domingo, 3 de janeiro de 2010

África - A corrupção como um entrave ao desenvolvimento

O continente africano tem, infelizmente, séculos de histórias tristes para contar. Desde o tempo dos Descobrimentos e respectiva escravatura dos nativos africanos, à forma como eram tratados já depois da abolição da escravatura por parte dos países colonizadores até aos dias hoje, África tem um sem fim de problemas associados à exploração de todo um povo para benefício de uns quantos.

A realidade actual não é muito diferente e quando pensamos em corrupção e ditadores vem-nos logo à cabeça uma mão cheia de chefes de estado africanos. Desde Robert Mugabe no Zimbabwe, Qaddafi na Líbia, Museveni no Uganda até ao próprio José Eduardo dos Santos em Angola, entre tantos outros. O número de ditadores (de forma mais ou menos dissimulada) em África corresponderá quase ao número total de países. A pobreza e a miséria são o "prato do dia" num continente com riquezas enormes.

São estes ditadores inumanos aliados a um total alheamento real por parte dos estados ditos desenvolvidos que impedem o desenvolvimento do continente africano. Homens que governam países onde todos os dias morrem milhares de pessoas à fome enquanto os mesmos estão nas suas luxuosas moradias ou viajam nos seus jactos particulares. Chefes de estado que não têm vergonha das disparidades que existem no seu território. Que não têm o mínimo remorso em explorar os seus compatriotas. Que preferem comprar armas a comprar pão.

Enquanto estes chefes de estado governarem é impossível combater a pobreza de uma forma verdadeiramente eficaz. É impossível alcançar a paz. É impossível lutar pela igualdade de direitos, pelo acesso à educação, etc. Quando alguém que governa não se preocupa minimamente com os problemas dos governados como é que é possível resolver os mesmos? Enquanto esta for a realidade de África o verdadeiro desenvolvimento humano vai continuar a ser nulo ou muito ténue. Porque mesmo que um país cresça economicamente é preciso ver o que melhorou na vida das pessoas. Não é somente para o PIB que devemos olhar, especialmente nestes países. Mais importante que ver estatísticas sobre o crescimento económico dos países africanos é ver o que pode ser feito para os desenvolver verdadeiramente e não para continuarem numa longa e sem fim exploração, seja por parte de estrangeiros seja pelos seus "compatriotas".

Enquanto existir este tipo de corrupção (se é que a isto se pode chamar corrupção) em África não vão existir planos que sucedam verdadeiramente. Os países ricos podem continuar a mandar milhares de milhões todos os anos em ajuda humanitária que a vida real dos povos africanos pouco ou nada vai melhorar. Podemos todos continuar a doar a organizações não-governamentais que tentam aliviar alguns problemas mas nunca os vão conseguir resolver. Podemos fazer apelos, aplicar sanções económicas e muitas outras coisas mas África vai continuar a ser África tal como a conhecemos. Estima-se que nos últimos 50 anos África tenha recebido 2,3 biliões de dólares em ajudas e que no mínimo 60% desse dinheiro tenha sido desviado pelas elites corruptas. Podemos continuar a enviar "peixes" para África mas se nunca os ensinarmos a "pescar" tudo o que conseguimos é ir adiando o problema. E as elites corruptas de África não parecem querer que os seus povos aprendam a pescar.

Infelizmente é esta fonte "inesgotável" de riqueza do continente africano que nas mãos de uns quantos homens se tem transformado numa verdadeira fonte de pesadelos para cerca de mil milhões de pessoas.

A crescente influência chinesa em África

Num mundo com contornos cada vez mais diferentes daqueles a que estávamos habituados uma coisa é certa. A geopolítica mundial está e continuará a sofrer alterações cada vez mais profundas.

Um exemplo bem vivo desta tendência é o crescente investimento chinês em África. Uma das formas mais eficazes de expandir a influência real de um determinado Estado de uma forma globalizada não é através da conquista territorial como em séculos passados. É através do investimento económico que se consegue esse "poder". África é um continente extremamente rico e o seu papel nas decisões globais irá seguramente aumentar à medida que se desenvolve e que a cobiça pelos seus recursos aumenta devido à crescente escassez dos mesmos. Veja-se o caso recente da África do Sul que se encontra no restrito grupo de países com quem Obama negociou directamente e firmou o acordo de Copenhaga (EUA, China, Índia, Brasil e África do Sul). Veja-se o crescimento económico de Angola, entre tantos outros exemplos. É caso para dizer que África é um investimento rentável não só do ponto de vista económico mas também geopolítico.

A China está bem ciente desta realidade e aproveita um momento em que a recessão dos países desenvolvidos contrasta com o seu enorme crescimento económico para potenciar e maximizar a sua influência naquele continente e, consequentemente, a sua influência global. Em 2008 China e África protagonizaram trocas comerciais no valor de 74 mil milhões de euros algo que certamente será superado em 2009 e com uma forte tendência de crescimento no próximos anos. Os bancos chineses respondem à forte procura de crédito deste continente especialmente numa altura de crise em que os governos são fortemente afectados pela descida de matérias-primas como o petróleo. Em Angola já existem mais de 50 grupos chineses a operar e a força de trabalho chinesa neste país é superior a 50.000 trabalhadores. Multiplicam-se as linhas de crédito, a aquisição de capitais dos bancos nacionais e concursos de financiamento ganhos por bancos chineses a operar em África.

Apesar dos impactos que já estão a ser sentidos com esta táctica "impiedosa" por parte dos bancos chineses será no longo prazo que estas operações irão dar os seus "frutos". A China está a "comprar" África e com essa aquisição está também a comprar um papel cada vez mais destacado na sua influência global.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

YouGame ou GameTube?

Corre a notícia de que o YouTube irá brevemente lançar-se numa nova aventura. A da partilha de jogos online de forma tão simplificada quanto fez com os vídeos.

O Youtube foi considerado pela revista Time a maior invenção do ano em 2006. Tal deve-se ao facto de ter banalizado a partilha de vídeos por pessoas de todo o mundo. Esta é uma das muitas revoluções que se comparam ao fenómeno da própria Internet. Na minha opinião o Youtube tem um papel chave na sensibilização para os mais diversos temas e permite unir pessoas de todo o mundo, tudo à distância de um clique. Permitiu criar um movimento mundial em torno da eleição de Obama, permitiu que todo o mundo assistisse a massacres pressionando os governos a cooperarem, permitiu sensibilizar milhões de pessoas para causas como os direitos dos animais, as alterações climáticas, entre tantas outras. Permitiu difundir talentos como Susan Boyle e criar verdadeiras estrelas como aquela "avózinha" americana que ensinava como cozinhar nos tempos da Grande Depressão para que as pessoas pudessem poupar dinheiro neste tempo de crise. O Youtube permite rir e chorar, fomenta o convívio e a multiculturalidade bem como a troca de informação contribuindo para aumentar o capital humano de uma forma generalizada. Apesar dos aspectivos de negativos que também tem, penso que o saldo é extremamente positivo e que a humanidade como um todo saiu a ganhar. Qualquer indivíduo pode expandir as suas opiniões e trocar ideias de uma forma directa, simples e praticamente sem custos.

Caso a Google decida investir nesta nova área penso que terá o potencial de criar outra revolução. A ideia é que as pessoas possam fazer anotações aos seus vídeos (como fazem agora) mas em forma de jogos online interactivos. Esta aplicação permitirá a qualquer pessoa criar jogos online baseados nos seus vídeos ou em sequências dos mesmos. No fundo penso que esta inovação poderá potenciar e maximizar todos os benefícios que referi acima. Irá aumentar o grau de vivência e interacção, aumentando e enriquecendo a nossa experiência fruto da utilização do YouTube.

Depois do Broadcast Yourself o que se seguirá?

Plano de Saúde de Obama

Este vídeo disponibilizado pela Casa Branca resume muito bem o "sistema de saúde" que Obama propôs e tem lutado por fazer aprovar. E faz-nos ver que apesar de nos queixarmos de ínumeras situações no nosso país também a "terra das oportunidades" tem as suas grandes fraquezas.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz 2010 para todos

Umas excelentes entradas e um ano recheado de felicidade são os desejos do Pensamento Alinhado

O futuro das energias renováveis

Ainda com o desânimo de Copenhaga presente acho que é importante reflectir sobre a evolução e o futuro das energias renováveis. É do conhecimento geral que o actual modelo de desenvolvimento é insustentável. Não só pelos efeitos nocivos que os combustíveis fósseis representam para o meio ambiente e para a saúde pública mas também por factores como a instabilidade de preços, a segurança energética e o facto de serem recursos finitos. É preciso uma alteração na forma como produzimos e consumimos energia. Uma alteração que é capaz de gerar riqueza, criar milhares de empregos qualificados, aumentar as exportações e diminuir as importações, entre outros benefícios sociais e económicos. Esta alteração é conseguida através de um "mix" de energias renováveis. É para a evolução desse mix que vamos olhar.

A energia eólica terrestre (in-shore) está num estado muito avançado de maturação daí ser aquela que a nível mundial mais se tem expandido e aquela cujo investimento é maior. Portugal não é excepção. A eólica marítima (off-shore) também tem os seus equipamentos bem desenvolvidos contudo tem-se deparado com alguns problemas na fixação dos mesmos devido à irregularidade da plataforma marítima. Estes problemas de engenharia estão no bom caminho para serem resolvidos e penso que um modelo comercial a nível mundial estará disponível num futuro bastante próximo. Com uma saturação cada vez maior da capacidade terrestre as empresas que investem no vento sem dúvida irão centrar as suas atenções para o mar até porque esse ambiente permite a edificação de turbinas maiores que produzem mais energia.

A energia solar tem vindo a conhecer desenvolvidos significativos apesar de ainda não se ter dado um "boom" mundial como aconteceu com a energia eólica. Multiplicam-se os projectos de grandes centrais solares térmicas e fotovoltaicas mas a microgeração (que na minha opinião é a grande força do solar) avança a um ritmo relativamente tímido. Investigadores por todo o mundo estão a aumentar a eficiência dos paineis tornando a energia solar mais rentável a cada ano que passa. Contudo penso que é o fabrico de paineis com materiais mais acessíveis economicamente que permitirá a tal explosão que o solar necessita. Esses paineis de "nova geração" estão em fase de desenvolvimento e, na minha opinião, serão essenciais para os países concretizarem as suas ambições de redução de CO2.

A energia das ondas e dos oceanos são dois projectos ainda numa fase "inicial" do ponto de vista de exploração comercial generalizada mas apesar de poderem demorar algum tempo a atingir a escala necessária não deixam de ser extremamente prometedores. Existe um projecto na Florida que pretende aproveitar a força das correntes marítimas para gerar energia eléctrica suficiente para suprir 1/3 das necessidades daquele estado. Pelo elevado potencial que estas tecnologias comportam devem-se centrar investimentos na investigação das mesmas. Penso que serão duas fontes de energia fundamentais no médio e longo prazo.

Os biocombustíveis são, a par com a nuclear, a fonte de energia "limpa" mais contestada. Tal deriva maioritariamente do facto de esta fonte de energia utilizar os mesmos solos que poderiam ser utilizados para produzir alimentos ou para manter intactas as florestas virgens que esta indústria destroi devido à sua grande necessidade de "espaço". Este problema pode a vir a ser resolvido com os biocombustíveis de "segunda geração". Estes novos biocombustíveis são conseguidos a partir de desperdícios domésticos, indústriais ou agrícolas ou de plantas (como por exemplo algas) que requerem pouco solo e que não substituem o alimento humano. Uma alternativa que poderá vir a ser extremamente útil especialmente para meios de transporte como o aéreo onde não existem por enquanto outras soluções viáveis.

Em suma penso que nos últimos anos têm existido avanços significativos em praticamente todos os tipos de energias renováveis e que deveremos apostar continuamente no melhoramento da eficiência de cada uma delas. Não devemos esperar que determinados desenvolvimentos surjam para começar a agir mas sem dúvida que existem tecnologias com o potencial de tornar bem mais fácil e rápida a tarefa de chegar à produção energética a 100% a partir de fontes renováveis.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O mundo com Obama

Passou quase um ano desde que Barack Obama tomou posse como o primeiro presidente afro-americano dos EUA. A magia da sua eleição cobriu o mundo inteiro e encheu de esperanças todos os povos. Ele, Obama, não ia só resolver todos os problemas do seu país como os do mundo inteiro. Foi nessa esperança que assentou a sua candidatura e foi essa esperança que lhe deu uma vitória altamente improvável. Passado praticamente um ano será que o mundo mudou assim tanto como a sua eleição deixava antever?

Na minha opinião sim. O mundo não mudou tanto quanto eu gostaria e nem todas as mudanças ocorridas são positivas. Mas penso que a eleição de Obama trouxe um novo fôlego para os EUA e para o mundo tendo a sua administração desenvolvido esforços em praticamente todas as frentes de batalha em que se encontra (e não são poucas) produzindo já alguns resultados concretos.

No plano interno Obama fez algo absolutamente crucial e fê-lo em tempo recorde. Aprovar o seu plano de estímulos. Apesar dos cortes efectuados para que a peça legislativa fosse aprovada pelas duas Câmaras do Senado este plano de estímulos económicos é fundamental para que a maior economia do mundo saia da profunda recessão em que se encontra. Permite criar empregos, salvar empresas em risco, investir em novas infra-estruturas essenciais para o bem-estar da população e investir no futuro da América (por exemplo o denominado "Green New Deal"). As novas regras de regulamentação financeira são ferramentas importantes para prevenir uma nova crise desta magnitude. Outra grande vitória, especialmente se considerarmos o tipo de economia em que os EUA assentam bem como o seu pensamento dominante nesta temática. Os trabalhos realizados para o encerramento da base de Guantanamo, um dos estandartes da campanha de Obama. Uma vitória na política doméstica mas também um passo essencial para sarar a imagem dos EUA no mundo. De destacar também os esforços em matéria ambiental onde a administração de Obama se tem batido fortemente por fazer aprovar legislação doméstica em matéria de alterações climáticas. Por último, a mais recente vitória com a aprovação do "sistema de saúde" que se encontra agora a um fio de ser oficializado. Caso seja aprovado este diploma vai permitir a 30 milhões de americanos que não dispõem de seguro de saúde ter uma protecção.

No plano externo além da situação de Guantanamo referida anteriormente (onde me orgulho de Portugal ter feito parte da solução) o capital político de Obama está bem vincado na nova ordem internacional. A forma como tem conseguido gerir a sua relação de interdependência com a China (G2) gerando benefícios mútuos é notável. O avanço das relações diplomáticas com as potências emergentes como a Índia e o Brasil são também de extrema importância, especialmente no longo prazo onde estas nações terão um papel fundamental na construção do futuro global. Um exemplo deste poder negocial é a Cimeira de Copenhaga. Pessoalmente fiquei extremamente desiludido com o resultado final da cimeira mas tenho de reconhecer que se não fosse o envolvimento pessoal de Obama na recta final da mesma, o retrocesso teria sido bastante maior. E nem aquele pequeno acordo não vinculativo que une pela primeira vez os maiores poluidores com os futuros maiores poluidores teria sido possível.

O mundo não mudou tanto quanto eu gostaria. Obama não conseguiu aprovar os diplomas da forma que eu gostaria. Obama não conseguiu acordos globais como eu gostaria. Mas conseguiu caminhar na direcção certa. E conseguiu fazer algo pela América quando os projectos de lei têm de passar por 3 fases antes de ser aprovados. E conseguiu fazer algo pelo mundo quando a "moral" dos EUA está em níveis mínimos e quando o seu poderio económico e militar é cada vez mais reduzido no contexto mundial. Quando olho para trás vejo que o mundo já começou a mudar e talvez um dia tenha mudado tanto quanto eu gostaria.

Yes We Can!

Livros - 4


"O Regresso da Economia da Depressão e a Crise Actual" é um livro de Paul Krugman (galardoado com o prémio Nobel da Economia em 2008) que reeadita a obra escrita por este mesmo autor em 1999. A sua edição cabe à Editorial Presença.

Nesta excelente obra Krugman analisa crises económicas anteriores à actual que ocorreram na Ásia e na América Latina alertando para o perigo das economias Ocidentais puderem vir a sofrer as mesmas consequências. Com o resultado que todos nós conhecemos, Krugman acrescenta nesta reedição os seus comentários e opiniões relativos à crise financeira e económica global bem como aquilo que, segundo a sua opinião, deve ser feito no sentido de resgatarmos a economia mundial.

Esta "hecatombe" mundial chegou a ser comparada à Grande Depressão. Muitos bancos e empresas faliram, os Estados gastaram biliões de dólares a tentar reanimar as suas economias e no entanto o desemprego e os encerramentos continuaram galopantes, não mostrando sinais de abrandamento ou misericórdia perante as ínumeras tentativas de contenção. É provavelmente a maior crise económica a que qualquer de nós já assistiu e para nosso bem, esperemos que seja a maior das nossas vidas. Todos nós sentimos os efeitos devastadores da mesma e só agora nos começamos a aperceber dos verdadeiros estragos que foram feitos e os seus reais prejuízos. Como nos iremos levantar? E será que o vamos conseguir? Krugman dá-nos umas pistas.

Apesar de ser um livro escrito por um Nobel da Economia a sua leitura é extremamente simples e adequada a qualquer pessoa que se interesse por este fenómeno gigantesco que muito tem condicionado as nossas vidas e que continuará a fazê-lo por vários anos. Aprendi bastante com este livro pois permitiu-me sintetizar toda a informação sobre este tema e levar-me a reflectir. O que é afinal esta "crise" que se entranhou no nosso dia-a-dia e que veio para ficar?

De volta!

Após uma longa ausência, o Pensamento Alinhado renasce das cinzas e está de volta! Peço desculpa por ter partido sem deixar justificação. A vida dá muitas voltas e o tempo vai sendo cada vez menos. A vontade, essa, está sempre bem viva!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Defesa e Segurança - Análise Completa

Segue aqui a análise completa ao tema "Defesa e Segurança"

1) Forças Armadas
2) Investimentos
3) PSP/GNR
4) Investimentos II
5) Bombeiros

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Defesa e Segurança - Bombeiros

Devido à sua tradição, História e proximidade com a população os bombeiros sempre foram considerados como "heróis". O espírito de voluntariado associado e a multiplicidade de situações em que auxiliam as pessoas (com especial destaque para o Verão) reforçam essa imagem. Na minha opinião não é caso para menos. Eles são heróis e a sua boa vontade e prontidão essenciais para todos nós.

Contudo existem vários problemas que na minha opinião deveriam ser solucionados beneficiando os Corpos de Bombeiros e acima de tudo beneficiando a população na totalidade.

É preciso uma reorganização ao nível das corporações e das competências. De nada serve num determinado concelho termos 6 corporações de bombeiros se nenhuma delas tem condições de funcionamento no período nocturno. É preferível uma maior concentração dos recursos humanos e materiais para aumentar a eficácia e competência dos serviços prestados. Mais importante que a rapidez com que prestamos auxílio é a qualidade desse auxílio. Nesse sentido, e sem querer avançar com números ou percentagens, acho que seria extremamente benéfico encerrar vários corpos/corporações de bombeiros, concentrando os investimentos realizados. Além desta concentração de infra-estruturas penso que também as competências deveriam sofrer modificações. De uma forma simples penso que os bombeiros se deveriam concentrar no combate a incêndios e no desencarceramento e resgate de vítimas. É aí que se deve focar a formação administrada e os investimentos realizados. Por exemplo, penso que não faz sentido os bombeiros prestarem cuidados pré-hospitalares (ambulâncias de socorro). Muito menos num modelo de certa forma subsidiado pelo INEM. Deveria existir uma clara definição das competências de cada instituição, especializando-se cada uma na sua "área". Neste exemplo concreto penso que faria muito mais sentido expandir a rede nacional do INEM, colocando as suas ambulâncias e os seus funcionários a partilharem as instalações com os bombeiros (aproveitando a boa dispersão geográfica dos mesmos) fomentando a noção de complementaridade e não a noção existente de rivalidade. Diferentes competências, o mesmo objectivo. O de ajudar as pessoas.

No campo dos recursos humanos basta olharmos para a realidade actual para percebermos que algo tem ser alterado. A sociedade actual exige uma qualificação cada vez maior e essa "mentalidade" deveria ser transportada com maior firmeza para os nossos bombeiros. É necessário uma maior profissionalização dos bombeiros e uma maior e mais constante formação para todos eles, quer sejam voluntários quer sejam profissionais. A multiplicação do número de bombeiros profissionais iria criar postos de trabalho e assegurar uma maior qualidade no leque alargado de funções que os "soldados da paz" desempenham. Não quero com isto menosprezar o trabalho dos voluntários. Simplesmente acredito que alguém profissionalizado terá mais competências para desempenhar determinada função. Existe um défice de bombeiros profissionais e a sua correcção teria benefícios vastos.

São necessárias grandes alterações em todos os níveis. É preciso apostar na especialização, formação e profissionalização e ao mesmo tempo alterar as mentalidades e as relações com as outras forças que lutam pelo mesmo objectivo e zelam pelas mesmas pessoas. Também é preciso investir e modernizar meios, equipamentos e infra-estruturas. Mas esse investimento tem de ter uma contra-partida. Um "lucro". E neste caso o lucro seria melhor segurança a todos os níveis para toda a população.

sábado, 5 de setembro de 2009

Defesa e Segurança - Investimentos II

Após abordar a situação da PSP e da GNR e tecer considerações sobre como se poderia colocar estas duas forças policiais a proteger e servir melhor a população, enumero várias medidas que na minha opinião deveriam ser tomadas para mudar toda a dinâmica e envolvência destas forças, ou seja, medidas necessárias para atingir a tal mudança que defendo no post anterior.

1) Reconstrucção de todas as esquadras, postos e residências policiais, assegurando todas as condições.

2) Renovação da frota automóvel, do armamento e outros equipamentos (incluindo os equipamentos necessários para as esquadras com maior indice de criminalidade como os coletes à prova de bala).

3) Exigência de testes físicos, psicológicos e específicos (por exemplo tiro) com relativa regularidade (por exemplo de 3 em 3 anos).

4) Dotar as forças policiais de infra-estruturas e equipamentos necessários para a exigência referida (pavilhões desportivos a nível distrital, pequenos ginásios nas esquadras, carreiras de tiro, etc.).

5) Aumentar os vencimentos base dos postos mais baixos tanto na GNR como na PSP.

6) Contratar civis para determinadas tarefas (cozinhas, oficinas, secretarias, etc.) libertando mais policias para "a rua".

7) Interligar as forças policiais com as organizações e associações de integração social para que a nível local a polícia possa actuar como uma força preventiva e capaz de diminuir a criminalidade através da inserção social.

8) Disponibilizar um leque alargado de acções de formação e pequenos cursos sobre variados temas (relacionados com a temática da segurança) assegurando uma formação constante por parte dos quadros policiais.

Estas "medidas" são apenas uma pequena percentagem daquilo que teria de ser alterado nas forças policiais para que todos pudéssemos beneficiar dessas mudanças. Melhores condições de vida e de trabalho para os "agentes da lei" mas também uma maior exigência e eficácia da sua prestação. Uma polícia em constante evolução e uma polícia que lute contra a criminalidade em todas as suas vertentes e não apenas numa forma repressiva. É necessário oferecer codições adequadas e garantir que existe respeito pelas forças policiais mas também é necessário exigirmos o máximo delas. Só assim será possível estabelecer uma relação de simbiose onde a "moeda de troca" das polícias para o contínuo investimento na sua formação e aquisição de equipamentos é o sentimento de segurança e integração generalizado pela população. Uma polícia competente e capaz interessa aos seus profissionais mas acima de tudo interessa-nos a todos nós.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Mar | Energias Renováveis

Costuma-se dizer que Portugal é um país de escassos recursos. Quando abordamos os recursos energéticos tradicionais (petróleo e carvão) estamos perto do zero. A era da energia barata chegou e com ela a Revolução Industrial. O desenvolvimento do nosso país fez-se então à custa da importação destes dois recursos vitais para alimentar a "sede" do crescimento. Quanto mais nos desenvolvíamos mais petróleo e carvão importávamos causando um desequilíbrio na balança comercial.

Estaríamos nós condenados a este endividamento eterno para sustentar o desenvolvimento do país? Conseguiríamos nós estender esta factura infinitamente?

Com o surgimento em massa das energias renováveis e com a mudança do paradigma energético descobrimos provavelmente a maior riqueza de sempre de Portugal. Esta é a oportunidade de reduzirmos a factura, pagarmos a mesma e começar a lucrar no mercado global da energia. O nosso país dispõem de um mix energético bastante atractivo em quase todas as energias alternativas e que nos confere uma capacidade de produção bastante acima das nossas actuais necessidades, que por força da eficiência, se poderão manter estáveis. É este o nosso petróleo. Com a vantagem de não ser ambientalmente condenável e de não lhe podermos perspectivar um fim.

O mar, desígnio nacional com elevada tradição não foge a esta regra. Ao estudarmos a História de Portugal encontramos no mar um aliado, algo que impulsionou a nossa Nação. Encontramos o responsável pelos nossos momentos mais áureos. Existe uma proporcionalidade entre a "expansão" dos mares e oceanos e a expansão do nosso país. Tal como no passado, o mar revela-se no presente como um importante aliado para o futuro. Algo que poderá impulsionar uma vez mais Portugal. Em tempos idos a expansão dos mares era a expansão do conhecimento. Hoje a expansão dos mares é a expansão da energia. E uma vez mais devemos aproveitar esta oportunidade e trilhar caminhos por onde ninguém se atreveu a viajar. Temos que ser pioneiros outra vez e revelar ao mundo um outro mundo. Não continentes nem povos mas como produzir energia nesta imensidão azul que ocupa 70% da superfície terrestre.

Seja na energia das ondas, na energia das correntes marítimas ou na eólica offshore, Portugal tem a possibilidade, a coragem e o dever de aproveitar este novo recurso. Existem projectos-piloto nestas áreas e eles simbolizam as primeiras caravelas a partir de Lisboa rumo ao desconhecido. Com certeza iremos encontrar dificuldades. Tal como no passado, não será fácil manter a rota certa. Mas se tivermos a coragem para lutar até ao fim a recompensa será imensa.

Existe um novo tesouro no fundo do mar e nós portugueses temos todas as condições de o ir reclamar.


Introdução ao post aqui

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Defesa e Segurança - PSP/GNR

As forças policiais tem um âmbito alargado de missões e competências e o seu papel na sociedade é fundamental. Funcionam como reguladores das regras que nos são impostas para conseguirmos viver em harmonia com a sociedade actual. Tentam de certa forma, controlar esta "selva" em que vivemos. Escolhi abordar a Polícia de Segurança Pública e a Guarda Nacional Republicana por conhecer melhor a sua realidade e por serem aquelas que têm um contacto mais directo com a grande maioria de nós bem como a semelhança de competências entre estas duas forças, variando o seu raio de acção com situação geográfica. Não abordar forças como a PJ ou o SEF é apenas por achar que não se enquadram naquilo que quero falar e não por discriminação. Todas elas têm o seu papel e na minha opinião todas elas são úteis servindo um grande objectivo comum. O de proteger os outros.

Com o aumento das dificuldades sociais é "normal" aumentar a instabilidade e a criminalidade associada. Crescem movimentos extremistas, aumenta a discriminação e a intolerância. Com o surgimento de um crescimento económico é normal que a situação melhore na globalidade bem como programas de integração social que têm um importante papel na prevenção da criminalidade e que devem ser valorizados.

Contudo existe e existirá sempre uma fatia da criminalidade que não pode ser prevenida nem através do bem-estar económico nem através de programas que auxiliem a sua integração social. Pessoas que cometem crimes por prazer ou por quererem ganhar dinheiro de uma maneira mais fácil do que trabalhando, entre outras razões. É preciso puni-las e assegurar que os nossos direitos são respeitados. E é aí que entram estas duas forças policiais que actuam como o "primeiro elo" da justiça. Todos nós temos de ver os nossos direitos respeitados e levar uma vida sem medo de sair à rua. É essa a função principal da PSP e da GNR. Proteger os outros. Assegurar que estão seguros. Garantir que ninguém nos vai violar nenhum direito e que se o fizer será apanhado e punido.

Actualmente, por um variado conjunto de razões, não creio que as pessoas não tenham medo de sair à rua na sua maioria e a criminalidade atinge níveis preocupantes. Além daquela criminalidade cujo combate se faz através de integração social existem na minha opinião outras razões que levam a este contínuo aumento tanto dos crimes ligeiros como dos crimes graves.

A sensação de impunidade por parte dos criminosos, a falta de meios humanos e materiais das forças policiais e o crescente descontentamento dos membros destas forças são algumas delas. A falta de celeridade na nossa justiça é conhecida e é frequente vermos pessoas que são detidas por crimes bastante graves a serem libertadas no dia seguinte. Algumas são detidas vezes e vezes sem conta (às vezes mais que uma vez no mesmo dia) mas nunca ficando em prisão preventiva enquanto aguardam julgamento. Pessoas que são apanhadas em flagrante e que depois são condenadas a pena suspensa, pagamento de multas, etc. Outras ainda que nem condenadas são ou que estão a aguardar julgamento à largos anos. Se um criminoso sabe que não vai ser punido pelo seu crime então não tem nada a perder e esta tipo de situações e sentimentos apenas vai contribuir para que além de aumentar a criminalidade, o grau de violência da mesma se torne maior. É impossível combater o crime de forma eficaz se os criminosos dispuserem de equipamentos melhores que as forças policiais. Estão em desvantagem desde o primeiro momento se assim for seja em armamento, viaturas ou até mesmo formação. É preciso dotar as forças policiais dos equipamentos necessários para realizarem as suas tarefas com sucesso bem como assegurar que existe um número adequado de polícias, algo que creio não existir. Em número total os polícias podem não ser assim tão poucos mas se verificarmos quantos estão na rua para proteger as populações o seu número é bastante reduzido. Muitos estão em serviços de cafetaria e bar, oficinas, secretarias, motoristas, etc. Não que seja empregos degradantes ou de segunda categoria, antes pelo contrário. Simplesmente não é necessária a formação policial para desempenhar essas funções. Funções essas que seriam melhor desempenhadas por civis com formação específica. É preciso ter polícias em quantidade mas é mais importante ainda a qualidade. Para combater a criminalidade é necessário assegurar que os polícias estão preparados mentalmente e fisicamente (incluindo os equipamentos) para desempenhar as suas funções. E essa qualidade nunca poderá ser assegurada se o "grosso" da PSP e GNR estiver descontente. A sensação de impotência (veja-se os exemplos acima) por parte destas duas forças não abona nada em favor da segurança dos cidadãos. Se um polícia ganha um ordenado que não lhe permite viver condignamente, se tem condições de trabalho miseráveis (basta entra numa esquadra da PSP ou posto da GNR) e se sente que não consegue cumprir a sua missão então nunca será possível que esse polícia esteja 100% preocupado com aquilo que deveria estar. A segurança dos outros. No meu entender só melhorando os 3 itens do início deste parágrafo é que iremos conseguir combater verdadeiramente aquela criminalidade que não pode ser prevenida/combatida com medidas sociais. Só assim iremos conseguir punir os criminosos que o são por opção e que entendem perfeitamente as consequências dos seus actos.

Para melhorar a segurança dos cidadãos combatendo a sensação de impunidade, reforçando os recursos humanos e materiais das forças policiais bem como as suas condições de trabalho e de vida é necessário primeiro que tudo alterar a dinâmica que está patente na polícia. A PSP e a GNR não podem ser um instrumento político nem uma fonte de receita para o Estado. As forças policiais devem servir para impedir crimes ou deter os seus autores, não para reprimir a população. As multas não devem ser uma prioridade para as polícias.

Alterar esta dinâmica e garantir que a defesa das populações é o verdadeiro objectivo principal e a razão de ser das forças policiais é um ponto de partida obrigatório para melhorarmos o combate à criminalidade e garantir a segurança de todos nós.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Defesa e Segurança - Investimentos

Com base na mudança de recursos e acima de tudo de mentalidade que defendo nas Forças Armadas seguem os investimentos que considero serem necessários para que possam servir de facto a população portuguesa bem como todo o mundo, reforçando os compromissos internacionais de Portugal e expandindo-os.

1) Dotar o Exército dos equipamentos necessários para responder a situações de crise e catástrofe (hospitais de campanha, tendas de abrigo, equipamentos de busca e salvamento, bens essenciais, veículos de distribuição, equipamentos de telecomunicações, geradores e combustíveis, veículos médicos, equipamentos hospitalares, etc.).

2) Dotar a Marinha de novos equipamentos para o patrulhamento da zona costeira e para missões de busca e salvamento (navios-hospital, novos helicópteros de resgate, lanchas rápidas, submarinos não-tripulados, etc.).

3) Substituição da frota da Força Aérea por aeronaves com componentes de patrulhamento do território e missões humanitárias (aviões-radar, distribuição de bens, evacuações, aviões-hospital, transferências médicas, combate aos incêndios, meteorologia, etc.).

4) Criação de um vasto programa de formação dos recursos humanos dos 3 ramos das Forças Armadas. Este programa teria como objectivo adaptar os militares às novas tecnologias e missões provocadas pela alteração de investimentos bem como expandir a sua área de acção (por exemplo o acompanhamento psicológico em situações de catástrofe).

5) Reconstrução das bases militares tendo em vista um melhor aproveitamento das mesmas diminuindo o seu número total.

6) Unificação dos hospitais militares (1 unidade serviria os 3 ramos e não 3 unidades diferentes) bem como a realização de planos que possibilitassem a utilização por parte dos civis destas unidades de saúde (quer seja em situação de catástrofe ou simplesmente porque determinado tratamento tem uma lista de espera menor que o hospital público).

7) Reconstrução dos aeroportos e aeródromos militares potenciando a sua utilização conjunta com a aviação civil, fomentando o desenvolvimento regional e descentralizando a actividade aeroportuária.

8) Aumento da investigação militar em parceria com Universidades e Institutos Civis. Esta investigação estaria relacionada com a nova "mentalidade" das Forças Armadas (por exemplo como melhorar a eficácia das aeronaves no combate aos incêndios).

Estas "medidas" e investimentos pretendem colocar em prática a mudança que defendo na política de defesa no nosso país. Mudança essa que considero ser vantajosa para a população portuguesa já que as Forças Armadas entrariam muito mais vezes no quotidiano das pessoas para acorrer em seu auxílio, para o país pois estaria assim a solidificar os seus pilares de defesa e para as próprias Forças Armadas que poderiam assim "exigir" elevados investimentos necessários à sua renovação.

domingo, 23 de agosto de 2009

Atentados à Cultura - Grifo

Tenho todo o prazer em publicar este texto que o Grifo escreveu para o efeito. O Pensamento Alinhado é um blog de todos e onde todos podem colaborar. Uma vez mais obrigado!

Atentados à Cultura, por Grifo

"Vândalos, eram povo de bárbaros germânicos que invadiu o Império Romano no século V, contribuindo para a sua queda. Lutaram contra a ordem estabelecida e á soberania do Império Romano.
Vândalo, aquele que sente prazer na destruição de bens alheios… Uma definição bastante mais simples e cruel. Mas com certeza não eram os vândalos do século V que sentiam prazer na destruição de bens alheios. Este é um novo tipo de bárbaros que invadem a nossa sociedade nos tempos actuais e ao contrário dos vândalos do sec. V, não vêem do exterior da nossa civilização, mas sim do interior…
Todos nós já devemos ter visto um acto de vandalismo, como rabiscos nas bermas das nossas estradas, nos edifícios e espaços públicos das nossas cidades, bancos de jardins, estátuas e ajardinados partidos ou estragados. Com certeza já pensaram: Qual objectivo por detrás disto tudo? Ao contrário da definição não considero a resposta tão simples, mas vou passar a dar a minha opinião sobre as causas e os causadores.
Muitas vezes considero uma forma de rebelião contra a sociedade actual, visto que vivemos e sempre vivemos numa sociedade de exclusão, em que tudo se baseia na exclusão do elo mais fraco, em suma, vivemos numa selva… e estas pessoas, não passam de alguns selvagens. Acredito que muitos desses selvagens, façam parte do grupo excluído (ou grupo dos elos mais fracos), que protegidos pela escuridão da noite se manifestam contra a cultura selvática em que vivem, destruindo o pouco de bom que ela tem. Num acto muitas vezes impensado e cobarde destroem das coisas melhores que a nossa sociedade tem para oferecer, a cultura artística e o lazer. Já rebaixados pela sociedade opressora e exclusiva, rebaixam-se de dia, lutando cobardemente de noite, manifestando-se selvaticamente contra a selva.
Existe também outro tipo de vândalos, esses são normalmente egocêntricos, sem pensar no bem comum procuram uma sensação de ter o poder nas mãos, satisfazendo o seu enorme ego com a destruição da sua própria cultura…
Acredito ser possível combater o vandalismo. O praticado por pessoas excluídas desta enorme selva é somente eliminado com a criação de uma sociedade inclusiva e justa, que resolva os seus problemas pela raiz e não se contente com meias medidas.
Os egocêntricos, esses devem ser acompanhados por profissionais…"

Blogues Viciantes


O interessante blog Sustentabilidade É Acção teve a gentileza de oferecer este selo "Seu Blog É Viciante" que com muita honra aceito e que muito agradeço. Para cumprir com as regras do jogo terei de dizer três coisas que pretendo fazer no futuro: Estimular o debate em todas as áreas; Envolver-me mais activamente em actividades de voluntariado e activismo; Lutar por um mundo livre, solidário e respeitador. Segue agora a lista de blogs a quem atribuo este selo (máximo 10):

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Férias

Quero apenas informar que não tenho escrito por estar de férias. Apesar de ter acesso à internet a falta de tempo não me tem permitido escrever posts. Sexta-feira estarei de volta com mais temas onde espero contar com a colaboração de todos!

domingo, 16 de agosto de 2009

Cuidados Continuados e Paliativos

O Paulo Lobato desafiou-me a realizar um post acerca dos cuidados continuados e paliativos. Estou aqui para cumprir com o prometido. Em primeiro lugar, um país que se considere justo do ponto de vista social e que englobe os cuidados de saúde com uma visão ampla tem que considerar a totalidade dos seus cidadãos. Incluindo os doentes crónicos e terminais.

Agrada-me verificar que têm existido progressos neste domínio já que é uma área muitas vezes esquecida. Todas as pessoas merecem uma vida digna que respeite os seus direitos fundamentais e considero ser um dever do estado zelar por esses direitos. Os cuidados continuados têm um papel extremamente importante na coesão da sociedade e no respeito pelo indivíduo. Devemos procurar alargar a Rede Nacional de Cuidados Continuados e melhorar a mesma para que todos possam ter um acesso cada vez mais prático e com uma qualidade cada vez mais elevada.

Estes cuidados continuados devem compreender a totalidade das necessidades proporcionando uma assistência que vise a recuperação física e psicológica dos doentes e também das famílias. É preciso apostar na assistência doméstica sempre que possível para proporcionar um melhor conforto ao doente e à sua família bem como apostar no acompanhamento psicológico. Estes cuidados devem também ter em atenção as mudanças sociais que decorrem de uma situação destas e apoiar a resolução das mesmas (por exemplo algum familiar ter que se despedir para tratar do doente). O apoio durante os tratamentos é bastante importante mas o auxilio na integração social após os mesmos contem uma importância igual ou talvez ainda maior.

O mesmo deverá acontecer nos cuidados paliativos. Os doentes crónicos ou terminais não devem ser abandonados e, na minha opinião, temos o dever de lhes proporcionar a melhor qualidade de vida possível. Todos nós temos um papel a desempenhar na sociedade e uma pessoa por ter uma doença em fase terminal não significa que o seu papel se tenha extinguido automaticamente. Tal como nos cuidados continuados penso que a aposta em cuidados domiciliários e em apoios psicológicos tanto ao doente como à sua família é algo de extrema importância.

Estas pessoas tem sonhos, ambições e objectivos. Terão maiores dificuldades em concretizá-los dai necessitarem e merecerem o nosso apoio mas isso não significa que não possam contribuir para um país e um mundo melhor. Pelo potencial que essas pessoas encerram, pela construção de uma sociedade mais justa, por uma melhor compreensão da palavra saúde não devemos deixar de lutar pelos direitos de quem mais precisa. Todos nós sem excepção merecemos uma vida digna e com qualidade.

Apesar da recente evolução é preciso continuar este trabalho e esta missão na luta por um país melhor. É preciso apoiar a totalidade dos doentes, a totalidade das famílias e compreender as suas reais necessidades. O apoio na tratamento da doença ou na minimização dos seus impactos é essencial mas a integração social será talvez das melhores ajudas que podemos prestar. O apoio físico é essencial mas a mente comanda o corpo e o apoio psicológico pode ter uma influência enorme. O investimento nestas pessoas é essencial e a construção de uma sociedade mais justa é para mim um "lucro" suficiente para justificar esse mesmo investimento.

sábado, 15 de agosto de 2009

Defesa e Segurança - Forças Armadas

A defesa e segurança de uma Nação é algo fundamental para a sua sobrevivência. As Forças Armadas desempenham um papel muito importante no nosso país a vários níveis (criação de emprego, educação e formação, defesa, relações internacionais, etc.). Contudo penso que actualmente o potencial do nosso Exército, Marinha e Força Aérea está algo subaproveitado e o seu âmbito de acção desactualizado face a uma nova realidade.

No meu entender, um avultado investimento nas Forças Armadas apenas faz sentido se alterarmos toda a sua dinâmica, modificando a sua organização, missões e campos de acção. Nesse sentido compreenderia melhor a sua importância para a população e o seu contributo para o desenvolvimento do país.

Portugal é um país pequeno e com recursos limitados. O mundo mudou bastante nos últimos anos. As nossas Forças Armadas não. E é isso que considero estar errado. Não temos recursos financeiros e humanos para sustentar um exército capaz de nos defender de uma guerra no seu sentido clássico e as perspectivas de uma guerra com tal significado ocorrer são ínfimas. Dispomos de aliados com um potencial bélico bastante elevado (NATO) e Portugal mantém relações internacionais bastante positivas com uma grande parte do globo fazendo parte de diversas organizações como a UE, ONU, CPLP, PALOP, etc. O meu raciocínio leva-me a acreditar que não teremos grandes vantagens reais em manter umas Forças Armadas com uma componente essencialmente belicista, devendo alterar a sua estrutura e organização para expandir missões de carácter humanitário e social que se realizam hoje em dia (como por exemplo o resgate de náufragos) bem como aumentar o leque dessa área.

O nosso Exército, a nossa Marinha e a nossa Força Aérea deveriam estar mais "concentradas" nas missões que são mais úteis para o país e para a população que servem e essas missões são as de carácter humanitário e social. É preciso uma alteração na mentalidade, na formação dos novos militares e no tipo de investimento realizado pelo ministério da Defesa. É importante investir na defesa porque é uma área essencial para o país. Mas esse investimento deve estar adaptado a uma nova realidade e procurar servir melhor a população portuguesa bem como honrar compromissos internacionais.

O Exército deveria dispor da formação e material necessário para responder em situações de catástrofe (desastre natural, atentando terrorista, etc.). A Marinha deveria dispor de mais recursos para auxiliar as embarcações em águas nacionais bem como de recursos para efectuar um patrulhamento mais rigoroso da nossa costa (focando e aumentando a sua importância por exemplo no combate à imigração ilegal, tráfico de drogas e de outros produtos). A Força Aérea deveria dispor de mais recursos para patrulhar o território nacional focando-se em actividades como o combate aos incêndios, estudos ambientais, monitorização da costa, entre outras. Estes são apenas alguns dos exemplos que ilustram uma transição de umas Forças Armadas belicistas para umas Forças Armadas "humanitárias".

A nível internacional também esta transição seria na minha opinião benéfica. Compromissos internacionais focados no apoio às populações desenvolvendo actividades como construção de infra-estruturas básicas, transporte de mantimentos, manutenção da paz, educação e formação, etc. seriam sem dúvida bastante interessantes e potenciadores de futuras relações com os países e comunidades que Portugal ajudasse a desenvolver.

A Defesa, como qualquer outra área, deve existir para defender os interesses da população portuguesa servindo o país e auxiliando o seu desenvolvimento. É necessário investir nas Forças Armadas para que as mesmas possam evoluir e estar preparadas para o século XXI. Mas não é apenas a tecnologia que precisa de evoluir. A "mentalidade" das Forças Armadas como um todo necessita de evoluir. Só assim será possível potenciar todas as suas vantagens e fazer com que a população compreenda a sua importância e os seus benefícios na sua totalidade. Só assim será possível servir melhor Portugal e o mundo.