Numa altura em que o nosso país é assustadoramente assolado pelo desemprego torna-se ainda mais importante a árdua tarefa de tomar medidas no sentido de fomentar o desenvolvimento regional. É preciso criar postos de trabalho, criar oportunidades para uma melhor qualidade de vida, fomentando assim a fixação de pessoas em locais que têm vindo progressivamente a ser abandonados.
A grande maioria das pessoas que "foge" desses locais é por sentir que estes não lhe oferecem as oportunidades e as condições para obter uma vida melhor. A solução, na sua forma genérica, é a de criar essas oportunidades para que se possa inverter o ciclo actual. Apesar de considerar importante termos um ou dois pólos fortes economicamente que "representem" Portugal a nível internacional o desenvolvimento da totalidade do território é extremamente importante para a competitividade do país e para o bem-estar social. Existem benefícios locais e regionais que não podem ser aproveitados se os investimentos se concentrarem em meia dúzia de zonas. A utilização de recursos endógenos alia muitas vezes a componente social à componente económica, sendo possível recolher benefícios em ambas as áreas. O que fazer então para potenciar o desenvolvimento regional?
Uma das medidas que penso que deveriam ser adoptadas é um investimento de "especialização". Isto significa um conjunto de investimentos no mesmo local centrados na mesma área mas que abragessem todos os campos da mesma. Veja-se um exemplo:
Tranformar Évora na "capital" do desporto. Realizar investimentos em Évora no sentido de criar centros de alto rendimento, unidades hoteleiras especializadas, centros de investigação de medicina desportiva e outros centros de investigação relacionados (por exemplo investigação no campo da inovação do material desportivo para diversas modalidades), uma universidade com cursos relacionados (educação física, fisioterapia, etc.), uma escola com cursos profissionais relacionados, comércio especializado, um centro especializado em desporto adaptado, complexos desportivos variados, entre outros.
Apesar de todos os investimentos terem a mesma base a sua diversidade garante uma maior competitividade económica e uma bolsa de emprego relacionada com ínumeras áreas de formação e de vários graus de qualificação. Teríamos condições para receber provas desportivas de múltiplas modalidades tirando partido das suas vantagens económicas directas e indirectas (como o turismo ou o comércio), teríamos melhores condições para treinar os nossos atletas e teríamos mais hipóteses de inovar e de nos afirmarmos neste campo.
Este investimento viria no sentido de complementar aquilo que já existe no nosso país e não no sentido de passar todo o desporto para Évora. Criar condições para modalidades que actualmente não as têm, melhorar as condições para as existentes, apoiar a investigação e inovação, receber mais provas internacionais em mais modalidades, aumentar as qualificações, preparar melhor os atletas portugueses. Estes são alguns dos objectivos. Tudo aliado ao desenvolvimento regional possibilitando oportunidades de emprego e de qualidade de vida. É um investimento que pretende "subir a fasquia" e não tirá-la de um lugar para a colocar noutro.
Este é apenas um exemplo do tipo de especificação e de investimentos que penso serem uma boa solução para apoiar as comunidades locais, estimulando o desenvolvimento regional por forma a criar um tecido económico assente na totalidade do território e capaz de combater os níveis de desemprego actuais fixando as populações em locais que estão "condenados a desaparecer". O desenvolvimento regional como um estímulo económico e social.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Masdar
Esta é a cidade do futuro, Masdar. Localizada perto de Abu Dhabi surge como um passo de gigante dado pelos Emirados Árabes Unidos (EAU) rumo a um futuro sustentável. É uma cidade construída de raiz que irá albergar 40.000 pessoas e criar 70.000 postos de trabalho. Será a primeira cidade do mundo com emissões neutras de carbono e zero desperdício bem como com um consumo de água substancialmente inferior ao normal (menos 75%). Uma iniciativa que pretende ser a "maquete" para uma revolução global que mude a face das nossas cidades.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Um novo ensino superior
O investimento mais "rentável" para qualquer Estado é no capital humano. Um país necessita de qualificações para progredir e alcançar o desenvolvimento económico e social. Empregos qualificados e especializados geram indústrias de ponta, investigação e desenvolvimento de qualidade bem como melhores condições de trabalho para os trabalhadores. São o "motor" económico de um país mas também um motor para melhorias das condições de vida.
Na base da especialização e da elevada qualificação está o ensino superior. Só com um ensino superior de qualidade e acessível a todos é que poderemos criar uma sociedade apta para enfrentar novos desafios e receber indústrias que exigam o máximo das nossas capacidades intelectuais. Pessoalmente creio que a maioria das nossas universidades tem uma qualidade algo elevada (pelo menos no sistema público) e é de louvar o número de portugueses que se destacam em praticamente todas as áreas. É urgente multiplicar investimentos no sentido de aumentar o número de oportunidades e de ofertas de emprego para pessoas com cursos superiores. Contudo, além da aposta na criação de oportunidades de emprego, é preciso também tornar o ensino superior completamente acessível. Só "atacando" as várias frentes do problema é que conseguiremos, gradualmente, substituir a nossa força de trabalho baseada na mão-de-obra barata e sediada em indústrias com fracas perspectivas de futuro por uma mão-de-obra extremamente qualificada e capaz de realizar tarefas que poucos conseguem. Esta é no meu entender o tipo de competitividade pela qual Portugal pode e deve lutar.
O ensino superior deve ser encarado assim como um investimento para o futuro e não como uma "despesa". A contrapartida para o facto de os contribuintes deverem sustentar este investimento é o de que este será útil e proveitoso para todos nós. É a "justificação" para devermos gastar cada vez mais e melhor neste campo. Proveitoso no sentido de formarmos pessoas que terão empregos bem remunerados em áreas que criam bastante riqueza para o país, aumentando as exportações e reforçando a competitividade do país. Mas o investimento deve, na minha opinião, mostrar os seus frutos desde o 1º ano de faculdade. E como mostrar esses frutos?
Através de um sistema de aulas práticas/estágios em que os alunos universitários realizavam desde o primeiro ano de faculdade uma espécie de "serviço comunitário". Estes "estágios" seriam extremamente positivos para o aluno pois no final do curso teria já bastantes experiências extra-curriculares e para a comunidade que seria "servida" de forma gratuita. Estas aulas ou estágios poderiam por exemplo funcionar numa base semanal ou quinzenal (imagine-se por exemplo uma carga horária de 2-3 horas por quinzena).
Dou agora o meu exemplo pessoal imaginando que este sistema estava em vigor. Estou no primeiro ano do curso de Direito. É óbvio que pouco sei comparado com os conhecimentos que tenho de ter para ser um verdadeiro jurista. Mas posso realizar tarefas úteis que exijam poucos conhecimentos específicos e que estejam algo relacionados com a minha área académica. Podia por exemplo redigir actas ou fazer um pouco do trabalho burocrático relacionado com os tribunais e com a justiça em geral. Estava a fazer algo relacionado com o meu curso, estava a adquirir experiência e estava a ser "útil" à sociedade. Um voluntariado relacionado com o curso que era digamos uma espécie de "agradecimento" pelo investimento feito em mim. A exigência de conhecimentos iria aumentando semestre após semestre à medida que os estágios ficavam cada vez mais complexos.
Penso que a adopção deste sistema tornaria possível por exemplo a eliminação de propinas tornando o ensino superior mais acessível à generalidade da população produzindo mais e melhores diplomados. Um investimento no futuro do país que mostrava os seus benefícios desde o primeiro minuto!
Na base da especialização e da elevada qualificação está o ensino superior. Só com um ensino superior de qualidade e acessível a todos é que poderemos criar uma sociedade apta para enfrentar novos desafios e receber indústrias que exigam o máximo das nossas capacidades intelectuais. Pessoalmente creio que a maioria das nossas universidades tem uma qualidade algo elevada (pelo menos no sistema público) e é de louvar o número de portugueses que se destacam em praticamente todas as áreas. É urgente multiplicar investimentos no sentido de aumentar o número de oportunidades e de ofertas de emprego para pessoas com cursos superiores. Contudo, além da aposta na criação de oportunidades de emprego, é preciso também tornar o ensino superior completamente acessível. Só "atacando" as várias frentes do problema é que conseguiremos, gradualmente, substituir a nossa força de trabalho baseada na mão-de-obra barata e sediada em indústrias com fracas perspectivas de futuro por uma mão-de-obra extremamente qualificada e capaz de realizar tarefas que poucos conseguem. Esta é no meu entender o tipo de competitividade pela qual Portugal pode e deve lutar.
O ensino superior deve ser encarado assim como um investimento para o futuro e não como uma "despesa". A contrapartida para o facto de os contribuintes deverem sustentar este investimento é o de que este será útil e proveitoso para todos nós. É a "justificação" para devermos gastar cada vez mais e melhor neste campo. Proveitoso no sentido de formarmos pessoas que terão empregos bem remunerados em áreas que criam bastante riqueza para o país, aumentando as exportações e reforçando a competitividade do país. Mas o investimento deve, na minha opinião, mostrar os seus frutos desde o 1º ano de faculdade. E como mostrar esses frutos?
Através de um sistema de aulas práticas/estágios em que os alunos universitários realizavam desde o primeiro ano de faculdade uma espécie de "serviço comunitário". Estes "estágios" seriam extremamente positivos para o aluno pois no final do curso teria já bastantes experiências extra-curriculares e para a comunidade que seria "servida" de forma gratuita. Estas aulas ou estágios poderiam por exemplo funcionar numa base semanal ou quinzenal (imagine-se por exemplo uma carga horária de 2-3 horas por quinzena).
Dou agora o meu exemplo pessoal imaginando que este sistema estava em vigor. Estou no primeiro ano do curso de Direito. É óbvio que pouco sei comparado com os conhecimentos que tenho de ter para ser um verdadeiro jurista. Mas posso realizar tarefas úteis que exijam poucos conhecimentos específicos e que estejam algo relacionados com a minha área académica. Podia por exemplo redigir actas ou fazer um pouco do trabalho burocrático relacionado com os tribunais e com a justiça em geral. Estava a fazer algo relacionado com o meu curso, estava a adquirir experiência e estava a ser "útil" à sociedade. Um voluntariado relacionado com o curso que era digamos uma espécie de "agradecimento" pelo investimento feito em mim. A exigência de conhecimentos iria aumentando semestre após semestre à medida que os estágios ficavam cada vez mais complexos.
Penso que a adopção deste sistema tornaria possível por exemplo a eliminação de propinas tornando o ensino superior mais acessível à generalidade da população produzindo mais e melhores diplomados. Um investimento no futuro do país que mostrava os seus benefícios desde o primeiro minuto!
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Plug-in Paris
Paris prepara-se para dar um grande passo rumo à sua sustentabilidade. Depois de em 2007 a cidade ter sido "inundada" por bicicletas para aluguer (10.000) o presidente da câmara prepara uma nova iniciativa para 2011. Encher a cidade com carros eléctricos para aluguer.
Tendo como base o sucesso do programa implementado em 2007, Paris decidiu levar o conceito mais longe ao querer alargar esta rede de "aluguer sustentável" aos carros eléctricos. O programa será composto inicialmente por 3.000 veículos que podem ser encontrados em 27 munícipios da cidade. O custo por dia será de 49 euros sendo que as reservas poderão ser feitas pela internet, telefone ou via SMS.
Com este tipo de programas e iniciativas pretende-se não só melhorar o ambiente da cidade em si devido a menores emissões de gases poluentes mas acima de tudo alterar mentalidades. As pessoas podem desfrutar e descobrir os benefícios de andar de bicicleta sem terem de comprar uma. Depois de constatarem que é um veículo perfeitamente capaz de satisfazer as suas necessidades de mobilidade irão tornar-se muito mais receptivas e quem sabe, alterar por completo a forma como se deslocam diariamente. O mesmo em relação aos carros eléctricos. Esta iniciativa permite que as pessoas experimentem este tipo de veículos e ao descobrirem as suas vantagens irão certamente ser influenciadas quando decidirem adquirir um carro novo.
Tendo em conta experiências anteriores e com os incentivos adequados, penso que estas iniciativas têm todos os "ingredientes" para serem um sucesso. Espero que daqui a uns anos estes sistemas sejam um ponto em comum de todas as grandes cidades europeias.
Tendo como base o sucesso do programa implementado em 2007, Paris decidiu levar o conceito mais longe ao querer alargar esta rede de "aluguer sustentável" aos carros eléctricos. O programa será composto inicialmente por 3.000 veículos que podem ser encontrados em 27 munícipios da cidade. O custo por dia será de 49 euros sendo que as reservas poderão ser feitas pela internet, telefone ou via SMS.
Com este tipo de programas e iniciativas pretende-se não só melhorar o ambiente da cidade em si devido a menores emissões de gases poluentes mas acima de tudo alterar mentalidades. As pessoas podem desfrutar e descobrir os benefícios de andar de bicicleta sem terem de comprar uma. Depois de constatarem que é um veículo perfeitamente capaz de satisfazer as suas necessidades de mobilidade irão tornar-se muito mais receptivas e quem sabe, alterar por completo a forma como se deslocam diariamente. O mesmo em relação aos carros eléctricos. Esta iniciativa permite que as pessoas experimentem este tipo de veículos e ao descobrirem as suas vantagens irão certamente ser influenciadas quando decidirem adquirir um carro novo.
Tendo em conta experiências anteriores e com os incentivos adequados, penso que estas iniciativas têm todos os "ingredientes" para serem um sucesso. Espero que daqui a uns anos estes sistemas sejam um ponto em comum de todas as grandes cidades europeias.
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Firefox em ponto pequeno
O Mozzila Firefox é um dos navegadores de internet mais famosos e utilizados pelos cibernautas do mundo inteiro, ficando apenas atrás do Internet Explorer da Microsoft. Contudo a "distância" tem vindo a ser encurtada e a Mozzila procura agora dar outro passo nesse sentido. Lançar o seu Firefox para os telemóveis. Por enquanto a aplicação apenas é compatível com dois modelos da marca Nokia (N900 e N810).
Será interessante ver como respondem a Microsoft e a Google a este desafio por parte da Mozzila. É que enquanto a Internet Explorer perde gradualmente a sua hegemonia e a Google se desdobra em esforços e iniciativas para disseminar o seu Google Chrome o Firefox está, a pouco e pouco, a conquistar cada vez mais adeptos entre os utilizadores de internet.
Será interessante ver como respondem a Microsoft e a Google a este desafio por parte da Mozzila. É que enquanto a Internet Explorer perde gradualmente a sua hegemonia e a Google se desdobra em esforços e iniciativas para disseminar o seu Google Chrome o Firefox está, a pouco e pouco, a conquistar cada vez mais adeptos entre os utilizadores de internet.
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Emprego precisa-se
Com a crise económica e financeira internacional veio também o "pesadelo" do desemprego. Um pouco por todo o mundo, milhões de empregos foram destruídos num curto espaço de tempo afectando gravemente o desenvolvimento económico e social desses países.
O desemprego é um flagelo que causa pobreza, agitação social, insegurança, entre tantos outros efeitos nefastos para uma sociedade. Também a nível económico o desemprego é avassalador. Aumentam as despesas com subsídios de desemprego e de apoio social, diminuem as receitas com impostos por via da diminuição do consumo e o volume da segurança social encolhe com menos pessoas a descontar e mais a receber. É um entrave ao desenvolvimento de um país e à prosperidade de uma população. Como tal considero que o combate ao desemprego deve ser o "núcleo duro" de uma governação em tempo de crise. Existem várias formas e maneiras de o fazer mas a prioridade deve ser comum.
Nos EUA Obama alivia impostos às PMEs para lhes facilitar o acesso ao crédito e permitir a sua modernização e coloca em prática ínumeros projectos relacionados com ambiente, telecomunicações, vias de comunicação, etc para criar novos empregos e oportunidades de negócio. Para financiar este seu estímulo à economia pretende aumentar os impostos para as pessoas singulares mais abastadas bem como criar novas taxas aos bancos para que o governo "receba de volta" uma parte da ajuda enviada aos bancos no início da crise financeira. Além disto pretende também cortar com cerca de 120 programas federais sendo que um dos mais mediáticos é aquele que previa uma nova expedição tripulada à Lua até 2020.
Por cá o governo tem apostado numa forte parceria com as IPSS para criar empregos com especial destaque para a reinserção no mercado de trabalho de pessoas que dependiam do RSI (rendimento social de inserção). Outra ferramenta que pode desempenhar um papel chave no combate ao desemprego é o microcrédito através do novo Plano Nacional de Microcrédito. Um pacto entre governo, bancos, sociedades financeiras e Associação Nacional de Acesso ao Crédito pode resultar em empréstimos até 25 mil euros com taxas de juros bonificadas a serem concedidos a pessoas com poucas ou nenhumas garantias do ponto de vista financeiro. As obras grandes públicas têm sido também apontadas como uma saída para o preocupante crescimento do desemprego nacional.
Independentemente da minha opinião pessoal sobre as medidas em si creio que a prioridade está bem definida em ambos os casos. Uma espiral crecente de desemprego é extremamente negativa sobre todos os pontos de vista. Sem emprego não há criação de riqueza, não há exportações, não há consumo, não há inovação, não há crescimento. Existe apenas uma degradação social fortemente vincada e com impactos económicos muito grandes. Para retomarmos o caminho do crescimento económico e do desenvolvimento social é urgente dizer "Emprego precisa-se!".
O desemprego é um flagelo que causa pobreza, agitação social, insegurança, entre tantos outros efeitos nefastos para uma sociedade. Também a nível económico o desemprego é avassalador. Aumentam as despesas com subsídios de desemprego e de apoio social, diminuem as receitas com impostos por via da diminuição do consumo e o volume da segurança social encolhe com menos pessoas a descontar e mais a receber. É um entrave ao desenvolvimento de um país e à prosperidade de uma população. Como tal considero que o combate ao desemprego deve ser o "núcleo duro" de uma governação em tempo de crise. Existem várias formas e maneiras de o fazer mas a prioridade deve ser comum.
Nos EUA Obama alivia impostos às PMEs para lhes facilitar o acesso ao crédito e permitir a sua modernização e coloca em prática ínumeros projectos relacionados com ambiente, telecomunicações, vias de comunicação, etc para criar novos empregos e oportunidades de negócio. Para financiar este seu estímulo à economia pretende aumentar os impostos para as pessoas singulares mais abastadas bem como criar novas taxas aos bancos para que o governo "receba de volta" uma parte da ajuda enviada aos bancos no início da crise financeira. Além disto pretende também cortar com cerca de 120 programas federais sendo que um dos mais mediáticos é aquele que previa uma nova expedição tripulada à Lua até 2020.
Por cá o governo tem apostado numa forte parceria com as IPSS para criar empregos com especial destaque para a reinserção no mercado de trabalho de pessoas que dependiam do RSI (rendimento social de inserção). Outra ferramenta que pode desempenhar um papel chave no combate ao desemprego é o microcrédito através do novo Plano Nacional de Microcrédito. Um pacto entre governo, bancos, sociedades financeiras e Associação Nacional de Acesso ao Crédito pode resultar em empréstimos até 25 mil euros com taxas de juros bonificadas a serem concedidos a pessoas com poucas ou nenhumas garantias do ponto de vista financeiro. As obras grandes públicas têm sido também apontadas como uma saída para o preocupante crescimento do desemprego nacional.
Independentemente da minha opinião pessoal sobre as medidas em si creio que a prioridade está bem definida em ambos os casos. Uma espiral crecente de desemprego é extremamente negativa sobre todos os pontos de vista. Sem emprego não há criação de riqueza, não há exportações, não há consumo, não há inovação, não há crescimento. Existe apenas uma degradação social fortemente vincada e com impactos económicos muito grandes. Para retomarmos o caminho do crescimento económico e do desenvolvimento social é urgente dizer "Emprego precisa-se!".
Cardmobili
Todos nós somos "vítimas" dos cartões de fidelização por parte de todo o tipo de empresas. Desde os cartões em cartão que nos oferecem nos restaurantes e cadeias de fast-food onde vão caribando os nossos menus até nos podermos deliciar com uma refeição grátis, ao pontos que acumulamos por abastecer o nosso carro ou por fazer compras num determinado hipermercado, eles estão por todo e vieram para ficar.
Uma estratégia bastante positiva para a empresa porque garante um consumo contínuo por parte do cliente mas na qual recebemos algo em troca da nossa fidelidade e preferência. A disseminação desta estratégia foi extremamente rápida dado que é bastante simples e aplicavél a praticamente todas as áreas de consumo. Infelizmente causam um excesso de material nas nossas carteiras e é frequente esquecermo-nos dos cartões em casa ou de nem nos darmos ao trabalho de os trazer bem como de não querermos fazer novos. Algumas empresas diminuem o tamanho dos seus cartões, outras passam a oferecê-los por forma a serem incluídos no porta-chaves mas nada disto resolve de forma definitiva e prática o nosso problema. É aí que entra o Cardmobili.
Esta é uma tecnologia que nos permite substituir todos os cartões de fidelização por uma simples aplicação no telemóvel. Basta descarregar a mesma no site da empresa que criou esta tecnologia e inserir os dados que estão nos cartões. Com esta "carteira virtual" podemos aceder a todos os cartões de fidelização de uma forma rápida, cómoda e eficaz. Com um potencial tão promissor é de esperar que a sua disseminação se desenrole de forma igual à disseminaçao dos cartões em si, fazendo-os desaparecer de uma forma tão rápida como apareceram. A empresa pretende agora alargar o leque de parceiros bem como exportar o modelo para outros mercados.
Uma excelente inovação que será bastante útil tanto para as empresas como para os consumidores.
Uma estratégia bastante positiva para a empresa porque garante um consumo contínuo por parte do cliente mas na qual recebemos algo em troca da nossa fidelidade e preferência. A disseminação desta estratégia foi extremamente rápida dado que é bastante simples e aplicavél a praticamente todas as áreas de consumo. Infelizmente causam um excesso de material nas nossas carteiras e é frequente esquecermo-nos dos cartões em casa ou de nem nos darmos ao trabalho de os trazer bem como de não querermos fazer novos. Algumas empresas diminuem o tamanho dos seus cartões, outras passam a oferecê-los por forma a serem incluídos no porta-chaves mas nada disto resolve de forma definitiva e prática o nosso problema. É aí que entra o Cardmobili.
Esta é uma tecnologia que nos permite substituir todos os cartões de fidelização por uma simples aplicação no telemóvel. Basta descarregar a mesma no site da empresa que criou esta tecnologia e inserir os dados que estão nos cartões. Com esta "carteira virtual" podemos aceder a todos os cartões de fidelização de uma forma rápida, cómoda e eficaz. Com um potencial tão promissor é de esperar que a sua disseminação se desenrole de forma igual à disseminaçao dos cartões em si, fazendo-os desaparecer de uma forma tão rápida como apareceram. A empresa pretende agora alargar o leque de parceiros bem como exportar o modelo para outros mercados.
Uma excelente inovação que será bastante útil tanto para as empresas como para os consumidores.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
OE 2010 e Agências de Rating
Muito se tem falado nos últimos tempos acerca do estado das contas públicas portuguesas e da resposta do Orçamento de Estado para 2010 face a essa mesma situação. O governo português tem sido constantemente pressionado pelas agências de rating e por vários economistas bastante conceituados a nível internacional. Estes ratings e recomendações têm um peso real no futuro de Portugal já que influenciam quanto custa ao estado português pagar a sua dívida ao exterior.
Existem sem dúvida diversas matérias onde discordo do governo em relação ao orçamento, sendo que eu tomaria outras opções nomeadamente em cortes de despesa e em ganhos de receita. Independentemente da minha posição em relação ao OE 2010 penso que existe uma pressão "exagerada" sobre o nosso governo no sentido de diminuir o défice. É certo que Portugal tem um elevado nível de endividamento e que devemos gerir com seriedade as finanças nacionais. O dinheiro não é infinito e concordo que o défice terá de ser severamente reduzido. Aquilo que não concordo é que o défice seja reduzido de uma forma drástica no curto prazo caso isso tenha sérias repercussões sociais negativas. Para mim, acima dos números do défice estão os números da educação, desemprego e outros dados relativos ao desenvolvimento social. Se uma determinada situação (como a grave crise internacional que ocorreu e cujos efeitos são bem vísiveis a nível mundial) exige que se aumente o nível de dívida para colmatar um desemprego galopante então penso que essa é a escolha acertada. Uma austeridade financeira em demasiada num período como este pode levar a graves consequências sociais cujo efeito irá sem dúvida alastrar-se para o campo económico. Se continuarmos a perder emprego sem que essas perdas tenham um "fim à vista" então a quebra nas receitas será contínua e por mais cortes orçamentais que sejam realizados não existe economia que possa crescer nesse cenário. Cabe ao estado estimular a economia e criar de forma directa ou indirecta novas oportunidades de emprego e de desenvolvimento social. Se isso significa um aumento da despesa então a despesa deve ser aumentada. Estamos a aumentar a dívida mas estamos também a criar uma economia mais robusta com um crescimento maior no futuro, ou seja, uma economia que seja capaz de suportar essa dívida.
Para mim a dúvida não é se devemos gastar mas sim onde gastar. Não acredito em planos que suspendam por exemplo o TGV. Mas acredito em planos que digam "invés do TGV porque não fazer antes o projecto X que cria mais emprego e consome menos dinheiro?" Esta é para mim a alternativa. Não é pressionar o governo a fazer cortes que podem penalizar gravemente a economia e acima de tudo a sociedade. É pressionar o governo a combater os desperdícios que existem e propor alternativas de investimento com uma relação custo/benefício mais elevada que os investimentos propostos pelo governo. Repito, existem várias situações em relação ao OE 2010 de que discordo e existem bastantes situações em relação à política de investimento público de que também discordo. Por exemplo dou mais importância à reconstrução urbana de Lisboa e Porto do que ao Plano Nacional de Barragens. Mas a linha orientadora deve ser a do investimento. Sem investimento não há empresas a nascer e a prosperar. Não há novas oportunidades de negócio e de emprego. Não há uma aposta mais forte na qualificação e formação profissional. Não há desenvolvimento económico nem desenvolvimento social.
Combater o défice mas de forma responsável e tendo em conta que a preocupação social predomina sobre a preocupação financeira. Não devemos esquecer que as agências de rating e os "movimentos" que hoje "condenam" a Irlanda são aqueles que há um par de anos atrás nos diziam para importar o seu modelo de desenvolvimento. Pior que defraudar a nossa credibilidade perante a comunidade internacional (e que credibilidade tem essa dita comunidade internacional?) é defraudar os interesses e o futuro dos portugueses.
Existem sem dúvida diversas matérias onde discordo do governo em relação ao orçamento, sendo que eu tomaria outras opções nomeadamente em cortes de despesa e em ganhos de receita. Independentemente da minha posição em relação ao OE 2010 penso que existe uma pressão "exagerada" sobre o nosso governo no sentido de diminuir o défice. É certo que Portugal tem um elevado nível de endividamento e que devemos gerir com seriedade as finanças nacionais. O dinheiro não é infinito e concordo que o défice terá de ser severamente reduzido. Aquilo que não concordo é que o défice seja reduzido de uma forma drástica no curto prazo caso isso tenha sérias repercussões sociais negativas. Para mim, acima dos números do défice estão os números da educação, desemprego e outros dados relativos ao desenvolvimento social. Se uma determinada situação (como a grave crise internacional que ocorreu e cujos efeitos são bem vísiveis a nível mundial) exige que se aumente o nível de dívida para colmatar um desemprego galopante então penso que essa é a escolha acertada. Uma austeridade financeira em demasiada num período como este pode levar a graves consequências sociais cujo efeito irá sem dúvida alastrar-se para o campo económico. Se continuarmos a perder emprego sem que essas perdas tenham um "fim à vista" então a quebra nas receitas será contínua e por mais cortes orçamentais que sejam realizados não existe economia que possa crescer nesse cenário. Cabe ao estado estimular a economia e criar de forma directa ou indirecta novas oportunidades de emprego e de desenvolvimento social. Se isso significa um aumento da despesa então a despesa deve ser aumentada. Estamos a aumentar a dívida mas estamos também a criar uma economia mais robusta com um crescimento maior no futuro, ou seja, uma economia que seja capaz de suportar essa dívida.
Para mim a dúvida não é se devemos gastar mas sim onde gastar. Não acredito em planos que suspendam por exemplo o TGV. Mas acredito em planos que digam "invés do TGV porque não fazer antes o projecto X que cria mais emprego e consome menos dinheiro?" Esta é para mim a alternativa. Não é pressionar o governo a fazer cortes que podem penalizar gravemente a economia e acima de tudo a sociedade. É pressionar o governo a combater os desperdícios que existem e propor alternativas de investimento com uma relação custo/benefício mais elevada que os investimentos propostos pelo governo. Repito, existem várias situações em relação ao OE 2010 de que discordo e existem bastantes situações em relação à política de investimento público de que também discordo. Por exemplo dou mais importância à reconstrução urbana de Lisboa e Porto do que ao Plano Nacional de Barragens. Mas a linha orientadora deve ser a do investimento. Sem investimento não há empresas a nascer e a prosperar. Não há novas oportunidades de negócio e de emprego. Não há uma aposta mais forte na qualificação e formação profissional. Não há desenvolvimento económico nem desenvolvimento social.
Combater o défice mas de forma responsável e tendo em conta que a preocupação social predomina sobre a preocupação financeira. Não devemos esquecer que as agências de rating e os "movimentos" que hoje "condenam" a Irlanda são aqueles que há um par de anos atrás nos diziam para importar o seu modelo de desenvolvimento. Pior que defraudar a nossa credibilidade perante a comunidade internacional (e que credibilidade tem essa dita comunidade internacional?) é defraudar os interesses e o futuro dos portugueses.
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sábado, 30 de janeiro de 2010
Participação Cívica
A participação cívica é essencial para um bom funcionamento da sociedade e fulcral para que se consigam atingir padrões cada vez mais elevados de desenvolvimento social e humano. Todos nós temos direitos e consequentemente deveres. Todos nós temos poder para alterar um pouco o nosso mundo, a nossa aldeia, vila ou cidade. E esse poder vai também influenciar o nosso distrito, o nosso país e o mundo como um todo.
Temos o poder e temos a responsabilidade de mudar. Mudar de acordo com as nossas opiniões e fazendo aquilo que em consciência consideramos ser o melhor. O mais importante não é a ideologia em si mas a vontade de participar. Podemos discordar em quase tudo em relação a outra pessoa mas o objectivo deverá ser comum. O de lutar por algo melhor. Existem diversos instrumentos que devem ser valorizados como forma de aumentar e "melhorar" a participação cívica de todos nós. Isto depende do poder político mas também das populações. O esforço é conjunto bem como os benefícios.
O primeiro instrumento de participação cívica numa democracia é o voto, algo que infelizmente é cada vez mais desvalorizado. Cabe aos partidos políticos renovar a sua imagem e as suas atitudes para que possam alcançar a confiança de mais eleitores mas cabe também à sociedade civil procurar e "exigir" mais e melhor propaganda política, envolvendo-se na vida política de Portugal sem que para isso tenha de ser militante de partido algum ou ter o sentido de voto pré-definido. É urgente uma "renovação" partidária não no sentido de se continuarem a criar mais e mais partidos políticos mas sim alterar o paradigma em que baseiam a sua relação com as populações com vista a criar uma maior proximidade e cumplicidade.
Apesar da base da participação cívica se centrar no voto e na escolha democrática do nossos representantes é natural que este não seja o instrumento mais próximo das pessoas nem aquele que apele a uma maior união e coesão social da qual resultam benefícios para todos, independentemente da ideologia ou opinião sobre determinado tema. A participação cívica é feita também através do voluntariado. Existem ínumeras instituições em todos os concelhos do nosso país possibilitando-nos um trabalho gratificante numa área do nosso interesse e num raio de acção bastante semelhante à nossa realidade quotidiana. É extremamente gratificante e enriquecedor do ponto de vista pessoal e social dispensar um pouco do nosso tempo a auxiliar algo ou alguém que precisa do nosso apoio. Além do auxílio directo estamos também com esses actos a ganhar experiência sobre esse tema, algo que nos possibilita exercer os nossos direitos e deveres de uma forma muito mais consciente. Estas experiências podem por exemplo levar a exigências políticas que não existiriam se não estivessemos alertados para o problema e respectiva solução. Se cada um de nós der um pouco de si, será uma ajuda tremenda no presente e uma ajuda ainda maior para o desenvolvimento futuro de Portugal.
Outros instrumentos estão também a ser implantados de forma progressiva com vista a uma maior e melhor participação cívica. Porque são os nossos problemas e muitas vezes sabemos as soluções. Precisamos de mecanismos que nos permitam comunicar a detecção e resolução dos problemas que encontramos seja a nível local, nacional ou internacional. E acima de tudo precisamos de vontade e de sentido de responsabilidade. Devemos exigir um futuro melhor mas devemos também ajudar a construir esse futuro. Um exemplo de um mecanismo "recente" é a implantação e expansão dos orçamentos participativos. Estes orçamentos permitem que qualquer pessoa apresente projectos que considere serem úteis e benéficos, sendo realizada de seguida uma votação para encontrar o projecto "vencedor" e portanto a ser financiado. Considero o mecanismo em si como algo extraordinário. Dá-nos a possibilidade de moldar de uma forma bastante significativa a realidade à nossa volta e sem dúvida que incita à abertura de debates amplos e dos quais resultam excelentes ideias e iniciativas. Na minha opinião o sucesso destes orçamentos depende da vontade de quem tem a responsabilidade de gestão (por exemplo as câmaras municipais com o orçamento municipal) e da vontade dos seus participantes. Se existir uma abertura e um compromisso sério da parte do primeiro e uma vontade de participar e de agir de forma directa por parte do segundo, este mecanismo sem dúvida contribuirá para o desenvolvimento e coesão social, aproximando e reforçando as relações entre poder político e sociedade civil. O orçamento participativo, se for bem explorado, pode funcionar como o "pacto" que obriga ambas as partes a lutarem com o mesmo objectivo e a apoiarem-se mutuamente pois o sucesso de uma das partes está dependente do sucesso do todo.
Mais participação cívica traz benefícios económicos e sociais mas acima de tudo acorda-nos para algo que temos vindo a esquecer. Portugal é de todos e com o trabalho de todos beneficiaremos todos.
Temos o poder e temos a responsabilidade de mudar. Mudar de acordo com as nossas opiniões e fazendo aquilo que em consciência consideramos ser o melhor. O mais importante não é a ideologia em si mas a vontade de participar. Podemos discordar em quase tudo em relação a outra pessoa mas o objectivo deverá ser comum. O de lutar por algo melhor. Existem diversos instrumentos que devem ser valorizados como forma de aumentar e "melhorar" a participação cívica de todos nós. Isto depende do poder político mas também das populações. O esforço é conjunto bem como os benefícios.
O primeiro instrumento de participação cívica numa democracia é o voto, algo que infelizmente é cada vez mais desvalorizado. Cabe aos partidos políticos renovar a sua imagem e as suas atitudes para que possam alcançar a confiança de mais eleitores mas cabe também à sociedade civil procurar e "exigir" mais e melhor propaganda política, envolvendo-se na vida política de Portugal sem que para isso tenha de ser militante de partido algum ou ter o sentido de voto pré-definido. É urgente uma "renovação" partidária não no sentido de se continuarem a criar mais e mais partidos políticos mas sim alterar o paradigma em que baseiam a sua relação com as populações com vista a criar uma maior proximidade e cumplicidade.
Apesar da base da participação cívica se centrar no voto e na escolha democrática do nossos representantes é natural que este não seja o instrumento mais próximo das pessoas nem aquele que apele a uma maior união e coesão social da qual resultam benefícios para todos, independentemente da ideologia ou opinião sobre determinado tema. A participação cívica é feita também através do voluntariado. Existem ínumeras instituições em todos os concelhos do nosso país possibilitando-nos um trabalho gratificante numa área do nosso interesse e num raio de acção bastante semelhante à nossa realidade quotidiana. É extremamente gratificante e enriquecedor do ponto de vista pessoal e social dispensar um pouco do nosso tempo a auxiliar algo ou alguém que precisa do nosso apoio. Além do auxílio directo estamos também com esses actos a ganhar experiência sobre esse tema, algo que nos possibilita exercer os nossos direitos e deveres de uma forma muito mais consciente. Estas experiências podem por exemplo levar a exigências políticas que não existiriam se não estivessemos alertados para o problema e respectiva solução. Se cada um de nós der um pouco de si, será uma ajuda tremenda no presente e uma ajuda ainda maior para o desenvolvimento futuro de Portugal.
Outros instrumentos estão também a ser implantados de forma progressiva com vista a uma maior e melhor participação cívica. Porque são os nossos problemas e muitas vezes sabemos as soluções. Precisamos de mecanismos que nos permitam comunicar a detecção e resolução dos problemas que encontramos seja a nível local, nacional ou internacional. E acima de tudo precisamos de vontade e de sentido de responsabilidade. Devemos exigir um futuro melhor mas devemos também ajudar a construir esse futuro. Um exemplo de um mecanismo "recente" é a implantação e expansão dos orçamentos participativos. Estes orçamentos permitem que qualquer pessoa apresente projectos que considere serem úteis e benéficos, sendo realizada de seguida uma votação para encontrar o projecto "vencedor" e portanto a ser financiado. Considero o mecanismo em si como algo extraordinário. Dá-nos a possibilidade de moldar de uma forma bastante significativa a realidade à nossa volta e sem dúvida que incita à abertura de debates amplos e dos quais resultam excelentes ideias e iniciativas. Na minha opinião o sucesso destes orçamentos depende da vontade de quem tem a responsabilidade de gestão (por exemplo as câmaras municipais com o orçamento municipal) e da vontade dos seus participantes. Se existir uma abertura e um compromisso sério da parte do primeiro e uma vontade de participar e de agir de forma directa por parte do segundo, este mecanismo sem dúvida contribuirá para o desenvolvimento e coesão social, aproximando e reforçando as relações entre poder político e sociedade civil. O orçamento participativo, se for bem explorado, pode funcionar como o "pacto" que obriga ambas as partes a lutarem com o mesmo objectivo e a apoiarem-se mutuamente pois o sucesso de uma das partes está dependente do sucesso do todo.
Mais participação cívica traz benefícios económicos e sociais mas acima de tudo acorda-nos para algo que temos vindo a esquecer. Portugal é de todos e com o trabalho de todos beneficiaremos todos.
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Sindicatos
O sindicalismo é algo que teve as suas origens na revolução industrial que se começou a desenvolver no século XVIII. Grandes números de trabalhadores detinham as mesmas necessidades e enfrentavam as mesmas dificuldades e problemas laborais. Como tal, começaram a unir-se e a criar associações que os protegessem e auxiliassem bem como exercendo pressões para que os seus patrões compreendessem as suas dificuldades.
Na minha opinião os sindicatos foram um elemento fundamental na luta pelos direitos dos trabalhadores, muitos deles sendo hoje reconhecidos como direitos fundamentais. As pessoas perceberam que unindo-se teriam uma força muito maior para lutar pelos seus direitos e objectivos. É a ideia também implícita na noção de sociedade. A união entre as pessoas trabalhando para o bem comum vai levar a uma concretização dos seus interesses individuais e essa soma de interesses individuais é o bem comum. Os sindicatos representaram uma visão, ou até mesmo uma revolução, tornando-se num instrumento essencial para o "avanço" da sociedade em termos de direitos e humanismo. Penso que a sua acção positiva ultrapassou o âmbito das colectividades de operários e trabalhadores.
Nos dias de hoje os sindicatos mantêm uma grande influência na esfera pública, política e económica. São capazes de condicionar decisões governamentais e de provocar mudanças sociais. Apesar de considerar os sindicatos uma peça fundamental para prosseguirem a contínua luta pelos direitos dos trabalhadores e de todos nós fico extremamente desapontado com o carácter extremamente politizado dos mesmos bem como com as suas crescentes preocupações individuais como sindicato em detrimento da preocupação com a classe que defendem. Um sindicalista é e deve ser livre de ter as suas opções e opiniões políticas mas não pode deixar que as mesmas interfiram no seu dever enquanto sindicalista. Da mesma forma que apelamos às mais variadas classes profissionais que cumpram a sua função na íntegra independentemente do contentamento/descontentamento com determinada política ou reforma que os afecte, também os sindicatos deveriam estar "imunes" ao poder político. Um sindicato serve para unir as pessoas e para defender os interesses da classe que representa independentemente das opções políticas dos seus associados e dirigentes. Se um sindicato for dominado de forma directa ou indirecta por determinado movimento ou partido político então é impossível que a sua actuação não seja afectada. Deixa de ser "realista" na forma como defende os seus associados, deixando de compreender os verdadeiros problemas e dificuldades e ficando portanto ao lado da solução que deveria ser apresentada. Da mesma forma que um sindicato deve ser imune ao poder político também não se deve deixar afectar pelo poder económico. É óbvio que os sindicatos necessitam de financiamento e que necessitem de profissionais remunerados mas o dinheiro não se deve tornar na questão dominante. A concentração do sindicato não deve estar focada em aumentar as suas "receitas" nem em encontrar novas formas de financiamento mas sim na luta pelos direitos dos trabalhadores. Os sindicatos devem ter um papel imparcial para que possam participar verdadeiramente nas negociações com o governo e patronato. Se algum destes dois (poder político ou poder económico) manipular ou controlar o sindicato então a negociação passa a chamar-se pressão e essa pressão já não defende de forma "pura" os interesses dos trabalhadores.
Considero o sindicalismo em si como algo com grande história e que já produziu resultados bastantes positivos do ponto de vista social. São algo de positivo e algo necessário na actualidade para que continuem a desempenhar o seu papel. Contudo, os sindicatos só são positivos quando defendem os interesses a que estão "destinados" defender porque nem o poder político nem o poder económico necessitam de mais "defensores".
Na minha opinião os sindicatos foram um elemento fundamental na luta pelos direitos dos trabalhadores, muitos deles sendo hoje reconhecidos como direitos fundamentais. As pessoas perceberam que unindo-se teriam uma força muito maior para lutar pelos seus direitos e objectivos. É a ideia também implícita na noção de sociedade. A união entre as pessoas trabalhando para o bem comum vai levar a uma concretização dos seus interesses individuais e essa soma de interesses individuais é o bem comum. Os sindicatos representaram uma visão, ou até mesmo uma revolução, tornando-se num instrumento essencial para o "avanço" da sociedade em termos de direitos e humanismo. Penso que a sua acção positiva ultrapassou o âmbito das colectividades de operários e trabalhadores.
Nos dias de hoje os sindicatos mantêm uma grande influência na esfera pública, política e económica. São capazes de condicionar decisões governamentais e de provocar mudanças sociais. Apesar de considerar os sindicatos uma peça fundamental para prosseguirem a contínua luta pelos direitos dos trabalhadores e de todos nós fico extremamente desapontado com o carácter extremamente politizado dos mesmos bem como com as suas crescentes preocupações individuais como sindicato em detrimento da preocupação com a classe que defendem. Um sindicalista é e deve ser livre de ter as suas opções e opiniões políticas mas não pode deixar que as mesmas interfiram no seu dever enquanto sindicalista. Da mesma forma que apelamos às mais variadas classes profissionais que cumpram a sua função na íntegra independentemente do contentamento/descontentamento com determinada política ou reforma que os afecte, também os sindicatos deveriam estar "imunes" ao poder político. Um sindicato serve para unir as pessoas e para defender os interesses da classe que representa independentemente das opções políticas dos seus associados e dirigentes. Se um sindicato for dominado de forma directa ou indirecta por determinado movimento ou partido político então é impossível que a sua actuação não seja afectada. Deixa de ser "realista" na forma como defende os seus associados, deixando de compreender os verdadeiros problemas e dificuldades e ficando portanto ao lado da solução que deveria ser apresentada. Da mesma forma que um sindicato deve ser imune ao poder político também não se deve deixar afectar pelo poder económico. É óbvio que os sindicatos necessitam de financiamento e que necessitem de profissionais remunerados mas o dinheiro não se deve tornar na questão dominante. A concentração do sindicato não deve estar focada em aumentar as suas "receitas" nem em encontrar novas formas de financiamento mas sim na luta pelos direitos dos trabalhadores. Os sindicatos devem ter um papel imparcial para que possam participar verdadeiramente nas negociações com o governo e patronato. Se algum destes dois (poder político ou poder económico) manipular ou controlar o sindicato então a negociação passa a chamar-se pressão e essa pressão já não defende de forma "pura" os interesses dos trabalhadores.
Considero o sindicalismo em si como algo com grande história e que já produziu resultados bastantes positivos do ponto de vista social. São algo de positivo e algo necessário na actualidade para que continuem a desempenhar o seu papel. Contudo, os sindicatos só são positivos quando defendem os interesses a que estão "destinados" defender porque nem o poder político nem o poder económico necessitam de mais "defensores".
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