segunda-feira, 22 de junho de 2009

Super-Obama


Este vídeo da empresa de comédia JibJab faz uma caracterização bastante engraçada da eleição e das políticas da administração Obama. Apesar do carácter humorístico do vídeo, podemos analisar através do mesmo, as linhas que orientam a política do 44º presidente dos EUA e constatar o mediatismo (diria mesmo heroísmo) que ainda rodeia esta figura. Um vídeo para reflectir descontraidamente sobre o futuro dos EUA e analisarmos de acordo com os nossos pensamentos, as qualidades e defeitos das medidas levadas a cabo pelo presidente eleito a 04 de Novembro de 2008.

domingo, 21 de junho de 2009

Prémio Lemniscata


Hoje o blog Pensamento Alinhado foi distinguido com o prémio Lemniscata. Este prémio é concedido por um blog que tenha previamente recebido o mesmo e que pode distribui-lo por 7 blogs que ache terem qualidade suficiente para o receberem. O Valor das Ideias de Carlos Santos foi o blog que premiou este espaço. De seguida coloco o texto oficial e escolho os blogs que eu próprio distingo.

""O blog O Valor das Ideias atribuiu a Pensamento Alinhado, o Prémio Lemniscata:

O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."

Sobre o significado de LEMNISCATA:LEMNISCATA: “curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.”
Lemniscato: ornado de fitas Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores(In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora)
Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente.
Texto da editora de “Pérola da cultura”
Seguindo as regras este prémio é para ser atribuído de seguida a 7 blogues.
Assim, atribuo-o a:


Alguns destes blogs já receberam ínumeras menções. Outros talvez nenhuma. Alguns são veteranos da blogosfera, outros serão novatos como eu. O único critério que coloquei para a atribuição das minhas distinções foi somente o facto de por qualquer motivo, sentir que completam e influenciam a minha vivência na blogosfera. Concordo com várias opiniões publicadas nos blogs distinguidos, com outras discordarei totalmente. Mas respeito todos eles e a verdade é que, dia após dia, não dispenso a sua consulta. A ordem das distinções é completamente aleatória e o critério utilizado imprime neutralidade na selecção. Infelizmente o facto de ser novato na blogosfera não me permite conhecer todo o talento que habita neste mundo virtual. Talento que mereceria muito mais que eu, ser distinguido. Espero com o tempo vir a conhecer novos blogs de qualidade e quando a oportunidade surgir, realizar a devida vénia.

Um agradecimento a todos os que por aqui passam, lêem, comentam e debatem. Tenho o privilégio de já ter realizado várias discussões neste espaço, discussões essas que me ensinaram bastante. Escrevo para aprender e sem a participação de todos os que por aqui passam, seria impossível aprender algo. A importância deste prémio será diferente de blogger para blogger. Para mim é muito importante já que simboliza uma homenagem à construção deste pequeno espaço, que apesar de contar com um só autor, deriva de uma construção conjunta de que todos aqueles que me lêem neste momento fazem parte. Uma visita, um seguidor, um comentário. Tudo isso contribui e me dá força para querer escrever cada vez mais e melhor. Uma vez mais um agradecimento a todos e um apelo a que a vossa extrordinária contribuição continue.

Um agradecimento especial ao Carlos Santos pela atribuição da distinção. O Carlos é professor universitário, doutorou-se em Oxford e faz análises económicas como poucos se podem gabar de fazer. Acompanhou de forma excelente as eleições americanas de 2008, tornou o seu blog numa referência e publicou um excelente livro a respeito do mandato de Obama. Tudo isso merece ser respeitado mas não é por isso que elogio o Carlos. É benfiquista. Tenho que lhe oferecer uma camisola bem azul mas não será por isso que o vou deixar de elogiar. Elogio-o por ser meu amigo. Isso é algo que deriva da interacção entre as pessoas. Algo sem preço, sem influências de clubes de futebol, partidos políticos, graus académicos, etc. Elogio-o por sempre me ter recebido no seu espaço. Por ter estado sempre disponível para debater todos os temas comigo. Por confiar em mim. Por me ajudar a evoluir e a crescer. Por se preocupar. E se este agradecimento simboliza algo é o meu total respeito para com ele. E acima de tudo a amizade.

A "saga" contínua e irei analisar muitos mais temas neste espaço, tentando sempre corresponder à confiança depositada. Como sempre, estão todos convidados a lançar desafios e a fomentar o debate, transmitindo as vossas opiniões!


sábado, 20 de junho de 2009

Igualdade de Direitos

Decorreu hoje a 10ª Marcha do orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros). A décima edição desta marcha apoiada por 11 organizações contou com a presença de cerca de mil pessoas. O objectivo dos participantes é chamar à atenção para a discriminação de que são alvo e para os direitos que lhes são negados (nomeadamente casamento civil e adopção de crianças).

Lisboa foi o local escolhido para a realização da marcha, sendo que o seu trajecto se iniciou no Príncipe Real e terminou nos Restauradores. Ano após ano a Marcha do orgulho LGBT tem vindo a ganhar cada vez mais apoiantes que se sentem de alguma forma excluídos da sociedade, alguns afirmam mesmo que são "cidadãos de segunda". A principal "vitória" destes manifestantes foi a revisão constitucional de 2004 que passou a incluir a orientação sexual como uma categoria em função da qual ninguém pode ser discriminado. Entre os participantes existe o sentimento de que se cumprem com os mesmos deveres que outros cidadãos (heterossexuais) deveriam ter os mesmos direitos.

A marcha iniciou-se às 17:30 e após passar por várias ruas da capital, terminou nos Restauradores onde representantes das associações organizativas discursaram.

Pessoalmente não penso que faça sentido discriminarmos estas pessoas. Desde que cumpram com os seus deveres (e que são comuns a todos nós independentemente da nossa orientação sexual) não vejo qualquer argumento para serem tratados como "cidadãos de segunda". Aquilo que nos distingue dos animais é a nossa capacidade de racíocinio e de evolução constante pelo que não acredito em teses do género "ser homessexual é contra-natura". Por esse prisma também será contra-natura termos deveres e direitos instituídos. Porque existe a Constituição? Porque evoluímos. Porque não competimos mortalmente pelas fêmeas? Porque evoluímos. Porque vemos a sexualidade como algo mais que pura reprodução? Porque evoluímos. Porque aceitamos pessoas que se sintam atraídas por outras pessoas do mesmo sexo? Porque evoluímos. E por aí fora...

Da mesma maneira que devemos respeitar a orientação religiosa, orientação cultural, orientação de pensamentos, orientação artística, etc. devemos respeitar também a orientação sexual de cada um. Pondo isto, sou a favor do casamento civil entre homossexuais. Se a Igreja Católica deveria ou não ser a favor, isso é algo diferente. Eu posso ter a minha opinião, mas só segue a religião católica quem quer. Não existe uma "obrigação" de ser contra nem de ser a favor. É algo que cabe à instituição em si e que caberá aos seus seguidores avaliar, julgar e decidir. Sob a "tutela" da Constituição estamos todos e como tal, é essencial permitir o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, para garantirmos a igualdade de direitos que afirmamos respeitar. Em relação à adopção de crianças mantenho algumas reservas, e não me considero suficientemente informado para conseguir afirmar sim ou não. As minhas reservas não derivam de qualquer tipo de discriminação mas antes da forma como a sociedade em geral iria aceitar essa ideia. Se de facto os homossexuais são diariamente alvo de discriminação, isso não seria nada positivo para a criança que têm a sua cargo. Ou seja, é muito difícil para um filho de um casal homossexual se integrar na sociedade e ver a sua situação respeitada desde infância se os próprios pais são discriminados e se a maioria das pessoas vê a sua situação como algo "incorrecto". Para as crianças entenderem que a homossexualidade é algo perfeitamente normal e que em nada modifica os nossos direitos e deveres, é necessário primeiro que os adultos tenham essa noção.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Livros - 3


"E agora, Obama?" é um livro de Carlos Santos sobre as suas perspectivas para o futuro dos EUA sob o comando do presidente Barack Obama. A sua edição cabe à Esfera do Caos.

Neste livro Carlos Santos revela-nos a actuação de Obama e da sua administração em todos os campos. Podemos encontrar considerações sobre como solucionar a crise, reformar a educação e a saúde, política externa e relações internacionais, ambiente, energia, etc.

A eleição do primeiro presidente afro-americano encheu-se de mediatismo por todo o mundo e o seu lema de "esperança" dominou os cinco continentes, tornando-o num verdadeiro líder mundial. Apesar de todas as promessas e planos realizados pela sua administração, Obama não terá um mandato fácil. Tem uma crise nunca antes vista por resolver, milhões de desempregados desesperados, duas guerras sem fim à vista e um sistema de saúde e de educação em constante degradação. Tudo isto a juntar a um imperativo ambiental cada vez mais vincado e onde os EUA se deixaram ficar para trás bem como relações internacionais extremamente complicadas.

O autor tem o dom de explicar de forma simples e fundamentada os planos de Obama ponto a ponto, decifrando as suas qualidades e defeitos. Tema por tema, começamos a compreender a tarefa hercúlea que este presidente terá de enfrentar e mesmo com a sua vontade férrea, é impossível cumprir todos os objectivos num prazo de 5 anos. Alguns poderão levar mais tempo que o esperado, outros poderão nunca ser atingidos na sua totalidade. Uma coisa é certa, a administração Obama terá de trabalhar rápido e bem e a cooperação internacional é essencial para inverter a actual situação.

Pessoalmente gostei bastante do livro. Acompanhei a eleição de Obama desde as primárias com Hillary Clinton e explorei muitas das suas propostas. Contudo, até ler este livro não tinha uma verdadeira noção de como poderiam ser postas em prática e dos prós e contras que essas mesmas propostas iriam enfrentar. Carlos Santos avalia de certa forma o futuro dos EUA e consequentemente, o futuro do mundo.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Resíduos e Recursos Naturais | problema e solução

Quando falamos de problemas ambientais a primeira ideia que nos vem à cabeça são painéis solares e turbinas eólicas. Pensamos nós, que quando produzirmos 100% da nossa electricidade através de fontes renováveis não teremos mais problemas. Raramente se fala na enorme quantidade de resíduos que produzimos e no esgotamento quase total que estamos a provocar a uma variedade de recursos naturais, recursos esses dos quais dependemos para sobreviver. A água será provavelmente o exemplo mais mediático. As campanhas que sensibilizam para a reciclagem são dos poucos focos que sensibilizam para esta temática. Mas não nos podemos esquecer que o primeiro dos 3R (reduzir, reutilizar e reciclar) não é reciclar, aliás esse é mesmo o último.

A reciclagem é um passo fundamental para a sustentabilidade futura do planeta mas só resultará se for acompanhada pelos outros dois passos (reduzir e reutilizar) e se a conseguirmos aplicar à totalidade de resíduos que produzimos. Porque os recursos naturais não são infinitos, temos de explorá-los a um ritmo que permita a sua regeneração e perceber a importância de criar um ciclo que conceba a sua reutilização e reciclagem um sem número de vezes. No meu entender, uma gestão sustentável neste campo é quando simplesmente não necessitarmos dos contentores convencionais. Quando 0% dos nossos resíduos forem encaminhados para um aterro porque a sua totalidade foi para centros de tratamento e reciclagem. É uma meta ambiciosa e mas temos de lutar por ela. O primeiro passo é reduzir ao máximo o volume de resíduos que produzimos e isso faz-se com pequenas atitudes como comprar embalagens maiores do que um conjunto de embalagens menores (por exemplo comprar uma garrafa de 2L de Coca-Cola invés de 6 latas de 0,33L). O segundo passo é reutilizar o nosso lixo, reduzindo ainda mais o total a ser tratado e reciclado, algo também alcançável com pequenos passos como aproveitar as embalagens para futuras utilizações (encher as garrafas de água com água corrente invés de adquirir mais água engarrafada ou aproveitar boiões de vidro para fazer pequenos vasos). Por fim, todo o lixo restante seria encaminhado para tratamento e reciclagem. Agrada-me o facto de ver que cada vez mais resíduos podem ser tratados e reciclados (por exemplo a expansão da reciclagem de óleos alimentares, tinteiros, telemóveis, radiografias, etc.). Acredito nesta expansão e numa eficiência cada vez maior no processo de reciclagem. Os ecopontos têm de se actualizar para estarem preparados para receberem um conjunto cada vez mais alargado de resíduos e a sensibilização tem ser cada vez maior.

De seguida apresento dois exemplos de uma estratégia a seguir:

1) José Pedro Gomes e António Feio ("a dupla da Treta") vão ser pela segunda vez as caras da campanha de sensibilização da Ecopilhas que alerta para a reciclagem de pilhas e baterias usadas. As filmagens decorreram na feira da Tapada das Mercês e o anúncio vai estar disponível nos 3 canais generalistas.

2) A Lipor para sinalizar o Dia Mundial do Ambiente decidiu sensibilizar a população do Grande Porto para dois dos seus projectos que permitem melhorar a qualidade de vida nos centros urbanos, ao mesmo tempo que se contribui para um meio ambiente mais sustentável. Um deles é o projecto "Horta à Porta". Este projecto consiste em criar hortas biológicas nos centros urbanos e envolver a comunidade local na sua gestão. Em troca do seu trabalho os habitantes podem usufruir gratuitamente dos produtos por si cultivados, estando já em funcionamento 12 hortas. O projecto "Terra-a-Terra" visa distribuir 10.000 compostores aos portuenses. Estes compostores permitem produzir abudo natural através dos resíduos orgânicos que todos os dias produzimos. Com a sua utilização estima-se que a produção total de resíduos diminua em 300 quilos anuais.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Irão - actualização

Após explorar a situação iraniana no campo das relações internacionais e após analisar as eleições presidenciais realizadas naquele país, volto de novo ao tema para uma actualização geral. Nas redes sociais como o Facebook ou o Twitter, a situação vivida actualmente no Irão tem sido das mais debatidas e analisadas. Muitos bloggers já reflectiram e abordaram o tema.

A reeleição de Ahmadinejad não tem sido aceite pacificamente pela oposição, apoiante do candidato Moussavi. Imediatamente após a divulgação dos resultados oficiais, Moussavi contestou os mesmos e assegurou que existiram ínumeras falhas no processo eleitoral que beneficiaram o actual presidente. A oposição reclama que caso não existissem falhas, o seu candidato teria vencido as eleições de 12 de Junho. O ayatollah Khamenei (alto líder espiritual do Irão) considerou que a eleição decorreu normalmente e felicitou o facto da taxa de participação se ter situado nos 82%. Acrescentou ainda que a reeleição de Ahmadinejad era uma festa e que o povo deveria apoiar o seu presidente. Estes apelos de pouco serviram para acalmar os ânimos no Irão e os apoiantes de Moussavi decidiram mesmo sair à rua e protestar contra a fraude eleitoral. De realçar que a comunidade internacional concordou que muito provavelmente terá de facto existido uma manipulação dos resultados, apoiando a posição de Moussavi. A eleição do candidato da oposição era vista como um bom sinal para a resolução diplomática da questão do programa nuclear iraniano. Questão essa que vindo a degradar sucessivamente as relações internacionais com este país, nomeadamente com os EUA.

Ahmadinejad (o tal que querer "apagar" Israel do mapa) não tardou a reagir e expressou que os protestos eram orquestrados pela oposição somente para destabilizar o regime e para enfraquecer a posição do presidente "democraticamente" eleito. A polícia respondeu em força e já morreram 7 pessoas no decorrer dos protestos, sendo que muitas mais ficaram feridas com gravidade. A escalada de tensões no país parece não ter fim e os protestantes não desistem da sua luta, bem como a polícia não desiste de os reprimir cada vez com mais violência. Mas não é só a polícia que tem uma atitude digna de um regime ditatorial. O próprio governo já fez questão de "dar razão" a quem os acusa de falsa democracia, ao negar o acesso à informação.

Durante o período de campanha eleitoral, Ahmadinejad bloqueou a rede social Facebook no seu país porque Moussavi contava com 5000 apoiantes nessa mesma rede e utilizava-a para organizar e gerir a campanha. Sem surpresas, o governo iraniano decidiu agora bloquear todas as redes sociais bem como alguns sites/blogs que relatavam a situação catastrófica que ocorre actualmente no país ou que contestavam os resultados eleitorais. Os jornalistas internacionais foram proíbidos de trabalhar fora dos seus escritórios e nem os telemóveis escaparam às restrições, nomeadamente os SMS. Moussavi já declarou que estas restrições servem para tentar "silenciar" a revolta que ocorre no país bem como esconder o massacre de que os manifestantes estão a ser alvo, já que muitos jovens iranianos decidiram utilizar as redes sociais para relatar o que se estava a passar no seu país. As manifestações multiplicam-se um pouco por todo o mundo e até em Portugal a comunidade iraniana já se manifestou para mostrar solidariedade para com os seus compatriotas.

Será que após este post ainda é possível aceder ao blog a partir do Irão?

Trabalho Infantil - Chaga do séc. XXI

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, mais de 200 milhões de crianças em todo o mundo são vítimas de exploração laboral. No dia 12 de Junho assinalou-se o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil. Este dia trouxe até nós uma recordação verdadeiramente chocante e que nos leva a reflectir sobre a condição humana, independentemente da religião, raça, etc.

Estas crianças são sujeitas a tráfico humano, conflitos armados, exploração sexual, escravatura e trabalhos de risco. Esta exploração leva a que o seu desenvolvimento (físico, psicológico e emocional) fique gravemente afectado para sempre. Um pouco por todo o mundo este flagelo tem vindo a diminuir e Portugal não foge à regra, que até à década de 90 ainda não tinha "despertado" para este problema. Contudo os mais de 200 milhões de crianças que todos os dias vêem os seus direitos fundamentais a serem-lhes negados, recordam-nos da pior maneira que o problema está longe de ser resolvido.

A temática deste ano aborda os efeitos que a crise económica mundial pode ter no aumento do número de crianças em situação de exploração laboral. Uma aposta forte na educação (essencialmente via expansão do ensino primário de forma gratuita) é a "chave" da solução para este problema global.

Não existem pretextos que sirvam para negligenciarmos esta realidade ou para deixarmos de lutar para a alterar. É absolutamente repugnante pensar na exploração laboral de qualquer ser humano mas as crianças são o futuro do planeta e é por elas e para elas que todos nós devemos olhar. O facto do número de crianças exploradas estar a diminuir não é motivo de alegria quando pensamos nos milhões que ainda não estão a salvo. Este problema, como outros, é um problema global. Apesar da maioria das vítimas se encontrar em países pobres, esta chaga social encontra-se em todo o mundo, incluindo no nosso pequeno Portugal. E este problema não afecta só as crianças mas sim toda a sociedade pois ao negarmos direitos às mesmas, estamos a contribuir para uma sociedade menos tolerante, menos próspera, menos desenvolvida e menos cooperante. É na infância que formamos a nossa personalidade e não existe nada no mundo que possa compensar inteiramente uma infância "perdida".

Cabe a todos nós a obrigação de lutarmos pelas nossas crianças para que ano após ano possamos verificar que a Organização Internacional do Trabalho divulga dados cada vez mais animadores, ou neste caso, cada vez menos sufocantes.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Coreia do Norte - degradação do ambiente internacional

Além do Irão, outro foco de tensão nas relações internacionais é a Coreia do Norte. Após o último ensaio nuclear, realizado a 25 de Maio deste ano e analisado aqui, o regime de Pyongyang voltou a despertar as atenções da comunidade internacional como não fazia desde 2006, data do anterior ensaio nuclear. A reacção foi imediata e as vozes convergiram no sentido de condenar este ensaio.

Previa-se que o Conselho de Segurança da ONU tomasse medidas concretas e assim aconteceu. Foram aprovadas novas sanções a aplicar à Coreia do Norte. Os sistemas de inspecções aéreas, marítimas e terrestres de cargas destinadas ou provenientes daquele país serão reforçados bem como o embargo de armas e as sanções financeiras agravadas o que se traduz num congelamento de contas bancárias de entidades e indivíduos. A administração Bush tomou no passado uma medida que congelou as contas bancárias norte-coreanas fora do país, medida essa que levou a um "retrocesso" na posição de Pyongyang. Estas medidas visam não só condenar o teste nuclear como tentar impedir que a Coreia do Norte desenvolva ainda mais a sua tecnologia atómica com fins militares já que os especialistas apontam que este país se está a "mover" nesse sentido, enriquecendo urânio e processando barras de combustível para obter plutónio. Recordo que o teste de Maio passado revelou uma potência maior que aquele realizado em 2006, de acordo com alguns especialistas, confirmando assim um desenvolvimento significativo deste tipo de tecnologia.

O enviado de Obama à Coreia do Norte revelou que o presidente dos EUA se encontra disponível para negociar e mediar a situação recorrendo à diplomacia. Tal pode acontecer com os parceiros envolvidos, ou seja, negociações conjuntas com a Coreia do Sul, Japão, Rússia e China ou mesmo directamente entre os dois países.

Através de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros foi conhecida a reacção da Coreia do Norte face às novas sanções impostas pela ONU. Pyongyang é bem explícita referindo que nunca irá renunciar às suas ambições atómicas e que o seu plutónio será utilizado para fins militares. Adverte ainda que considera estas sanções como um "acto de guerra". Além da sua reacção agressiva, o governo norte-coreano refere ainda que dispõe da tecnologia necessária para continuar a progredir nos seus objectivos militares e que cerca de um terço das barras de combustível utilizadas para produzir plutónio já foram reprocessadas.

Pyongyang entendeu estas sanções como uma "provocação" e há quem alerte para a realização de novos testes, nomeadamente com mísseis cujo alcance abrange os EUA, como forma de responder às mesmas. É importante colocar uma "tampa" na degradação desta relação extremamente complicada. A comunidade internacional não se pode dar ao luxo de seguir numa espiral de provocações e sanções provocando a erosão da situação. Só o tempo dirá se estas sanções irão surtir o efeito desejado mas para já, é perfeitamente plausível colocar o cenário em que a Coreia do Norte acelera ainda mais o desenvolvimento nuclear e programe para breve novos testes com vários tipos de mísseis. Penso que o facto de Obama ter deixado claro que a sua administração está disponível para negociar foi extremamente importante para formar essa tal "tampa". As negociações a ocorrerem serão realizadas muito provavelmente com os outros 4 parceiros. É difícil escolher entre agravar as sanções e arriscar enfurecer Pyongyang ou "ignorar" os avisos norte-coreanos e Pyongyang entender tal facto como um "sinal verde" para continuar a sua política de desenvolvimento atómico com fins militares. E nesta situação, a opinião dos parceiros, em especial da China, ditará provavelmente o futuro dos acontecimentos.

domingo, 14 de junho de 2009

Paz no Médio Oriente - discurso de Netanyahu

Ontem, após a análise dos resultados eleitorais das eleições presidenciais no Irão, alertei para o facto do discurso de Benjamin Netanyahu se revestir de uma enorme importância para a resolução do impasse no processo de paz respeitante ao Médio Oriente. O primeiro-ministro israelita tinha prometido pronunciar-se sobre uma nova política de paz e de segurança.

Netanyahu propôs a criação de um estado palestiniano desmilitarizado e impôs como condição necessária para a abertura de negociações, o reconhecimento de Israel como o "Estado dos judeus". Em jeito de resposta a Obama, frisou que Israel está disposto a negociar com todos os países árabes mas nunca com o Hamas, já que esta organização palestiniana tem um carácter terrorista e deseja a destruição do estado de Israel. Em relação aos colonatos, Netanyahu deixou claro que não serão construídos novos mas alertou para o facto da questão dos refugiados palestianos ter que ser resolvida fora do território de Israel.

Em suma, Israel deixou em aberto a possibilidade da existência de um estado palestiniano mas nunca sob o controlo do Hamas e que em nenhuma situação, coloque a segurança do estado judaico em risco.

Pessoalmente considero estas declarações como um passo em frente, após o "balde de água fria" das eleições iranianas. Netanyahu tem vindo a moderar cada vez mais a sua posição e já admite a criação de um estado palestiniano. Os apelos de Obama estão a surtir o efeito desejado em Jerusálem. Este ponto de "cedência" em relação à criação de um estado palestiniano é absolutamente essencial para as reivindicações árabes. É natural que Israel se descarte de negociar com o Hamas, sendo o afastamento dessa organização a "moeda de troca" face a uma hipotética criação de um estado palestiniano. A questão da desmilitarização realça de forma implícita o controlo que esse futuro estado teria por parte da comunidade internacional, leia-se EUA e Israel. É neste ponto que penso existir margem de manobra e as negociações poderão levar Netanyahu a ceder pouco a pouco esse controlo que actualmente propõe. O facto de Israel reconhecer a hipótese da criação de um estado palestiniano é a "semente" que só poderá germinar via negociações e diplomacia directa.

Actualização: Washington já reagiu ao discurso de Netanyahu e considerou-o como um passo em frente para a resolução dos conflitos no Médio Oriente. A administração Obama compreende as questões de segurança evocadas pelos israelitas mas realça que o reconhecimento da possibilidade de existir um estado palestiniano é sem dúvida um sério compromisso para a resolução pacífica da situação.

sábado, 13 de junho de 2009

Irão - Eleições Presidenciais

O actual presidente iraniano foi dado como vencedor das eleições presidenciais, segundo fontes oficiais. Ahmadinejad terá conseguido cerca de 63% dos votos enquanto que o seu principal adversário, Mir Moussavi não terá ido além dos 34%. Apresentaram-se 4 candidatos às eleições mas a luta real para a presidência era somente entre estes dois candidatos. Por ser considerado como o mais "moderado", Moussavi era apoiado em massa pela comunidade internacional que depositava nele as esperanças de resolver através de negociações a questão do desenvolvimento de tecnologia nuclear por parte de Teerão.

A vitória de Ahmadinejad foi assim vista como um "retrocesso" nas negociações e uma potencial ameaça para a comunidade ocidental. A liderar estas reacções está obviamente Israel que apelou uma vez mais à comunidade internacional para se unir no esforço de combater o programa nuclear iraniano. Após um belo discurso de Obama no Cairo, uma nova abertura dos EUA face a todo o mundo árabe e uma suposta nova "abertura" de Israel em resolver o impasse no processo de paz do Médio Oriente, a reeleição do presidente cessante foi uma dura "pancada" nos progressos que se previam alcançar para a região.

Apesar de Ahmadinejad ter sido apontado como favorito, ninguém estava à espera de uma margem de diferença de praticamente 30%. Esta discrepância leva os especialistas internacionais a duvidarem do verdadeiro resultado eleitoral. Os apoiantes de Moussavi entraram em confrontos com a polícia em várias cidades e o candidato derrotado já declarou terem existido sérias irregularidades no processo eleitoral. Moussavi diz que não vai baixar os braços e vai lutar para repor a veracidade nos resultados eleitorais que, segundo ele, lhe dão uma clara vitória caso não fossem manipulados.

As reacções da comunidade internacional convergem com este ponto de vista, suspeitando que tenham existido fortes irregularidades. Ahmadinejad tomou determinadas medidas como proibir o acesso à rede social Facebook (onde Moussavi tinha cerca de 5.000 apoiantes declarados) que de certa forma, dão "razão" a este tipo de suspeitas. Benjamim Netanyahu tem marcado para amanhã um importante discurso onde abordará o processo de paz e de segurança de Israel. Aguarda-se com expectativa um discurso que será seguramente decisivo. Por sua vez, o líder espiritual do Irão, o ayatollah Khamenei considerou este resultado como sendo positivo para o seu país bem como o grau de participação eleitoral que rondará os 82%. Pondo isto, Khamenei apelou à calma no país e ao apoio ao presidente reeleito.

Pessoalmente não esperava estes resultados. Nos últimos dias a situação parecia estar a seguir um rumo favorável e a eleição de Moussavi, na minha óptica, seria excelente para alimentar ainda mais a esperança de negociações com vista à paz na região e a uma nova era de cooperação entre os vários países. Ahmadinejad era dado como favorito e apesar de ser "apoiante" de Moussavi, tenho que admitir que seria uma eleição difícil de vencer. Contudo não estava minimamente à espera de uma margem tão alargada e custa-me a acreditar que não tenham existido irregularidades que beneficiassem o actual presidente. O presidente do Irão nunca demonstrou "fair play" durante o período de campanha e não me surpreenderia minimamente que tivesse manipulado as eleições. Os esforços internacionais tornam-se assim mais difíceis já que esta eleição a confirmar-se, será um "balde de água fria" nas expectativas criadas. Temo também que amanhã o primeiro-ministro israelita assuma um tom agressivo face a este resultado e à situação gerada à sua volta, dissipando por completo os avanços recém-conquistados. Complica-se ainda mais uma das "tarefas" de Obama.