O sector dos videojogos nasceu da revolução tecnológica iniciada no século XX e que está a atingir um ritmo cada vez mais acelerado. Com o seu desenvolvimento aumenta também a sua importância para o bem e para o mal. É inegável o papel que hoje em dia esta indústria desempenha na nossa sociedade.
Os jogos influenciam as nossas escolhas, as nossas opiniões, as nossas análises. Eles fazem parte da nossa formação e educação. Apesar da sua influência se ter iniciado nos sectores mais jovens, é cada vez mais alargado o sector etário a que os jogos se destinam visto os seus consumidores estarem a ficar cada vez mais "variados" tanto em idades como em gostos. Recordo-me da seguinte frase na apresentação da PlayStation 3: "Isto (PS3) não é uma consola mas sim um centro de entretenimento". O mesmo se aplica às suas rivais (Xbox 360 e Nintendo Wii).
As consolas de futuro irão responder a um número cada vez maior de necessidades de entretenimento e lazer. Existe um enorme potencial e é preciso saber aproveitá-lo.
Plataformas online permitem a interacção entre pessoas, a realização de negócios e eventos online, a difusão de informação, "encurtar" distâncias e entreter os seus utilizadores ou ajudá-los profissionalmente. Novas aplicações (como o dispositivo EyeToy da Sony ou a consola Wii da Nintendo) permitem realizar exercício físico de uma forma agradável e sem sairmos do conforto das nossas casas. A existência de um leque cada vez mais alargado de gadgets (os veteranos volantes e pistolas passaram a ter como companhia espadas, pompons, tacos de snooker, canas de pesca, instrumentos musicais, plataformas de dança, bolas de futebol, etc.) permite novas experiências aos utilizadores e uma maneira cada vez mais diversificada e personalizada de entretenimento. Já é possível termos o nosso personal trainer digital e muitas mais profissões se seguirão. Os videojogos permitem também um treino bastante real de diversas situações e a acumulação de experiência nessas áreas. Existem simuladores de gestão, tácticas militares, saúde, condução, etc. bastante próximos da realidade e a aprendizagem obtida nesses mesmos simuladores poderá ser bastante importante para o nosso desempenho na "vida real". Além da aprendizagem em sectores específicos que podem ser um "complemento" à nossa formação podemos simplesmente desenvolver a nossa mente com a ajuda dos videojogos (por exemplo a Big Brain Academy da Wii ou o Buzz da Sony) o que não substituindo outros métodos (como a leitura) terá também um papel importante dadas as suas especificidades e a componente de diversão associada. A acumulação de informação nova através do acto de jogar é também em si uma forma de aprendizagem (aprendi bastante sobre os povos e civilizações antigas a jogar Age of Empires). Uma vez mais, é a componente de diversão associada ao jogo que torna a absorção de informação tão "natural" e a aprendizagem tão fácil. A tecnologia portátil tem também conhecido um grande desenvolvimento. A cultura "Anyone, Anytime, Anywhere" das consolas portáteis pode ter um excelente papel por exemplo, no aproximar de culturas e consequentemente, todos os benefícios que daí advêm.
Em suma, creio que os videojogos estão a desempenhar um forte papel na nossa sociedade e a sua tendência será para aumentar. Alegra-me ver todos os desenvolvimentos que estão a ser feitos, o que me leva a aumentar a "fasquia" do potencial que este sector encerra. Uma forte e correcta aposta nesta área poderá levar a uma melhor educação (pilar essencial de uma sociedade), a um maior convivío entre as pessoas (maior aproximação cultural, racial, etc.), a uma sociedade mais feliz e a outros benefícios (económicos, saúde, entre outros).
Pessoalmente sou um viciado em videojogos :) Gosto praticamente de todos os géneros, especialmente quando jogo com os meus amigos mas sou um "especialista" em FPS (first person shooter, são aqueles que só vemos a arma e não o boneco todo). Sou um fã incondicional da Sony (cá em casa habitam a PS2, PS3 e PSP) porque ligo bastante aos gráficos e aos jogos de "ponta" mas os meus pais preferem a Wii porque gostam é de se mexer enquanto jogam e não terem um comando com 500 teclas. A minha irmã adora os Buzz e o EyeToy porque gosta de interacção (e também gosta quando o Buzz diz que ela é mais inteligente que eu). Seja qual for o gosto, recomendo os videjogos a todas as pessoas. Possibilita um excelente tempo que combina aprendizagem, convívio e diversão.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Competitividade Empresarial - A importância do comércio justo
Ao ler um artigo sobre uma eventual deslocalização da Michelin para a Índia, lembrei-me uma vez mais da temática do comércio justo. E a sua relação com a competitividade empresarial.
Na altura de crise em que vivemos, muito se discute sobre o futuro das trocas comerciais a nível mundial. Qual será a solução? Apostar num forte proteccionismo para defender a produção nacional ou promover uma circulação de capitais e bens cada vez mais livre por todo o mundo?
Para mim, e como costuma dizer o meu amigo Carlos Santos, a cor da verdade é o cinzento. Se me perguntassem directamente qual das duas soluções acima apresentadas seria a correcta, eu diria que nenhuma. A solução, no meu entender, será antes uma outra alternativa. Em primeiro lugar devo referir que sou a favor do comércio livre, desde que justo. Não partilho da visão de que devemos perseguir a nossa auto-suficiência. Para mim, além de actualmente isso ser impossível, acho que seria bastante prejudicial para o nosso país. Não nos devemos encerrar em nós próprios. Devemos exportar o nosso melhor e importar o melhor dos outros. Pondo isto, não sou a favor de proteccionismos. Mas também não sou a favor de um comércio totalmente livre. Livre sim mas também regulado. Porque para mim, combater o dumping social (mesmo que isso signifique proteger produtos nacionais) não é proteccionismo mas uma questão de "moral" e "ética".
Para mim, o dumping (social, ambiental, etc.) só serve para distorcer a noção de competitividade. Porque a competitividade e a concorrência deviam gerar melhorias a todos os níveis e assim obtermos produtos com uma qualidade cada vez mais elevada que consequentemente proporcionariam uma qualidade de vida cada vez maior a um leque mais alargado de pessoas. As empresas deviam "combater" para nos aumentarem as regalias e os ordenados em troca dos nossos serviços. Não devíamos ser nós a implorar para que usem as nossas qualificações e aptidões. Pode ser uma ideia até bastante utópica mas já está presente em certas empresas de topo e deveríamos trabalhar no sentido de alargar essa noção a todos os tipos de emprego. Numa situação desesperada como aquela que enfrentamos actualmente, muitas pessoas pensam que as empresas lhes estão a fazer um "favor" ao não as despedirem. Em alguns casos será assim, mas na maioria dos casos o patronato aproveita-se desta situação para explorar os trabalhadores. Quantas empresas com boa saúde financeira é que já se aproveitaram da crise para proceder a despedimentos, redução de salários, regalias, etc?
Neste aspecto o comércio justo pode e deve ter um papel fundamental na competitividade empresarial. Porque se retirarmos o dumping as empresas terão de encontrar outras formas de se "sobrepor" umas às outras. Formas essas que poderiam ser benéficas para nós e para o planeta, ao contrário do dumping que é altamente destrutivo para o ambiente e para o capital social. Pagarmos o preço justo pelos produtos não deveria ser uma opção mas uma "obrigação". As associações/organizações de comércio desempenham um papel bastante importante mas sem o auxílio governamental torna-se bastante difícil produzir mudanças a nível mundial.
O potencial do comércio justo é enorme. Serviria para reduzir a pobreza (com consequências bem conhecidas na educação e saúde), para melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas, para financiar projectos de desenvolvimento local, para adaptar melhor os países subdesenvolvidos às alterações climáticas, etc. Essencialmente o comércio justo poderia financiar a resolução de vários problemas à escala global. E ao mesmo tempo, trazer o benefício de moldarmos a competitividade empresarial para um outro patamar que não o do desrespeito pelos Direitos Humanos. Assim sim, mereceria a pena defender o comércio livre e aproveitarmos os seus benefícios não só económicos como sociais (como o aproximar de culturas e povos).
Na altura de crise em que vivemos, muito se discute sobre o futuro das trocas comerciais a nível mundial. Qual será a solução? Apostar num forte proteccionismo para defender a produção nacional ou promover uma circulação de capitais e bens cada vez mais livre por todo o mundo?
Para mim, e como costuma dizer o meu amigo Carlos Santos, a cor da verdade é o cinzento. Se me perguntassem directamente qual das duas soluções acima apresentadas seria a correcta, eu diria que nenhuma. A solução, no meu entender, será antes uma outra alternativa. Em primeiro lugar devo referir que sou a favor do comércio livre, desde que justo. Não partilho da visão de que devemos perseguir a nossa auto-suficiência. Para mim, além de actualmente isso ser impossível, acho que seria bastante prejudicial para o nosso país. Não nos devemos encerrar em nós próprios. Devemos exportar o nosso melhor e importar o melhor dos outros. Pondo isto, não sou a favor de proteccionismos. Mas também não sou a favor de um comércio totalmente livre. Livre sim mas também regulado. Porque para mim, combater o dumping social (mesmo que isso signifique proteger produtos nacionais) não é proteccionismo mas uma questão de "moral" e "ética".
Para mim, o dumping (social, ambiental, etc.) só serve para distorcer a noção de competitividade. Porque a competitividade e a concorrência deviam gerar melhorias a todos os níveis e assim obtermos produtos com uma qualidade cada vez mais elevada que consequentemente proporcionariam uma qualidade de vida cada vez maior a um leque mais alargado de pessoas. As empresas deviam "combater" para nos aumentarem as regalias e os ordenados em troca dos nossos serviços. Não devíamos ser nós a implorar para que usem as nossas qualificações e aptidões. Pode ser uma ideia até bastante utópica mas já está presente em certas empresas de topo e deveríamos trabalhar no sentido de alargar essa noção a todos os tipos de emprego. Numa situação desesperada como aquela que enfrentamos actualmente, muitas pessoas pensam que as empresas lhes estão a fazer um "favor" ao não as despedirem. Em alguns casos será assim, mas na maioria dos casos o patronato aproveita-se desta situação para explorar os trabalhadores. Quantas empresas com boa saúde financeira é que já se aproveitaram da crise para proceder a despedimentos, redução de salários, regalias, etc?
Neste aspecto o comércio justo pode e deve ter um papel fundamental na competitividade empresarial. Porque se retirarmos o dumping as empresas terão de encontrar outras formas de se "sobrepor" umas às outras. Formas essas que poderiam ser benéficas para nós e para o planeta, ao contrário do dumping que é altamente destrutivo para o ambiente e para o capital social. Pagarmos o preço justo pelos produtos não deveria ser uma opção mas uma "obrigação". As associações/organizações de comércio desempenham um papel bastante importante mas sem o auxílio governamental torna-se bastante difícil produzir mudanças a nível mundial.
O potencial do comércio justo é enorme. Serviria para reduzir a pobreza (com consequências bem conhecidas na educação e saúde), para melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas, para financiar projectos de desenvolvimento local, para adaptar melhor os países subdesenvolvidos às alterações climáticas, etc. Essencialmente o comércio justo poderia financiar a resolução de vários problemas à escala global. E ao mesmo tempo, trazer o benefício de moldarmos a competitividade empresarial para um outro patamar que não o do desrespeito pelos Direitos Humanos. Assim sim, mereceria a pena defender o comércio livre e aproveitarmos os seus benefícios não só económicos como sociais (como o aproximar de culturas e povos).
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quarta-feira, 24 de junho de 2009
Aniversário
Quero pedir desculpa a todos os meus leitores pela pequena interrupção aqui no Pensamento Alinhado. Tento sempre fazer um post por dia e ser regular nas publicações para garantir que todos encontram novidades fresquinhas aqui no blog :)
Ontem realizei o Exame Nacional de História e hoje faço anos pelo que não consigo ter tempo para fazer um post à altura daqueles que me lêem. Amanhã quinta-feira, a vida "volta ao normal" e continuarei a publicar como habitualmente. Sempre contando com a colaboração e opinião de todos.
Cumprimentos a todos!
Ontem realizei o Exame Nacional de História e hoje faço anos pelo que não consigo ter tempo para fazer um post à altura daqueles que me lêem. Amanhã quinta-feira, a vida "volta ao normal" e continuarei a publicar como habitualmente. Sempre contando com a colaboração e opinião de todos.
Cumprimentos a todos!
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Direitos dos Animais
Frequentemente quando pensamos em direitos pensamos somente nos Direitos Humanos. Tendo em conta a quantidade de vezes que diariamente esses direitos são desrespeitados por todo o mundo, é "normal" esse problema ocupar a totalidade do nosso pensamento. Infelizmente a defesa dos Direitos Fundamentais chega para nos ocupar o dia e fazer reflectir sobre uma realidade pouco animadora.
Mas os animais também têm direitos e estão reconhecidos internacionalmente. Não existem direitos sem deveres. O dever desses animais é simplesmente o de existirem porque se desaparecerem, desaparecerá com eles a sustentabilidade do nosso planeta e no extremo, levará à nossa extinção. O Homem prova todos os dias que não é inteligente o suficiente para querer resolver problemas que podem ditar o seu próprio fim, pelo que nem com esta relação de interdependência tão elevada os animais estão protegidos. Pelo contrário. Sempre fui a favor da defesa dos animais mas ultimamente, por influência de amigos, o meu trabalho de voluntariado têm-se concentrado nesta área. Esta nova experiência levou-me a despertar para esta realidade e sem dúvida que me sensibilizou muito mais para a temática. Escolhi quatro pontos específicos para abordar este tema geral. Circos, touradas, peles e zoos. O vegetarianismo e a sua relação com a defesa dos animais e defesa de um planeta sustentável será tratado em post próprio bem como a importância dos ecossistemas.
Circos) Pessoalmente sou contra circos que utilizem animais. Nunca me senti muito interessado por espectáculos circenses (mesmo os que não utilizam animais) mas respeito quem goste de assistir aos mesmos. Sou contra os circos que utilizam animais por duas razões. A primeira é a forma como a maioria deles treinam os animais (não digo a totalidade porque tenho receio de desconhecer algum método) que envolve sempre sofrimento e medo. A única razão para um felino passar por um arco em chamas não é agradar a ninguém mas sim sujeitar-se a esse risco devido ao medo que tem das chicotadas, etc. O mesmo para os macacos que se equilibram em monociclos e por aí fora. A segunda razão são as próprias condições de vida a que os animais são sujeitos. São tratados como autênticos objectos e a sua única utilidade para os donos é somente o lucro. Tanto as condições em que vivem e são transportados como as relações que estabelecem com os humanos são degradantes para os animais. Considero que levam uma vida infeliz e vêem os seus direitos desrespeitados só para satisfazerem a nossa necessidade de entretenimento.
Touradas) As touradas constituem em Portugal uma forte tradição. Para mim a tradição não é sagrada e se uma tradição está errada então devemos alterá-la ou proceder à sua extinção. A morte por lapidação (apedrejamento) é uma prática bastante antiga e tradicional de punir determinados crimes em alguns países e não é isso que me impede de repudiar completamente essa sentença. A tradição somos nós que a criamos e ao extinguirmos uma hoje poderemos estar a criar uma para o amanhã. É importante recordar a nossa História, a nossa cultura e os nossos hábitos mas não os devemos impedir que esses mesmos hábitos mudem. Evoluímos e a mudança de determinados hábitos/concepções é fruto dessa evolução. Aquilo que está bem hoje não tem necessariamente de estar correcto amanhã. Pondo isto sou também contra as touradas pois não concordo com o sofrimento do touro uma vez mais só com o fundamento de servir a nossa necessidade de entretenimento. Dois homens quando entram num ringue para lutar escolheram esse caminho e estão conscientes daquilo que se vai passar. O touro não escolhe entrar na arena nem escolhe sofrer, seja até à morte ou não.
Peles) Os vídeos que demonstram a forma como é retirada a pele/pêlo aos animais são das coisas mais tristes que já vi durante a minha vida. Pessoalmente não consigo manter uma postura séria quando vejo esses vídeos, já que a sua intensidade é tão grande que é impossível conter o sentimento de revolta. Tenho de confessar que de toda a exploração animal, a indústria das peles é aquela pela qual tenho menor tolerância e compreensão em relação aos seus defensores. Se em relação aos circos e touradas concebo a possibilidade de debate, não consigo ver um argumento sério que defenda a utilização de peles no nosso vestuário. Os animais são criados em instalações que os colocam desde nascença dentro de uma gaiola minúscula até chegar o dia do seu abate. Para manter toda a qualidade da pele, a mesma tem de ser retirada com o animal vivo e sem qualquer tipo de anestesia. Eu supunha que civilização e desenvolvimento significassem mais que a existência de prédios, dinheiro, carros e computadores. A conclusão da minha posição está bem explícita desde o início. Sou completamente contra a utilização de peles naturais para a confecção de vestuário, calçado, acessórios, etc.
Zoos) Esta é para mim a questão mais complicada. O meu pensamento de base encontra-se na óptica de apoio à existência de jardins zoológicos embora mantenha bastantes reservas. Temos que nos recordar que os animais nos zoos não estão no seu habitat natural e como tal é imperativo modernizar as condições desses parques para minorarmos ao máximo esses efeitos negativos na vida do animal. Algo que também diferencia (ou deverá diferenciar) este tipo de "exploração" animal das restantes é a relação entre os animais e os seus tratadores. Os tratadores dos zoos não têm interesses económicos nos animais pelo que têm todas as condições para manter uma relação genuína com o animal que está a seu cargo. E isto será sempre bastante importante para minorar uma vez mais o impacto da falta do habitat natural. De seguida vou esclarecer os motivos que me levam a entender que os jardins zoológicos são bastante importantes na própria defesa dos animais. Primeiro que tudo, penso que os zoos desempenham um papel fundamental na transmissão de conhecimento sobre as espécies e na sensibilização das populações. Será muito mais fácil sensibilizarmos alguém para a conservação de determinado habitat se essa pessoa tiver contacto e informações com as espécies desse mesmo habitat. Isto ganha especial relevo na protecção dos oceanos e das espécies marinhas. É difícil exigir às pessoas que tomem uma atitude e mudem os seus hábitos em prol de um "mundo" tão distante e vasto como os ecossistemas marinhos. Instalações como o Oceanário têm um papel fundamental na defesa dos animais que eles próprios albergam. Bastante importante é também a pesquisa que pode ser feita nestes animais. Ao compreendermos melhor os seus hábitos poderemos protegê-los melhor. Não conseguimos criar "santuários" para nenhuma espécie se não soubermos as suas necessidades. Por último, o papel que os zoos podem ter na própria conservação das espécies. Muitas vezes estas infraestruturas albergam animais que se continuassem no seu habitat natural morreriam (por exemplo crias órfãs) e por vezes reintroduzem-nas mais tarde de novo nesse mesmo habitat. Os programas de recuperação têm também um papel importante para evitar a extinção de mais espécies e apoiar aquelas que se encontram ameaçadas.
Acima de tudo é necessário enquadrar a defesa dos animais na defesa do próprio planeta já que têm tanto direito de habitar nesta casa como nós. E são extremamente importantes pois a sua sobrevivência é a nossa sobrevivência. Mesmo por interesses egoístas a sua protecção deveria ser uma prioridade.
Mas os animais também têm direitos e estão reconhecidos internacionalmente. Não existem direitos sem deveres. O dever desses animais é simplesmente o de existirem porque se desaparecerem, desaparecerá com eles a sustentabilidade do nosso planeta e no extremo, levará à nossa extinção. O Homem prova todos os dias que não é inteligente o suficiente para querer resolver problemas que podem ditar o seu próprio fim, pelo que nem com esta relação de interdependência tão elevada os animais estão protegidos. Pelo contrário. Sempre fui a favor da defesa dos animais mas ultimamente, por influência de amigos, o meu trabalho de voluntariado têm-se concentrado nesta área. Esta nova experiência levou-me a despertar para esta realidade e sem dúvida que me sensibilizou muito mais para a temática. Escolhi quatro pontos específicos para abordar este tema geral. Circos, touradas, peles e zoos. O vegetarianismo e a sua relação com a defesa dos animais e defesa de um planeta sustentável será tratado em post próprio bem como a importância dos ecossistemas.
Circos) Pessoalmente sou contra circos que utilizem animais. Nunca me senti muito interessado por espectáculos circenses (mesmo os que não utilizam animais) mas respeito quem goste de assistir aos mesmos. Sou contra os circos que utilizam animais por duas razões. A primeira é a forma como a maioria deles treinam os animais (não digo a totalidade porque tenho receio de desconhecer algum método) que envolve sempre sofrimento e medo. A única razão para um felino passar por um arco em chamas não é agradar a ninguém mas sim sujeitar-se a esse risco devido ao medo que tem das chicotadas, etc. O mesmo para os macacos que se equilibram em monociclos e por aí fora. A segunda razão são as próprias condições de vida a que os animais são sujeitos. São tratados como autênticos objectos e a sua única utilidade para os donos é somente o lucro. Tanto as condições em que vivem e são transportados como as relações que estabelecem com os humanos são degradantes para os animais. Considero que levam uma vida infeliz e vêem os seus direitos desrespeitados só para satisfazerem a nossa necessidade de entretenimento.
Touradas) As touradas constituem em Portugal uma forte tradição. Para mim a tradição não é sagrada e se uma tradição está errada então devemos alterá-la ou proceder à sua extinção. A morte por lapidação (apedrejamento) é uma prática bastante antiga e tradicional de punir determinados crimes em alguns países e não é isso que me impede de repudiar completamente essa sentença. A tradição somos nós que a criamos e ao extinguirmos uma hoje poderemos estar a criar uma para o amanhã. É importante recordar a nossa História, a nossa cultura e os nossos hábitos mas não os devemos impedir que esses mesmos hábitos mudem. Evoluímos e a mudança de determinados hábitos/concepções é fruto dessa evolução. Aquilo que está bem hoje não tem necessariamente de estar correcto amanhã. Pondo isto sou também contra as touradas pois não concordo com o sofrimento do touro uma vez mais só com o fundamento de servir a nossa necessidade de entretenimento. Dois homens quando entram num ringue para lutar escolheram esse caminho e estão conscientes daquilo que se vai passar. O touro não escolhe entrar na arena nem escolhe sofrer, seja até à morte ou não.
Peles) Os vídeos que demonstram a forma como é retirada a pele/pêlo aos animais são das coisas mais tristes que já vi durante a minha vida. Pessoalmente não consigo manter uma postura séria quando vejo esses vídeos, já que a sua intensidade é tão grande que é impossível conter o sentimento de revolta. Tenho de confessar que de toda a exploração animal, a indústria das peles é aquela pela qual tenho menor tolerância e compreensão em relação aos seus defensores. Se em relação aos circos e touradas concebo a possibilidade de debate, não consigo ver um argumento sério que defenda a utilização de peles no nosso vestuário. Os animais são criados em instalações que os colocam desde nascença dentro de uma gaiola minúscula até chegar o dia do seu abate. Para manter toda a qualidade da pele, a mesma tem de ser retirada com o animal vivo e sem qualquer tipo de anestesia. Eu supunha que civilização e desenvolvimento significassem mais que a existência de prédios, dinheiro, carros e computadores. A conclusão da minha posição está bem explícita desde o início. Sou completamente contra a utilização de peles naturais para a confecção de vestuário, calçado, acessórios, etc.
Zoos) Esta é para mim a questão mais complicada. O meu pensamento de base encontra-se na óptica de apoio à existência de jardins zoológicos embora mantenha bastantes reservas. Temos que nos recordar que os animais nos zoos não estão no seu habitat natural e como tal é imperativo modernizar as condições desses parques para minorarmos ao máximo esses efeitos negativos na vida do animal. Algo que também diferencia (ou deverá diferenciar) este tipo de "exploração" animal das restantes é a relação entre os animais e os seus tratadores. Os tratadores dos zoos não têm interesses económicos nos animais pelo que têm todas as condições para manter uma relação genuína com o animal que está a seu cargo. E isto será sempre bastante importante para minorar uma vez mais o impacto da falta do habitat natural. De seguida vou esclarecer os motivos que me levam a entender que os jardins zoológicos são bastante importantes na própria defesa dos animais. Primeiro que tudo, penso que os zoos desempenham um papel fundamental na transmissão de conhecimento sobre as espécies e na sensibilização das populações. Será muito mais fácil sensibilizarmos alguém para a conservação de determinado habitat se essa pessoa tiver contacto e informações com as espécies desse mesmo habitat. Isto ganha especial relevo na protecção dos oceanos e das espécies marinhas. É difícil exigir às pessoas que tomem uma atitude e mudem os seus hábitos em prol de um "mundo" tão distante e vasto como os ecossistemas marinhos. Instalações como o Oceanário têm um papel fundamental na defesa dos animais que eles próprios albergam. Bastante importante é também a pesquisa que pode ser feita nestes animais. Ao compreendermos melhor os seus hábitos poderemos protegê-los melhor. Não conseguimos criar "santuários" para nenhuma espécie se não soubermos as suas necessidades. Por último, o papel que os zoos podem ter na própria conservação das espécies. Muitas vezes estas infraestruturas albergam animais que se continuassem no seu habitat natural morreriam (por exemplo crias órfãs) e por vezes reintroduzem-nas mais tarde de novo nesse mesmo habitat. Os programas de recuperação têm também um papel importante para evitar a extinção de mais espécies e apoiar aquelas que se encontram ameaçadas.
Acima de tudo é necessário enquadrar a defesa dos animais na defesa do próprio planeta já que têm tanto direito de habitar nesta casa como nós. E são extremamente importantes pois a sua sobrevivência é a nossa sobrevivência. Mesmo por interesses egoístas a sua protecção deveria ser uma prioridade.
Super-Obama
domingo, 21 de junho de 2009
Prémio Lemniscata

Hoje o blog Pensamento Alinhado foi distinguido com o prémio Lemniscata. Este prémio é concedido por um blog que tenha previamente recebido o mesmo e que pode distribui-lo por 7 blogs que ache terem qualidade suficiente para o receberem. O Valor das Ideias de Carlos Santos foi o blog que premiou este espaço. De seguida coloco o texto oficial e escolho os blogs que eu próprio distingo.
“O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."
Sobre o significado de LEMNISCATA:LEMNISCATA: “curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.”
Lemniscato: ornado de fitas Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores(In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora)
Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente.
Texto da editora de “Pérola da cultura”
Seguindo as regras este prémio é para ser atribuído de seguida a 7 blogues.
Assim, atribuo-o a:
Lemniscato: ornado de fitas Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores(In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora)
Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente.
Texto da editora de “Pérola da cultura”
Seguindo as regras este prémio é para ser atribuído de seguida a 7 blogues.
Assim, atribuo-o a:
Alguns destes blogs já receberam ínumeras menções. Outros talvez nenhuma. Alguns são veteranos da blogosfera, outros serão novatos como eu. O único critério que coloquei para a atribuição das minhas distinções foi somente o facto de por qualquer motivo, sentir que completam e influenciam a minha vivência na blogosfera. Concordo com várias opiniões publicadas nos blogs distinguidos, com outras discordarei totalmente. Mas respeito todos eles e a verdade é que, dia após dia, não dispenso a sua consulta. A ordem das distinções é completamente aleatória e o critério utilizado imprime neutralidade na selecção. Infelizmente o facto de ser novato na blogosfera não me permite conhecer todo o talento que habita neste mundo virtual. Talento que mereceria muito mais que eu, ser distinguido. Espero com o tempo vir a conhecer novos blogs de qualidade e quando a oportunidade surgir, realizar a devida vénia.
Um agradecimento a todos os que por aqui passam, lêem, comentam e debatem. Tenho o privilégio de já ter realizado várias discussões neste espaço, discussões essas que me ensinaram bastante. Escrevo para aprender e sem a participação de todos os que por aqui passam, seria impossível aprender algo. A importância deste prémio será diferente de blogger para blogger. Para mim é muito importante já que simboliza uma homenagem à construção deste pequeno espaço, que apesar de contar com um só autor, deriva de uma construção conjunta de que todos aqueles que me lêem neste momento fazem parte. Uma visita, um seguidor, um comentário. Tudo isso contribui e me dá força para querer escrever cada vez mais e melhor. Uma vez mais um agradecimento a todos e um apelo a que a vossa extrordinária contribuição continue.
Um agradecimento especial ao Carlos Santos pela atribuição da distinção. O Carlos é professor universitário, doutorou-se em Oxford e faz análises económicas como poucos se podem gabar de fazer. Acompanhou de forma excelente as eleições americanas de 2008, tornou o seu blog numa referência e publicou um excelente livro a respeito do mandato de Obama. Tudo isso merece ser respeitado mas não é por isso que elogio o Carlos. É benfiquista. Tenho que lhe oferecer uma camisola bem azul mas não será por isso que o vou deixar de elogiar. Elogio-o por ser meu amigo. Isso é algo que deriva da interacção entre as pessoas. Algo sem preço, sem influências de clubes de futebol, partidos políticos, graus académicos, etc. Elogio-o por sempre me ter recebido no seu espaço. Por ter estado sempre disponível para debater todos os temas comigo. Por confiar em mim. Por me ajudar a evoluir e a crescer. Por se preocupar. E se este agradecimento simboliza algo é o meu total respeito para com ele. E acima de tudo a amizade.
A "saga" contínua e irei analisar muitos mais temas neste espaço, tentando sempre corresponder à confiança depositada. Como sempre, estão todos convidados a lançar desafios e a fomentar o debate, transmitindo as vossas opiniões!
sábado, 20 de junho de 2009
Igualdade de Direitos
Decorreu hoje a 10ª Marcha do orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros). A décima edição desta marcha apoiada por 11 organizações contou com a presença de cerca de mil pessoas. O objectivo dos participantes é chamar à atenção para a discriminação de que são alvo e para os direitos que lhes são negados (nomeadamente casamento civil e adopção de crianças).
Lisboa foi o local escolhido para a realização da marcha, sendo que o seu trajecto se iniciou no Príncipe Real e terminou nos Restauradores. Ano após ano a Marcha do orgulho LGBT tem vindo a ganhar cada vez mais apoiantes que se sentem de alguma forma excluídos da sociedade, alguns afirmam mesmo que são "cidadãos de segunda". A principal "vitória" destes manifestantes foi a revisão constitucional de 2004 que passou a incluir a orientação sexual como uma categoria em função da qual ninguém pode ser discriminado. Entre os participantes existe o sentimento de que se cumprem com os mesmos deveres que outros cidadãos (heterossexuais) deveriam ter os mesmos direitos.
A marcha iniciou-se às 17:30 e após passar por várias ruas da capital, terminou nos Restauradores onde representantes das associações organizativas discursaram.
Pessoalmente não penso que faça sentido discriminarmos estas pessoas. Desde que cumpram com os seus deveres (e que são comuns a todos nós independentemente da nossa orientação sexual) não vejo qualquer argumento para serem tratados como "cidadãos de segunda". Aquilo que nos distingue dos animais é a nossa capacidade de racíocinio e de evolução constante pelo que não acredito em teses do género "ser homessexual é contra-natura". Por esse prisma também será contra-natura termos deveres e direitos instituídos. Porque existe a Constituição? Porque evoluímos. Porque não competimos mortalmente pelas fêmeas? Porque evoluímos. Porque vemos a sexualidade como algo mais que pura reprodução? Porque evoluímos. Porque aceitamos pessoas que se sintam atraídas por outras pessoas do mesmo sexo? Porque evoluímos. E por aí fora...
Da mesma maneira que devemos respeitar a orientação religiosa, orientação cultural, orientação de pensamentos, orientação artística, etc. devemos respeitar também a orientação sexual de cada um. Pondo isto, sou a favor do casamento civil entre homossexuais. Se a Igreja Católica deveria ou não ser a favor, isso é algo diferente. Eu posso ter a minha opinião, mas só segue a religião católica quem quer. Não existe uma "obrigação" de ser contra nem de ser a favor. É algo que cabe à instituição em si e que caberá aos seus seguidores avaliar, julgar e decidir. Sob a "tutela" da Constituição estamos todos e como tal, é essencial permitir o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, para garantirmos a igualdade de direitos que afirmamos respeitar. Em relação à adopção de crianças mantenho algumas reservas, e não me considero suficientemente informado para conseguir afirmar sim ou não. As minhas reservas não derivam de qualquer tipo de discriminação mas antes da forma como a sociedade em geral iria aceitar essa ideia. Se de facto os homossexuais são diariamente alvo de discriminação, isso não seria nada positivo para a criança que têm a sua cargo. Ou seja, é muito difícil para um filho de um casal homossexual se integrar na sociedade e ver a sua situação respeitada desde infância se os próprios pais são discriminados e se a maioria das pessoas vê a sua situação como algo "incorrecto". Para as crianças entenderem que a homossexualidade é algo perfeitamente normal e que em nada modifica os nossos direitos e deveres, é necessário primeiro que os adultos tenham essa noção.
Lisboa foi o local escolhido para a realização da marcha, sendo que o seu trajecto se iniciou no Príncipe Real e terminou nos Restauradores. Ano após ano a Marcha do orgulho LGBT tem vindo a ganhar cada vez mais apoiantes que se sentem de alguma forma excluídos da sociedade, alguns afirmam mesmo que são "cidadãos de segunda". A principal "vitória" destes manifestantes foi a revisão constitucional de 2004 que passou a incluir a orientação sexual como uma categoria em função da qual ninguém pode ser discriminado. Entre os participantes existe o sentimento de que se cumprem com os mesmos deveres que outros cidadãos (heterossexuais) deveriam ter os mesmos direitos.
A marcha iniciou-se às 17:30 e após passar por várias ruas da capital, terminou nos Restauradores onde representantes das associações organizativas discursaram.
Pessoalmente não penso que faça sentido discriminarmos estas pessoas. Desde que cumpram com os seus deveres (e que são comuns a todos nós independentemente da nossa orientação sexual) não vejo qualquer argumento para serem tratados como "cidadãos de segunda". Aquilo que nos distingue dos animais é a nossa capacidade de racíocinio e de evolução constante pelo que não acredito em teses do género "ser homessexual é contra-natura". Por esse prisma também será contra-natura termos deveres e direitos instituídos. Porque existe a Constituição? Porque evoluímos. Porque não competimos mortalmente pelas fêmeas? Porque evoluímos. Porque vemos a sexualidade como algo mais que pura reprodução? Porque evoluímos. Porque aceitamos pessoas que se sintam atraídas por outras pessoas do mesmo sexo? Porque evoluímos. E por aí fora...
Da mesma maneira que devemos respeitar a orientação religiosa, orientação cultural, orientação de pensamentos, orientação artística, etc. devemos respeitar também a orientação sexual de cada um. Pondo isto, sou a favor do casamento civil entre homossexuais. Se a Igreja Católica deveria ou não ser a favor, isso é algo diferente. Eu posso ter a minha opinião, mas só segue a religião católica quem quer. Não existe uma "obrigação" de ser contra nem de ser a favor. É algo que cabe à instituição em si e que caberá aos seus seguidores avaliar, julgar e decidir. Sob a "tutela" da Constituição estamos todos e como tal, é essencial permitir o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, para garantirmos a igualdade de direitos que afirmamos respeitar. Em relação à adopção de crianças mantenho algumas reservas, e não me considero suficientemente informado para conseguir afirmar sim ou não. As minhas reservas não derivam de qualquer tipo de discriminação mas antes da forma como a sociedade em geral iria aceitar essa ideia. Se de facto os homossexuais são diariamente alvo de discriminação, isso não seria nada positivo para a criança que têm a sua cargo. Ou seja, é muito difícil para um filho de um casal homossexual se integrar na sociedade e ver a sua situação respeitada desde infância se os próprios pais são discriminados e se a maioria das pessoas vê a sua situação como algo "incorrecto". Para as crianças entenderem que a homossexualidade é algo perfeitamente normal e que em nada modifica os nossos direitos e deveres, é necessário primeiro que os adultos tenham essa noção.
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sexta-feira, 19 de junho de 2009
Livros - 3

"E agora, Obama?" é um livro de Carlos Santos sobre as suas perspectivas para o futuro dos EUA sob o comando do presidente Barack Obama. A sua edição cabe à Esfera do Caos.
Neste livro Carlos Santos revela-nos a actuação de Obama e da sua administração em todos os campos. Podemos encontrar considerações sobre como solucionar a crise, reformar a educação e a saúde, política externa e relações internacionais, ambiente, energia, etc.
A eleição do primeiro presidente afro-americano encheu-se de mediatismo por todo o mundo e o seu lema de "esperança" dominou os cinco continentes, tornando-o num verdadeiro líder mundial. Apesar de todas as promessas e planos realizados pela sua administração, Obama não terá um mandato fácil. Tem uma crise nunca antes vista por resolver, milhões de desempregados desesperados, duas guerras sem fim à vista e um sistema de saúde e de educação em constante degradação. Tudo isto a juntar a um imperativo ambiental cada vez mais vincado e onde os EUA se deixaram ficar para trás bem como relações internacionais extremamente complicadas.
O autor tem o dom de explicar de forma simples e fundamentada os planos de Obama ponto a ponto, decifrando as suas qualidades e defeitos. Tema por tema, começamos a compreender a tarefa hercúlea que este presidente terá de enfrentar e mesmo com a sua vontade férrea, é impossível cumprir todos os objectivos num prazo de 5 anos. Alguns poderão levar mais tempo que o esperado, outros poderão nunca ser atingidos na sua totalidade. Uma coisa é certa, a administração Obama terá de trabalhar rápido e bem e a cooperação internacional é essencial para inverter a actual situação.
Pessoalmente gostei bastante do livro. Acompanhei a eleição de Obama desde as primárias com Hillary Clinton e explorei muitas das suas propostas. Contudo, até ler este livro não tinha uma verdadeira noção de como poderiam ser postas em prática e dos prós e contras que essas mesmas propostas iriam enfrentar. Carlos Santos avalia de certa forma o futuro dos EUA e consequentemente, o futuro do mundo.
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quinta-feira, 18 de junho de 2009
Resíduos e Recursos Naturais | problema e solução
Quando falamos de problemas ambientais a primeira ideia que nos vem à cabeça são painéis solares e turbinas eólicas. Pensamos nós, que quando produzirmos 100% da nossa electricidade através de fontes renováveis não teremos mais problemas. Raramente se fala na enorme quantidade de resíduos que produzimos e no esgotamento quase total que estamos a provocar a uma variedade de recursos naturais, recursos esses dos quais dependemos para sobreviver. A água será provavelmente o exemplo mais mediático. As campanhas que sensibilizam para a reciclagem são dos poucos focos que sensibilizam para esta temática. Mas não nos podemos esquecer que o primeiro dos 3R (reduzir, reutilizar e reciclar) não é reciclar, aliás esse é mesmo o último.
A reciclagem é um passo fundamental para a sustentabilidade futura do planeta mas só resultará se for acompanhada pelos outros dois passos (reduzir e reutilizar) e se a conseguirmos aplicar à totalidade de resíduos que produzimos. Porque os recursos naturais não são infinitos, temos de explorá-los a um ritmo que permita a sua regeneração e perceber a importância de criar um ciclo que conceba a sua reutilização e reciclagem um sem número de vezes. No meu entender, uma gestão sustentável neste campo é quando simplesmente não necessitarmos dos contentores convencionais. Quando 0% dos nossos resíduos forem encaminhados para um aterro porque a sua totalidade foi para centros de tratamento e reciclagem. É uma meta ambiciosa e mas temos de lutar por ela. O primeiro passo é reduzir ao máximo o volume de resíduos que produzimos e isso faz-se com pequenas atitudes como comprar embalagens maiores do que um conjunto de embalagens menores (por exemplo comprar uma garrafa de 2L de Coca-Cola invés de 6 latas de 0,33L). O segundo passo é reutilizar o nosso lixo, reduzindo ainda mais o total a ser tratado e reciclado, algo também alcançável com pequenos passos como aproveitar as embalagens para futuras utilizações (encher as garrafas de água com água corrente invés de adquirir mais água engarrafada ou aproveitar boiões de vidro para fazer pequenos vasos). Por fim, todo o lixo restante seria encaminhado para tratamento e reciclagem. Agrada-me o facto de ver que cada vez mais resíduos podem ser tratados e reciclados (por exemplo a expansão da reciclagem de óleos alimentares, tinteiros, telemóveis, radiografias, etc.). Acredito nesta expansão e numa eficiência cada vez maior no processo de reciclagem. Os ecopontos têm de se actualizar para estarem preparados para receberem um conjunto cada vez mais alargado de resíduos e a sensibilização tem ser cada vez maior.
De seguida apresento dois exemplos de uma estratégia a seguir:
1) José Pedro Gomes e António Feio ("a dupla da Treta") vão ser pela segunda vez as caras da campanha de sensibilização da Ecopilhas que alerta para a reciclagem de pilhas e baterias usadas. As filmagens decorreram na feira da Tapada das Mercês e o anúncio vai estar disponível nos 3 canais generalistas.
2) A Lipor para sinalizar o Dia Mundial do Ambiente decidiu sensibilizar a população do Grande Porto para dois dos seus projectos que permitem melhorar a qualidade de vida nos centros urbanos, ao mesmo tempo que se contribui para um meio ambiente mais sustentável. Um deles é o projecto "Horta à Porta". Este projecto consiste em criar hortas biológicas nos centros urbanos e envolver a comunidade local na sua gestão. Em troca do seu trabalho os habitantes podem usufruir gratuitamente dos produtos por si cultivados, estando já em funcionamento 12 hortas. O projecto "Terra-a-Terra" visa distribuir 10.000 compostores aos portuenses. Estes compostores permitem produzir abudo natural através dos resíduos orgânicos que todos os dias produzimos. Com a sua utilização estima-se que a produção total de resíduos diminua em 300 quilos anuais.
A reciclagem é um passo fundamental para a sustentabilidade futura do planeta mas só resultará se for acompanhada pelos outros dois passos (reduzir e reutilizar) e se a conseguirmos aplicar à totalidade de resíduos que produzimos. Porque os recursos naturais não são infinitos, temos de explorá-los a um ritmo que permita a sua regeneração e perceber a importância de criar um ciclo que conceba a sua reutilização e reciclagem um sem número de vezes. No meu entender, uma gestão sustentável neste campo é quando simplesmente não necessitarmos dos contentores convencionais. Quando 0% dos nossos resíduos forem encaminhados para um aterro porque a sua totalidade foi para centros de tratamento e reciclagem. É uma meta ambiciosa e mas temos de lutar por ela. O primeiro passo é reduzir ao máximo o volume de resíduos que produzimos e isso faz-se com pequenas atitudes como comprar embalagens maiores do que um conjunto de embalagens menores (por exemplo comprar uma garrafa de 2L de Coca-Cola invés de 6 latas de 0,33L). O segundo passo é reutilizar o nosso lixo, reduzindo ainda mais o total a ser tratado e reciclado, algo também alcançável com pequenos passos como aproveitar as embalagens para futuras utilizações (encher as garrafas de água com água corrente invés de adquirir mais água engarrafada ou aproveitar boiões de vidro para fazer pequenos vasos). Por fim, todo o lixo restante seria encaminhado para tratamento e reciclagem. Agrada-me o facto de ver que cada vez mais resíduos podem ser tratados e reciclados (por exemplo a expansão da reciclagem de óleos alimentares, tinteiros, telemóveis, radiografias, etc.). Acredito nesta expansão e numa eficiência cada vez maior no processo de reciclagem. Os ecopontos têm de se actualizar para estarem preparados para receberem um conjunto cada vez mais alargado de resíduos e a sensibilização tem ser cada vez maior.
De seguida apresento dois exemplos de uma estratégia a seguir:
1) José Pedro Gomes e António Feio ("a dupla da Treta") vão ser pela segunda vez as caras da campanha de sensibilização da Ecopilhas que alerta para a reciclagem de pilhas e baterias usadas. As filmagens decorreram na feira da Tapada das Mercês e o anúncio vai estar disponível nos 3 canais generalistas.
2) A Lipor para sinalizar o Dia Mundial do Ambiente decidiu sensibilizar a população do Grande Porto para dois dos seus projectos que permitem melhorar a qualidade de vida nos centros urbanos, ao mesmo tempo que se contribui para um meio ambiente mais sustentável. Um deles é o projecto "Horta à Porta". Este projecto consiste em criar hortas biológicas nos centros urbanos e envolver a comunidade local na sua gestão. Em troca do seu trabalho os habitantes podem usufruir gratuitamente dos produtos por si cultivados, estando já em funcionamento 12 hortas. O projecto "Terra-a-Terra" visa distribuir 10.000 compostores aos portuenses. Estes compostores permitem produzir abudo natural através dos resíduos orgânicos que todos os dias produzimos. Com a sua utilização estima-se que a produção total de resíduos diminua em 300 quilos anuais.
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quarta-feira, 17 de junho de 2009
Irão - actualização
Após explorar a situação iraniana no campo das relações internacionais e após analisar as eleições presidenciais realizadas naquele país, volto de novo ao tema para uma actualização geral. Nas redes sociais como o Facebook ou o Twitter, a situação vivida actualmente no Irão tem sido das mais debatidas e analisadas. Muitos bloggers já reflectiram e abordaram o tema.
A reeleição de Ahmadinejad não tem sido aceite pacificamente pela oposição, apoiante do candidato Moussavi. Imediatamente após a divulgação dos resultados oficiais, Moussavi contestou os mesmos e assegurou que existiram ínumeras falhas no processo eleitoral que beneficiaram o actual presidente. A oposição reclama que caso não existissem falhas, o seu candidato teria vencido as eleições de 12 de Junho. O ayatollah Khamenei (alto líder espiritual do Irão) considerou que a eleição decorreu normalmente e felicitou o facto da taxa de participação se ter situado nos 82%. Acrescentou ainda que a reeleição de Ahmadinejad era uma festa e que o povo deveria apoiar o seu presidente. Estes apelos de pouco serviram para acalmar os ânimos no Irão e os apoiantes de Moussavi decidiram mesmo sair à rua e protestar contra a fraude eleitoral. De realçar que a comunidade internacional concordou que muito provavelmente terá de facto existido uma manipulação dos resultados, apoiando a posição de Moussavi. A eleição do candidato da oposição era vista como um bom sinal para a resolução diplomática da questão do programa nuclear iraniano. Questão essa que vindo a degradar sucessivamente as relações internacionais com este país, nomeadamente com os EUA.
Ahmadinejad (o tal que querer "apagar" Israel do mapa) não tardou a reagir e expressou que os protestos eram orquestrados pela oposição somente para destabilizar o regime e para enfraquecer a posição do presidente "democraticamente" eleito. A polícia respondeu em força e já morreram 7 pessoas no decorrer dos protestos, sendo que muitas mais ficaram feridas com gravidade. A escalada de tensões no país parece não ter fim e os protestantes não desistem da sua luta, bem como a polícia não desiste de os reprimir cada vez com mais violência. Mas não é só a polícia que tem uma atitude digna de um regime ditatorial. O próprio governo já fez questão de "dar razão" a quem os acusa de falsa democracia, ao negar o acesso à informação.
Durante o período de campanha eleitoral, Ahmadinejad bloqueou a rede social Facebook no seu país porque Moussavi contava com 5000 apoiantes nessa mesma rede e utilizava-a para organizar e gerir a campanha. Sem surpresas, o governo iraniano decidiu agora bloquear todas as redes sociais bem como alguns sites/blogs que relatavam a situação catastrófica que ocorre actualmente no país ou que contestavam os resultados eleitorais. Os jornalistas internacionais foram proíbidos de trabalhar fora dos seus escritórios e nem os telemóveis escaparam às restrições, nomeadamente os SMS. Moussavi já declarou que estas restrições servem para tentar "silenciar" a revolta que ocorre no país bem como esconder o massacre de que os manifestantes estão a ser alvo, já que muitos jovens iranianos decidiram utilizar as redes sociais para relatar o que se estava a passar no seu país. As manifestações multiplicam-se um pouco por todo o mundo e até em Portugal a comunidade iraniana já se manifestou para mostrar solidariedade para com os seus compatriotas.
Será que após este post ainda é possível aceder ao blog a partir do Irão?
A reeleição de Ahmadinejad não tem sido aceite pacificamente pela oposição, apoiante do candidato Moussavi. Imediatamente após a divulgação dos resultados oficiais, Moussavi contestou os mesmos e assegurou que existiram ínumeras falhas no processo eleitoral que beneficiaram o actual presidente. A oposição reclama que caso não existissem falhas, o seu candidato teria vencido as eleições de 12 de Junho. O ayatollah Khamenei (alto líder espiritual do Irão) considerou que a eleição decorreu normalmente e felicitou o facto da taxa de participação se ter situado nos 82%. Acrescentou ainda que a reeleição de Ahmadinejad era uma festa e que o povo deveria apoiar o seu presidente. Estes apelos de pouco serviram para acalmar os ânimos no Irão e os apoiantes de Moussavi decidiram mesmo sair à rua e protestar contra a fraude eleitoral. De realçar que a comunidade internacional concordou que muito provavelmente terá de facto existido uma manipulação dos resultados, apoiando a posição de Moussavi. A eleição do candidato da oposição era vista como um bom sinal para a resolução diplomática da questão do programa nuclear iraniano. Questão essa que vindo a degradar sucessivamente as relações internacionais com este país, nomeadamente com os EUA.
Ahmadinejad (o tal que querer "apagar" Israel do mapa) não tardou a reagir e expressou que os protestos eram orquestrados pela oposição somente para destabilizar o regime e para enfraquecer a posição do presidente "democraticamente" eleito. A polícia respondeu em força e já morreram 7 pessoas no decorrer dos protestos, sendo que muitas mais ficaram feridas com gravidade. A escalada de tensões no país parece não ter fim e os protestantes não desistem da sua luta, bem como a polícia não desiste de os reprimir cada vez com mais violência. Mas não é só a polícia que tem uma atitude digna de um regime ditatorial. O próprio governo já fez questão de "dar razão" a quem os acusa de falsa democracia, ao negar o acesso à informação.
Durante o período de campanha eleitoral, Ahmadinejad bloqueou a rede social Facebook no seu país porque Moussavi contava com 5000 apoiantes nessa mesma rede e utilizava-a para organizar e gerir a campanha. Sem surpresas, o governo iraniano decidiu agora bloquear todas as redes sociais bem como alguns sites/blogs que relatavam a situação catastrófica que ocorre actualmente no país ou que contestavam os resultados eleitorais. Os jornalistas internacionais foram proíbidos de trabalhar fora dos seus escritórios e nem os telemóveis escaparam às restrições, nomeadamente os SMS. Moussavi já declarou que estas restrições servem para tentar "silenciar" a revolta que ocorre no país bem como esconder o massacre de que os manifestantes estão a ser alvo, já que muitos jovens iranianos decidiram utilizar as redes sociais para relatar o que se estava a passar no seu país. As manifestações multiplicam-se um pouco por todo o mundo e até em Portugal a comunidade iraniana já se manifestou para mostrar solidariedade para com os seus compatriotas.
Será que após este post ainda é possível aceder ao blog a partir do Irão?
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