terça-feira, 28 de julho de 2009

Saúde - Sistema Público

No post inaugural do tema Saúde pretendo analisar as vantagens e desvantagens de um sistema público em detrimento de um sistema privado e clarificar as razões que me levam a apostar no mesmo, bem como aquilo que penso que poderia ser melhorado.

Para mim a saúde deve ser acessível a todos, independentemente das condições sociais e económicas em que vivemos. Tal como a Educação, considero que é um direito ter acesso aos melhores cuidados de saúde desde o nascimento até à morte. Este é um sector fundamental na nossa sociedade que vai influenciar todos os outros (veja-se por exemplo a preocupação das empresas com a Gripe A). Sendo fundamental penso que faz todo o sentido investir nele e abrirmos a nossa mente a uma óptica mais ampla que a do custo/benefício em termos financeiros de forma directa. Na minha opinião a saúde não tem de dar lucro no mesmo sentido em que as empresas têm de dar pois potencia lucros cuja quantificação é bem mais difícil mas não por isso menos importantes.

Esta é razão "nuclear" pela qual apoio um sistema público de saúde. Pelo facto de não considerar necessário que a saúde dê lucro. Um hospital privado pode ser mais rigoroso nas suas contas e evitar desperdícios que um hospital público não evita mas procura sempre primeiro o lucro e não o bem-estar dos seus pacientes. Seja por negar o tratamento a alguém que não tenha dinheiro/seguro, seja por falsificar diagnósticos para receber mais subsídios estatais, seja por realizar determinados tratamentos que não sendo os mais adequados do ponto de vista médico o são do ponto de vista financeiro, os hospitais privados terão sempre todo o interesse em retirar o maior proveito económico possível da nossa situação. Não digo que o façam todos os dias nem em todos os hospitais. Eu já recorri a hospitais privados e fui bem tratado. Mas penso que quando colocamos algo à frente da saúde (neste caso o dinheiro) estamos a desviar-nos do caminho correcto. Estamos a confiar na honestidade de alguém cujo interesse não é comum ao nosso. O nosso é ficar curados. O deles é receber dinheiro.

Esta base de pensamento, esta hierarquia de prioridades terá influência em todo o processo produzindo assim resultados negativos quando apostamos num sistema privado. Com um sistema de saúde público as prioridades da administração do hospital podem convergir com as prioridades do paciente, produzindo resultados positivos.

É certo que um hospital é um investimento avultado e a factura da saúde nas contas públicas é pesada. A construção e gestão de um privado em troca de subsídios (cujo custo é muito menor) parece assim uma solução apetecível. Contudo não concordo com a mesma. Por mais que custe este investimento entendo que é essencial ser o estado a realizá-lo. A entrada nos privados poderá ocorrer na gestão (após construção do estado) mas com moldes específicos capazes de potenciar as vantagens dos privados com as prioridades de um sistema público. Uma gestão privada que anule ao máximo os desperdícios e que "rentabilize" da melhor maneira o hospital mas cujo pagamento não seja de acordo com o lucro/prejuízo daquele espaço. O montante recebido pela empresa gestora teria de estar de estar em concordância com parâmetros de sucesso em operações, tratamentos e diagnósticos e com a própria avaliação dos utilizadores. Esta seria uma forma de tentar canalizar a "sede por lucro" dos privados para algo que iria beneficiar os utilizadores e o próprio Sistema Nacional de Saúde.

Em suma, defendo um sistema público de saúde por considerar que é aquele cujas prioridades são comuns às de quem, infelizmente, necessita de recorrer a estes locais. É um investimento pesado e que produz efeitos imediatos muito nefastos para as contas públicas. Mas é um investimento a longo prazo e cujos benefícios são ainda maiores que o efeito inicial, tornando-o portanto num investimento "lucrativo" do ponto de vista social e até económico. Um bom sistema de saúde fomenta a inclusão social, gera ganhos na educação, aumenta a competitividade do país, é benéfica para as empresas, gera empregos, produz inovações tecnológicas, apoia a investigação, melhora a qualidade de vida e acima de tudo... salva pessoas.

domingo, 26 de julho de 2009

Religião

A existência de crenças religiosas ou de crenças em algo sobrenatural ou superior à existência humana confunde-se com a própria existência do homo sapiens sapiens. Se existe algo tão antigo quanto a nossa espécie são os cultos e rituais religiosos. Desde os Homens primitivos até aos dias de hoje que esse culto e crença se mantêm. A religião é algo comum a todos os povos dos cinco continentes e a sua influência nas decisões individuais e colectivas continua a ser enorme.

Católicos, judeus, muçulmanos, budistas, etc. Todos eles partilham um ponto em comum. A crença em alguém/algo superior. Na minha opinião o maior medo da Humanidade é do desconhecido. Fruto da nossa inteligência e carácter curioso é normal nunca estarmos satisfeitos com o nosso grau de conhecimento e procurarmos obter sempre respostas a cada vez mais perguntas. É a nossa natureza e aquilo que nos possibilita evoluir. A religião oferece respostas às perguntas mais difíceis e é isso que atrai as pessoas. Hoje em dia, as pessoas que questionam a religião (não acreditam em nenhuma) é porque conseguem esse "conforto" com a ciência que oferece cada vez mais explicações. Seguindo ou não qualquer religião creio que a base é a mesma, no sentido em que necessitamos de ver respondidas as nossas perguntas. Uns seguem a Bíblia, outros a Tora, outros o Corão, etc. Outros ainda seguem a ciência. Mas todos com o mesmo objectivo, todos à procura dum "apoio". De algo/alguém que os guie.

Pessoalmente não sigo nenhuma religião. Fui baptizado segundo a Igreja Católica, frequentei a catequese e realizei a primeira comunhão. Quando atingi um nível de maturidade capaz de decidir por mim próprio decidi não seguir nenhuma religião. Contudo respeito todas elas e a ligação que tive à Igreja Católica incutiu-me determinados valores que ainda hoje me orientam. Apesar de ser ateu acho que a religião é fundamental para as sociedades e para o ser humano individualmente. De seguida vou explicar as duas grandes razões para tal afirmação.

A religião tem um papel muito importante na construção do indivíduo devido à influência que tem nele. É um "instrumento" por excelência na propagação de ideais e de valores, valores esses que estão muitas vezes associados à solidariedade, esperança, bondade, justiça, etc. Estes valores são essenciais para a construção de uma sociedade próspera e respeitadora. É comum vermos as religiões associadas a causas ligadas aos direitos humanos e é gratificante ver todos aqueles fieis a lutarem por um mundo melhor. A devoção por uma religião é capaz de gerar indivíduos que dão a sua vida pelos outros e que são capazes de trabalhar somente com a paga de contribuírem para um mundo melhor. Em suma, a religião é capaz de incutir valores que se tornem as "sementes" de um mundo melhor.

O segundo motivo pelo qual considero a religião como uma "peça" fundamental na sociedade é o tal apoio e capacidade de resposta que oferece aos seus fieis. Com o conhecimento de que dispomos actualmente e apesar das inúmeras respostas que a ciência nos oferece, penso que existe ainda demasiado por responder, demasiado por compreender. Além do "problema" do desconhecido existem também questões relacionadas com aquilo que já conhecemos. A energia nuclear e a manipulação ambiental são apenas dois exemplos. A religião não deve impedir o progresso mas pode complementá-lo e aconselhar-nos do ponto de vista moral quando descobrimos algo capaz de gerar grandes repercussões, positivas ou negativas. A busca pelo conhecimento não deve ter limites mas aquilo que fazemos com esse conhecimento tem de ser limitado por algo, sob pena de podermos vir a causar a nossa própria destruição. A religião significa muitas vezes esse algo.

Tenho 25 anos, uma alimentação saudável e pratico desporto regularmente. Não tenho nenhum problema físico ou mental diagnosticado e faço exames médicos regularmente. Vou a andar na rua, tenho um ataque cardíaco e morro. Como explicar à minha família o sucedido? Que mais os pode ajudar para além da fé? A fé em alguém ou algo é aquilo que nos faz ser capazes de pensar ou fazer o impossível. É aquilo que nos dá esperança quando tudo está perdido e quando ninguém nos oferece uma resposta que nos satisfaça por dentro. Muitas pessoas encontram essa fé na religião. Outras onde quer que a encontrem não devem deixar de ter fé, de acreditar. Seja em algo pessoal ou geral. Seja em nós próprios ou nos outros. Seja nas atitudes ou nos pensamentos. Seja no passado, presente ou futuro. Seja no que for. Porque quando deixamos de acreditar ficamos vazios por dentro.

sábado, 25 de julho de 2009

Eu estou farto!



"No Irão morreram mais de 20 pessoas em protesto contra os resultados eleitorais e exigindo mais democracia. As liberdades fundamentais foram suspensas. Nas Honduras, militares golpistas extraditaram o presidente democraticamente eleito. Os protestos já geraram duas vítimas mortais. As liberdades fundamentais foram suspensas. Na China, 140 pessoas morreram em protestos contra a suposta hegemonia de uma etnia. 1400 pessoas foram presas e as liberdades fundamentais foram suspensas.
Estamos fartos disto! Estamos fartos de repressões e ditadurices. Estamos fartos de desrespeitos claros aos mais básicos direitos fundamentais. Estamos fartos de ver a liberdade ser suspensa. Estamos fartos de ver a democracia ser adiada em tantos países. Estamos fartos da paz ser constantemente hipotecada. Não pode ser! Estamos fartos e, dentro das possibilidades de cada um, vamos fazer barulho por isso! Temos dito!"

Para mais informações consulte www.fartos.net

Convido directamente os seguintes blogs para se juntarem a esta causa:

O Banqueiro Anarquista
Foguetório
O país do Burro
GEOCRUSOE

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Parabéns ao O Valor das Ideias

Hoje o blog O Valor das Ideias faz um ano de vida e pela minha parte só posso esperar que cumpra muitos mais! Carlos Santos (o autor do blog) é um economista com méritos inquestionáveis em várias áreas como a economia, econometria, ciência política, geopolítica, geoeconomia, entre outras. Mas essa não é a razão pela qual lhe presto hoje esta humilde homenagem. O Carlos é meu amigo e essa é a razão que me faz celebrar o aniversário do seu blog.

Tudo começou quando a corrida para a presidência americana começou a ganhar força com a luta entre Barack Obama e Hillary Clinton para a nomeação democrata. Pesquisei no Google "eleições americanas" e um post de Carlos Santos apareceu na primeira página de resultados do motor de busca. Desde esse dia que fiquei fã do blog e do autor e posso afirmar com sinceridade que quando não visito o O Valor das Ideias é porque estou num local sem computador e ligação à Internet. Acompanhei passo a passo as eleições americanas neste blog onde trocava ideias com o autor e vários outros leitores. Foi sem dúvida uma experiência enriquecedora e gratificante.

À medida que o debate ia aumentando a amizade foi surgindo fruto de uma troca de ideias saudável e de uma visão global com bastantes pontos comuns. Com a eleição de Barack Obama para a presidência dos EUA, O Valor das Ideias entrou num período menos activo para grande desgosto meu. Mal eu sabia da surpresa que Carlos Santos estava a preparar. Com a entrada de 2009, entrou também um novo ciclo naquele espaço onde o autor teve a enorme proeza de conseguir escrever textos com uma qualidade ainda melhor que aqueles que escreveu sobre as eleições nos EUA, tarefa nada fácil e somente digna dos mais capazes escribas. Em Fevereiro Carlos Santos "pediu desculpas" pelo período em que esteve inactivo com o lançamento do seu livro "E agora, Obama?". Pela qualidade que demonstra desde a primeira à ultima página posso dizer que aceito o pedido de desculpas. Corri quase uma dezena de livrarias para encontrar esta pérola da escrita mas a reflexão profunda e análise baseada em argumentos fez valer a pena.

O Valor das Ideias trata agora a actualidade, com especial destaque para a economia e política. Se tivesse que descrever este blog de uma forma simples diria que é uma "Wikipédia sem erros". Para quem quiser saber o significado de biblioteca online basta passar por esta grande referência da blogosfera. Em todos os posts aprendemos sempre algo e podemos expor as nossas opiniões e contar com um debate baseado em ideias que surgem após uma reflexão e análise dos factos e não em seguidismos fáceis.

Pela qualidade, pelo debate, pelas ideias, pelas análises, pelos desafios, pelas reflexões e acima de tudo pela amizade resta-me desejar um feliz aniversário ao O Valor das Ideias e esperar que o autor só fique inactivo quando escrever um livro sobre o primeiro ano de mandato de Obama.

Os meus parabéns ao O Valor das Ideias e um grande abraço ao meu amigo Carlos Santos.

Um mar mais azul

Tive o prazer de escrever o seguinte texto para celebrar o primeiro aniversário do blog O Valor das Ideias de Carlos Santos.

"Portugal é o país da UE com a ZEE (Zona Económica Exclusiva) mais extensa e é bem conhecida a relação que o nosso país tem com a imensidão azul que cobre mais de 70% da superfície terrestre. Esta riqueza que chega até de nós desde as profundezas aumentou bastante o seu valor tornando-se num potencial à escala global, a mesma escala do problema que pode resolver. Estou a falar da nova geração de energias renováveis que incluem o mar como parte da solução e onde Portugal se pode posicionar na dianteira mundial, conquistando e descobrindo uma vez mais todos os oceanos existentes.

Seja na energia eólica offshore, na energia das ondas ou na energia das correntes marítimas, a nossa historia, o nosso conhecimento, o nosso empenho e os nossos recursos naturais permitem que Portugal alcance uma posição de topo nesta área. Agradam-me os investimentos que estão a ser feitos neste sector e espero que se multipliquem à medida que os resultados vão surgindo e que a tecnologia vai amadurecendo. Pelo imperativo ambiental, económico e até social é vital que o nosso país não perca esta oportunidade de contribuir para um mundo mais sustentável, para a criação de milhares de empregos qualificados, para a criação de riqueza e para o desenvolvimento de Portugal e do mundo.

É caso para dizer que o mar ficou mais azul."

quarta-feira, 22 de julho de 2009

terça-feira, 21 de julho de 2009

Educação - Formação Constante

O último post dedicado à Educação centra-se em torno da importância da formação constante ao longo da vida de cada um de nós. Formação que pode durar horas, dias, semanas ou mesmo meses. Formação sem um grau pré-estabelecido. Formação que não é básica, secundária nem superior mas que é tão ou mais importante que estas.

É fácil esquecermos a importância que este tipo de formação tem na vida do indivíduo e o seu contributo para um país mais justo, competitivo e desenvolvido. A aprendizagem resultante da experiência de vida é muito importante e este tipo de formação que estou a falar, é uma forma de a "oficializar" e de a conjugar com conceitos teóricos que são necessários. Uma formação constante ao longo da vida do indivíduo é aquilo que permite a esse indivíduo actualizar-se e não parar no tempo em termos de pensamento e adaptação ao mercado de trabalho e à vida em sociedade em si.

Estes benefícios (geralmente) tornam-se mais evidentes em pessoas com um menor grau de escolaridade por terem tido menos estímulos intelectuais e por não terem conceitos teóricos que são essenciais à adaptação e aprendizagem prática. Imagine-se por exemplo uma fábrica que investe em maquinaria nova. Estas máquinas novas e modernas vão permitir que a fábrica aumente a sua produção e consequentemente a sua facturação. De nada serve este investimento se os empregados dessa fábrica não souberem trabalhar com as máquinas novas. Um indivíduo ao receber formação está a aumentar os seus conhecimentos e a tornar-se mais produtivo, não só no trabalho em si mas também a nível social. Ao recebermos formação ficamos aptos para realizar mais tarefas ou para realizar melhor tarefas que já realizávamos anteriormente. Isto leva a ganhos de competitividade nas empresas que podem ser suficientes para separar o fracasso do sucesso. Isto leva a que a pessoa possa aceitar um maior leque de empregos ou seja menos facilmente despedida por ser adaptar melhor a novas tarefas, contribuindo assim para reduzir o desemprego. Isto leva a que pessoa possa receber um salário mais elevado. Isto leva a que pessoa tenha uma maior propensão para querer aumentar as suas qualificações e estimula interesses culturais. Resumindo, este tipo de formação possibilita uma melhor vida social e profissional e acima de tudo, contribui para a actualização das pessoas (o melhor exemplo será o das tecnologias). Basta-nos imaginar os benefícios que a nossa agricultura poderia colher de simples acções de formação sobre rega, plantação, controlo de pragas, etc. para percebermos o quão importante em todos os sectores este vector da Educação é.

A formação constante ao longo da vida é a "tradução" prática do ditado "o saber não ocupa lugar" e a sua aposta é fundamental tanto do ponto de vista económico como social. Os seus resultados podem ser mais visíveis nas pessoas com menores qualificações mas todos nós sem excepção necessitamos de uma aprendizagem constante leccionada de várias formas (o debate e a troca de ideias são uma delas) que nos permite ir enriquecendo individualmente e enriquecer um pouco mais a nossa sociedade.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Educação - Ensino Superior

Neste penúltimo post sobre Educação vou analisar a importância do ensino superior. Cada vez mais portugueses optam por ingressar neste tipo de ensino e aumentar as suas qualificações. Portugal, na minha opinião, conta com bastantes universidades muito competentes e exigentes. Em qualquer parte do mundo, em qualquer área, existe sempre um português que se destaca e isso é sem dúvida um motivo de orgulho para o nosso país.

O país necessita de se desenvolver e para o país como um todo se desenvolver é preciso existir um desenvolvimento individual em cada um de nós. A educação é uma "ferramenta" para alcançar esse desenvolvimento já que nos possibilita uma aquisição de conhecimentos e experiências que nos aumentam as capacidades para realizar tarefas que já podíamos realizar e que nos conferem a aptidão para realizar tarefas novas. Quanto maior for a especificidade desses conhecimentos, melhor a qualidade das tarefas realizadas no âmbito dos mesmos. O ensino superior é o "apogeu" dessa especificidade e prepara-nos para realizar tarefas com um grau de qualidade bastante elevado. Portugal como país desenvolvido que é tem de apostar no conhecimento específico e desenvolver tarefas que países com salários mais baixos ainda não são capazes de realizar, ou pelo menos, não com a mesma qualidade. É necessário fomentar e facilitar o acesso ao ensino superior (entenda-se facilitar como por exemplo proporcionar o seu acesso aos escalões mais pobres da sociedade) e também preparar o país para empregar esse género de pessoas, tirando o máximo de proveito da formação adquirida.

Os cursos devem-se ir adaptando à realidade em constante mudança, não só em número de vagas mas como nos próprios conteúdos. Temos de garantir que as universidades dispõem das melhores infra-estruturas, equipamentos e docentes. Só assim teremos a certeza de estar a potenciar e aproveitar todo o talento existente. Deve-se estimular a interligação entre a aprendizagem prática e a aprendizagem teórica e apoiar actividades e programas extra-curriculares. Apoiar projectos de investigação/empresariais dos estudantes/recém-formados contribui bastante para o desenvolvimento de novas ideias que podem contribuir bastante para o desenvolvimento do país. A aposta num ensino superior de qualidade e acessível à totalidade da população deve contemplar a aposta em centros de investigação, parques tecnológicos, etc. É necessário formar grandes pessoas e é necessário dar-lhes oportunidades para que não tenham de ir para outros países à procura das "ferramentas" necessárias para a concretização dos seus projectos. O recente exemplo da forte aposta em nanotecnologia deve ser considerado como a "ponta do icebergue". Outros sectores como a saúde, agricultura, energias renováveis, ordenamento do território, construção, transportes, etc. encerram grandes potencialidades. Investir no ensino superior e no mundo em seu redor é investir no futuro a longo-prazo, é antecipar o futuro e tomar a dianteira nesse futuro que nós próprios estamos a criar.

A especialização leva à criatividade, inovação e competitividade necessárias para o sucesso. Portugal tem um grande potencial ao nível de recursos humanos e em sectores por explorar. Numa Europa e num mundo do século XXI onde cada vez mais conhecimento é poder, Portugal tem de recuperar o "tempo perdido" (devido à nossa História ainda algo recente) e duplicar esforços no sentido de antecipar o futuro. Já demos provas de que conseguimos alcançar grandes feitos e de que somos capazes de nos destacar em todas as áreas. Para mim, o investimento no ensino superior (englobando as estruturas de ensino, investigação e empregabilidade) é uma chave para multiplicar esses exemplos e para apoiar a tão necessária reconstrução do país. Grandes projectos de engenharia, reformas agrárias e industriais, aproveitamento de novas fontes de energia, nova mobilidade, melhor saúde e educação terão de ser apoiadas por recursos humanos com formação e capazes de tornar realidade estes objectivos e projectos. Sem uma estrutura humana que suporte estes projectos nenhum deles conseguirá sair do papel. A crescente aposta no ensino superior é o "espelho" de um novo Portugal. Um Portugal reconstruído e moderno com uma população capaz de o erguer e manter.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Carro Eléctrico

Uma vertente essencial no âmbito do desenvolvimento sustentável é a mobilidade. O automóvel é o principal meio de transporte a nível mundial e Portugal em particular, sente fortemente essa dependência. Apesar de muitos problemas relacionados com a mobilidade poderem ser resolvidos com investimentos em transportes públicos, a flexibilidade do carro torna-o insubstituível. É preciso então, encontrar soluções que melhorem este meio de transporte tornando-o mais "amigo" do ambiente.

Uma das principais mudanças necessárias é a alteração dos motores a combustão para motores eléctricos. Se a energia produzida para carregar as baterias que alimentam estes motores provir de fontes renováveis e limpas, estamos a evitar a emissão de gases poluentes que prejudicam o meio ambiente e a saúde pública. Outras mudanças serão necessárias (por exemplo a incorporação de materiais reciclados na construção do veículo) mas este tem sido o "cavalo de batalha" das principais marcas do ramo automóvel. O imperativo ambiental aliado a um preço cada vez mais inconstante do petróleo (e consequentemente das gasolinas e gasóleos) leva a uma procura renovada por carros eléctricos. As marcas aperceberam-se que este é o veículo do futuro e talvez a chave para tentar solucionar a crise do ramo automóvel. Os projectos de investigação e desenvolvimento multiplicam-se numa corrida desenfreada para melhorar esta tecnologia. As melhorias ao nível do desempenho e autonomia são notáveis e prometem continuar. Não duvido que caso esta tecnologia seja implantada com sucesso nos carros, as marcas passem a desenvolver soluções para outro tipo de veículos terrestres (motas, camiões, etc.) disseminando a tecnologia do veículo eléctrico como uma alternativa ambientalmente responsável e económica. Os governos de vários países já desenvolveram parcerias essencialmente para a constituição de redes de abastecimento a nível nacional. Portugal é um desses pioneiros, tendo negociado com a Renault-Nissan a implementação dos carros eléctricos no mercado português e com empresas como a Martifer, Sonae, Galp, EDP e outras o sistema de abastecimento. Este sistema tem uma importância muitas vezes esquecida por todos nós. Acima frisei as melhorias no desempenho e na autonomia dos carros eléctricos mas o carro em si é apenas metade da solução. O carregamento deste veículos é demorado e se em casa podemos deixá-lo a carregar durante a noite, o carregamento em viagem torna-se mais complicado. É até equacionada a hipótese de se trocar as baterias em vez de as carregarmos nesses postos de abastecimento. Se para "atestar" o meu carro demoro 4 horas, é preferível trocar a bateria descarregada por uma carregada. De seguida o posto de abastecimento carrega a minha bateria que servirá para outro cliente.

Também nesta área surgiu um importante desenvolvimento, fundamental para o sucesso da nova geração de automóveis. Uma empresa norte-americana, a Evoasis conseguiu reduzir o tempo de espera de várias horas para 20 minutos. O "segredo" está nas tomadas que são de 440 volts. Esta empresa projectou uma estação de abastecimento que será testada em Londres devido à densidade populacional. Esta inovadora estação de abastecimento para carros eléctricos assemelha-se a uma doca (os automóveis estacionam em torno de um centro) e os condutores podem ver televisão, aceder à internet ou visitar o café da estação. O objectivo é proporcionar conforto aos utilizadores de carros eléctricos enquanto esperam que os seus veículos sejam carregados com energia renovável já que esta estação utiliza o sol e o vento para produzir a energia de que necessita.

Apesar de achar que 20 minutos é ainda demasiado tempo (penso que o tempo médio deveria rondar os 5 minutos) este desenvolvimento é extremamente importante. O sucesso do carro eléctrico vai depender do veículo em si mas também da rede de abastecimento. No caso do veículo é preciso mostrar que um carro eléctrico é tão autónomo e veloz quanto um carro convencional, demonstrando aos condutores que se adequa perfeitamente às suas necessidaes diárias. No caso da rede de abastecimento é preciso introduzir uma nova "filosofia" onde o condutor se habitua a esperar mas fá-lo com qualidade e aproveitando esse tempo para desenvolver outras tarefas (por exemplo consultar o e-mail já que tem acesso à internet ou adiantar qualquer tipo de trabalho), compensando desse modo o tempo "perdido" já que o vai poupar mais tarde. O carro eléctrico vai chegar para ficar e até à sua entrada "a sério" no mercado muitos mais desenvolvimentos e melhorias se seguirão.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Educação - Cursos Técnicos e Profissionais

Neste terceiro subtema da Educação vou abordar a importância dos cursos técnicos e profissionais. Actualmente temos assistido a uma crescente aposta neste tipo de cursos que permite aos seus estudantes completarem o ensino secundário enquanto aprendem uma profissão, no prazo de 3 anos, prazo esse igual para quem somente conclui o ensino secundário. Ano após ano, a oferta de cursos é cada vez mais alargada e o número de vagas não pára de aumentar. Praticamente todos os sectores estarão já abrangidos por este tipo de cursos.

Pessoalmente dou uma grande importância aos mesmos e considero a sua existência e ampliação como uma mais-valia para o país em inúmeros aspectos. Sou a favor da extensão do ensino obrigatório até ao 12º ano. Este tipo de cursos desempenha um papel importante no combate ao abandono escolar já que proporciona uma alternativa ao ensino superior. Seja por falta de interesse, dinheiro, capacidade intelectual, etc. quem não quiser seguir para uma formação superior pode agora ter uma formação com uma componente prática bastante acentuada e capaz de lhe assegurar um futuro viável. Estes cursos resolvem também um problema que deriva da falta de quadros médios. Com a extinção dos bacharelatos é necessária a existência de formação média capaz de corresponder às necessidades do país e os cursos técnico-profissionais vêem preencher essa lacuna. Não é por acaso que uma boa parte dos estudantes são imediatamente "absorvidos" pelo mercado de trabalho após a conclusão do curso. Ligado ao mercado de trabalho está também um outro problema que estes cursos poderão ajudar a resolver. O do desemprego. Mesmo que a crise termine e que o investimento público e privado criem bastantes postos de trabalho, muitos deles não podem ser aproveitados se não existir uma formação prévia. Ou seja, não basta apenas criar postos de trabalho, é preciso ter pessoas com formação para aquele tipo de trabalho. Além de que esta formação leva a que os trabalhadores se adaptem melhor a mudanças, tornando as empresas mais competitivas, e consequentemente, diminuindo a probabilidade de despedimento. As novas tecnologias são apenas um exemplo das mudanças a que os trabalhadores necessitam de se adaptar. Existem benefícios sociais que não podem ser descurados. Um indivíduo com maior formação tem menos propensão a tornar-se um delinquente, tende a ser mais tolerante, a compreender melhor o mundo em sua volta, a defender com mais ênfase os seus direitos, etc. São benefícios difíceis de quantificar mas não deixam de ser extremamente importantes. Determinadas profissões e ofícios estão subaproveitados e subsistem à conta da experiência profissional sem formação de base. Isto leva a situações de precariedade, fuga de impostos, desonestidade laboral, entre outros problemas. No futuro vejo profissões como canalizadores, electricistas, serralheiros e muitas mais com uma força de trabalho que conte com uma formação técnico-profissional, algo melhor para o trabalhador mas também para o cliente. Por fim, e não menos importante, estes cursos dotam as pessoas de uma formação capaz de lhes proporcionar uma vida digna. São empregos com uma remuneração "boa" e que dada a oferta de cursos, permitem que as pessoas façam aquilo que gostam, algo extremamente importante para a felicidade individual e para o sucesso no trabalho.

Por todas estas vantagens considero a aposta no ensino técnico e profissional como uma excelente aposta na Educação e onde os "laços" estabelecidos com outros sectores (económico e social) são ainda mais vincados. Portugal precisa de pessoas com este tipo de formação e essas pessoas têm um papel fundamental no desenvolvimento do país. São o "motor" do trabalho, são o "combustível" que faz avançar o país. O ensino técnico-profissional é um "talento" que vale a pena explorar.