados como autênticos objectos e a sua única utilidade para os donos é somente o lucro. Tanto as condições em que vivem e são transportados como as relações que estabelecem com os humanos são degradantes para os animais. Considero que levam uma vida infeliz e vêem os seus direitos desrespeitados só para satisfazerem a nossa necessidade de entretenimento.

Touradas) As touradas constituem em Portugal uma forte tradição. Para mim a tradição não é sagrada e se uma tradição está errada então devemos alterá-la ou proceder à sua extinção. A morte por lapidação (apedrejamento) é uma prática bastante antiga e tradicional de punir determinados crimes em alguns países e não é isso que me impede de repudiar completamente essa sentença. A tradição somos nós que a criamos e ao extinguirmos uma hoje poderemos estar a criar uma para o amanhã. É importante recordar a nossa História, a nossa cultura e os nossos hábitos mas não os devemos impedir que esses mesmos hábitos mudem. Evoluímos e a mudança de determinados hábitos/concepções é fruto dessa evolução. Aquilo que está bem hoje não tem necessariamente de estar correcto amanhã. Pondo isto sou também contra as touradas pois não concordo com o sofrimento do touro uma vez mais só com o fundamento de servir a nossa necessidade de entretenimento. Dois homens quando entram num ringue para lutar escolheram esse caminho e estão conscientes daquilo que se vai passar. O touro não escolhe entrar na arena nem escolhe sofrer, seja até à morte ou não.

Peles) Os vídeos que demonstram a forma como é retirada a pele/pêlo aos animais são das coisas mais tristes que já vi durante a minha vida. Pessoalmente não consigo manter uma postura séria quando vejo esses vídeos, já que a sua intensidade é tão grande que é impossível conter o sentimento de revolta. Tenho de confessar que de toda a exploração animal, a indústria das peles é aquela pela qual tenho menor tolerância e compreensão em relação aos seus defensores. Se em relação aos circos e touradas concebo a possibilidade de debate, não consigo ver um argumento sério que defenda a utilização de peles no nosso vestuário. Os animais são criados em instalações que os colocam desde nascença dentro de uma gaiola minúscula até chegar o dia do seu abate. Para manter toda a qualidade da pele, a mesma tem de ser retirada com o animal vivo e sem qualquer tipo de anestesia. Eu supunha que civilização e desenvolvimento significassem mais que a existência de prédios, dinheiro, carros e computadores. A conclusão da minha posição está bem explícita desde o início. Sou completamente contra a utilização de peles naturais para a confecção de vestuário, calçado, acessórios, etc.

Zoos) Esta é para mim a questão mais complicada. O meu pensamento de base encontra-se na óptica de apoio à existência de jardins zoológicos embora mantenha bastantes reservas. Temos que nos recordar que os animais nos zoos não estão no seu habitat natural e como tal é imperativo modernizar as condições desses parques para minorarmos ao máximo esses efeitos negativos na vida do animal. Algo que também diferencia (ou deverá diferenciar) este tipo de "exploração" animal das restantes é a relação entre os animais e os seus tratadores. Os tratadores dos zoos não têm interesses económicos nos animais pelo que têm todas as condições para manter uma relação genuína com o animal que está a seu cargo. E isto será sempre bastante importante para minorar uma vez mais o impacto da falta do habitat natural. De seguida vou esclarecer os motivos que me levam a entender que os jardins zoológicos são bastante importantes na própria defesa dos animais. Primeiro que tudo, penso que os zoos desempenham um papel fundamental na transmissão de conhecimento sobre as espécies e na sensibilização das populações. Será muito mais fácil sensibilizarmos alguém para a conservação de determinado habitat se essa pessoa tiver contacto e informações com as espécies desse mesmo habitat. Isto ganha especial relevo na protecção dos oceanos e das espécies marinhas. É difícil exigir às pessoas que tomem uma atitude e mudem os seus hábitos em prol de um "mundo" tão distante e vasto como os ecossistemas marinhos. Instalações como o Oceanário têm um papel fundamental na defesa dos animais que eles próprios albergam. Bastante importante é também a pesquisa que pode ser feita nestes animais. Ao compreendermos melhor os seus hábitos poderemos protegê-los melhor. Não conseguimos criar "santuários" para nenhuma espécie se não soubermos as suas necessidades. Por último, o papel que os zoos podem ter na própria conservação das espécies. Muitas vezes estas infraestruturas albergam animais que se continuassem no seu habitat natural morreriam (por exemplo crias órfãs) e por vezes reintroduzem-nas mais tarde de novo nesse mesmo habitat. Os programas de recuperação têm também um papel importante para evitar a extinção de mais espécies e apoiar aquelas que se encontram ameaçadas.

Acima de tudo é necessário enquadrar a defesa dos animais na defesa do próprio planeta já que têm tanto direito de habitar nesta casa como nós. E são extremamente importantes pois a sua sobrevivência é a nossa sobrevivência. Mesmo por interesses egoístas a sua protecção deveria ser uma prioridade.

sábado, 20 de junho de 2009

Igualdade de Direitos

Decorreu hoje a 10ª Marcha do orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros). A décima edição desta marcha apoiada por 11 organizações contou com a presença de cerca de mil pessoas. O objectivo dos participantes é chamar à atenção para a discriminação de que são alvo e para os direitos que lhes são negados (nomeadamente casamento civil e adopção de crianças).

Lisboa foi o local escolhido para a realização da marcha, sendo que o seu trajecto se iniciou no Príncipe Real e terminou nos Restauradores. Ano após ano a Marcha do orgulho LGBT tem vindo a ganhar cada vez mais apoiantes que se sentem de alguma forma excluídos da sociedade, alguns afirmam mesmo que são "cidadãos de segunda". A principal "vitória" destes manifestantes foi a revisão constitucional de 2004 que passou a incluir a orientação sexual como uma categoria em função da qual ninguém pode ser discriminado. Entre os participantes existe o sentimento de que se cumprem com os mesmos deveres que outros cidadãos (heterossexuais) deveriam ter os mesmos direitos.

A marcha iniciou-se às 17:30 e após passar por várias ruas da capital, terminou nos Restauradores onde representantes das associações organizativas discursaram.

Pessoalmente não penso que faça sentido discriminarmos estas pessoas. Desde que cumpram com os seus deveres (e que são comuns a todos nós independentemente da nossa orientação sexual) não vejo qualquer argumento para serem tratados como "cidadãos de segunda". Aquilo que nos distingue dos animais é a nossa capacidade de racíocinio e de evolução constante pelo que não acredito em teses do género "ser homessexual é contra-natura". Por esse prisma também será contra-natura termos deveres e direitos instituídos. Porque existe a Constituição? Porque evoluímos. Porque não competimos mortalmente pelas fêmeas? Porque evoluímos. Porque vemos a sexualidade como algo mais que pura reprodução? Porque evoluímos. Porque aceitamos pessoas que se sintam atraídas por outras pessoas do mesmo sexo? Porque evoluímos. E por aí fora...

Da mesma maneira que devemos respeitar a orientação religiosa, orientação cultural, orientação de pensamentos, orientação artística, etc. devemos respeitar também a orientação sexual de cada um. Pondo isto, sou a favor do casamento civil entre homossexuais. Se a Igreja Católica deveria ou não ser a favor, isso é algo diferente. Eu posso ter a minha opinião, mas só segue a religião católica quem quer. Não existe uma "obrigação" de ser contra nem de ser a favor. É algo que cabe à instituição em si e que caberá aos seus seguidores avaliar, julgar e decidir. Sob a "tutela" da Constituição estamos todos e como tal, é essencial permitir o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, para garantirmos a igualdade de direitos que afirmamos respeitar. Em relação à adopção de crianças mantenho algumas reservas, e não me considero suficientemente informado para conseguir afirmar sim ou não. As minhas reservas não derivam de qualquer tipo de discriminação mas antes da forma como a sociedade em geral iria aceitar essa ideia. Se de facto os homossexuais são diariamente alvo de discriminação, isso não seria nada positivo para a criança que têm a sua cargo. Ou seja, é muito difícil para um filho de um casal homossexual se integrar na sociedade e ver a sua situação respeitada desde infância se os próprios pais são discriminados e se a maioria das pessoas vê a sua situação como algo "incorrecto". Para as crianças entenderem que a homossexualidade é algo perfeitamente normal e que em nada modifica os nossos direitos e deveres, é necessário primeiro que os adultos tenham essa noção.