O transporte ferroviário é sem dúvida aquele cuja pegada de carbono é menor devendo ser olhado como um excelente meio de transporte a desenvolver no futuro. Seja no transporte de passageiros ou de mercadorias, seja nas linhas urbanas, sub-urbanas ou de longo curso, o comboio apresenta-se cada vez mais como uma solução eficaz para ligar não só os vários pontos da cidade mas também as cidades umas às outras.
Se olharmos para os diferentes tipos de transporte ferroviário como o eléctrico, o metro, o comboio "em si" ou o TGV verificamos que a sua versatilidade é enorme pois é capaz de se adaptar a um vasto leque de necessidades e aplicações. Além de ser o meio de transporte com maior eficiência energética por passageiro, bem como o facto de a electricidade consumida poder ser produzida a 100% por fontes renováveis o comboio poderá apresentar no futuro outra "vantagem" ecológica.
Um consórcio entre empresas, institutos e o próprio Estado está a criar bancos ferroviários sustentáveis. O objectivo da investigação é minimizar o impacto ambiental da montagem de comboios, alterando alguns dos componentes incluídos nos bancos bem como servir de base de know-how para projectos futuros. Um destes componentes é a cortiça (a Corticeira Amorim faz parte do consórcio), algo que para mim ilustra o facto de podermos somar múltiplos benefícios com a protecção ambiental. A cortiça é um produto ecologicamente sustentável pois além de ser natural, favorece a plantação de árvores autóctones e funciona como um "sumidouro" de carbono. É fascinante como se descobrem cada vez mais aplicações para um produto tão simples e antigo (a cortiça é actualmente utilizada na fuselagem dos foguetões por exemplo) e Portugal tem muito a beneficiar com a expansão da mesma. Além dos benefícios ambientais, Portugal como o maior exportador mundial de cortiça colheria grandes benefícios económicos e sociais. A indústria da cortiça move vários milhões por ano e assegura uma quantidade extremamente razoável de postos de trabalho, estando também fortemente ligada ao sector da investigação e tecnologia, outra área essencial para o futuro do nosso país e onde se tem visto um aumento extraordinário do investimento tanto público como privado.
Este é apenas um exemplo de que com um pouco de imaginação e vontade somos capazes de criar soluções ambientalmente responsáveis enquanto estimulamos o futuro da nossa economia e geramos novos empregos e oportunidades.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
domingo, 3 de janeiro de 2010
África - A corrupção como um entrave ao desenvolvimento
O continente africano tem, infelizmente, séculos de histórias tristes para contar. Desde o tempo dos Descobrimentos e respectiva escravatura dos nativos africanos, à forma como eram tratados já depois da abolição da escravatura por parte dos países colonizadores até aos dias hoje, África tem um sem fim de problemas associados à exploração de todo um povo para benefício de uns quantos.
A realidade actual não é muito diferente e quando pensamos em corrupção e ditadores vem-nos logo à cabeça uma mão cheia de chefes de estado africanos. Desde Robert Mugabe no Zimbabwe, Qaddafi na Líbia, Museveni no Uganda até ao próprio José Eduardo dos Santos em Angola, entre tantos outros. O número de ditadores (de forma mais ou menos dissimulada) em África corresponderá quase ao número total de países. A pobreza e a miséria são o "prato do dia" num continente com riquezas enormes.
São estes ditadores inumanos aliados a um total alheamento real por parte dos estados ditos desenvolvidos que impedem o desenvolvimento do continente africano. Homens que governam países onde todos os dias morrem milhares de pessoas à fome enquanto os mesmos estão nas suas luxuosas moradias ou viajam nos seus jactos particulares. Chefes de estado que não têm vergonha das disparidades que existem no seu território. Que não têm o mínimo remorso em explorar os seus compatriotas. Que preferem comprar armas a comprar pão.
Enquanto estes chefes de estado governarem é impossível combater a pobreza de uma forma verdadeiramente eficaz. É impossível alcançar a paz. É impossível lutar pela igualdade de direitos, pelo acesso à educação, etc. Quando alguém que governa não se preocupa minimamente com os problemas dos governados como é que é possível resolver os mesmos? Enquanto esta for a realidade de África o verdadeiro desenvolvimento humano vai continuar a ser nulo ou muito ténue. Porque mesmo que um país cresça economicamente é preciso ver o que melhorou na vida das pessoas. Não é somente para o PIB que devemos olhar, especialmente nestes países. Mais importante que ver estatísticas sobre o crescimento económico dos países africanos é ver o que pode ser feito para os desenvolver verdadeiramente e não para continuarem numa longa e sem fim exploração, seja por parte de estrangeiros seja pelos seus "compatriotas".
Enquanto existir este tipo de corrupção (se é que a isto se pode chamar corrupção) em África não vão existir planos que sucedam verdadeiramente. Os países ricos podem continuar a mandar milhares de milhões todos os anos em ajuda humanitária que a vida real dos povos africanos pouco ou nada vai melhorar. Podemos todos continuar a doar a organizações não-governamentais que tentam aliviar alguns problemas mas nunca os vão conseguir resolver. Podemos fazer apelos, aplicar sanções económicas e muitas outras coisas mas África vai continuar a ser África tal como a conhecemos. Estima-se que nos últimos 50 anos África tenha recebido 2,3 biliões de dólares em ajudas e que no mínimo 60% desse dinheiro tenha sido desviado pelas elites corruptas. Podemos continuar a enviar "peixes" para África mas se nunca os ensinarmos a "pescar" tudo o que conseguimos é ir adiando o problema. E as elites corruptas de África não parecem querer que os seus povos aprendam a pescar.
Infelizmente é esta fonte "inesgotável" de riqueza do continente africano que nas mãos de uns quantos homens se tem transformado numa verdadeira fonte de pesadelos para cerca de mil milhões de pessoas.
A realidade actual não é muito diferente e quando pensamos em corrupção e ditadores vem-nos logo à cabeça uma mão cheia de chefes de estado africanos. Desde Robert Mugabe no Zimbabwe, Qaddafi na Líbia, Museveni no Uganda até ao próprio José Eduardo dos Santos em Angola, entre tantos outros. O número de ditadores (de forma mais ou menos dissimulada) em África corresponderá quase ao número total de países. A pobreza e a miséria são o "prato do dia" num continente com riquezas enormes.
São estes ditadores inumanos aliados a um total alheamento real por parte dos estados ditos desenvolvidos que impedem o desenvolvimento do continente africano. Homens que governam países onde todos os dias morrem milhares de pessoas à fome enquanto os mesmos estão nas suas luxuosas moradias ou viajam nos seus jactos particulares. Chefes de estado que não têm vergonha das disparidades que existem no seu território. Que não têm o mínimo remorso em explorar os seus compatriotas. Que preferem comprar armas a comprar pão.
Enquanto estes chefes de estado governarem é impossível combater a pobreza de uma forma verdadeiramente eficaz. É impossível alcançar a paz. É impossível lutar pela igualdade de direitos, pelo acesso à educação, etc. Quando alguém que governa não se preocupa minimamente com os problemas dos governados como é que é possível resolver os mesmos? Enquanto esta for a realidade de África o verdadeiro desenvolvimento humano vai continuar a ser nulo ou muito ténue. Porque mesmo que um país cresça economicamente é preciso ver o que melhorou na vida das pessoas. Não é somente para o PIB que devemos olhar, especialmente nestes países. Mais importante que ver estatísticas sobre o crescimento económico dos países africanos é ver o que pode ser feito para os desenvolver verdadeiramente e não para continuarem numa longa e sem fim exploração, seja por parte de estrangeiros seja pelos seus "compatriotas".
Enquanto existir este tipo de corrupção (se é que a isto se pode chamar corrupção) em África não vão existir planos que sucedam verdadeiramente. Os países ricos podem continuar a mandar milhares de milhões todos os anos em ajuda humanitária que a vida real dos povos africanos pouco ou nada vai melhorar. Podemos todos continuar a doar a organizações não-governamentais que tentam aliviar alguns problemas mas nunca os vão conseguir resolver. Podemos fazer apelos, aplicar sanções económicas e muitas outras coisas mas África vai continuar a ser África tal como a conhecemos. Estima-se que nos últimos 50 anos África tenha recebido 2,3 biliões de dólares em ajudas e que no mínimo 60% desse dinheiro tenha sido desviado pelas elites corruptas. Podemos continuar a enviar "peixes" para África mas se nunca os ensinarmos a "pescar" tudo o que conseguimos é ir adiando o problema. E as elites corruptas de África não parecem querer que os seus povos aprendam a pescar.
Infelizmente é esta fonte "inesgotável" de riqueza do continente africano que nas mãos de uns quantos homens se tem transformado numa verdadeira fonte de pesadelos para cerca de mil milhões de pessoas.
A crescente influência chinesa em África
Num mundo com contornos cada vez mais diferentes daqueles a que estávamos habituados uma coisa é certa. A geopolítica mundial está e continuará a sofrer alterações cada vez mais profundas.
Um exemplo bem vivo desta tendência é o crescente investimento chinês em África. Uma das formas mais eficazes de expandir a influência real de um determinado Estado de uma forma globalizada não é através da conquista territorial como em séculos passados. É através do investimento económico que se consegue esse "poder". África é um continente extremamente rico e o seu papel nas decisões globais irá seguramente aumentar à medida que se desenvolve e que a cobiça pelos seus recursos aumenta devido à crescente escassez dos mesmos. Veja-se o caso recente da África do Sul que se encontra no restrito grupo de países com quem Obama negociou directamente e firmou o acordo de Copenhaga (EUA, China, Índia, Brasil e África do Sul). Veja-se o crescimento económico de Angola, entre tantos outros exemplos. É caso para dizer que África é um investimento rentável não só do ponto de vista económico mas também geopolítico.
A China está bem ciente desta realidade e aproveita um momento em que a recessão dos países desenvolvidos contrasta com o seu enorme crescimento económico para potenciar e maximizar a sua influência naquele continente e, consequentemente, a sua influência global. Em 2008 China e África protagonizaram trocas comerciais no valor de 74 mil milhões de euros algo que certamente será superado em 2009 e com uma forte tendência de crescimento no próximos anos. Os bancos chineses respondem à forte procura de crédito deste continente especialmente numa altura de crise em que os governos são fortemente afectados pela descida de matérias-primas como o petróleo. Em Angola já existem mais de 50 grupos chineses a operar e a força de trabalho chinesa neste país é superior a 50.000 trabalhadores. Multiplicam-se as linhas de crédito, a aquisição de capitais dos bancos nacionais e concursos de financiamento ganhos por bancos chineses a operar em África.
Apesar dos impactos que já estão a ser sentidos com esta táctica "impiedosa" por parte dos bancos chineses será no longo prazo que estas operações irão dar os seus "frutos". A China está a "comprar" África e com essa aquisição está também a comprar um papel cada vez mais destacado na sua influência global.
Um exemplo bem vivo desta tendência é o crescente investimento chinês em África. Uma das formas mais eficazes de expandir a influência real de um determinado Estado de uma forma globalizada não é através da conquista territorial como em séculos passados. É através do investimento económico que se consegue esse "poder". África é um continente extremamente rico e o seu papel nas decisões globais irá seguramente aumentar à medida que se desenvolve e que a cobiça pelos seus recursos aumenta devido à crescente escassez dos mesmos. Veja-se o caso recente da África do Sul que se encontra no restrito grupo de países com quem Obama negociou directamente e firmou o acordo de Copenhaga (EUA, China, Índia, Brasil e África do Sul). Veja-se o crescimento económico de Angola, entre tantos outros exemplos. É caso para dizer que África é um investimento rentável não só do ponto de vista económico mas também geopolítico.
A China está bem ciente desta realidade e aproveita um momento em que a recessão dos países desenvolvidos contrasta com o seu enorme crescimento económico para potenciar e maximizar a sua influência naquele continente e, consequentemente, a sua influência global. Em 2008 China e África protagonizaram trocas comerciais no valor de 74 mil milhões de euros algo que certamente será superado em 2009 e com uma forte tendência de crescimento no próximos anos. Os bancos chineses respondem à forte procura de crédito deste continente especialmente numa altura de crise em que os governos são fortemente afectados pela descida de matérias-primas como o petróleo. Em Angola já existem mais de 50 grupos chineses a operar e a força de trabalho chinesa neste país é superior a 50.000 trabalhadores. Multiplicam-se as linhas de crédito, a aquisição de capitais dos bancos nacionais e concursos de financiamento ganhos por bancos chineses a operar em África.
Apesar dos impactos que já estão a ser sentidos com esta táctica "impiedosa" por parte dos bancos chineses será no longo prazo que estas operações irão dar os seus "frutos". A China está a "comprar" África e com essa aquisição está também a comprar um papel cada vez mais destacado na sua influência global.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
YouGame ou GameTube?
Corre a notícia de que o YouTube irá brevemente lançar-se numa nova aventura. A da partilha de jogos online de forma tão simplificada quanto fez com os vídeos.
O Youtube foi considerado pela revista Time a maior invenção do ano em 2006. Tal deve-se ao facto de ter banalizado a partilha de vídeos por pessoas de todo o mundo. Esta é uma das muitas revoluções que se comparam ao fenómeno da própria Internet. Na minha opinião o Youtube tem um papel chave na sensibilização para os mais diversos temas e permite unir pessoas de todo o mundo, tudo à distância de um clique. Permitiu criar um movimento mundial em torno da eleição de Obama, permitiu que todo o mundo assistisse a massacres pressionando os governos a cooperarem, permitiu sensibilizar milhões de pessoas para causas como os direitos dos animais, as alterações climáticas, entre tantas outras. Permitiu difundir talentos como Susan Boyle e criar verdadeiras estrelas como aquela "avózinha" americana que ensinava como cozinhar nos tempos da Grande Depressão para que as pessoas pudessem poupar dinheiro neste tempo de crise. O Youtube permite rir e chorar, fomenta o convívio e a multiculturalidade bem como a troca de informação contribuindo para aumentar o capital humano de uma forma generalizada. Apesar dos aspectivos de negativos que também tem, penso que o saldo é extremamente positivo e que a humanidade como um todo saiu a ganhar. Qualquer indivíduo pode expandir as suas opiniões e trocar ideias de uma forma directa, simples e praticamente sem custos.
Caso a Google decida investir nesta nova área penso que terá o potencial de criar outra revolução. A ideia é que as pessoas possam fazer anotações aos seus vídeos (como fazem agora) mas em forma de jogos online interactivos. Esta aplicação permitirá a qualquer pessoa criar jogos online baseados nos seus vídeos ou em sequências dos mesmos. No fundo penso que esta inovação poderá potenciar e maximizar todos os benefícios que referi acima. Irá aumentar o grau de vivência e interacção, aumentando e enriquecendo a nossa experiência fruto da utilização do YouTube.
Depois do Broadcast Yourself o que se seguirá?
O Youtube foi considerado pela revista Time a maior invenção do ano em 2006. Tal deve-se ao facto de ter banalizado a partilha de vídeos por pessoas de todo o mundo. Esta é uma das muitas revoluções que se comparam ao fenómeno da própria Internet. Na minha opinião o Youtube tem um papel chave na sensibilização para os mais diversos temas e permite unir pessoas de todo o mundo, tudo à distância de um clique. Permitiu criar um movimento mundial em torno da eleição de Obama, permitiu que todo o mundo assistisse a massacres pressionando os governos a cooperarem, permitiu sensibilizar milhões de pessoas para causas como os direitos dos animais, as alterações climáticas, entre tantas outras. Permitiu difundir talentos como Susan Boyle e criar verdadeiras estrelas como aquela "avózinha" americana que ensinava como cozinhar nos tempos da Grande Depressão para que as pessoas pudessem poupar dinheiro neste tempo de crise. O Youtube permite rir e chorar, fomenta o convívio e a multiculturalidade bem como a troca de informação contribuindo para aumentar o capital humano de uma forma generalizada. Apesar dos aspectivos de negativos que também tem, penso que o saldo é extremamente positivo e que a humanidade como um todo saiu a ganhar. Qualquer indivíduo pode expandir as suas opiniões e trocar ideias de uma forma directa, simples e praticamente sem custos.
Caso a Google decida investir nesta nova área penso que terá o potencial de criar outra revolução. A ideia é que as pessoas possam fazer anotações aos seus vídeos (como fazem agora) mas em forma de jogos online interactivos. Esta aplicação permitirá a qualquer pessoa criar jogos online baseados nos seus vídeos ou em sequências dos mesmos. No fundo penso que esta inovação poderá potenciar e maximizar todos os benefícios que referi acima. Irá aumentar o grau de vivência e interacção, aumentando e enriquecendo a nossa experiência fruto da utilização do YouTube.
Depois do Broadcast Yourself o que se seguirá?
Plano de Saúde de Obama
Este vídeo disponibilizado pela Casa Branca resume muito bem o "sistema de saúde" que Obama propôs e tem lutado por fazer aprovar. E faz-nos ver que apesar de nos queixarmos de ínumeras situações no nosso país também a "terra das oportunidades" tem as suas grandes fraquezas.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
O futuro das energias renováveis
Ainda com o desânimo de Copenhaga presente acho que é importante reflectir sobre a evolução e o futuro das energias renováveis. É do conhecimento geral que o actual modelo de desenvolvimento é insustentável. Não só pelos efeitos nocivos que os combustíveis fósseis representam para o meio ambiente e para a saúde pública mas também por factores como a instabilidade de preços, a segurança energética e o facto de serem recursos finitos. É preciso uma alteração na forma como produzimos e consumimos energia. Uma alteração que é capaz de gerar riqueza, criar milhares de empregos qualificados, aumentar as exportações e diminuir as importações, entre outros benefícios sociais e económicos. Esta alteração é conseguida através de um "mix" de energias renováveis. É para a evolução desse mix que vamos olhar.
A energia eólica terrestre (in-shore) está num estado muito avançado de maturação daí ser aquela que a nível mundial mais se tem expandido e aquela cujo investimento é maior. Portugal não é excepção. A eólica marítima (off-shore) também tem os seus equipamentos bem desenvolvidos contudo tem-se deparado com alguns problemas na fixação dos mesmos devido à irregularidade da plataforma marítima. Estes problemas de engenharia estão no bom caminho para serem resolvidos e penso que um modelo comercial a nível mundial estará disponível num futuro bastante próximo. Com uma saturação cada vez maior da capacidade terrestre as empresas que investem no vento sem dúvida irão centrar as suas atenções para o mar até porque esse ambiente permite a edificação de turbinas maiores que produzem mais energia.
A energia solar tem vindo a conhecer desenvolvidos significativos apesar de ainda não se ter dado um "boom" mundial como aconteceu com a energia eólica. Multiplicam-se os projectos de grandes centrais solares térmicas e fotovoltaicas mas a microgeração (que na minha opinião é a grande força do solar) avança a um ritmo relativamente tímido. Investigadores por todo o mundo estão a aumentar a eficiência dos paineis tornando a energia solar mais rentável a cada ano que passa. Contudo penso que é o fabrico de paineis com materiais mais acessíveis economicamente que permitirá a tal explosão que o solar necessita. Esses paineis de "nova geração" estão em fase de desenvolvimento e, na minha opinião, serão essenciais para os países concretizarem as suas ambições de redução de CO2.
A energia das ondas e dos oceanos são dois projectos ainda numa fase "inicial" do ponto de vista de exploração comercial generalizada mas apesar de poderem demorar algum tempo a atingir a escala necessária não deixam de ser extremamente prometedores. Existe um projecto na Florida que pretende aproveitar a força das correntes marítimas para gerar energia eléctrica suficiente para suprir 1/3 das necessidades daquele estado. Pelo elevado potencial que estas tecnologias comportam devem-se centrar investimentos na investigação das mesmas. Penso que serão duas fontes de energia fundamentais no médio e longo prazo.
Os biocombustíveis são, a par com a nuclear, a fonte de energia "limpa" mais contestada. Tal deriva maioritariamente do facto de esta fonte de energia utilizar os mesmos solos que poderiam ser utilizados para produzir alimentos ou para manter intactas as florestas virgens que esta indústria destroi devido à sua grande necessidade de "espaço". Este problema pode a vir a ser resolvido com os biocombustíveis de "segunda geração". Estes novos biocombustíveis são conseguidos a partir de desperdícios domésticos, indústriais ou agrícolas ou de plantas (como por exemplo algas) que requerem pouco solo e que não substituem o alimento humano. Uma alternativa que poderá vir a ser extremamente útil especialmente para meios de transporte como o aéreo onde não existem por enquanto outras soluções viáveis.
Em suma penso que nos últimos anos têm existido avanços significativos em praticamente todos os tipos de energias renováveis e que deveremos apostar continuamente no melhoramento da eficiência de cada uma delas. Não devemos esperar que determinados desenvolvimentos surjam para começar a agir mas sem dúvida que existem tecnologias com o potencial de tornar bem mais fácil e rápida a tarefa de chegar à produção energética a 100% a partir de fontes renováveis.
A energia eólica terrestre (in-shore) está num estado muito avançado de maturação daí ser aquela que a nível mundial mais se tem expandido e aquela cujo investimento é maior. Portugal não é excepção. A eólica marítima (off-shore) também tem os seus equipamentos bem desenvolvidos contudo tem-se deparado com alguns problemas na fixação dos mesmos devido à irregularidade da plataforma marítima. Estes problemas de engenharia estão no bom caminho para serem resolvidos e penso que um modelo comercial a nível mundial estará disponível num futuro bastante próximo. Com uma saturação cada vez maior da capacidade terrestre as empresas que investem no vento sem dúvida irão centrar as suas atenções para o mar até porque esse ambiente permite a edificação de turbinas maiores que produzem mais energia.
A energia solar tem vindo a conhecer desenvolvidos significativos apesar de ainda não se ter dado um "boom" mundial como aconteceu com a energia eólica. Multiplicam-se os projectos de grandes centrais solares térmicas e fotovoltaicas mas a microgeração (que na minha opinião é a grande força do solar) avança a um ritmo relativamente tímido. Investigadores por todo o mundo estão a aumentar a eficiência dos paineis tornando a energia solar mais rentável a cada ano que passa. Contudo penso que é o fabrico de paineis com materiais mais acessíveis economicamente que permitirá a tal explosão que o solar necessita. Esses paineis de "nova geração" estão em fase de desenvolvimento e, na minha opinião, serão essenciais para os países concretizarem as suas ambições de redução de CO2.
A energia das ondas e dos oceanos são dois projectos ainda numa fase "inicial" do ponto de vista de exploração comercial generalizada mas apesar de poderem demorar algum tempo a atingir a escala necessária não deixam de ser extremamente prometedores. Existe um projecto na Florida que pretende aproveitar a força das correntes marítimas para gerar energia eléctrica suficiente para suprir 1/3 das necessidades daquele estado. Pelo elevado potencial que estas tecnologias comportam devem-se centrar investimentos na investigação das mesmas. Penso que serão duas fontes de energia fundamentais no médio e longo prazo.
Os biocombustíveis são, a par com a nuclear, a fonte de energia "limpa" mais contestada. Tal deriva maioritariamente do facto de esta fonte de energia utilizar os mesmos solos que poderiam ser utilizados para produzir alimentos ou para manter intactas as florestas virgens que esta indústria destroi devido à sua grande necessidade de "espaço". Este problema pode a vir a ser resolvido com os biocombustíveis de "segunda geração". Estes novos biocombustíveis são conseguidos a partir de desperdícios domésticos, indústriais ou agrícolas ou de plantas (como por exemplo algas) que requerem pouco solo e que não substituem o alimento humano. Uma alternativa que poderá vir a ser extremamente útil especialmente para meios de transporte como o aéreo onde não existem por enquanto outras soluções viáveis.
Em suma penso que nos últimos anos têm existido avanços significativos em praticamente todos os tipos de energias renováveis e que deveremos apostar continuamente no melhoramento da eficiência de cada uma delas. Não devemos esperar que determinados desenvolvimentos surjam para começar a agir mas sem dúvida que existem tecnologias com o potencial de tornar bem mais fácil e rápida a tarefa de chegar à produção energética a 100% a partir de fontes renováveis.
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009
O mundo com Obama
Passou quase um ano desde que Barack Obama tomou posse como o primeiro presidente afro-americano dos EUA. A magia da sua eleição cobriu o mundo inteiro e encheu de esperanças todos os povos. Ele, Obama, não ia só resolver todos os problemas do seu país como os do mundo inteiro. Foi nessa esperança que assentou a sua candidatura e foi essa esperança que lhe deu uma vitória altamente improvável. Passado praticamente um ano será que o mundo mudou assim tanto como a sua eleição deixava antever?
Na minha opinião sim. O mundo não mudou tanto quanto eu gostaria e nem todas as mudanças ocorridas são positivas. Mas penso que a eleição de Obama trouxe um novo fôlego para os EUA e para o mundo tendo a sua administração desenvolvido esforços em praticamente todas as frentes de batalha em que se encontra (e não são poucas) produzindo já alguns resultados concretos.
No plano interno Obama fez algo absolutamente crucial e fê-lo em tempo recorde. Aprovar o seu plano de estímulos. Apesar dos cortes efectuados para que a peça legislativa fosse aprovada pelas duas Câmaras do Senado este plano de estímulos económicos é fundamental para que a maior economia do mundo saia da profunda recessão em que se encontra. Permite criar empregos, salvar empresas em risco, investir em novas infra-estruturas essenciais para o bem-estar da população e investir no futuro da América (por exemplo o denominado "Green New Deal"). As novas regras de regulamentação financeira são ferramentas importantes para prevenir uma nova crise desta magnitude. Outra grande vitória, especialmente se considerarmos o tipo de economia em que os EUA assentam bem como o seu pensamento dominante nesta temática. Os trabalhos realizados para o encerramento da base de Guantanamo, um dos estandartes da campanha de Obama. Uma vitória na política doméstica mas também um passo essencial para sarar a imagem dos EUA no mundo. De destacar também os esforços em matéria ambiental onde a administração de Obama se tem batido fortemente por fazer aprovar legislação doméstica em matéria de alterações climáticas. Por último, a mais recente vitória com a aprovação do "sistema de saúde" que se encontra agora a um fio de ser oficializado. Caso seja aprovado este diploma vai permitir a 30 milhões de americanos que não dispõem de seguro de saúde ter uma protecção.
No plano externo além da situação de Guantanamo referida anteriormente (onde me orgulho de Portugal ter feito parte da solução) o capital político de Obama está bem vincado na nova ordem internacional. A forma como tem conseguido gerir a sua relação de interdependência com a China (G2) gerando benefícios mútuos é notável. O avanço das relações diplomáticas com as potências emergentes como a Índia e o Brasil são também de extrema importância, especialmente no longo prazo onde estas nações terão um papel fundamental na construção do futuro global. Um exemplo deste poder negocial é a Cimeira de Copenhaga. Pessoalmente fiquei extremamente desiludido com o resultado final da cimeira mas tenho de reconhecer que se não fosse o envolvimento pessoal de Obama na recta final da mesma, o retrocesso teria sido bastante maior. E nem aquele pequeno acordo não vinculativo que une pela primeira vez os maiores poluidores com os futuros maiores poluidores teria sido possível.
O mundo não mudou tanto quanto eu gostaria. Obama não conseguiu aprovar os diplomas da forma que eu gostaria. Obama não conseguiu acordos globais como eu gostaria. Mas conseguiu caminhar na direcção certa. E conseguiu fazer algo pela América quando os projectos de lei têm de passar por 3 fases antes de ser aprovados. E conseguiu fazer algo pelo mundo quando a "moral" dos EUA está em níveis mínimos e quando o seu poderio económico e militar é cada vez mais reduzido no contexto mundial. Quando olho para trás vejo que o mundo já começou a mudar e talvez um dia tenha mudado tanto quanto eu gostaria.
Yes We Can!
Na minha opinião sim. O mundo não mudou tanto quanto eu gostaria e nem todas as mudanças ocorridas são positivas. Mas penso que a eleição de Obama trouxe um novo fôlego para os EUA e para o mundo tendo a sua administração desenvolvido esforços em praticamente todas as frentes de batalha em que se encontra (e não são poucas) produzindo já alguns resultados concretos.
No plano interno Obama fez algo absolutamente crucial e fê-lo em tempo recorde. Aprovar o seu plano de estímulos. Apesar dos cortes efectuados para que a peça legislativa fosse aprovada pelas duas Câmaras do Senado este plano de estímulos económicos é fundamental para que a maior economia do mundo saia da profunda recessão em que se encontra. Permite criar empregos, salvar empresas em risco, investir em novas infra-estruturas essenciais para o bem-estar da população e investir no futuro da América (por exemplo o denominado "Green New Deal"). As novas regras de regulamentação financeira são ferramentas importantes para prevenir uma nova crise desta magnitude. Outra grande vitória, especialmente se considerarmos o tipo de economia em que os EUA assentam bem como o seu pensamento dominante nesta temática. Os trabalhos realizados para o encerramento da base de Guantanamo, um dos estandartes da campanha de Obama. Uma vitória na política doméstica mas também um passo essencial para sarar a imagem dos EUA no mundo. De destacar também os esforços em matéria ambiental onde a administração de Obama se tem batido fortemente por fazer aprovar legislação doméstica em matéria de alterações climáticas. Por último, a mais recente vitória com a aprovação do "sistema de saúde" que se encontra agora a um fio de ser oficializado. Caso seja aprovado este diploma vai permitir a 30 milhões de americanos que não dispõem de seguro de saúde ter uma protecção.
No plano externo além da situação de Guantanamo referida anteriormente (onde me orgulho de Portugal ter feito parte da solução) o capital político de Obama está bem vincado na nova ordem internacional. A forma como tem conseguido gerir a sua relação de interdependência com a China (G2) gerando benefícios mútuos é notável. O avanço das relações diplomáticas com as potências emergentes como a Índia e o Brasil são também de extrema importância, especialmente no longo prazo onde estas nações terão um papel fundamental na construção do futuro global. Um exemplo deste poder negocial é a Cimeira de Copenhaga. Pessoalmente fiquei extremamente desiludido com o resultado final da cimeira mas tenho de reconhecer que se não fosse o envolvimento pessoal de Obama na recta final da mesma, o retrocesso teria sido bastante maior. E nem aquele pequeno acordo não vinculativo que une pela primeira vez os maiores poluidores com os futuros maiores poluidores teria sido possível.
O mundo não mudou tanto quanto eu gostaria. Obama não conseguiu aprovar os diplomas da forma que eu gostaria. Obama não conseguiu acordos globais como eu gostaria. Mas conseguiu caminhar na direcção certa. E conseguiu fazer algo pela América quando os projectos de lei têm de passar por 3 fases antes de ser aprovados. E conseguiu fazer algo pelo mundo quando a "moral" dos EUA está em níveis mínimos e quando o seu poderio económico e militar é cada vez mais reduzido no contexto mundial. Quando olho para trás vejo que o mundo já começou a mudar e talvez um dia tenha mudado tanto quanto eu gostaria.
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Livros - 4

"O Regresso da Economia da Depressão e a Crise Actual" é um livro de Paul Krugman (galardoado com o prémio Nobel da Economia em 2008) que reeadita a obra escrita por este mesmo autor em 1999. A sua edição cabe à Editorial Presença.
Nesta excelente obra Krugman analisa crises económicas anteriores à actual que ocorreram na Ásia e na América Latina alertando para o perigo das economias Ocidentais puderem vir a sofrer as mesmas consequências. Com o resultado que todos nós conhecemos, Krugman acrescenta nesta reedição os seus comentários e opiniões relativos à crise financeira e económica global bem como aquilo que, segundo a sua opinião, deve ser feito no sentido de resgatarmos a economia mundial.
Esta "hecatombe" mundial chegou a ser comparada à Grande Depressão. Muitos bancos e empresas faliram, os Estados gastaram biliões de dólares a tentar reanimar as suas economias e no entanto o desemprego e os encerramentos continuaram galopantes, não mostrando sinais de abrandamento ou misericórdia perante as ínumeras tentativas de contenção. É provavelmente a maior crise económica a que qualquer de nós já assistiu e para nosso bem, esperemos que seja a maior das nossas vidas. Todos nós sentimos os efeitos devastadores da mesma e só agora nos começamos a aperceber dos verdadeiros estragos que foram feitos e os seus reais prejuízos. Como nos iremos levantar? E será que o vamos conseguir? Krugman dá-nos umas pistas.
Apesar de ser um livro escrito por um Nobel da Economia a sua leitura é extremamente simples e adequada a qualquer pessoa que se interesse por este fenómeno gigantesco que muito tem condicionado as nossas vidas e que continuará a fazê-lo por vários anos. Aprendi bastante com este livro pois permitiu-me sintetizar toda a informação sobre este tema e levar-me a reflectir. O que é afinal esta "crise" que se entranhou no nosso dia-a-dia e que veio para ficar?
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De volta!
Após uma longa ausência, o Pensamento Alinhado renasce das cinzas e está de volta! Peço desculpa por ter partido sem deixar justificação. A vida dá muitas voltas e o tempo vai sendo cada vez menos. A vontade, essa, está sempre bem viva!
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