A cultura é dos temas mais abrangentes, esquecidos e criticados. O seu grau de importância é bastante variável e as formas de investimento também. Parasitas para uns, artistas para outros, muita discussão existe acerca da importância que a cultura (e os artistas) tem para o país, a sua influência social e económica e o seu papel na nossa sociedade. Quanto é necessário investir e onde é necessário investir são duas perguntas que dificilmente obterão a mesma resposta de duas pessoas diferentes. Alguns dirão mesmo que a cultura não é todo uma área que mereça o investimento do Estado, pelas mais diversas razões.
Pessoalmente considero a cultura como uma "chave" para o desenvolvimento do país. E tal deve-se essencialmente ao facto de considerá-la uma extensão da educação, área para mim de extrema importância. A formação cultural completa a nossa formação escolar e académica, melhorando os nossos conhecimentos e pensamentos. Desta extensão educacional que é a cultura podemos maximizar os benefícios que considero advirem de um bom sistema de educação (competitividade, igualdade social, defesa dos direitos humanos, menor criminalidade, desenvolvimento tecnológico, etc.). Seja na música, no cinema, na pintura, na escrita ou em qualquer outra área, este complemento, este "extra" que a cultura oferece à formação do indivíduo é extremamente importante. Considerando a educação como um dos principais factores para o desenvolvimento do país, não posso deixar de estabelecer este paralelo com a cultura e assumir a sua importância.
A componente histórica da cultura deve ser também realçada. Além de permitir uma melhor formação aos indivíduos criadores, as suas obras vão no futuro contar a história de Portugal e influenciar as gerações futuras. Se tivermos escritores, pintores, actores, compositores, músicos, etc. de destaque no presente vamos influenciar pela positiva o futuro, pelo simples facto de outros estudarem o passado e aprenderem com ele. A cultura na sua componente histórica oferece as "ferramentas" para uma melhoria contínua em todos os seus sectores (como posso ser melhor que Fernando Pessoa se o mesmo nunca tivesse produzido as suas obras?). De certa forma ao apostarmos na cultura hoje, estamos a lançar as sementes para um futuro melhor.
No campo económico penso que tendemos a desvalorizar o papel da cultura. Os ganhos económicos, na minha opinião, não são a curto prazo nem directos. Mas isso não significa que não existam e que o investimento em cultura não seja economicamente viável. Tal como é importante a formação de académicos competentes e que se destaquem a nível internacional o mesmo acontece para os artistas. São eles quem leva a imagem de Portugal para o estrangeiro, são eles que projectam o nosso país e que o colocam na "cena" internacional. Por exemplo, podem ser muito importantes em ganhos de turismo. O investimento em cultura promove Portugal, a sua imagem, os seus produtos, os seus eventos, as suas criações.
Historicamente sempre existiram artistas portugueses entre os melhores do mundo e alegra-me ver que ainda hoje existam muitos portugueses em Portugal ou no estrangeiro que levam o melhor de nós pelo mundo fora. A cultura, na generalidade, pode potenciar o mesmo tipo de ganhos que a educação e como tal o seu investimento deve ser prioritário. Mas acima de tudo as mentalidades têm de mudar para percebermos que a cultura é uma força que une o país e que guarda ganhos sociais e económicos extremamente importantes para o desenvolvimento do país e da nossa sociedade.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Prémio Comprometidos Y Más 2009

Sustentabilidade É Acção é um trabalho de referência no panorama da blogosfera envolvida na defesa da vida e do planeta. Um blog útil e indispensável para a promoção militante da qualidade de vida... por tudo isso e pelas razões que lhe são adjacentes, Pensamento Alinhado ficou grato ao blog O Valor das Ideias ao integrar a lista de agraciados com o Prémio Comprometidos Y Más 2009. A sustentabilidade do nosso planeta é a base de tudo e algo essencial em todos os temas, seja o combate à pobreza, defesa dos direitos humanos, melhoria da qualidade de vida, etc. É certo que temos de mudar o nosso modo de vida e alterar a face visível da nossa presença no planeta, mas acima de tudo temos que mudar a nossa alma e o nosso pensamento.
Não podendo estender este prémio a 15 blogs devido ao meu escasso conhecimento da blogosfera quero distinguir aqueles com quem tenho o prazer de debater sobre tudo, e acima de tudo, sobre um mundo melhor.
domingo, 9 de agosto de 2009
Saúde - Análise Completa
Seguem aqui as várias análises feitas no tema Saúde.
1) Saúde Pública
2) Plano de Investimentos
3) Valorização de pessoas com deficiências
4) Cuidados pré-hospitalares
5) Situações de catástrofe
1) Saúde Pública
2) Plano de Investimentos
3) Valorização de pessoas com deficiências
4) Cuidados pré-hospitalares
5) Situações de catástrofe
sábado, 8 de agosto de 2009
Raul Solnado
Para ver e recordar um homem que, por mérito próprio, ganhou um lugar na nossa história e cultura. A despedida de alguém que demonstra a sua inteligência fazendo uso da comédia para lançar críticas. Tudo isto com uma alegria ímpar. Um abraço do pensamento alinhado ao excelente actor e comediante Raul Solnado.
Saúde - Catástrofes
Tanto as catástrofes naturais como aquelas que têm origem humana são, na esmagadora maioria das vezes, imprevisíveis e nenhum país tem um sistema completamente seguro e fiável. O inesperado e a multiplicidade de ameaças tornam muito difícil a preparação para este tipo de situações. Mesmo com um vasto conjunto de recursos materiais e humanos, experiência, realização de simulacros, etc. o choque é inevitável.
Por serem situações fora do comum e que felizmente, ocorrem poucas vezes, são frequentemente desvalorizadas e a sua importância é tida em segundo plano. Uma reforma na saúde e uma melhoria global que queira incorporar a palavra saúde em todos os seus sentidos não pode de forma alguma deixar de contemplar esta área.
Em posts anteriores já falei indirectamente deste tema. Uma melhoria em todas as unidades de saúde conseguiria certamente corresponder melhor a este tipo de exigências. A criação de "espaços de catástrofe" é também algo que pode minimizar os efeitos nefastos deste tipo de acontecimentos. O reforço nos meios pré-hospitalares são essenciais e alguns dos investimentos realizados no pré-hospitalar são equipamentos para servir neste tipo de situações.
Contudo penso que outras medidas seriam necessárias, para dentro do possível, preparar o nosso país para este tipo de ocorrências extremamente graves. A formação é algo essencial para que qualquer outra medida tenha sucesso e como tal apoio a multiplicação de acções de formação e simulacros relacionados com diversos tipos de catástrofes e onde participassem todo o tipo de forças e organismos que, numa situação real, estariam envolvidas (GNR, PSP, INEM, Bombeiros, Protecção Civil, pessoal das unidades de saúde, etc.). Outro foco seria a reformulação das forças armadas. Esta reforma teria como objectivo dotar as Forças Armadas portuguesas de mais meios para desempenhar as suas missões humanitárias em detrimento das missões bélicas. Por exemplo, penso que o Exército tem de ter um dispositivo que lhe permita num curto espaço de tempo montar toda uma campanha que seja necessária em situação de catástrofe (tendas para abrigo, distribuição de refeições e outros objectos necessários como por exemplo cobertores, recursos humanos para auxílio nos hospitais de campanha e na busca de sobreviventes, fornecimento de recursos como combustível e energia eléctrica, etc.). É preciso reforçar a cooperação entre forças, dotá-las de uma formação mais ampla e específica e acima de tudo, redireccionar a força do nosso Exército, Marinha e Força Aérea. Estas três forças têm um papel fundamental na estrutura de uma campanha em caso de catástrofe e como tal o investimento a realizar nas Forças Armadas deverá dar prioridade a esta componente humanitária. Também os media deveriam contar com planos e dispositivos para este tipo de situações, permitindo que a sua forte influência na sociedade se faça também sentir quando a população necessita de ajuda. Na componente educacional deveriam existir alterações com vista a formar toda a população para este tipo de situações. As escolas seriam um excelente meio de difusão. Cidadãos informados e preparados são a maior mais-valia que um país pode ter e este tema não foge a essa regra. Actualmente existem pequenos simulacros mas a forma como são realizados (e falo por experiência própria) não completam em nada o nosso conhecimento sobre o assunto. Por último, também o poder empresarial pode e deve ter um forte papel a desempenhar. A cedência de instalações em caso de catástrofe ou a cedência de determinados recursos são uma dessas vertentes (por exemplo a Galp ter um protocolo que lhe permitiria ceder uma % das suas reservas de combustível em caso de necessidade para o dispositivo de campanha).
É impossível prever quando, onde e que tipo de catástrofe vai ocorrer em solo nacional. Como tal a preparação a 100% para tal acontecimento torna-se também impossível. Mas existem sem dúvida medidas que vão permitir minorar o número de vítimas e apesar de ser algo com pouca frequência, a existência de um forte dispositivo em situações de catástrofe é sem dúvida uma melhoria na saúde e qualidade de vida de todos os cidadãos.
Por serem situações fora do comum e que felizmente, ocorrem poucas vezes, são frequentemente desvalorizadas e a sua importância é tida em segundo plano. Uma reforma na saúde e uma melhoria global que queira incorporar a palavra saúde em todos os seus sentidos não pode de forma alguma deixar de contemplar esta área.
Em posts anteriores já falei indirectamente deste tema. Uma melhoria em todas as unidades de saúde conseguiria certamente corresponder melhor a este tipo de exigências. A criação de "espaços de catástrofe" é também algo que pode minimizar os efeitos nefastos deste tipo de acontecimentos. O reforço nos meios pré-hospitalares são essenciais e alguns dos investimentos realizados no pré-hospitalar são equipamentos para servir neste tipo de situações.
Contudo penso que outras medidas seriam necessárias, para dentro do possível, preparar o nosso país para este tipo de ocorrências extremamente graves. A formação é algo essencial para que qualquer outra medida tenha sucesso e como tal apoio a multiplicação de acções de formação e simulacros relacionados com diversos tipos de catástrofes e onde participassem todo o tipo de forças e organismos que, numa situação real, estariam envolvidas (GNR, PSP, INEM, Bombeiros, Protecção Civil, pessoal das unidades de saúde, etc.). Outro foco seria a reformulação das forças armadas. Esta reforma teria como objectivo dotar as Forças Armadas portuguesas de mais meios para desempenhar as suas missões humanitárias em detrimento das missões bélicas. Por exemplo, penso que o Exército tem de ter um dispositivo que lhe permita num curto espaço de tempo montar toda uma campanha que seja necessária em situação de catástrofe (tendas para abrigo, distribuição de refeições e outros objectos necessários como por exemplo cobertores, recursos humanos para auxílio nos hospitais de campanha e na busca de sobreviventes, fornecimento de recursos como combustível e energia eléctrica, etc.). É preciso reforçar a cooperação entre forças, dotá-las de uma formação mais ampla e específica e acima de tudo, redireccionar a força do nosso Exército, Marinha e Força Aérea. Estas três forças têm um papel fundamental na estrutura de uma campanha em caso de catástrofe e como tal o investimento a realizar nas Forças Armadas deverá dar prioridade a esta componente humanitária. Também os media deveriam contar com planos e dispositivos para este tipo de situações, permitindo que a sua forte influência na sociedade se faça também sentir quando a população necessita de ajuda. Na componente educacional deveriam existir alterações com vista a formar toda a população para este tipo de situações. As escolas seriam um excelente meio de difusão. Cidadãos informados e preparados são a maior mais-valia que um país pode ter e este tema não foge a essa regra. Actualmente existem pequenos simulacros mas a forma como são realizados (e falo por experiência própria) não completam em nada o nosso conhecimento sobre o assunto. Por último, também o poder empresarial pode e deve ter um forte papel a desempenhar. A cedência de instalações em caso de catástrofe ou a cedência de determinados recursos são uma dessas vertentes (por exemplo a Galp ter um protocolo que lhe permitiria ceder uma % das suas reservas de combustível em caso de necessidade para o dispositivo de campanha).
É impossível prever quando, onde e que tipo de catástrofe vai ocorrer em solo nacional. Como tal a preparação a 100% para tal acontecimento torna-se também impossível. Mas existem sem dúvida medidas que vão permitir minorar o número de vítimas e apesar de ser algo com pouca frequência, a existência de um forte dispositivo em situações de catástrofe é sem dúvida uma melhoria na saúde e qualidade de vida de todos os cidadãos.
Dial4Light
Hoje ao ler a Visão encontrei um artigo bastante interessante sobre eficiência energética. Devido às dificuldades financeiras a autarquia da vila de Dorentrup na Alemanha decidiu desligar todos os candeeiros de rua para poupar na factura energética. A população ficou preocupada e com um crescente sentimento de insegurança até que dois habitantes dessa pequena vila decidiram trabalhar em conjunto com a autarquia e com a empresa local de energia para encontrarem uma solução.
A solução foi a criação de uma aplicação para o telemóvel que permite aos moradores acenderem as luzes da sua rua. Para isso basta introduzir o código da rua que querem ver iluminada e a sua activação é instantânea, durando alguns minutos. A este projecto foi dado o nome de "Dial4Light" (liga para a luz). Esta inovação pioneira permite a esta vila de 9.000 habitantes poupar 12 toneladas de dióxido de carbono por ano, além da poupança económica por parte da autarquia.
A solução foi a criação de uma aplicação para o telemóvel que permite aos moradores acenderem as luzes da sua rua. Para isso basta introduzir o código da rua que querem ver iluminada e a sua activação é instantânea, durando alguns minutos. A este projecto foi dado o nome de "Dial4Light" (liga para a luz). Esta inovação pioneira permite a esta vila de 9.000 habitantes poupar 12 toneladas de dióxido de carbono por ano, além da poupança económica por parte da autarquia.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Saúde - Pré-Hospitalar
A componente pré-hospitalar da saúde é um elo essencial na sua cadeia. Sem um pré-hospitalar de sucesso, a eficácia dos cuidados hospitalares fica comprometida, por melhores que esses cuidados sejam. Apesar de historicamente termos despertado tarde para este problema e de, na minha opinião, necessitarmos de suprir muitas necessidades, contamos já com um sistema de cuidados pré-hospitalares algo avançado e que felizmente tem vindo a conhecer uma evolução bastante positiva nos últimos anos.
Estes cuidados são um "ingrediente" essencial ao apresentarmos uma receita para uma melhor saúde em Portugal e como tal, também aqui devem ser concentrados esforços, nomeadamente financeiros. Em troca iremos criar postos de trabalho e acima de tudo, melhorar a qualidade de vida de todos os portugueses.
Em qualquer parte da União Europeia podemos ligar 112 para obtermos ajuda, quer seja dos serviços de saúde, dos bombeiros ou da polícia. A parte dos cuidados pré-hospitalares está em Portugal a cargo do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) e das várias Corporações e Corpos de Bombeiros.
O INEM tem vindo a adquirir novos meios para servir cada vez mais pessoas e para servi-las melhor. Esta expansão tem permitido ir diminuindo gradualmente a dependência dos Corpos de Bombeiros que tinham sérios problemas, nomeadamente na área da formação de recursos humanos. A aquisição de VICs (Viatura de Intervenção em Catástrofe) permite montar pequenos hospitais de campanha quando necessário. As SIVs (Suporte Imediato de Vida) permitem um acompanhamento mais completo das populações, em especial aquelas cuja distância à unidade hospitalar mais próxima é bastante elevada. A expansão das viaturas médicas permite diminuir o tempo de chegada do Suporte Avançado de Vida. As moto 4 e os jipes todo o terreno permitem dar assistência a uma multiplicidade de eventos (por exemplo o Rally de Portugal) bem como chegar a locais onde as viaturas convencionais não conseguem prestar auxílio. A introdução de motas no sistema pré-hospitalar permite um socorro mais rápido, mantendo a vítima viva até chegar uma ambulância. Estes são apenas alguns dos exemplos dos novos meios que têm sido adquiridos para melhorar os nossos cuidados pré-hospitalares. A colaboração com os bombeiros tem tido também destaque, já que são eles quem continua a prestar o maior número de intervenções. Neste campo o INEM tem comprado ambulâncias para de seguida as colocar nas várias Corporações por todo o país, além de apostar fortemente na formação dos elementos dessas mesmas Corporações.
Apesar desta positiva evolução ao longo dos anos existe ainda muito por onde melhorar e se quisermos abordar seriamente e na totalidade o tema da saúde, não podemos esquecer o pré-hospitalar como um factor determinante para o sucesso, evolução e desenvolvimento de todo o sistema. O INEM ainda não está presente nas Regiões Autónomas, o que a meu ver deveria ser corrigido. A sua área de influência necessita de ser ampliada para que ano após ano possa aumentar o número de intervenções até conseguir absorver a sua totalidade. Isto permitiria uma reorganização dos meios, levando a que o INEM se concentrasse somente nos cuidados de saúde, os bombeiros em incêndios e resgate e a polícia na segurança e combate ao crime. Esta organização permitiria uma melhor especialização dos vários organismos bem como uma melhor gestão dos recursos. É preciso desenvolver projectos que funcionam ainda como "experiências" (como o caso das motas) para que se massifiquem e todo o território nacional possa beneficiar das mais-valias desses novos meios. É preciso continuar a apostar na formação, especialmente na formação constante, área que a meu ver não é concedida grande importância (frenquentemente determinadas técnicas médicas e de saúde são substituídas por outras que se descobre serem mais correctas, acontecendo o mesmo ao nível do equipamento. Só uma formação constante garante que os profissionais do pré-hospitalar estarão sempre de acordo com aquilo que melhor serve a população). É preciso construir um centro nacional para a emergência médica, centro esse com fortes recursos preparados para missões internacionais, grandes eventos (como foi o caso do Euro 2004) e situações de catástrofe em solo nacional. É preciso investir num INEM ao nível marítimo em articulação com o ISN (Instituto de Socorros a Naúfragos) e com a Marinha.
É preciso investir a todos os níveis. É preciso aproveitar a pouca experiência que ainda temos. É preciso massificar projectos com sucesso e criar novas soluções, técnicas e meios. É preciso uma maior organização e definir alguém especializado e responsável pela totalidade da emergência médica. Os cuidados pré-hospitalares são o primeiro andar do "prédio" que é a saúde e nenhum prédio se aguenta firme se a sua base não for sólida. Investir no pré-hospitalar é investir nos pilares que sustentam uma melhor saúde para todos, lançando assim o ponto de partida para uma revolução na saúde em geral.
Estes cuidados são um "ingrediente" essencial ao apresentarmos uma receita para uma melhor saúde em Portugal e como tal, também aqui devem ser concentrados esforços, nomeadamente financeiros. Em troca iremos criar postos de trabalho e acima de tudo, melhorar a qualidade de vida de todos os portugueses.
Em qualquer parte da União Europeia podemos ligar 112 para obtermos ajuda, quer seja dos serviços de saúde, dos bombeiros ou da polícia. A parte dos cuidados pré-hospitalares está em Portugal a cargo do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) e das várias Corporações e Corpos de Bombeiros.
O INEM tem vindo a adquirir novos meios para servir cada vez mais pessoas e para servi-las melhor. Esta expansão tem permitido ir diminuindo gradualmente a dependência dos Corpos de Bombeiros que tinham sérios problemas, nomeadamente na área da formação de recursos humanos. A aquisição de VICs (Viatura de Intervenção em Catástrofe) permite montar pequenos hospitais de campanha quando necessário. As SIVs (Suporte Imediato de Vida) permitem um acompanhamento mais completo das populações, em especial aquelas cuja distância à unidade hospitalar mais próxima é bastante elevada. A expansão das viaturas médicas permite diminuir o tempo de chegada do Suporte Avançado de Vida. As moto 4 e os jipes todo o terreno permitem dar assistência a uma multiplicidade de eventos (por exemplo o Rally de Portugal) bem como chegar a locais onde as viaturas convencionais não conseguem prestar auxílio. A introdução de motas no sistema pré-hospitalar permite um socorro mais rápido, mantendo a vítima viva até chegar uma ambulância. Estes são apenas alguns dos exemplos dos novos meios que têm sido adquiridos para melhorar os nossos cuidados pré-hospitalares. A colaboração com os bombeiros tem tido também destaque, já que são eles quem continua a prestar o maior número de intervenções. Neste campo o INEM tem comprado ambulâncias para de seguida as colocar nas várias Corporações por todo o país, além de apostar fortemente na formação dos elementos dessas mesmas Corporações.
Apesar desta positiva evolução ao longo dos anos existe ainda muito por onde melhorar e se quisermos abordar seriamente e na totalidade o tema da saúde, não podemos esquecer o pré-hospitalar como um factor determinante para o sucesso, evolução e desenvolvimento de todo o sistema. O INEM ainda não está presente nas Regiões Autónomas, o que a meu ver deveria ser corrigido. A sua área de influência necessita de ser ampliada para que ano após ano possa aumentar o número de intervenções até conseguir absorver a sua totalidade. Isto permitiria uma reorganização dos meios, levando a que o INEM se concentrasse somente nos cuidados de saúde, os bombeiros em incêndios e resgate e a polícia na segurança e combate ao crime. Esta organização permitiria uma melhor especialização dos vários organismos bem como uma melhor gestão dos recursos. É preciso desenvolver projectos que funcionam ainda como "experiências" (como o caso das motas) para que se massifiquem e todo o território nacional possa beneficiar das mais-valias desses novos meios. É preciso continuar a apostar na formação, especialmente na formação constante, área que a meu ver não é concedida grande importância (frenquentemente determinadas técnicas médicas e de saúde são substituídas por outras que se descobre serem mais correctas, acontecendo o mesmo ao nível do equipamento. Só uma formação constante garante que os profissionais do pré-hospitalar estarão sempre de acordo com aquilo que melhor serve a população). É preciso construir um centro nacional para a emergência médica, centro esse com fortes recursos preparados para missões internacionais, grandes eventos (como foi o caso do Euro 2004) e situações de catástrofe em solo nacional. É preciso investir num INEM ao nível marítimo em articulação com o ISN (Instituto de Socorros a Naúfragos) e com a Marinha.
É preciso investir a todos os níveis. É preciso aproveitar a pouca experiência que ainda temos. É preciso massificar projectos com sucesso e criar novas soluções, técnicas e meios. É preciso uma maior organização e definir alguém especializado e responsável pela totalidade da emergência médica. Os cuidados pré-hospitalares são o primeiro andar do "prédio" que é a saúde e nenhum prédio se aguenta firme se a sua base não for sólida. Investir no pré-hospitalar é investir nos pilares que sustentam uma melhor saúde para todos, lançando assim o ponto de partida para uma revolução na saúde em geral.
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terça-feira, 4 de agosto de 2009
Saúde - Deficientes físicos e motores
Uma componente bastante importante na área da saúde são as pessoas com deficiências, sejam elas físicas ou motoras. No reino animal seriam descartadas, sucumbindo à selecção natural patente na lei da vida. Mas somos humanos e penso que todos concordamos que estas pessoas devem ser apoiadas e devemos tentar que usufruam dos prazeres da vida, tanto quanto nós o fazemos.
Pondo isto é necessário investir não só nos cuidados de saúde para estas pessoas mas também na sua valorização e na melhoria da sua qualidade de vida. Melhorarmos a qualidade de vida dos nossos deficientes, é melhorarmos a sua saúde de uma forma tão ou mais importante que as maneiras "tradicionais". Estas pessoas podem ter limitações mais ou menos graves, sendo mais ou menos impeditivas. Umas podem conseguir concretizar todas as tarefas que alguém sem esse problema conseguiria, tendo somente que aplicar um pouco mais de esforço ou necessitar de uma certa adaptação (por exemplo que necessite de uma cadeira de rodas mas não tenha qualquer problema mental). Outras podem conseguir apenas realizar determinadas tarefas mais simples e após um grande esforço em conjunto com um longo processo de aprendizagem. Independentemente do grau de incapacidade dessas pessoas ou do seu problema, algo que noto na generalidade é o empenho e dedicação das mesmas. Isso é uma vantagem que temos de valorizar. A grande maioria das pessoas com problemas/deficiências tende a ser mais empenhada que alguém sem qualquer problema. Isso é um ponto que temos de focar e aproveitar.
É uma vantagem do ponto de vista social pois serão aceites mais facilmente pela sociedade. É uma vantagem do ponto de vista pessoal pois terão mais hipóteses de concretizar os seus sonhos e aspirações. É uma vantagem do ponto de vista económico pois torna o seu local de trabalho em algo mais competitivo. A chave é saber valorizar esse empenho e através dessa percepção, partir para um conjunto de medidas que valorizem quem, por mérito próprio (e não por pena), merece ser valorizado. Um exemplo muito simples são os paraolímpicos. As modalidades são adaptadas às suas limitações, logo todos os atletas competem em condições iguais. A enorme quantidade de medalhas que os nossos atletas ganham é devido ao seu mérito, empenho e dedicação. Eles provaram o seu valor, ninguém lhes "ofereceu" essa vitória só pelo facto de serem deficientes. Isto é algo que penso que deveria ser transportado para a vida geral em sociedade, para todos.
Existem incentivos, subsídios, ajudas, etc. para as pessoas deficientes. Alguns estarão correctos, outros nem por isso. Mas mais importante que esses subsídios e incentivos, é a valorização em si. A valorização social e não apenas um contrato de trabalho somente porque o governo paga uma % do vencimento daquela pessoa e é economicamente atraente para o patrão contratá-lo. Eu não sou contra este tipo de medidas, pelo contrário. Mas aquilo que afirmo é que só por si não chega. É preciso abrirmos o "combate" a outra frente totalmente diferente. A frente do dia-a-dia. Porque se melhorarmos o quotidiano dos nossos deficientes, se melhorarmos a sua qualidade de vida, se conseguirmos dar-lhes mais autonomia e independência, tudo isto terá resultados em todas as áreas. Ao melhorarmos a vida como um todo destas pessoas vamos fazer com que exista menos desemprego para pessoas com limitações, maior aceitação social (menos discriminação e maior compreensão) e uma maior valorização que será benéfica para a pessoa em si e para o próprio país. Se um deficiente conseguir trabalhar porque tem condições para tal, passa a auferir um vencimento e deixa de necessitar de um subsídio para conseguir sobreviver. Isto é um exemplo simples de algo que é melhor para todas as partes.
O investimento em pessoas com limitações é um investimento com retorno. Retorno social e económico.
No meu entender é necessário primeiro que tudo compreender os problemas. E compreender os problemas significa fazer um levantamento do tipo de limitações que existem e do número de pessoas que as têm. Falar com quem tem conhecimento dos problemas e das soluções. Falar directamente com as pessoas, falar com as instituições que apoiam estas pessoas. Ver o que é feito nos outros países e os resultados. Ver o que já foi feito cá, o que já propuseram fazer e ver os resultados. É preciso conhecer antes de agir. De seguida elaborar um plano que ponham em prática as soluções apresentadas e cujos benefícios estão comprovados. Isto significa fazer investimentos, alterar leis, alterar a mentalidade das pessoas, etc. Mas tem de ser feito e deve ser feito. Um investimento maciço ao nível económico, social, jurídico, etc.
Se uma vara auxilia um invisual, então todos os cegos em Portugal têm de ter uma. Se uma rampa permite a entrada de alguém com uma cadeira de rodas num estabelecimento então todos os estabelecimentos têm de ter uma. Se a máquina X permite a alguém sem uma mão realizar determinada tarefa tão bem quanto alguém com as duas mãos então todas as empresas que queiram contratar pessoas sem uma mão têm direito a essa máquina X gratuitamente. Isto são só alguns exemplos. Algumas medidas já foram felizmente tomadas. Mas penso que está na altura de agirmos a sério, de agirmos de forma definitiva. Está na altura de juntarmos o conhecimento de todas as instituições que neste momento batalham sozinhas, de juntarmos o conhecimento de todos os deficientes que neste momento não têm voz para exprimir os seus problemas, de juntarmos o conhecimento de tudo aquilo que já foi feito cá e nos outros países. Temos de avaliar, debater e construir soluções. E depois de termos essas soluções temos de as por em prática. Em grande, no plano nacional e em definitivo. Se isso exige alterar leis, então temos de o fazer. Se isso exige investimentos de milhões de euros então temos de o fazer.
Esta é um tema sensível e não é fácil chegarmos a uma solução geral (conjunto de muitas soluções) para problemas tão grandes e tão diversificados. Mas para mim é mais fácil do que continuar indiferente.
Pondo isto é necessário investir não só nos cuidados de saúde para estas pessoas mas também na sua valorização e na melhoria da sua qualidade de vida. Melhorarmos a qualidade de vida dos nossos deficientes, é melhorarmos a sua saúde de uma forma tão ou mais importante que as maneiras "tradicionais". Estas pessoas podem ter limitações mais ou menos graves, sendo mais ou menos impeditivas. Umas podem conseguir concretizar todas as tarefas que alguém sem esse problema conseguiria, tendo somente que aplicar um pouco mais de esforço ou necessitar de uma certa adaptação (por exemplo que necessite de uma cadeira de rodas mas não tenha qualquer problema mental). Outras podem conseguir apenas realizar determinadas tarefas mais simples e após um grande esforço em conjunto com um longo processo de aprendizagem. Independentemente do grau de incapacidade dessas pessoas ou do seu problema, algo que noto na generalidade é o empenho e dedicação das mesmas. Isso é uma vantagem que temos de valorizar. A grande maioria das pessoas com problemas/deficiências tende a ser mais empenhada que alguém sem qualquer problema. Isso é um ponto que temos de focar e aproveitar.
É uma vantagem do ponto de vista social pois serão aceites mais facilmente pela sociedade. É uma vantagem do ponto de vista pessoal pois terão mais hipóteses de concretizar os seus sonhos e aspirações. É uma vantagem do ponto de vista económico pois torna o seu local de trabalho em algo mais competitivo. A chave é saber valorizar esse empenho e através dessa percepção, partir para um conjunto de medidas que valorizem quem, por mérito próprio (e não por pena), merece ser valorizado. Um exemplo muito simples são os paraolímpicos. As modalidades são adaptadas às suas limitações, logo todos os atletas competem em condições iguais. A enorme quantidade de medalhas que os nossos atletas ganham é devido ao seu mérito, empenho e dedicação. Eles provaram o seu valor, ninguém lhes "ofereceu" essa vitória só pelo facto de serem deficientes. Isto é algo que penso que deveria ser transportado para a vida geral em sociedade, para todos.
Existem incentivos, subsídios, ajudas, etc. para as pessoas deficientes. Alguns estarão correctos, outros nem por isso. Mas mais importante que esses subsídios e incentivos, é a valorização em si. A valorização social e não apenas um contrato de trabalho somente porque o governo paga uma % do vencimento daquela pessoa e é economicamente atraente para o patrão contratá-lo. Eu não sou contra este tipo de medidas, pelo contrário. Mas aquilo que afirmo é que só por si não chega. É preciso abrirmos o "combate" a outra frente totalmente diferente. A frente do dia-a-dia. Porque se melhorarmos o quotidiano dos nossos deficientes, se melhorarmos a sua qualidade de vida, se conseguirmos dar-lhes mais autonomia e independência, tudo isto terá resultados em todas as áreas. Ao melhorarmos a vida como um todo destas pessoas vamos fazer com que exista menos desemprego para pessoas com limitações, maior aceitação social (menos discriminação e maior compreensão) e uma maior valorização que será benéfica para a pessoa em si e para o próprio país. Se um deficiente conseguir trabalhar porque tem condições para tal, passa a auferir um vencimento e deixa de necessitar de um subsídio para conseguir sobreviver. Isto é um exemplo simples de algo que é melhor para todas as partes.
O investimento em pessoas com limitações é um investimento com retorno. Retorno social e económico.
No meu entender é necessário primeiro que tudo compreender os problemas. E compreender os problemas significa fazer um levantamento do tipo de limitações que existem e do número de pessoas que as têm. Falar com quem tem conhecimento dos problemas e das soluções. Falar directamente com as pessoas, falar com as instituições que apoiam estas pessoas. Ver o que é feito nos outros países e os resultados. Ver o que já foi feito cá, o que já propuseram fazer e ver os resultados. É preciso conhecer antes de agir. De seguida elaborar um plano que ponham em prática as soluções apresentadas e cujos benefícios estão comprovados. Isto significa fazer investimentos, alterar leis, alterar a mentalidade das pessoas, etc. Mas tem de ser feito e deve ser feito. Um investimento maciço ao nível económico, social, jurídico, etc.
Se uma vara auxilia um invisual, então todos os cegos em Portugal têm de ter uma. Se uma rampa permite a entrada de alguém com uma cadeira de rodas num estabelecimento então todos os estabelecimentos têm de ter uma. Se a máquina X permite a alguém sem uma mão realizar determinada tarefa tão bem quanto alguém com as duas mãos então todas as empresas que queiram contratar pessoas sem uma mão têm direito a essa máquina X gratuitamente. Isto são só alguns exemplos. Algumas medidas já foram felizmente tomadas. Mas penso que está na altura de agirmos a sério, de agirmos de forma definitiva. Está na altura de juntarmos o conhecimento de todas as instituições que neste momento batalham sozinhas, de juntarmos o conhecimento de todos os deficientes que neste momento não têm voz para exprimir os seus problemas, de juntarmos o conhecimento de tudo aquilo que já foi feito cá e nos outros países. Temos de avaliar, debater e construir soluções. E depois de termos essas soluções temos de as por em prática. Em grande, no plano nacional e em definitivo. Se isso exige alterar leis, então temos de o fazer. Se isso exige investimentos de milhões de euros então temos de o fazer.
Esta é um tema sensível e não é fácil chegarmos a uma solução geral (conjunto de muitas soluções) para problemas tão grandes e tão diversificados. Mas para mim é mais fácil do que continuar indiferente.
domingo, 2 de agosto de 2009
Energias Renováveis | Combate à pobreza
Este post do Carlos Santos levou-me a reflectir sobre a relação que existe entre as tecnologias ligadas ao ambiente e o seu potencial como instrumentos de combate à pobreza, melhoria da qualidade de vida e inclusão social. Todos nós conhecemos os benefícios que as energias renováveis nos oferecem em matéria de ambiente. O mesmo para tecnologias como a captação de água, carro eléctrico, construção sustentável, etc. Contudo é comum esquecermo-nos dos benefícios sociais das tecnologias "verdes", sobretudo o seu potencial para melhorar a qualidade de vida das camadas sociais com menos recursos. Para além do imperativo ambiental e económico, sem dúvida que encontramos aqui outro forte motivo para investir nesta área, investindo assim num futuro mais justo socialmente.
Programas que ofereçam ou possibilitem a aquisição de painéis solares térmicos e fotovoltaicos a pessoas com menores recursos económicos (e que sem auxilio do governo central ou local não teriam dinheiro para o investimento inicial) levam a uma redução ou anulação da factura do gás e da electricidade. Ora, visto as despesas diminuírem existe efectivamente um maior rendimento disponível mensalmente. Seja este dinheiro extra investido em alimentação, vestuário, educação, etc. e estamos a contribuir para um futuro melhor para essas pessoas. Estamos a contribuir para a sua inclusão social, fomentando assim também a competitividade do país. Um programa deste género poderá substituir ou complementar instrumentos como o microcrédito e sem dúvida será bem mais proveitoso para todas as partes que a atribuição de um subsídio por si só.
Tecnologias de captação de água em conjunto com energias renováveis são capazes de fornecer água e electricidade a populações pobres sem acesso a estas duas necessidades básicas. Permitem também que se inicie a produção de alimentos (através da agricultura e pecuária), lançando assim as "bases" para que essa população evolua positivamente e se vá afastando degrau a degrau do mundo da pobreza e da miséria. Permitiria aos países desenvolvidos que forneceriam gratuitamente as tecnologias ou a um custo baixo (com pagamentos por exemplo quando a agricultura e pecuária já estivessem num elevado nível de maturação) desenvolver as suas indústrias ligadas ao ambiente, protegendo assim milhões de postos de trabalho e promovendo a sua expansão e investigação. As necessidades iniciais daquelas populações iriam gerar emprego para os países desenvolvidos. Com benefícios para ambas as partes, poderia nascer assim uma relação saudável que estimulava a economia dos países desenvolvidos enquanto libertava das malhas da pobreza os países em desenvolvimento.
Programas que incentivem a compra de carros eléctricos, tornando-os economicamente "apetecíveis" poderiam ter efeitos muito positivos na nossa sociedade. Imagine-se programas que apoiem a compra de veículos eléctricos para organizações sem fins lucrativos. Com a poupança verificada no combustível, essas organizações teriam mais dinheiro para desenvolver a sua missão. Ao fomentarmos a compra de carros eléctricos estaríamos a contribuir para a defesa dos direitos humanos, direitos dos animais, protecção de sem-abrigo, protecção a desempregados, protecção de menores, prática de desporto e hábitos saudáveis, apoio à terceira idade, combate à pobreza e exclusão social, protecção do ambiente e tudo aquilo que qualquer associação ou organização desenvolva.
No fundo estaríamos a contribuir para um mundo melhor. Este post pretende provar que com vontade e um pouco de imaginação é possível aliar as energias renováveis a uma perspectiva social ampla e justa. Penso que este tipo de exemplos seria o suficiente para apostar nestas tecnologias mas existe também o imperativo económico e ambiental. As tecnologias "verdes" estão provadas como sendo um motor ambiental e económico mas o seu papel social é de enorme importância e a sua influência poderá no futuro ser comprada a outros instrumentos inovadores fruto da vontade de fazer a diferença e de deixarmos o mundo um pouco melhor do que como o encontrámos.
Programas que ofereçam ou possibilitem a aquisição de painéis solares térmicos e fotovoltaicos a pessoas com menores recursos económicos (e que sem auxilio do governo central ou local não teriam dinheiro para o investimento inicial) levam a uma redução ou anulação da factura do gás e da electricidade. Ora, visto as despesas diminuírem existe efectivamente um maior rendimento disponível mensalmente. Seja este dinheiro extra investido em alimentação, vestuário, educação, etc. e estamos a contribuir para um futuro melhor para essas pessoas. Estamos a contribuir para a sua inclusão social, fomentando assim também a competitividade do país. Um programa deste género poderá substituir ou complementar instrumentos como o microcrédito e sem dúvida será bem mais proveitoso para todas as partes que a atribuição de um subsídio por si só.
Tecnologias de captação de água em conjunto com energias renováveis são capazes de fornecer água e electricidade a populações pobres sem acesso a estas duas necessidades básicas. Permitem também que se inicie a produção de alimentos (através da agricultura e pecuária), lançando assim as "bases" para que essa população evolua positivamente e se vá afastando degrau a degrau do mundo da pobreza e da miséria. Permitiria aos países desenvolvidos que forneceriam gratuitamente as tecnologias ou a um custo baixo (com pagamentos por exemplo quando a agricultura e pecuária já estivessem num elevado nível de maturação) desenvolver as suas indústrias ligadas ao ambiente, protegendo assim milhões de postos de trabalho e promovendo a sua expansão e investigação. As necessidades iniciais daquelas populações iriam gerar emprego para os países desenvolvidos. Com benefícios para ambas as partes, poderia nascer assim uma relação saudável que estimulava a economia dos países desenvolvidos enquanto libertava das malhas da pobreza os países em desenvolvimento.
Programas que incentivem a compra de carros eléctricos, tornando-os economicamente "apetecíveis" poderiam ter efeitos muito positivos na nossa sociedade. Imagine-se programas que apoiem a compra de veículos eléctricos para organizações sem fins lucrativos. Com a poupança verificada no combustível, essas organizações teriam mais dinheiro para desenvolver a sua missão. Ao fomentarmos a compra de carros eléctricos estaríamos a contribuir para a defesa dos direitos humanos, direitos dos animais, protecção de sem-abrigo, protecção a desempregados, protecção de menores, prática de desporto e hábitos saudáveis, apoio à terceira idade, combate à pobreza e exclusão social, protecção do ambiente e tudo aquilo que qualquer associação ou organização desenvolva.
No fundo estaríamos a contribuir para um mundo melhor. Este post pretende provar que com vontade e um pouco de imaginação é possível aliar as energias renováveis a uma perspectiva social ampla e justa. Penso que este tipo de exemplos seria o suficiente para apostar nestas tecnologias mas existe também o imperativo económico e ambiental. As tecnologias "verdes" estão provadas como sendo um motor ambiental e económico mas o seu papel social é de enorme importância e a sua influência poderá no futuro ser comprada a outros instrumentos inovadores fruto da vontade de fazer a diferença e de deixarmos o mundo um pouco melhor do que como o encontrámos.
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sábado, 1 de agosto de 2009
Saúde - Investimentos
Visto dar primazia a um sistema público de saúde em detrimento de um privado, é natural considerar que a nossa saúde deve ser alvo de fortes investimentos por parte do estado, consumindo uma grande parte do orçamento. Esses investimentos comportam o pré-hospitalar, os cuidados especializados e gerais, infra-estruturas, situações de catástrofe, etc. Os investimentos necessários no âmbito de pessoas com deficiências físicas ou motoras será tratado num post com tema próprio, post esse incluído nesta "série" da Saúde.
Seguem os investimentos que considero serem necessários:
1) Levantamento do grau de qualidade dos serviços e de conservação das infra-estruturas de todos os hospitais, centros de saúde, etc. do país.
2) Levantamento das principais necessidades ao nível de recursos humanos e materiais tanto para a saúde em geral (por exemplo necessidade de mais médicos de família) como para as especialidades (por exemplo a construção de uma unidade oncológica).
3) Após o levantamento produzir alterações em todas as unidades de saúde do país num período de 10-15 anos, dividindo os investimentos consoante a prioridade, ou seja, começando com as unidades mais críticas e seguindo para aquelas cuja intervenção seria de menor dimensão e/ou importância.
4) As alterações deveriam considerar determinados aspectos como a independência energética dessas unidades, a adaptação às necessidades apontadas pelo levantamento realizado anteriormente, uma construção moderna (e não o aproveitamento de antigas infra-estruturas que não assegurem a totalidade das necessidades) bem como os seus equipamentos e uma inclusão de espaços de investigação e de estudo, adequando a sua dimensão à própria dimensão da unidade de saúde.
5) Criação de um Plano Nacional de Melhorias nos Centros de Saúde. Este plano teria como objectivo reduzir a dependência de unidades centrais, descongestionando as urgências dessas unidades. O plano contemplaria um alargamento do horário do centro de saúde e essencialmente um alargamento das suas competências e serviços (por exemplo a instalação de uma unidade de raio-X em todos os centros de saúde evitaria que muitas pessoas se dirigissem às urgências de um hospital somente por suspeitarem de uma pequena fractura). Uma vez mais, as medidas a tomar em cada centro de saúde seriam baseadas nos relatórios do levantamento realizado.
6) Criação de "Espaços de Catástrofe" a nível distrital. Estes espaços seriam terrenos com o objectivo de poderem receber um forte dispositivo hospitalar móvel em caso de catástrofe, estando em articulação com as unidades de saúde desse mesmo distrito.
7) Multiplicação de cirurgias, tratamentos e diagnósticos com especial enfoque para as doenças mais graves, reduzindo o tempo de espera. Esta multiplicação teria de ser assegurada com o investimento realizado na alteração da unidade de saúde e seria "apoiada" pelo levantamento.
8) Criação de um Plano Nacional de Adaptação às Doenças Raras. Este plano iria incluir a criação de estudos mais completos sobre a realidade das doenças raras em Portugal (número de doenças, número de afectados, problemas do dia-a-dia, tratamentos que permitam a cura ou atenuar os efeitos dessas doenças, etc.) bem como o seu tratamento. Provavelmente este plano poderia até resultar na criação de um (ou mais) hospitais somente especializados em doenças raras, desde o seu diagnóstico até ao seu tratamento. A segunda parte do plano seria a de adaptar melhor o nosso país às dificuldades dessas mesmas pessoas (por exemplo as pessoas que necessitam de utilizar uma cadeira de rodas têm dificuldade em mover-se sem ajuda. A criação de rampas vem atenuar essa dificuldade).
Estes investimentos propostos não serão certamente os únicos necessários e além do investimento é necessário todo um processo extremamente bem elaborado para conseguir concretizar os objectivos propostos. A saúde é uma área bastante vasta e complexa, onde desde o primeiro tijolo do hospital até ao computador do médico é necessário um conhecimento extraordinário para conseguir com que as políticas resultem. Apesar dos investimentos propostos serem bastante simples e de representarem somente o primeiro passo numa longa caminhada, estão no meu entender, a promover uma melhor saúde para todos nós, sem excepções. E esse deverá ser sempre o objectivo das políticas de saúde, independentemente da nossa visão de como atingir esse objectivo. O de servir mais e melhor.
Seguem os investimentos que considero serem necessários:
1) Levantamento do grau de qualidade dos serviços e de conservação das infra-estruturas de todos os hospitais, centros de saúde, etc. do país.
2) Levantamento das principais necessidades ao nível de recursos humanos e materiais tanto para a saúde em geral (por exemplo necessidade de mais médicos de família) como para as especialidades (por exemplo a construção de uma unidade oncológica).
3) Após o levantamento produzir alterações em todas as unidades de saúde do país num período de 10-15 anos, dividindo os investimentos consoante a prioridade, ou seja, começando com as unidades mais críticas e seguindo para aquelas cuja intervenção seria de menor dimensão e/ou importância.
4) As alterações deveriam considerar determinados aspectos como a independência energética dessas unidades, a adaptação às necessidades apontadas pelo levantamento realizado anteriormente, uma construção moderna (e não o aproveitamento de antigas infra-estruturas que não assegurem a totalidade das necessidades) bem como os seus equipamentos e uma inclusão de espaços de investigação e de estudo, adequando a sua dimensão à própria dimensão da unidade de saúde.
5) Criação de um Plano Nacional de Melhorias nos Centros de Saúde. Este plano teria como objectivo reduzir a dependência de unidades centrais, descongestionando as urgências dessas unidades. O plano contemplaria um alargamento do horário do centro de saúde e essencialmente um alargamento das suas competências e serviços (por exemplo a instalação de uma unidade de raio-X em todos os centros de saúde evitaria que muitas pessoas se dirigissem às urgências de um hospital somente por suspeitarem de uma pequena fractura). Uma vez mais, as medidas a tomar em cada centro de saúde seriam baseadas nos relatórios do levantamento realizado.
6) Criação de "Espaços de Catástrofe" a nível distrital. Estes espaços seriam terrenos com o objectivo de poderem receber um forte dispositivo hospitalar móvel em caso de catástrofe, estando em articulação com as unidades de saúde desse mesmo distrito.
7) Multiplicação de cirurgias, tratamentos e diagnósticos com especial enfoque para as doenças mais graves, reduzindo o tempo de espera. Esta multiplicação teria de ser assegurada com o investimento realizado na alteração da unidade de saúde e seria "apoiada" pelo levantamento.
8) Criação de um Plano Nacional de Adaptação às Doenças Raras. Este plano iria incluir a criação de estudos mais completos sobre a realidade das doenças raras em Portugal (número de doenças, número de afectados, problemas do dia-a-dia, tratamentos que permitam a cura ou atenuar os efeitos dessas doenças, etc.) bem como o seu tratamento. Provavelmente este plano poderia até resultar na criação de um (ou mais) hospitais somente especializados em doenças raras, desde o seu diagnóstico até ao seu tratamento. A segunda parte do plano seria a de adaptar melhor o nosso país às dificuldades dessas mesmas pessoas (por exemplo as pessoas que necessitam de utilizar uma cadeira de rodas têm dificuldade em mover-se sem ajuda. A criação de rampas vem atenuar essa dificuldade).
Estes investimentos propostos não serão certamente os únicos necessários e além do investimento é necessário todo um processo extremamente bem elaborado para conseguir concretizar os objectivos propostos. A saúde é uma área bastante vasta e complexa, onde desde o primeiro tijolo do hospital até ao computador do médico é necessário um conhecimento extraordinário para conseguir com que as políticas resultem. Apesar dos investimentos propostos serem bastante simples e de representarem somente o primeiro passo numa longa caminhada, estão no meu entender, a promover uma melhor saúde para todos nós, sem excepções. E esse deverá ser sempre o objectivo das políticas de saúde, independentemente da nossa visão de como atingir esse objectivo. O de servir mais e melhor.
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