Mostrar mensagens com a etiqueta formacao. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta formacao. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Defesa e Segurança - Bombeiros

Devido à sua tradição, História e proximidade com a população os bombeiros sempre foram considerados como "heróis". O espírito de voluntariado associado e a multiplicidade de situações em que auxiliam as pessoas (com especial destaque para o Verão) reforçam essa imagem. Na minha opinião não é caso para menos. Eles são heróis e a sua boa vontade e prontidão essenciais para todos nós.

Contudo existem vários problemas que na minha opinião deveriam ser solucionados beneficiando os Corpos de Bombeiros e acima de tudo beneficiando a população na totalidade.

É preciso uma reorganização ao nível das corporações e das competências. De nada serve num determinado concelho termos 6 corporações de bombeiros se nenhuma delas tem condições de funcionamento no período nocturno. É preferível uma maior concentração dos recursos humanos e materiais para aumentar a eficácia e competência dos serviços prestados. Mais importante que a rapidez com que prestamos auxílio é a qualidade desse auxílio. Nesse sentido, e sem querer avançar com números ou percentagens, acho que seria extremamente benéfico encerrar vários corpos/corporações de bombeiros, concentrando os investimentos realizados. Além desta concentração de infra-estruturas penso que também as competências deveriam sofrer modificações. De uma forma simples penso que os bombeiros se deveriam concentrar no combate a incêndios e no desencarceramento e resgate de vítimas. É aí que se deve focar a formação administrada e os investimentos realizados. Por exemplo, penso que não faz sentido os bombeiros prestarem cuidados pré-hospitalares (ambulâncias de socorro). Muito menos num modelo de certa forma subsidiado pelo INEM. Deveria existir uma clara definição das competências de cada instituição, especializando-se cada uma na sua "área". Neste exemplo concreto penso que faria muito mais sentido expandir a rede nacional do INEM, colocando as suas ambulâncias e os seus funcionários a partilharem as instalações com os bombeiros (aproveitando a boa dispersão geográfica dos mesmos) fomentando a noção de complementaridade e não a noção existente de rivalidade. Diferentes competências, o mesmo objectivo. O de ajudar as pessoas.

No campo dos recursos humanos basta olharmos para a realidade actual para percebermos que algo tem ser alterado. A sociedade actual exige uma qualificação cada vez maior e essa "mentalidade" deveria ser transportada com maior firmeza para os nossos bombeiros. É necessário uma maior profissionalização dos bombeiros e uma maior e mais constante formação para todos eles, quer sejam voluntários quer sejam profissionais. A multiplicação do número de bombeiros profissionais iria criar postos de trabalho e assegurar uma maior qualidade no leque alargado de funções que os "soldados da paz" desempenham. Não quero com isto menosprezar o trabalho dos voluntários. Simplesmente acredito que alguém profissionalizado terá mais competências para desempenhar determinada função. Existe um défice de bombeiros profissionais e a sua correcção teria benefícios vastos.

São necessárias grandes alterações em todos os níveis. É preciso apostar na especialização, formação e profissionalização e ao mesmo tempo alterar as mentalidades e as relações com as outras forças que lutam pelo mesmo objectivo e zelam pelas mesmas pessoas. Também é preciso investir e modernizar meios, equipamentos e infra-estruturas. Mas esse investimento tem de ter uma contra-partida. Um "lucro". E neste caso o lucro seria melhor segurança a todos os níveis para toda a população.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Educação - Formação Constante

O último post dedicado à Educação centra-se em torno da importância da formação constante ao longo da vida de cada um de nós. Formação que pode durar horas, dias, semanas ou mesmo meses. Formação sem um grau pré-estabelecido. Formação que não é básica, secundária nem superior mas que é tão ou mais importante que estas.

É fácil esquecermos a importância que este tipo de formação tem na vida do indivíduo e o seu contributo para um país mais justo, competitivo e desenvolvido. A aprendizagem resultante da experiência de vida é muito importante e este tipo de formação que estou a falar, é uma forma de a "oficializar" e de a conjugar com conceitos teóricos que são necessários. Uma formação constante ao longo da vida do indivíduo é aquilo que permite a esse indivíduo actualizar-se e não parar no tempo em termos de pensamento e adaptação ao mercado de trabalho e à vida em sociedade em si.

Estes benefícios (geralmente) tornam-se mais evidentes em pessoas com um menor grau de escolaridade por terem tido menos estímulos intelectuais e por não terem conceitos teóricos que são essenciais à adaptação e aprendizagem prática. Imagine-se por exemplo uma fábrica que investe em maquinaria nova. Estas máquinas novas e modernas vão permitir que a fábrica aumente a sua produção e consequentemente a sua facturação. De nada serve este investimento se os empregados dessa fábrica não souberem trabalhar com as máquinas novas. Um indivíduo ao receber formação está a aumentar os seus conhecimentos e a tornar-se mais produtivo, não só no trabalho em si mas também a nível social. Ao recebermos formação ficamos aptos para realizar mais tarefas ou para realizar melhor tarefas que já realizávamos anteriormente. Isto leva a ganhos de competitividade nas empresas que podem ser suficientes para separar o fracasso do sucesso. Isto leva a que a pessoa possa aceitar um maior leque de empregos ou seja menos facilmente despedida por ser adaptar melhor a novas tarefas, contribuindo assim para reduzir o desemprego. Isto leva a que pessoa possa receber um salário mais elevado. Isto leva a que pessoa tenha uma maior propensão para querer aumentar as suas qualificações e estimula interesses culturais. Resumindo, este tipo de formação possibilita uma melhor vida social e profissional e acima de tudo, contribui para a actualização das pessoas (o melhor exemplo será o das tecnologias). Basta-nos imaginar os benefícios que a nossa agricultura poderia colher de simples acções de formação sobre rega, plantação, controlo de pragas, etc. para percebermos o quão importante em todos os sectores este vector da Educação é.

A formação constante ao longo da vida é a "tradução" prática do ditado "o saber não ocupa lugar" e a sua aposta é fundamental tanto do ponto de vista económico como social. Os seus resultados podem ser mais visíveis nas pessoas com menores qualificações mas todos nós sem excepção necessitamos de uma aprendizagem constante leccionada de várias formas (o debate e a troca de ideias são uma delas) que nos permite ir enriquecendo individualmente e enriquecer um pouco mais a nossa sociedade.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Educação - Cursos Técnicos e Profissionais

Neste terceiro subtema da Educação vou abordar a importância dos cursos técnicos e profissionais. Actualmente temos assistido a uma crescente aposta neste tipo de cursos que permite aos seus estudantes completarem o ensino secundário enquanto aprendem uma profissão, no prazo de 3 anos, prazo esse igual para quem somente conclui o ensino secundário. Ano após ano, a oferta de cursos é cada vez mais alargada e o número de vagas não pára de aumentar. Praticamente todos os sectores estarão já abrangidos por este tipo de cursos.

Pessoalmente dou uma grande importância aos mesmos e considero a sua existência e ampliação como uma mais-valia para o país em inúmeros aspectos. Sou a favor da extensão do ensino obrigatório até ao 12º ano. Este tipo de cursos desempenha um papel importante no combate ao abandono escolar já que proporciona uma alternativa ao ensino superior. Seja por falta de interesse, dinheiro, capacidade intelectual, etc. quem não quiser seguir para uma formação superior pode agora ter uma formação com uma componente prática bastante acentuada e capaz de lhe assegurar um futuro viável. Estes cursos resolvem também um problema que deriva da falta de quadros médios. Com a extinção dos bacharelatos é necessária a existência de formação média capaz de corresponder às necessidades do país e os cursos técnico-profissionais vêem preencher essa lacuna. Não é por acaso que uma boa parte dos estudantes são imediatamente "absorvidos" pelo mercado de trabalho após a conclusão do curso. Ligado ao mercado de trabalho está também um outro problema que estes cursos poderão ajudar a resolver. O do desemprego. Mesmo que a crise termine e que o investimento público e privado criem bastantes postos de trabalho, muitos deles não podem ser aproveitados se não existir uma formação prévia. Ou seja, não basta apenas criar postos de trabalho, é preciso ter pessoas com formação para aquele tipo de trabalho. Além de que esta formação leva a que os trabalhadores se adaptem melhor a mudanças, tornando as empresas mais competitivas, e consequentemente, diminuindo a probabilidade de despedimento. As novas tecnologias são apenas um exemplo das mudanças a que os trabalhadores necessitam de se adaptar. Existem benefícios sociais que não podem ser descurados. Um indivíduo com maior formação tem menos propensão a tornar-se um delinquente, tende a ser mais tolerante, a compreender melhor o mundo em sua volta, a defender com mais ênfase os seus direitos, etc. São benefícios difíceis de quantificar mas não deixam de ser extremamente importantes. Determinadas profissões e ofícios estão subaproveitados e subsistem à conta da experiência profissional sem formação de base. Isto leva a situações de precariedade, fuga de impostos, desonestidade laboral, entre outros problemas. No futuro vejo profissões como canalizadores, electricistas, serralheiros e muitas mais com uma força de trabalho que conte com uma formação técnico-profissional, algo melhor para o trabalhador mas também para o cliente. Por fim, e não menos importante, estes cursos dotam as pessoas de uma formação capaz de lhes proporcionar uma vida digna. São empregos com uma remuneração "boa" e que dada a oferta de cursos, permitem que as pessoas façam aquilo que gostam, algo extremamente importante para a felicidade individual e para o sucesso no trabalho.

Por todas estas vantagens considero a aposta no ensino técnico e profissional como uma excelente aposta na Educação e onde os "laços" estabelecidos com outros sectores (económico e social) são ainda mais vincados. Portugal precisa de pessoas com este tipo de formação e essas pessoas têm um papel fundamental no desenvolvimento do país. São o "motor" do trabalho, são o "combustível" que faz avançar o país. O ensino técnico-profissional é um "talento" que vale a pena explorar.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Educação - Ensino Público

Neste primeiro tópico sobre Educação vou abordar o ensino público e a sua importância. Em primeiro lugar devo referir que a Educação é um dos sectores que considero mais importantes para o desenvolvimento do país e onde para mim, é extremamente compensatório realizar investimentos avultados. Uma das razões apontadas para o nosso "atraso" em relação à Europa é a falta de formação académica e profissional da maioria da população activa do nosso país, consequência ainda do regime do Estado Novo.

Na minha opinião, um país sem formação e educação é um país enfraquecido. Uma aposta forte, correcta e contínua neste sector traz benefícios sociais e económicos. A quantidade de jovens portugueses que se destacam um pouco por todo o mundo, em todas as áreas, são excelentes exemplos daquilo que é possível "colher" num bom sistema de educação.

A educação é um direito e como tal compete ao Estado garantir esse direito. Surge assim o ensino público. Considero que uma formação de qualidade deve estar acessível a todos, independentemente dos recursos financeiros disponíveis. Ingressar no ensino privado deve ser uma opção e não uma "obrigação" para se conseguir uma formação com qualidade. É imperativo manter o sistema educacional saudável. Sou um defensor do ensino público, e a explicação para tal pode concentrar-se numa palavra: lucro. Para mim, quando uma escola é gerida de forma empresarial o objectivo primário é conseguir lucro e na Educação o objectivo primário deve ser sempre garantir uma formação de qualidade aos estudantes. Eu estudei num colégio privado durante 10 anos e não tenho razão de queixa da formação administrada, antes pelo contrário. Não digo que os estabelecimentos de ensino privado não sejam capazes de garantir uma boa Educação. A razão pela qual defendo o ensino público é por assim dizer, por uma questão de princípios. Por considerar que de uma forma ou de outra, a necessidade de obter lucro pode interferir na qualidade da formação, já que não é dada a devida primazia à qualidade do ensino e ao consequente aproveitamento e bem-estar dos estudantes visados.

Na Educação não interessa o dinheiro. Obviamente que deve existir uma gestão correcta e sou totalmente contra desperdícios mas quando se pensa em Educação aquilo que nos lembramos primeiro não pode ser dos cifrões. Imagine-se que o sistema de ensino público regista um prejuízo de 100 milhões de euros por ano. Não existem desperdícios? Não. A qualidade de ensino está assegurada? Sim. Então esses 100 milhões "negativos" valem a pena. É preciso gastar mais 50 milhões anuais para assegurar um sistema saudável? Se efectivamente esses 50 milhões a mais proporcionarem melhorias que o sistema necessita então devemos gastá-los. Pagamos impostos e gastar dinheiro no sector da Educação é das melhores formas que encontro para fazer com que os impostos pagos sirvam a população que os pagou.

Em suma defendo um sistema de ensino público forte, gratuito, inovador, com melhorias ano após ano, acessível para todos e cujas únicas preocupações sejam a qualidade da formação administrada e o bem-estar dos estudantes. O Estado não deve filtrar nem instrumentalizar os conteúdos programáticos. Deve antes incentivar o pensamento, a reflexão, a análise, o debate, etc. O Estado não deve "manipular" o sistema mas deve controlá-lo na medida em que é algo demasiado importante. É um pilar essencial ao funcionamento e desenvolvimento do país e como tal não deve estar monopolizado por interesses cujo objectivo se desvie daquele enunciado, o da qualidade do ensino. Os investimentos na Educação serão provavelmente dos mais lucrativos se ponderarmos todos os factores, mas os ganhos desse investimento não são visíveis no curto prazo nem nas contas do sistema de ensino.

Adenda: Foi-me pedido para realizar uma breve análise sobre o nível de exigência do ensino e dos exames nacionais. É com muito prazer que aceito a sugestão. Conclui este ano o ensino secundário e nesta "aventura" de 3 anos realizei os 4 exames nacionais obrigatórios da minha área (MACS, Geografia, História e Português). Pessoalmente não achei difícil o ensino secundário. Para quem se interessa pelas disciplinas e está disposto a estudar consoante as suas dificuldades, provavelmente não irá reprovar. Todos nós temos disciplinas preferidas e professores preferidos. Juntando esses factores a outros como a nossa turma (e a relação com os colegas), a nossa escola em si, o apoio prestado por familiares e amigos, etc. vão influenciar seguramente os nossos resultados. No geral, considero o nível de exigência do ensino secundário adequado à faixa etária a que se destina. A carga horária parece-me adequada (talvez um pouco extensa no 10º ano mas é algo compensado com a forte diminuição no 12º) e alegra-me ver que existe uma preocupação em garantir disciplinas que fomentem diversos tipos de aprendizagem. A oferta de disciplinas existentes é também positiva já que temos um leque alargado de escolhas que podemos fazer consoante os nossos gostos e aptidões. Em relação aos exames nacionais, a minha opinião muda bastante. Dos 4 exames que fiz senti que praticamente todos os minutos de estudo (sejam eles poucos ou muitos) foram um desperdício. Não sou contra a realização de exames nacionais, antes pelo contrário. Sou a favor de exames no final do secundário ou de exames para acesso ao ensino superior realizados na própria faculdade a que nos candidatamos. Simplesmente discordo deste género de exames porque não creio que avaliem verdadeiramente os conhecimentos dos alunos. Não é uma questão de serem fáceis ou difíceis. É fácil conseguir uma positiva porque os exames não testam verdadeiramente os conhecimentos mas é algo difícil atingir uma nota elevada (+17) devido aos rigorosos critérios de avaliação. Se pudesse alterar os exames, mais do que alterar o seu grau de dificuldade, alterava a sua estrutura. Exames que exigissem conhecimentos da disciplina, fossem eles decorados ou percebidos. Exames que exigissem análises e reflexões recorrendo à matéria leccionada. Exames que exigissem pensar.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Educação | Formação profissional

Muito se tem debatido acerca do alargamento da escolaridade obrigatória para o 12º ano. A educação é uma temática que influencia todas as outras e, numa altura de crise, assume dimensões ainda maiores. A actual ministra da educação defende que Portugal pode aspirar de forma realista a este alargamento de 3 anos na escolaridade obrigatória bem como à generalização do ensino pré-escolar. Esta proposta recebe a aprovação de todos os outros partidos com acento parlamentar apesar de questionarem o oportunismo político desta proposta, devido à proximidade com as eleições legislativas.

Pessoalmente concordo com este alargamento e fico feliz por ver que os partidos, pelo menos uma vez, se unem em torno de uma proposta que efectivamente é importante para o futuro do país. Porque é importante alargar em 3 anos a escolaridade obrigatória? Que benefícios reais traz? Como pode isso resultar num desenvolvimento de Portugal no futuro e consequentemente em uma melhor capacidade de resposta a crises futuras?

Para um país se desenvolver necessita de pessoas formadas e especializadas. Actualmente é visível a urgência de formarmos cada vez mais e melhor as pessoas e é notório que a diminuta taxa de alfabetização e baixa escolaridade da generalidade dos portugueses durante o regime do Estado Novo trouxe consequências nefastas ainda patentes nos dias de hoje. Na minha opinião, a educação está muito relacionada com o facto de Portugal ser frequentemente apontado como estando na "cauda da Europa", ou seja, se estamos nessa cauda isso deve-se em grande parte à falta de formação académica/profissional da maioria da população portuguesa. Felizmente esta tendência está-se a inverter e alargar a escolaridade obrigatória até ao 12º ano seria mais um passo na direcção correcta para a construção não do presente, mas do futuro de Portugal.

Somente após a conclusão do ensino secundário é que nos podemos candidatar ao ensino superior. Ter um grau académico superior não confere emprego garantido mas aumenta essa probabilidade e aumenta o leque de funções que podemos desempenhar. Um licenciado pode desempenhar as funções daquele que tem o ensino secundário, mas aquele que tem apenas o ensino secundário não pode desempenhar todas as funções para as quais o licenciado está habilitado. Nesse aspecto será sempre melhor para a pessoa individualmente e para o país como um todo, ter um maior número de pessoas capazes de desempenhar um maior número de funções, adaptando-se a mais empregos e correspondendo com mais facilidade às necessidades do país. Ao aumentarmos a escolaridade obrigatória para o 12º ano, estamos a promover o ingresso no ensino superior, ingresso esse que é cada vez mais fundamental para o sucesso individual e colectivo. Mesmo que esse ingresso não se verifique imediatamente após a conclusão do ensino secundário existe sempre essa possibilidade no futuro. Enquanto que alguém com o 9º mesmo que decida já em idade adulta aumentar a sua formação, muito provavelmente ficar-se-à pelo 12º ano.

Actualmente existe um gama cada vez mais alargada de cursos profissionais e técnicos inseridos nos 3 anos que marcam a duração do ensino secundário. Estes cursos através de umas reformulações e de uma carga horária mais elevada, possibilitam em 3 anos que os estudantes obtenham o 12º ano e aprendam uma profissão ao mesmo tempo, adquirindo também experiência de trabalho com o estágio que têm incluído no curso. Estes cursos são também extremamente importantes para o desenvolvimento do país, pois conferem aptidões técnicas e profissionais que são muito procuradas no mercado de trabalho. Com o desaparecimento dos cursos médios (bacharelato) foi necessário "inventar" cursos que formassem técnicos. Esta "invenção" tem no geral corrido bastante bem já que o número de escolas profissionais e de cursos disponíveis têm vindo a multiplicar, bem como a adesão aos mesmos. Ao aumentarmos a escolaridade obrigatória para o 12º ano, estamos a fomentar a adesão a estes cursos que são essenciais para a formação dos técnicos e profissionais do nosso país. Profissões como a pesca e a agricultura renascem e renovam completamente a sua imagem com este tipo de cursos. Cada vez mais é essencial todos nós termos uma formação específica que complemente a nossa formação básica e estes cursos são a resposta a essa necessidade.

Sem recorrer a nenhum estudo, digo com toda a certeza que quanto maior é a formação de um indivíduo, melhor é a sua adaptação e capacidade de argumentação. Que significa isto? Significa que quanto maior formação uma pessoa tiver, mais possibilidade existe de essa pessoa desenvolver interesses que procurem aumentar cada vez o seu conhecimento. Ler livros, ver documentários, ler artigos na internet, comentar, debater, etc. Tudo isto é importante para a formação global de uma pessoa, pois vai "completando-a". Esse conhecimento contínuo que essa pessoa procura (fruto do estímulo da sua maior formação e consequente capacidade de compreensão e análise) vai significar melhorias para essa pessoa e para o seu país. Porque uma pessoa formada é capaz de se adaptar melhor a mudanças no seu emprego (por exemplo o primeiro plano que Salazar fez para desenvolver a indústria e a agricultura portuguesa encontraram fortes dificuldades porque os operários e agricultores não se conseguiam adaptar à elevada mecanização, fruto da sua fraca formação) o que será certamente melhor para essa pessoa. Além desta melhor adaptação no mercado de trabalho e às suas alterações, uma pessoa formada que desenvolva gostos e hábitos que aumentem sucessivamente o seu conhecimento pode mais facilmente verificar e contestar injustiças e propor soluções para os problemas que encontra. Isto reflecte-se em muitos campos, como por exemplo no político. Só se uma pessoa for capaz de analisar a actuação de um governo de uma forma coerente, é que será capaz de apontar os seus defeitos e propor alternativas ou apoiar um partido que proponha essas mesmas alternativas. Ao aumentarmos a escolaridade para o 12º ano, estamos a aumentar a probabilidade de cada vez mais pessoas procurarem o contínuo aumento do seu conhecimento, sendo essa a única via para a evolução e desenvolvimento. Se ninguém estiver disposto a procurar cada vez mais, não existem alterações.

Por tudo isto sou a favor de um alargamento da escolaridade obrigatória em 3 anos. Tal como a fraca escolaridade resultante de regimes antigos revela os seus efeitos ainda nos dias de hoje, tal medida vai ser sentida não daqui a 2 anos mas daqui a 20. E aí penso que Portugal olhará para trás e constatará com gosto a diferença que tal acto produziu.