sexta-feira, 19 de junho de 2009

Livros - 3


"E agora, Obama?" é um livro de Carlos Santos sobre as suas perspectivas para o futuro dos EUA sob o comando do presidente Barack Obama. A sua edição cabe à Esfera do Caos.

Neste livro Carlos Santos revela-nos a actuação de Obama e da sua administração em todos os campos. Podemos encontrar considerações sobre como solucionar a crise, reformar a educação e a saúde, política externa e relações internacionais, ambiente, energia, etc.

A eleição do primeiro presidente afro-americano encheu-se de mediatismo por todo o mundo e o seu lema de "esperança" dominou os cinco continentes, tornando-o num verdadeiro líder mundial. Apesar de todas as promessas e planos realizados pela sua administração, Obama não terá um mandato fácil. Tem uma crise nunca antes vista por resolver, milhões de desempregados desesperados, duas guerras sem fim à vista e um sistema de saúde e de educação em constante degradação. Tudo isto a juntar a um imperativo ambiental cada vez mais vincado e onde os EUA se deixaram ficar para trás bem como relações internacionais extremamente complicadas.

O autor tem o dom de explicar de forma simples e fundamentada os planos de Obama ponto a ponto, decifrando as suas qualidades e defeitos. Tema por tema, começamos a compreender a tarefa hercúlea que este presidente terá de enfrentar e mesmo com a sua vontade férrea, é impossível cumprir todos os objectivos num prazo de 5 anos. Alguns poderão levar mais tempo que o esperado, outros poderão nunca ser atingidos na sua totalidade. Uma coisa é certa, a administração Obama terá de trabalhar rápido e bem e a cooperação internacional é essencial para inverter a actual situação.

Pessoalmente gostei bastante do livro. Acompanhei a eleição de Obama desde as primárias com Hillary Clinton e explorei muitas das suas propostas. Contudo, até ler este livro não tinha uma verdadeira noção de como poderiam ser postas em prática e dos prós e contras que essas mesmas propostas iriam enfrentar. Carlos Santos avalia de certa forma o futuro dos EUA e consequentemente, o futuro do mundo.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Resíduos e Recursos Naturais | problema e solução

Quando falamos de problemas ambientais a primeira ideia que nos vem à cabeça são painéis solares e turbinas eólicas. Pensamos nós, que quando produzirmos 100% da nossa electricidade através de fontes renováveis não teremos mais problemas. Raramente se fala na enorme quantidade de resíduos que produzimos e no esgotamento quase total que estamos a provocar a uma variedade de recursos naturais, recursos esses dos quais dependemos para sobreviver. A água será provavelmente o exemplo mais mediático. As campanhas que sensibilizam para a reciclagem são dos poucos focos que sensibilizam para esta temática. Mas não nos podemos esquecer que o primeiro dos 3R (reduzir, reutilizar e reciclar) não é reciclar, aliás esse é mesmo o último.

A reciclagem é um passo fundamental para a sustentabilidade futura do planeta mas só resultará se for acompanhada pelos outros dois passos (reduzir e reutilizar) e se a conseguirmos aplicar à totalidade de resíduos que produzimos. Porque os recursos naturais não são infinitos, temos de explorá-los a um ritmo que permita a sua regeneração e perceber a importância de criar um ciclo que conceba a sua reutilização e reciclagem um sem número de vezes. No meu entender, uma gestão sustentável neste campo é quando simplesmente não necessitarmos dos contentores convencionais. Quando 0% dos nossos resíduos forem encaminhados para um aterro porque a sua totalidade foi para centros de tratamento e reciclagem. É uma meta ambiciosa e mas temos de lutar por ela. O primeiro passo é reduzir ao máximo o volume de resíduos que produzimos e isso faz-se com pequenas atitudes como comprar embalagens maiores do que um conjunto de embalagens menores (por exemplo comprar uma garrafa de 2L de Coca-Cola invés de 6 latas de 0,33L). O segundo passo é reutilizar o nosso lixo, reduzindo ainda mais o total a ser tratado e reciclado, algo também alcançável com pequenos passos como aproveitar as embalagens para futuras utilizações (encher as garrafas de água com água corrente invés de adquirir mais água engarrafada ou aproveitar boiões de vidro para fazer pequenos vasos). Por fim, todo o lixo restante seria encaminhado para tratamento e reciclagem. Agrada-me o facto de ver que cada vez mais resíduos podem ser tratados e reciclados (por exemplo a expansão da reciclagem de óleos alimentares, tinteiros, telemóveis, radiografias, etc.). Acredito nesta expansão e numa eficiência cada vez maior no processo de reciclagem. Os ecopontos têm de se actualizar para estarem preparados para receberem um conjunto cada vez mais alargado de resíduos e a sensibilização tem ser cada vez maior.

De seguida apresento dois exemplos de uma estratégia a seguir:

1) José Pedro Gomes e António Feio ("a dupla da Treta") vão ser pela segunda vez as caras da campanha de sensibilização da Ecopilhas que alerta para a reciclagem de pilhas e baterias usadas. As filmagens decorreram na feira da Tapada das Mercês e o anúncio vai estar disponível nos 3 canais generalistas.

2) A Lipor para sinalizar o Dia Mundial do Ambiente decidiu sensibilizar a população do Grande Porto para dois dos seus projectos que permitem melhorar a qualidade de vida nos centros urbanos, ao mesmo tempo que se contribui para um meio ambiente mais sustentável. Um deles é o projecto "Horta à Porta". Este projecto consiste em criar hortas biológicas nos centros urbanos e envolver a comunidade local na sua gestão. Em troca do seu trabalho os habitantes podem usufruir gratuitamente dos produtos por si cultivados, estando já em funcionamento 12 hortas. O projecto "Terra-a-Terra" visa distribuir 10.000 compostores aos portuenses. Estes compostores permitem produzir abudo natural através dos resíduos orgânicos que todos os dias produzimos. Com a sua utilização estima-se que a produção total de resíduos diminua em 300 quilos anuais.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Irão - actualização

Após explorar a situação iraniana no campo das relações internacionais e após analisar as eleições presidenciais realizadas naquele país, volto de novo ao tema para uma actualização geral. Nas redes sociais como o Facebook ou o Twitter, a situação vivida actualmente no Irão tem sido das mais debatidas e analisadas. Muitos bloggers já reflectiram e abordaram o tema.

A reeleição de Ahmadinejad não tem sido aceite pacificamente pela oposição, apoiante do candidato Moussavi. Imediatamente após a divulgação dos resultados oficiais, Moussavi contestou os mesmos e assegurou que existiram ínumeras falhas no processo eleitoral que beneficiaram o actual presidente. A oposição reclama que caso não existissem falhas, o seu candidato teria vencido as eleições de 12 de Junho. O ayatollah Khamenei (alto líder espiritual do Irão) considerou que a eleição decorreu normalmente e felicitou o facto da taxa de participação se ter situado nos 82%. Acrescentou ainda que a reeleição de Ahmadinejad era uma festa e que o povo deveria apoiar o seu presidente. Estes apelos de pouco serviram para acalmar os ânimos no Irão e os apoiantes de Moussavi decidiram mesmo sair à rua e protestar contra a fraude eleitoral. De realçar que a comunidade internacional concordou que muito provavelmente terá de facto existido uma manipulação dos resultados, apoiando a posição de Moussavi. A eleição do candidato da oposição era vista como um bom sinal para a resolução diplomática da questão do programa nuclear iraniano. Questão essa que vindo a degradar sucessivamente as relações internacionais com este país, nomeadamente com os EUA.

Ahmadinejad (o tal que querer "apagar" Israel do mapa) não tardou a reagir e expressou que os protestos eram orquestrados pela oposição somente para destabilizar o regime e para enfraquecer a posição do presidente "democraticamente" eleito. A polícia respondeu em força e já morreram 7 pessoas no decorrer dos protestos, sendo que muitas mais ficaram feridas com gravidade. A escalada de tensões no país parece não ter fim e os protestantes não desistem da sua luta, bem como a polícia não desiste de os reprimir cada vez com mais violência. Mas não é só a polícia que tem uma atitude digna de um regime ditatorial. O próprio governo já fez questão de "dar razão" a quem os acusa de falsa democracia, ao negar o acesso à informação.

Durante o período de campanha eleitoral, Ahmadinejad bloqueou a rede social Facebook no seu país porque Moussavi contava com 5000 apoiantes nessa mesma rede e utilizava-a para organizar e gerir a campanha. Sem surpresas, o governo iraniano decidiu agora bloquear todas as redes sociais bem como alguns sites/blogs que relatavam a situação catastrófica que ocorre actualmente no país ou que contestavam os resultados eleitorais. Os jornalistas internacionais foram proíbidos de trabalhar fora dos seus escritórios e nem os telemóveis escaparam às restrições, nomeadamente os SMS. Moussavi já declarou que estas restrições servem para tentar "silenciar" a revolta que ocorre no país bem como esconder o massacre de que os manifestantes estão a ser alvo, já que muitos jovens iranianos decidiram utilizar as redes sociais para relatar o que se estava a passar no seu país. As manifestações multiplicam-se um pouco por todo o mundo e até em Portugal a comunidade iraniana já se manifestou para mostrar solidariedade para com os seus compatriotas.

Será que após este post ainda é possível aceder ao blog a partir do Irão?

Trabalho Infantil - Chaga do séc. XXI

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, mais de 200 milhões de crianças em todo o mundo são vítimas de exploração laboral. No dia 12 de Junho assinalou-se o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil. Este dia trouxe até nós uma recordação verdadeiramente chocante e que nos leva a reflectir sobre a condição humana, independentemente da religião, raça, etc.

Estas crianças são sujeitas a tráfico humano, conflitos armados, exploração sexual, escravatura e trabalhos de risco. Esta exploração leva a que o seu desenvolvimento (físico, psicológico e emocional) fique gravemente afectado para sempre. Um pouco por todo o mundo este flagelo tem vindo a diminuir e Portugal não foge à regra, que até à década de 90 ainda não tinha "despertado" para este problema. Contudo os mais de 200 milhões de crianças que todos os dias vêem os seus direitos fundamentais a serem-lhes negados, recordam-nos da pior maneira que o problema está longe de ser resolvido.

A temática deste ano aborda os efeitos que a crise económica mundial pode ter no aumento do número de crianças em situação de exploração laboral. Uma aposta forte na educação (essencialmente via expansão do ensino primário de forma gratuita) é a "chave" da solução para este problema global.

Não existem pretextos que sirvam para negligenciarmos esta realidade ou para deixarmos de lutar para a alterar. É absolutamente repugnante pensar na exploração laboral de qualquer ser humano mas as crianças são o futuro do planeta e é por elas e para elas que todos nós devemos olhar. O facto do número de crianças exploradas estar a diminuir não é motivo de alegria quando pensamos nos milhões que ainda não estão a salvo. Este problema, como outros, é um problema global. Apesar da maioria das vítimas se encontrar em países pobres, esta chaga social encontra-se em todo o mundo, incluindo no nosso pequeno Portugal. E este problema não afecta só as crianças mas sim toda a sociedade pois ao negarmos direitos às mesmas, estamos a contribuir para uma sociedade menos tolerante, menos próspera, menos desenvolvida e menos cooperante. É na infância que formamos a nossa personalidade e não existe nada no mundo que possa compensar inteiramente uma infância "perdida".

Cabe a todos nós a obrigação de lutarmos pelas nossas crianças para que ano após ano possamos verificar que a Organização Internacional do Trabalho divulga dados cada vez mais animadores, ou neste caso, cada vez menos sufocantes.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Coreia do Norte - degradação do ambiente internacional

Além do Irão, outro foco de tensão nas relações internacionais é a Coreia do Norte. Após o último ensaio nuclear, realizado a 25 de Maio deste ano e analisado aqui, o regime de Pyongyang voltou a despertar as atenções da comunidade internacional como não fazia desde 2006, data do anterior ensaio nuclear. A reacção foi imediata e as vozes convergiram no sentido de condenar este ensaio.

Previa-se que o Conselho de Segurança da ONU tomasse medidas concretas e assim aconteceu. Foram aprovadas novas sanções a aplicar à Coreia do Norte. Os sistemas de inspecções aéreas, marítimas e terrestres de cargas destinadas ou provenientes daquele país serão reforçados bem como o embargo de armas e as sanções financeiras agravadas o que se traduz num congelamento de contas bancárias de entidades e indivíduos. A administração Bush tomou no passado uma medida que congelou as contas bancárias norte-coreanas fora do país, medida essa que levou a um "retrocesso" na posição de Pyongyang. Estas medidas visam não só condenar o teste nuclear como tentar impedir que a Coreia do Norte desenvolva ainda mais a sua tecnologia atómica com fins militares já que os especialistas apontam que este país se está a "mover" nesse sentido, enriquecendo urânio e processando barras de combustível para obter plutónio. Recordo que o teste de Maio passado revelou uma potência maior que aquele realizado em 2006, de acordo com alguns especialistas, confirmando assim um desenvolvimento significativo deste tipo de tecnologia.

O enviado de Obama à Coreia do Norte revelou que o presidente dos EUA se encontra disponível para negociar e mediar a situação recorrendo à diplomacia. Tal pode acontecer com os parceiros envolvidos, ou seja, negociações conjuntas com a Coreia do Sul, Japão, Rússia e China ou mesmo directamente entre os dois países.

Através de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros foi conhecida a reacção da Coreia do Norte face às novas sanções impostas pela ONU. Pyongyang é bem explícita referindo que nunca irá renunciar às suas ambições atómicas e que o seu plutónio será utilizado para fins militares. Adverte ainda que considera estas sanções como um "acto de guerra". Além da sua reacção agressiva, o governo norte-coreano refere ainda que dispõe da tecnologia necessária para continuar a progredir nos seus objectivos militares e que cerca de um terço das barras de combustível utilizadas para produzir plutónio já foram reprocessadas.

Pyongyang entendeu estas sanções como uma "provocação" e há quem alerte para a realização de novos testes, nomeadamente com mísseis cujo alcance abrange os EUA, como forma de responder às mesmas. É importante colocar uma "tampa" na degradação desta relação extremamente complicada. A comunidade internacional não se pode dar ao luxo de seguir numa espiral de provocações e sanções provocando a erosão da situação. Só o tempo dirá se estas sanções irão surtir o efeito desejado mas para já, é perfeitamente plausível colocar o cenário em que a Coreia do Norte acelera ainda mais o desenvolvimento nuclear e programe para breve novos testes com vários tipos de mísseis. Penso que o facto de Obama ter deixado claro que a sua administração está disponível para negociar foi extremamente importante para formar essa tal "tampa". As negociações a ocorrerem serão realizadas muito provavelmente com os outros 4 parceiros. É difícil escolher entre agravar as sanções e arriscar enfurecer Pyongyang ou "ignorar" os avisos norte-coreanos e Pyongyang entender tal facto como um "sinal verde" para continuar a sua política de desenvolvimento atómico com fins militares. E nesta situação, a opinião dos parceiros, em especial da China, ditará provavelmente o futuro dos acontecimentos.

domingo, 14 de junho de 2009

Paz no Médio Oriente - discurso de Netanyahu

Ontem, após a análise dos resultados eleitorais das eleições presidenciais no Irão, alertei para o facto do discurso de Benjamin Netanyahu se revestir de uma enorme importância para a resolução do impasse no processo de paz respeitante ao Médio Oriente. O primeiro-ministro israelita tinha prometido pronunciar-se sobre uma nova política de paz e de segurança.

Netanyahu propôs a criação de um estado palestiniano desmilitarizado e impôs como condição necessária para a abertura de negociações, o reconhecimento de Israel como o "Estado dos judeus". Em jeito de resposta a Obama, frisou que Israel está disposto a negociar com todos os países árabes mas nunca com o Hamas, já que esta organização palestiniana tem um carácter terrorista e deseja a destruição do estado de Israel. Em relação aos colonatos, Netanyahu deixou claro que não serão construídos novos mas alertou para o facto da questão dos refugiados palestianos ter que ser resolvida fora do território de Israel.

Em suma, Israel deixou em aberto a possibilidade da existência de um estado palestiniano mas nunca sob o controlo do Hamas e que em nenhuma situação, coloque a segurança do estado judaico em risco.

Pessoalmente considero estas declarações como um passo em frente, após o "balde de água fria" das eleições iranianas. Netanyahu tem vindo a moderar cada vez mais a sua posição e já admite a criação de um estado palestiniano. Os apelos de Obama estão a surtir o efeito desejado em Jerusálem. Este ponto de "cedência" em relação à criação de um estado palestiniano é absolutamente essencial para as reivindicações árabes. É natural que Israel se descarte de negociar com o Hamas, sendo o afastamento dessa organização a "moeda de troca" face a uma hipotética criação de um estado palestiniano. A questão da desmilitarização realça de forma implícita o controlo que esse futuro estado teria por parte da comunidade internacional, leia-se EUA e Israel. É neste ponto que penso existir margem de manobra e as negociações poderão levar Netanyahu a ceder pouco a pouco esse controlo que actualmente propõe. O facto de Israel reconhecer a hipótese da criação de um estado palestiniano é a "semente" que só poderá germinar via negociações e diplomacia directa.

Actualização: Washington já reagiu ao discurso de Netanyahu e considerou-o como um passo em frente para a resolução dos conflitos no Médio Oriente. A administração Obama compreende as questões de segurança evocadas pelos israelitas mas realça que o reconhecimento da possibilidade de existir um estado palestiniano é sem dúvida um sério compromisso para a resolução pacífica da situação.

sábado, 13 de junho de 2009

Irão - Eleições Presidenciais

O actual presidente iraniano foi dado como vencedor das eleições presidenciais, segundo fontes oficiais. Ahmadinejad terá conseguido cerca de 63% dos votos enquanto que o seu principal adversário, Mir Moussavi não terá ido além dos 34%. Apresentaram-se 4 candidatos às eleições mas a luta real para a presidência era somente entre estes dois candidatos. Por ser considerado como o mais "moderado", Moussavi era apoiado em massa pela comunidade internacional que depositava nele as esperanças de resolver através de negociações a questão do desenvolvimento de tecnologia nuclear por parte de Teerão.

A vitória de Ahmadinejad foi assim vista como um "retrocesso" nas negociações e uma potencial ameaça para a comunidade ocidental. A liderar estas reacções está obviamente Israel que apelou uma vez mais à comunidade internacional para se unir no esforço de combater o programa nuclear iraniano. Após um belo discurso de Obama no Cairo, uma nova abertura dos EUA face a todo o mundo árabe e uma suposta nova "abertura" de Israel em resolver o impasse no processo de paz do Médio Oriente, a reeleição do presidente cessante foi uma dura "pancada" nos progressos que se previam alcançar para a região.

Apesar de Ahmadinejad ter sido apontado como favorito, ninguém estava à espera de uma margem de diferença de praticamente 30%. Esta discrepância leva os especialistas internacionais a duvidarem do verdadeiro resultado eleitoral. Os apoiantes de Moussavi entraram em confrontos com a polícia em várias cidades e o candidato derrotado já declarou terem existido sérias irregularidades no processo eleitoral. Moussavi diz que não vai baixar os braços e vai lutar para repor a veracidade nos resultados eleitorais que, segundo ele, lhe dão uma clara vitória caso não fossem manipulados.

As reacções da comunidade internacional convergem com este ponto de vista, suspeitando que tenham existido fortes irregularidades. Ahmadinejad tomou determinadas medidas como proibir o acesso à rede social Facebook (onde Moussavi tinha cerca de 5.000 apoiantes declarados) que de certa forma, dão "razão" a este tipo de suspeitas. Benjamim Netanyahu tem marcado para amanhã um importante discurso onde abordará o processo de paz e de segurança de Israel. Aguarda-se com expectativa um discurso que será seguramente decisivo. Por sua vez, o líder espiritual do Irão, o ayatollah Khamenei considerou este resultado como sendo positivo para o seu país bem como o grau de participação eleitoral que rondará os 82%. Pondo isto, Khamenei apelou à calma no país e ao apoio ao presidente reeleito.

Pessoalmente não esperava estes resultados. Nos últimos dias a situação parecia estar a seguir um rumo favorável e a eleição de Moussavi, na minha óptica, seria excelente para alimentar ainda mais a esperança de negociações com vista à paz na região e a uma nova era de cooperação entre os vários países. Ahmadinejad era dado como favorito e apesar de ser "apoiante" de Moussavi, tenho que admitir que seria uma eleição difícil de vencer. Contudo não estava minimamente à espera de uma margem tão alargada e custa-me a acreditar que não tenham existido irregularidades que beneficiassem o actual presidente. O presidente do Irão nunca demonstrou "fair play" durante o período de campanha e não me surpreenderia minimamente que tivesse manipulado as eleições. Os esforços internacionais tornam-se assim mais difíceis já que esta eleição a confirmar-se, será um "balde de água fria" nas expectativas criadas. Temo também que amanhã o primeiro-ministro israelita assuma um tom agressivo face a este resultado e à situação gerada à sua volta, dissipando por completo os avanços recém-conquistados. Complica-se ainda mais uma das "tarefas" de Obama.

NASA | Missão adiada

O vaivém espacial Endeavour deveria ter descolado às 12:17 hora de Lisboa. Contudo o lançamento foi abortado devido a um problema no tanque de combustível externo. Quando o tanque estava já a 98% da sua capacidade detectou-se uma fuga de hidrogénio que comprometeu o lançamento.

Esta fuga é bastante semelhante à detectada em Março no vaivém Discovery. A NASA está bastante preocupada com este problema técnico que se vem repetindo nos lançamentos. Os engenheiros apenas poderão começar a resolver o problema daqui a 24 horas, o tempo necessário para esvaziar o tanque. As reparações deverão demorar pelo menos 4 dias mas prevê-se que o lançamento seja realizado com a maior brevidade possível.

A actual missão do vaivém Endeavour é entregar e instalar os últimos elementos do laboratório japonês Kibo na Estação Espacial Internacional. A duração estimada desta missão é de 16 dias e representa mais um passo na "conquista espacial".

Ambiente | 1-1 ao intervalo

O dia de hoje contou com um vasto volume de notícias sobre ambiente e o futuro do planeta. Terminou a conferência de Bona (com a duração de 2 semanas) cujo objectivo era "preparar terreno" para alcançar um acordo na conferência de Copenhaga, Dinamarca a realizar em Dezembro deste ano. Esta conferência é extremamente importante já que se espera que seja criado o "sucessor" do protocolo de Quioto. Neste novo protocolo a vigorar entre o período 2012-2020 espera-se um sério compromisso na redução das emissões por parte dos países desenvolvidos, uma contenção da subida das emissões por parte dos países em desenvolvimento e acima de tudo, um acordo que abranja o mundo todo e que seja ratificado por todos os países.

Infelizmente estas duas semanas de negociações pouco contribuíram para o desenvolvimento da situação. Criaram antes um impasse, que terá de ser resolvido caso se pretenda estabelecer um novo protocolo na Dinamarca. A maioria dos países em desenvolvimento pretende uma redução de 25-40% por parte dos países desenvolvidos, meta que estes consideram prejudicar demasiado a sua economia. Bill Hare do IPCC teme tanto o efeito deste novo impasse que afirma que chegar-se a um consenso por volta dos 25% já é bastante difícil. A meta dos EUA foi enfraquecida em relação à proposta inicial de Obama e o Japão apresentou a sua própria meta que se situa numa redução de 8% até 2020 (face aos níveis de 1990). Estes "entraves" por parte dos países desenvolvidos aliam-se à fraca vontade de mudar por parte de países como a China e a Índia, criando este desacordo. Ninguém está disposto a dar o primeiro passo, algo que é lamentado pelas associações ambientalistas que acusam os políticos de inacção face ao problema.

Na minha opinião a Conferência de Bona foi uma grande derrota no desenvolvimento de um novo protocolo. Estava à espera de uma maior liderança por parte dos países desenvolvidos mas também um maior envolvimento por parte das potências emergentes como a China e a Índia. É dificil mas imprescindível terminar Copenhaga com um novo projecto e que terá de cortar pelo menos em 25% as emissões dos países desenvolvidos bem como estabelecer 2020 como o ano "limite" para o aumento das emissões por parte das novas potências.

Contudo o dia de hoje foi também marcado por uma importante "vitória" no campo ambiental. Organizações não-governamentais como a Greenpeace bem como muitas outras, têm lutado sistematicamente pela floresta Amazónica tentando impedir a sua destruição. Esta floresta encerra em si mais de um terço de toda a biodiversidade mundial e é sem dúvida, o "pulmão" do planeta. Todos os dias são abatidos ínumeros hectares de floresta virgem que dão a origem a plantações de biodiesel, explorações agrícolas ou pecuárias. Além de toda esta destruição do património natural da Amazónia, a degradação da floresta está muitas vezes associada a condições de trabalho miseráveis ou mesmo escravas. O Ministério Público Federal do Pará decidiu juntar-se nesta luta e publicou uma lista de fazendas (explorações) pecuárias que abatem indiscriminadamente a floresta para obterem cada vez mais terrenos. A competitividade económica dos produtos é ganha à custa das condições inumanas dos seus trabalhadores.

Em resposta as três maiores cadeias de supermercados do Brasil decidiram deixar de comprar carne proveniente destas fazendas. Wal-Mart, Pão de Açúcar e Carrefour são as três cadeias que tomaram esta decisão, após reunião entre todas. Espera-se agora que estas acções se ampliem por mais 72 compradores de produtos provenientes daquelas explorações bem como se extenda a outros dois estados brasileiros com grande influência no destino da Amazónia, Mato Grosso e Rondónia. As associações ambientalistas congratulam-se por esta vitória mas continuam a longa batalha de salvar a Amazónia que está muito longe de terminar.

Tanto a derrota como a vitória de hoje vão ter um grande impacto mundial. Ao intervalo está 1-1 e eu tenho a camisola do planeta Terra vestida. Como vai acabar o jogo?

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Economia | EUA vs UE

Hoje a Agência Financeira publicou uma série de artigos que permitem fazer uma análise sobre a actualidade económica e reflectir no seu futuro. Através da comparação e da análise dos dados, podemos reflectir sobre as opções tomadas pela UE e as opções levadas a cabo pela Casa Branca. São duas linhas distintas de pensamento que resultaram em duas formas diferentes de abordar uma crise comum.

Para começarmos a análise nada melhor que um artigo global. O FMI deverá rever em alta a sua previsão para o crescimento da economia em 2010. A actual expectativa situa-se no 1,9% e deverá subir meio ponto para os 2,4%. No campo da economia global, são boas notícias e a noção de retoma começa a solidificar as suas bases e a aumentar os seus argumentos. O mesmo artigo termina dizendo que esta revisão em alta se deve aos planos de estímulos levados a cabo por vários governos (por exemplo os EUA e a China). A previsão para 2009 continua a apontar para uma contracção global de 1,3%.

Apesar da retoma internacional começar a ganhar contornos cada vez mais delineados, a situação na Europa não é animadora. Já nos EUA a esperança parece passar dos discursos de Obama para os números em si.

Após os primeiros seis meses do ano terem sido piores que aquilo que o BCE previra, esta instituição reviu os seus números para 2009 e 2010. A provocar o agravamento da situação económica está o galopante desemprego em toda a UE, responsável pela "falha" na previsão do Banco Central Europeu. Assim sendo estima-se uma contracção de 4,6% em 2009 e de 0,3% em 2010, afastando a retoma para um futuro mais longínquo. Além da deterioração da economia espera-se um agravamento do desemprego, ou seja, a UE ainda não atingiu o seu pico de desemprego e o mesmo deverá continuar a aumentar ao longo deste ano e do próximo. Estes números encontram-se alinhados com as previsões apontadas para Portugal que estimam uma contracção de 3% este ano e uma estagnação no próximo. O desemprego actualmente situado em 8% deverá subir até aos 10% antes de estabilizar e começar a diminuir.

Nos EUA apesar das enormes dificuldades do presente, a perspectiva de futuro é mais animadora. E existem dados a comprová-lo. O número de pedidos de subsídio de desemprego está em queda. De acordo com o Departamento do Trabalho são 6,82 milhões os americanos a receber este subsídio mas o seu crescimento está a abrandar, revelando que as empresas estão a dispensar cada vez menos pessoal, confiantes numa melhoria da situação económica já na segunda metade do presente ano. Outro número encorajador das medidas da administração Obama é o das vendas a retalho. Segundo o Departamento do Comércio este número cresceu pela primeira vez em 3 meses, subindo cerca de 0,5%.

Apesar dos números serem ainda bastante preliminares e da situação económica global estar bastante longe do normal, é seguro dizer que as perspectivas de futuro não são as mesmas, quando comparamos a UE com os EUA. Porquê? Para mim a chave reside nesta palavra: Acção!

Obama preparou cuidadosamente um plano de estímulos durante o período de transição e já como presidente, lutou severamente pela sua aplicação. Um plano onde é possível sabermos as áreas de acção e como as mesmas poderão ajudar a economia a inverter este ciclo negativo. Um plano ambicioso (e se dependesse somente de Obama seria ainda mais ambicioso) e que passado algum tempo, contou com a "ajuda" de planos para o crédito e para o mercado imobiliário. Quer sejamos a favor ou não dos planos de estímulos, temos que reconhecer mérito a Obama. O mérito de agir. A sua administração não ficou à espera que o mercado resolvesse o problema sozinho. Apostou na saúde, na educação, em energias alternativas, na reconstrução urbana e na formação profissional. Enviou fundos para os Estados aplicarem localmente e investiu em transferências para as camadas sociais com menores recursos. Aumentou a dívida? Certo. Correu riscos? Sim. É necessário ainda bastante trabalho para que o seu plano resulte? Sem dúvida. Mas a Casa Branca agiu! Actuou de acordo com aquilo que acredita ser a solução para esta crise. E a avaliar por estes números, a aposta parece estar a ser ganha,

O que fez o BCE? Desceu as taxas de juro depois dos mercados assim o preverem e a um ritmo mais lento que o esperado. E manteve-se preocupado com a inflação quando assistíamos a uma descida do preço dos produtos. Desemprego? A única preocupação do BCE em relação ao desemprego é a de dizer que o mesmo vai continuar a aumentar. E prepara-se para subir as taxas de juro mal seja possível. Soluções? Nem uma. E que recomendou a Comissão Europeia? Que os governos nacionais tomassem medidas. Como vivemos em economias isoladas e como esta crise é localizada, tem todo o sentido "mandar" os governos nacionais tomarem medidas. Mas tomar medidas sem desrespeitar o PEC senão serão alvo de sanções. Faz sentido a UE não actuar em conjunto? Não. E mesmo que fizesse, existia espaço de manobra? Não.

Pessoalmente sou a favor dos planos de estímulos. Pelo facto de acreditar que são a solução para esta crise e por aquilo que vejo na China e nos EUA. Deveria-se aplicar a mesma solução para a Europa e deveríamos esquecer a inflação, a dívida e tudo o resto e pensar sim no desemprego e nas dificuldades dos países do leste europeu. Neste período de crise a união é necessária mais que nunca e encerra em si a oportunidade de fortalecer essa mesma união e de caminharmos na direcção certa em relação à construção europeia. Não posso garantir que a solução seja um plano de estímulos europeu. Mas posso garantir que não actuar não é solução. E tanto o BCE como a Comissão Europeia não deveriam ser irredutíveis nas suas posições e nos seus pensamentos. É preciso agir, e agir rapidamente e de uma forma convicta. Os dados mencionados acima são um verdadeiro aviso para a UE. Se não actuarmos, arriscamo-nos a prolongar a recessão e a subida do desemprego enquanto o resto do mundo recupera e cresce. E com o arrastamento desta crise económica, cimenta-se cada vez mais outra crise, de uma forma quase proporcional. A crise do afastamento dos vários povos da Europa, crise essa que será bastante prejudicial para o futuro da UE e para a construção do projecto europeu.