quarta-feira, 17 de junho de 2009

Trabalho Infantil - Chaga do séc. XXI

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, mais de 200 milhões de crianças em todo o mundo são vítimas de exploração laboral. No dia 12 de Junho assinalou-se o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil. Este dia trouxe até nós uma recordação verdadeiramente chocante e que nos leva a reflectir sobre a condição humana, independentemente da religião, raça, etc.

Estas crianças são sujeitas a tráfico humano, conflitos armados, exploração sexual, escravatura e trabalhos de risco. Esta exploração leva a que o seu desenvolvimento (físico, psicológico e emocional) fique gravemente afectado para sempre. Um pouco por todo o mundo este flagelo tem vindo a diminuir e Portugal não foge à regra, que até à década de 90 ainda não tinha "despertado" para este problema. Contudo os mais de 200 milhões de crianças que todos os dias vêem os seus direitos fundamentais a serem-lhes negados, recordam-nos da pior maneira que o problema está longe de ser resolvido.

A temática deste ano aborda os efeitos que a crise económica mundial pode ter no aumento do número de crianças em situação de exploração laboral. Uma aposta forte na educação (essencialmente via expansão do ensino primário de forma gratuita) é a "chave" da solução para este problema global.

Não existem pretextos que sirvam para negligenciarmos esta realidade ou para deixarmos de lutar para a alterar. É absolutamente repugnante pensar na exploração laboral de qualquer ser humano mas as crianças são o futuro do planeta e é por elas e para elas que todos nós devemos olhar. O facto do número de crianças exploradas estar a diminuir não é motivo de alegria quando pensamos nos milhões que ainda não estão a salvo. Este problema, como outros, é um problema global. Apesar da maioria das vítimas se encontrar em países pobres, esta chaga social encontra-se em todo o mundo, incluindo no nosso pequeno Portugal. E este problema não afecta só as crianças mas sim toda a sociedade pois ao negarmos direitos às mesmas, estamos a contribuir para uma sociedade menos tolerante, menos próspera, menos desenvolvida e menos cooperante. É na infância que formamos a nossa personalidade e não existe nada no mundo que possa compensar inteiramente uma infância "perdida".

Cabe a todos nós a obrigação de lutarmos pelas nossas crianças para que ano após ano possamos verificar que a Organização Internacional do Trabalho divulga dados cada vez mais animadores, ou neste caso, cada vez menos sufocantes.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Coreia do Norte - degradação do ambiente internacional

Além do Irão, outro foco de tensão nas relações internacionais é a Coreia do Norte. Após o último ensaio nuclear, realizado a 25 de Maio deste ano e analisado aqui, o regime de Pyongyang voltou a despertar as atenções da comunidade internacional como não fazia desde 2006, data do anterior ensaio nuclear. A reacção foi imediata e as vozes convergiram no sentido de condenar este ensaio.

Previa-se que o Conselho de Segurança da ONU tomasse medidas concretas e assim aconteceu. Foram aprovadas novas sanções a aplicar à Coreia do Norte. Os sistemas de inspecções aéreas, marítimas e terrestres de cargas destinadas ou provenientes daquele país serão reforçados bem como o embargo de armas e as sanções financeiras agravadas o que se traduz num congelamento de contas bancárias de entidades e indivíduos. A administração Bush tomou no passado uma medida que congelou as contas bancárias norte-coreanas fora do país, medida essa que levou a um "retrocesso" na posição de Pyongyang. Estas medidas visam não só condenar o teste nuclear como tentar impedir que a Coreia do Norte desenvolva ainda mais a sua tecnologia atómica com fins militares já que os especialistas apontam que este país se está a "mover" nesse sentido, enriquecendo urânio e processando barras de combustível para obter plutónio. Recordo que o teste de Maio passado revelou uma potência maior que aquele realizado em 2006, de acordo com alguns especialistas, confirmando assim um desenvolvimento significativo deste tipo de tecnologia.

O enviado de Obama à Coreia do Norte revelou que o presidente dos EUA se encontra disponível para negociar e mediar a situação recorrendo à diplomacia. Tal pode acontecer com os parceiros envolvidos, ou seja, negociações conjuntas com a Coreia do Sul, Japão, Rússia e China ou mesmo directamente entre os dois países.

Através de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros foi conhecida a reacção da Coreia do Norte face às novas sanções impostas pela ONU. Pyongyang é bem explícita referindo que nunca irá renunciar às suas ambições atómicas e que o seu plutónio será utilizado para fins militares. Adverte ainda que considera estas sanções como um "acto de guerra". Além da sua reacção agressiva, o governo norte-coreano refere ainda que dispõe da tecnologia necessária para continuar a progredir nos seus objectivos militares e que cerca de um terço das barras de combustível utilizadas para produzir plutónio já foram reprocessadas.

Pyongyang entendeu estas sanções como uma "provocação" e há quem alerte para a realização de novos testes, nomeadamente com mísseis cujo alcance abrange os EUA, como forma de responder às mesmas. É importante colocar uma "tampa" na degradação desta relação extremamente complicada. A comunidade internacional não se pode dar ao luxo de seguir numa espiral de provocações e sanções provocando a erosão da situação. Só o tempo dirá se estas sanções irão surtir o efeito desejado mas para já, é perfeitamente plausível colocar o cenário em que a Coreia do Norte acelera ainda mais o desenvolvimento nuclear e programe para breve novos testes com vários tipos de mísseis. Penso que o facto de Obama ter deixado claro que a sua administração está disponível para negociar foi extremamente importante para formar essa tal "tampa". As negociações a ocorrerem serão realizadas muito provavelmente com os outros 4 parceiros. É difícil escolher entre agravar as sanções e arriscar enfurecer Pyongyang ou "ignorar" os avisos norte-coreanos e Pyongyang entender tal facto como um "sinal verde" para continuar a sua política de desenvolvimento atómico com fins militares. E nesta situação, a opinião dos parceiros, em especial da China, ditará provavelmente o futuro dos acontecimentos.

domingo, 14 de junho de 2009

Paz no Médio Oriente - discurso de Netanyahu

Ontem, após a análise dos resultados eleitorais das eleições presidenciais no Irão, alertei para o facto do discurso de Benjamin Netanyahu se revestir de uma enorme importância para a resolução do impasse no processo de paz respeitante ao Médio Oriente. O primeiro-ministro israelita tinha prometido pronunciar-se sobre uma nova política de paz e de segurança.

Netanyahu propôs a criação de um estado palestiniano desmilitarizado e impôs como condição necessária para a abertura de negociações, o reconhecimento de Israel como o "Estado dos judeus". Em jeito de resposta a Obama, frisou que Israel está disposto a negociar com todos os países árabes mas nunca com o Hamas, já que esta organização palestiniana tem um carácter terrorista e deseja a destruição do estado de Israel. Em relação aos colonatos, Netanyahu deixou claro que não serão construídos novos mas alertou para o facto da questão dos refugiados palestianos ter que ser resolvida fora do território de Israel.

Em suma, Israel deixou em aberto a possibilidade da existência de um estado palestiniano mas nunca sob o controlo do Hamas e que em nenhuma situação, coloque a segurança do estado judaico em risco.

Pessoalmente considero estas declarações como um passo em frente, após o "balde de água fria" das eleições iranianas. Netanyahu tem vindo a moderar cada vez mais a sua posição e já admite a criação de um estado palestiniano. Os apelos de Obama estão a surtir o efeito desejado em Jerusálem. Este ponto de "cedência" em relação à criação de um estado palestiniano é absolutamente essencial para as reivindicações árabes. É natural que Israel se descarte de negociar com o Hamas, sendo o afastamento dessa organização a "moeda de troca" face a uma hipotética criação de um estado palestiniano. A questão da desmilitarização realça de forma implícita o controlo que esse futuro estado teria por parte da comunidade internacional, leia-se EUA e Israel. É neste ponto que penso existir margem de manobra e as negociações poderão levar Netanyahu a ceder pouco a pouco esse controlo que actualmente propõe. O facto de Israel reconhecer a hipótese da criação de um estado palestiniano é a "semente" que só poderá germinar via negociações e diplomacia directa.

Actualização: Washington já reagiu ao discurso de Netanyahu e considerou-o como um passo em frente para a resolução dos conflitos no Médio Oriente. A administração Obama compreende as questões de segurança evocadas pelos israelitas mas realça que o reconhecimento da possibilidade de existir um estado palestiniano é sem dúvida um sério compromisso para a resolução pacífica da situação.

sábado, 13 de junho de 2009

Irão - Eleições Presidenciais

O actual presidente iraniano foi dado como vencedor das eleições presidenciais, segundo fontes oficiais. Ahmadinejad terá conseguido cerca de 63% dos votos enquanto que o seu principal adversário, Mir Moussavi não terá ido além dos 34%. Apresentaram-se 4 candidatos às eleições mas a luta real para a presidência era somente entre estes dois candidatos. Por ser considerado como o mais "moderado", Moussavi era apoiado em massa pela comunidade internacional que depositava nele as esperanças de resolver através de negociações a questão do desenvolvimento de tecnologia nuclear por parte de Teerão.

A vitória de Ahmadinejad foi assim vista como um "retrocesso" nas negociações e uma potencial ameaça para a comunidade ocidental. A liderar estas reacções está obviamente Israel que apelou uma vez mais à comunidade internacional para se unir no esforço de combater o programa nuclear iraniano. Após um belo discurso de Obama no Cairo, uma nova abertura dos EUA face a todo o mundo árabe e uma suposta nova "abertura" de Israel em resolver o impasse no processo de paz do Médio Oriente, a reeleição do presidente cessante foi uma dura "pancada" nos progressos que se previam alcançar para a região.

Apesar de Ahmadinejad ter sido apontado como favorito, ninguém estava à espera de uma margem de diferença de praticamente 30%. Esta discrepância leva os especialistas internacionais a duvidarem do verdadeiro resultado eleitoral. Os apoiantes de Moussavi entraram em confrontos com a polícia em várias cidades e o candidato derrotado já declarou terem existido sérias irregularidades no processo eleitoral. Moussavi diz que não vai baixar os braços e vai lutar para repor a veracidade nos resultados eleitorais que, segundo ele, lhe dão uma clara vitória caso não fossem manipulados.

As reacções da comunidade internacional convergem com este ponto de vista, suspeitando que tenham existido fortes irregularidades. Ahmadinejad tomou determinadas medidas como proibir o acesso à rede social Facebook (onde Moussavi tinha cerca de 5.000 apoiantes declarados) que de certa forma, dão "razão" a este tipo de suspeitas. Benjamim Netanyahu tem marcado para amanhã um importante discurso onde abordará o processo de paz e de segurança de Israel. Aguarda-se com expectativa um discurso que será seguramente decisivo. Por sua vez, o líder espiritual do Irão, o ayatollah Khamenei considerou este resultado como sendo positivo para o seu país bem como o grau de participação eleitoral que rondará os 82%. Pondo isto, Khamenei apelou à calma no país e ao apoio ao presidente reeleito.

Pessoalmente não esperava estes resultados. Nos últimos dias a situação parecia estar a seguir um rumo favorável e a eleição de Moussavi, na minha óptica, seria excelente para alimentar ainda mais a esperança de negociações com vista à paz na região e a uma nova era de cooperação entre os vários países. Ahmadinejad era dado como favorito e apesar de ser "apoiante" de Moussavi, tenho que admitir que seria uma eleição difícil de vencer. Contudo não estava minimamente à espera de uma margem tão alargada e custa-me a acreditar que não tenham existido irregularidades que beneficiassem o actual presidente. O presidente do Irão nunca demonstrou "fair play" durante o período de campanha e não me surpreenderia minimamente que tivesse manipulado as eleições. Os esforços internacionais tornam-se assim mais difíceis já que esta eleição a confirmar-se, será um "balde de água fria" nas expectativas criadas. Temo também que amanhã o primeiro-ministro israelita assuma um tom agressivo face a este resultado e à situação gerada à sua volta, dissipando por completo os avanços recém-conquistados. Complica-se ainda mais uma das "tarefas" de Obama.

NASA | Missão adiada

O vaivém espacial Endeavour deveria ter descolado às 12:17 hora de Lisboa. Contudo o lançamento foi abortado devido a um problema no tanque de combustível externo. Quando o tanque estava já a 98% da sua capacidade detectou-se uma fuga de hidrogénio que comprometeu o lançamento.

Esta fuga é bastante semelhante à detectada em Março no vaivém Discovery. A NASA está bastante preocupada com este problema técnico que se vem repetindo nos lançamentos. Os engenheiros apenas poderão começar a resolver o problema daqui a 24 horas, o tempo necessário para esvaziar o tanque. As reparações deverão demorar pelo menos 4 dias mas prevê-se que o lançamento seja realizado com a maior brevidade possível.

A actual missão do vaivém Endeavour é entregar e instalar os últimos elementos do laboratório japonês Kibo na Estação Espacial Internacional. A duração estimada desta missão é de 16 dias e representa mais um passo na "conquista espacial".

Ambiente | 1-1 ao intervalo

O dia de hoje contou com um vasto volume de notícias sobre ambiente e o futuro do planeta. Terminou a conferência de Bona (com a duração de 2 semanas) cujo objectivo era "preparar terreno" para alcançar um acordo na conferência de Copenhaga, Dinamarca a realizar em Dezembro deste ano. Esta conferência é extremamente importante já que se espera que seja criado o "sucessor" do protocolo de Quioto. Neste novo protocolo a vigorar entre o período 2012-2020 espera-se um sério compromisso na redução das emissões por parte dos países desenvolvidos, uma contenção da subida das emissões por parte dos países em desenvolvimento e acima de tudo, um acordo que abranja o mundo todo e que seja ratificado por todos os países.

Infelizmente estas duas semanas de negociações pouco contribuíram para o desenvolvimento da situação. Criaram antes um impasse, que terá de ser resolvido caso se pretenda estabelecer um novo protocolo na Dinamarca. A maioria dos países em desenvolvimento pretende uma redução de 25-40% por parte dos países desenvolvidos, meta que estes consideram prejudicar demasiado a sua economia. Bill Hare do IPCC teme tanto o efeito deste novo impasse que afirma que chegar-se a um consenso por volta dos 25% já é bastante difícil. A meta dos EUA foi enfraquecida em relação à proposta inicial de Obama e o Japão apresentou a sua própria meta que se situa numa redução de 8% até 2020 (face aos níveis de 1990). Estes "entraves" por parte dos países desenvolvidos aliam-se à fraca vontade de mudar por parte de países como a China e a Índia, criando este desacordo. Ninguém está disposto a dar o primeiro passo, algo que é lamentado pelas associações ambientalistas que acusam os políticos de inacção face ao problema.

Na minha opinião a Conferência de Bona foi uma grande derrota no desenvolvimento de um novo protocolo. Estava à espera de uma maior liderança por parte dos países desenvolvidos mas também um maior envolvimento por parte das potências emergentes como a China e a Índia. É dificil mas imprescindível terminar Copenhaga com um novo projecto e que terá de cortar pelo menos em 25% as emissões dos países desenvolvidos bem como estabelecer 2020 como o ano "limite" para o aumento das emissões por parte das novas potências.

Contudo o dia de hoje foi também marcado por uma importante "vitória" no campo ambiental. Organizações não-governamentais como a Greenpeace bem como muitas outras, têm lutado sistematicamente pela floresta Amazónica tentando impedir a sua destruição. Esta floresta encerra em si mais de um terço de toda a biodiversidade mundial e é sem dúvida, o "pulmão" do planeta. Todos os dias são abatidos ínumeros hectares de floresta virgem que dão a origem a plantações de biodiesel, explorações agrícolas ou pecuárias. Além de toda esta destruição do património natural da Amazónia, a degradação da floresta está muitas vezes associada a condições de trabalho miseráveis ou mesmo escravas. O Ministério Público Federal do Pará decidiu juntar-se nesta luta e publicou uma lista de fazendas (explorações) pecuárias que abatem indiscriminadamente a floresta para obterem cada vez mais terrenos. A competitividade económica dos produtos é ganha à custa das condições inumanas dos seus trabalhadores.

Em resposta as três maiores cadeias de supermercados do Brasil decidiram deixar de comprar carne proveniente destas fazendas. Wal-Mart, Pão de Açúcar e Carrefour são as três cadeias que tomaram esta decisão, após reunião entre todas. Espera-se agora que estas acções se ampliem por mais 72 compradores de produtos provenientes daquelas explorações bem como se extenda a outros dois estados brasileiros com grande influência no destino da Amazónia, Mato Grosso e Rondónia. As associações ambientalistas congratulam-se por esta vitória mas continuam a longa batalha de salvar a Amazónia que está muito longe de terminar.

Tanto a derrota como a vitória de hoje vão ter um grande impacto mundial. Ao intervalo está 1-1 e eu tenho a camisola do planeta Terra vestida. Como vai acabar o jogo?

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Economia | EUA vs UE

Hoje a Agência Financeira publicou uma série de artigos que permitem fazer uma análise sobre a actualidade económica e reflectir no seu futuro. Através da comparação e da análise dos dados, podemos reflectir sobre as opções tomadas pela UE e as opções levadas a cabo pela Casa Branca. São duas linhas distintas de pensamento que resultaram em duas formas diferentes de abordar uma crise comum.

Para começarmos a análise nada melhor que um artigo global. O FMI deverá rever em alta a sua previsão para o crescimento da economia em 2010. A actual expectativa situa-se no 1,9% e deverá subir meio ponto para os 2,4%. No campo da economia global, são boas notícias e a noção de retoma começa a solidificar as suas bases e a aumentar os seus argumentos. O mesmo artigo termina dizendo que esta revisão em alta se deve aos planos de estímulos levados a cabo por vários governos (por exemplo os EUA e a China). A previsão para 2009 continua a apontar para uma contracção global de 1,3%.

Apesar da retoma internacional começar a ganhar contornos cada vez mais delineados, a situação na Europa não é animadora. Já nos EUA a esperança parece passar dos discursos de Obama para os números em si.

Após os primeiros seis meses do ano terem sido piores que aquilo que o BCE previra, esta instituição reviu os seus números para 2009 e 2010. A provocar o agravamento da situação económica está o galopante desemprego em toda a UE, responsável pela "falha" na previsão do Banco Central Europeu. Assim sendo estima-se uma contracção de 4,6% em 2009 e de 0,3% em 2010, afastando a retoma para um futuro mais longínquo. Além da deterioração da economia espera-se um agravamento do desemprego, ou seja, a UE ainda não atingiu o seu pico de desemprego e o mesmo deverá continuar a aumentar ao longo deste ano e do próximo. Estes números encontram-se alinhados com as previsões apontadas para Portugal que estimam uma contracção de 3% este ano e uma estagnação no próximo. O desemprego actualmente situado em 8% deverá subir até aos 10% antes de estabilizar e começar a diminuir.

Nos EUA apesar das enormes dificuldades do presente, a perspectiva de futuro é mais animadora. E existem dados a comprová-lo. O número de pedidos de subsídio de desemprego está em queda. De acordo com o Departamento do Trabalho são 6,82 milhões os americanos a receber este subsídio mas o seu crescimento está a abrandar, revelando que as empresas estão a dispensar cada vez menos pessoal, confiantes numa melhoria da situação económica já na segunda metade do presente ano. Outro número encorajador das medidas da administração Obama é o das vendas a retalho. Segundo o Departamento do Comércio este número cresceu pela primeira vez em 3 meses, subindo cerca de 0,5%.

Apesar dos números serem ainda bastante preliminares e da situação económica global estar bastante longe do normal, é seguro dizer que as perspectivas de futuro não são as mesmas, quando comparamos a UE com os EUA. Porquê? Para mim a chave reside nesta palavra: Acção!

Obama preparou cuidadosamente um plano de estímulos durante o período de transição e já como presidente, lutou severamente pela sua aplicação. Um plano onde é possível sabermos as áreas de acção e como as mesmas poderão ajudar a economia a inverter este ciclo negativo. Um plano ambicioso (e se dependesse somente de Obama seria ainda mais ambicioso) e que passado algum tempo, contou com a "ajuda" de planos para o crédito e para o mercado imobiliário. Quer sejamos a favor ou não dos planos de estímulos, temos que reconhecer mérito a Obama. O mérito de agir. A sua administração não ficou à espera que o mercado resolvesse o problema sozinho. Apostou na saúde, na educação, em energias alternativas, na reconstrução urbana e na formação profissional. Enviou fundos para os Estados aplicarem localmente e investiu em transferências para as camadas sociais com menores recursos. Aumentou a dívida? Certo. Correu riscos? Sim. É necessário ainda bastante trabalho para que o seu plano resulte? Sem dúvida. Mas a Casa Branca agiu! Actuou de acordo com aquilo que acredita ser a solução para esta crise. E a avaliar por estes números, a aposta parece estar a ser ganha,

O que fez o BCE? Desceu as taxas de juro depois dos mercados assim o preverem e a um ritmo mais lento que o esperado. E manteve-se preocupado com a inflação quando assistíamos a uma descida do preço dos produtos. Desemprego? A única preocupação do BCE em relação ao desemprego é a de dizer que o mesmo vai continuar a aumentar. E prepara-se para subir as taxas de juro mal seja possível. Soluções? Nem uma. E que recomendou a Comissão Europeia? Que os governos nacionais tomassem medidas. Como vivemos em economias isoladas e como esta crise é localizada, tem todo o sentido "mandar" os governos nacionais tomarem medidas. Mas tomar medidas sem desrespeitar o PEC senão serão alvo de sanções. Faz sentido a UE não actuar em conjunto? Não. E mesmo que fizesse, existia espaço de manobra? Não.

Pessoalmente sou a favor dos planos de estímulos. Pelo facto de acreditar que são a solução para esta crise e por aquilo que vejo na China e nos EUA. Deveria-se aplicar a mesma solução para a Europa e deveríamos esquecer a inflação, a dívida e tudo o resto e pensar sim no desemprego e nas dificuldades dos países do leste europeu. Neste período de crise a união é necessária mais que nunca e encerra em si a oportunidade de fortalecer essa mesma união e de caminharmos na direcção certa em relação à construção europeia. Não posso garantir que a solução seja um plano de estímulos europeu. Mas posso garantir que não actuar não é solução. E tanto o BCE como a Comissão Europeia não deveriam ser irredutíveis nas suas posições e nos seus pensamentos. É preciso agir, e agir rapidamente e de uma forma convicta. Os dados mencionados acima são um verdadeiro aviso para a UE. Se não actuarmos, arriscamo-nos a prolongar a recessão e a subida do desemprego enquanto o resto do mundo recupera e cresce. E com o arrastamento desta crise económica, cimenta-se cada vez mais outra crise, de uma forma quase proporcional. A crise do afastamento dos vários povos da Europa, crise essa que será bastante prejudicial para o futuro da UE e para a construção do projecto europeu.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Home - Introdução

O planeta Terra é a nossa casa. Independentemente da nossa cor, raça, nacionalidade, crença religiosa, sexo, peso, altura, qualidade de vida, etc. Supostamente por ser a casa de todos nós, deveríamos instintivamente cuidar dela. Infelizmente não o fazemos muitas vezes por ignorância. Quantos de nós conhecem a verdadeira dimensão do nosso planeta, o conjunto de relações interdependentes existentes e todos os recursos disponíveis? Eu não e duvido que alguém conheça o nosso planeta a 100%. Contudo existem formas de nos informamos de uma maneira geral e simples mas que pode ser fundamental para uma melhor compreensão da nossa casa. E essa compreensão é a melhor forma de nos convencer a agir em prol dela e lutarmos pela sua preservação.

A Terra é uma só entidade, simbolizada por todos os seres vivos existentes e por todos os elementos que a compõem. O ser humano individualmente não existe. Apenas existe quando interligado com o meio que o rodeia, ou seja, ligado aos outros seres vivos e ao próprio ambiente. É essa ligação que por vezes é esquecida devido a um afastamento cada vez maior da Natureza e do mundo natural. Mas não nos podemos esquecer que tudo aquilo que construímos e desenvolvemos vem sempre de algo existente na natureza, de algo existente no planeta que habitamos. Podemos esquecer a natureza mas não podemos viver sem ela. Podemos criar uma "bolha" à nossa volta mas a única forma de a sustentarmos é com os recursos angariados fora da bolha. A preservação da Terra não é uma opção ou uma prova de bom coração mas sim uma obrigação e uma necessidade. Necessidade essa que ao não ser cumprida nos leva à extinção.

Home é um novo documentário de Yann Arthus-Bertrand acerca do planeta Terra. Este ambientalista é bastante conhecido pelas suas excelentes imagens aéreas que retratam o nosso planeta de uma forma única. Este documentário além de expor toda a beleza que a Terra encerra, lança também um olhar preocupado sobre o seu futuro, alertando para uma correcta e eficaz gestão dos recursos naturais. Essa será a única forma de mantermos o planeta saudável e belo. O vídeo está disponível no Youtube (na íntegra até 14 de Junho) e a sua estreia mundial realizou-se em mais de 50 de países. Sem duvida um excelente contributo para conhecermos melhor o nosso planeta e para nos envolvermos activamente na sua protecção.

Tenciono voltar a abordar este documentário após visionar o mesmo. O próximo post sobre Home será um resumo do vídeo e a minha crítica face ao mesmo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Água | Importância e gestão

Como forma de sinalizar o Dia Mundial do Ambiente (05 de Junho), a Câmara Municipal de Lisboa decidiu implementar duas medidas que contribuem para a sustentabilidade do município.

Actualmente existem apenas 2 pontos de recolha de equipamentos electrónicos e eléctricos em todo o município e esse número será alargado para 15, tentando aumentar a recolha deste tipo de resíduos que são extremamente prejudiciais para o ambiente quando atingem o seu "fim de vida" e não são devidamente tratados e reciclados. A outra medida anunciada pela CML é uma modificação na limpeza das ruas. A limpeza urbana envolve um consumo de 2 milhões de metros cúbicos por ano. A alteração implementada é a origem dessa água que actualmente deriva da própria rede, ou seja, consome água potável. A partir do Dia Mundial do Ambiente essa água passou a ser recolhida das ETAR de Chelas e Alcântara passando a consumir água tratada resultando numa enorme poupança de água potável pois a água tratada já foi previamente utilizada. Esta tarefa ficou a cargo dos camiões cisterna da autarquia e resulta de uma parceria entre a CML, a Simtejo e a EPAL.

Tomo o Dia Mundial do Ambiente e estas duas medidas implementadas pela Câmara Municipal de Lisboa somente como ponto de partida para analisar a temática da água, focando-me na sua importância enquanto recurso vital para a vida humana, bem como para todas as formas de vida que conhecemos. Cada vez existem mais cientistas, economistas, ambientalistas, etc. a denominar a água como o "ouro azul" ou o "ouro do séc.XXI".

Infelizmente a água não tem tido grande relevo quando se aborda a luta contra as alterações climáticas. Esse campo está monopolizado pela geração de energia renovável. É importante substituir o petróleo e o carvão enquanto geradores de energia mas temos que nos recordar que esse não é o nosso único problema e como tal, temos de abordar todos os outros que somente conjugados serão capazes de apresentar uma verdadeira solução para o planeta e para a Humanidade.

Actualmente, de uma forma teórica, a água é abundante para nós (habitantes dos países desenvolvidos) pois basta ligar a torneira e até é relativamente barata, especialmente quando comparada com os preços dos combustíveis. Tudo isto leva-nos a negligenciar a verdadeira importância da água e a crescente necessidade de reduzir os nossos consumos. Sem electricidade não seria possível o mundo de hoje. Sem água não seria possível qualquer mundo.

Também do ponto de vista económico é imperativo pouparmos água e garantir a sua sustentabilidade futura. O desenvolvimento de novas potências leva a numerosos crescimentos no consumo de água per capita e vem agudizar as dificuldades globais em fornecer quantidade equivalente à procura. Países como a China estão já a sentir os efeitos da escassez da água levando-a a realizar projectos megalómanos como a construção de um túnel subterrâneo entre o Rio Amarelo e o Rio Yantzé para transferir caudal do segundo para o primeiro. Mesmo em Portugal assistimos a uma exploração cada vez mais dispendiosa dos recursos hídricos (ligada à tão contestada taxa de recursos hídricos) fruto de uma oferta cada vez menor e de mais difícil acesso. A escassez de água afectará todo o mundo mas os países do sul da Europa serão dos mais afectados. Corremos também de risco de aumentar a pobreza nos países subdesenvolvidos e de proliferar mais doenças bem como de prejudicar seriamente a agricultura a nível mundial bem como a pecuária. O seu custo será cada vez maior e à medida que cada vez menos pessoas tiverem acesso a um bem absolutamente indispensável os conflitos e tensões sociais tornar-se-ão cada vez mais frequentes e violentos. Todos os países terão de participar numa solução global para este problema e comprometer-se a implementar medidas sérias. Os projectos megalómanos apenas adiam o problema e não podemos "confiar" no gelo para nos salvar pois está a derreter a uma velocidade recorde. A dessalinização não se apresenta como solução pela elevada quantidade de energia que necessita e pelo facto da água dessalinizada não ter os mesmos componentes que a água doce.

Uma nova gestão é urgente! E a responsabilidade dessa gestão é do governo, das empresas mas também nossa. Não podemos esperar que leis e incentivos governamentais ou campanhas nos media façam o nosso trabalho. Como forma de finalizar o meu post deixo uma pequena lista com algumas sugestões ao alcance de todos nós para reduzirmos o consumo de água.

- Não tomar banhos mas sim duches rápidos.
- Verificar e reparar todas as anomalias em torneiras e canalizações.
- Regar as plantas ao final da tarde ou anoitecer para evitar uma maior evaporação.
- Lavar o carro com um balde ou com uma mangueira de pressão.
- Colocar redutores de caudal nas torneiras.
- Colocar uma garrafa de 1,5L (cheia) no autoclismo.
- Ao lavar os dentes utilizar um copo e não água corrente.
- Reutilizar a água do banho para regar as plantas.
- Utilizar a máquina de lavar loiça e de lavar roupa somente com a carga cheia.
- Desligar a água enquanto ensaboa as mãos ou coloca shampôo ou gel de banho no corpo.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Educação | Formação profissional

Muito se tem debatido acerca do alargamento da escolaridade obrigatória para o 12º ano. A educação é uma temática que influencia todas as outras e, numa altura de crise, assume dimensões ainda maiores. A actual ministra da educação defende que Portugal pode aspirar de forma realista a este alargamento de 3 anos na escolaridade obrigatória bem como à generalização do ensino pré-escolar. Esta proposta recebe a aprovação de todos os outros partidos com acento parlamentar apesar de questionarem o oportunismo político desta proposta, devido à proximidade com as eleições legislativas.

Pessoalmente concordo com este alargamento e fico feliz por ver que os partidos, pelo menos uma vez, se unem em torno de uma proposta que efectivamente é importante para o futuro do país. Porque é importante alargar em 3 anos a escolaridade obrigatória? Que benefícios reais traz? Como pode isso resultar num desenvolvimento de Portugal no futuro e consequentemente em uma melhor capacidade de resposta a crises futuras?

Para um país se desenvolver necessita de pessoas formadas e especializadas. Actualmente é visível a urgência de formarmos cada vez mais e melhor as pessoas e é notório que a diminuta taxa de alfabetização e baixa escolaridade da generalidade dos portugueses durante o regime do Estado Novo trouxe consequências nefastas ainda patentes nos dias de hoje. Na minha opinião, a educação está muito relacionada com o facto de Portugal ser frequentemente apontado como estando na "cauda da Europa", ou seja, se estamos nessa cauda isso deve-se em grande parte à falta de formação académica/profissional da maioria da população portuguesa. Felizmente esta tendência está-se a inverter e alargar a escolaridade obrigatória até ao 12º ano seria mais um passo na direcção correcta para a construção não do presente, mas do futuro de Portugal.

Somente após a conclusão do ensino secundário é que nos podemos candidatar ao ensino superior. Ter um grau académico superior não confere emprego garantido mas aumenta essa probabilidade e aumenta o leque de funções que podemos desempenhar. Um licenciado pode desempenhar as funções daquele que tem o ensino secundário, mas aquele que tem apenas o ensino secundário não pode desempenhar todas as funções para as quais o licenciado está habilitado. Nesse aspecto será sempre melhor para a pessoa individualmente e para o país como um todo, ter um maior número de pessoas capazes de desempenhar um maior número de funções, adaptando-se a mais empregos e correspondendo com mais facilidade às necessidades do país. Ao aumentarmos a escolaridade obrigatória para o 12º ano, estamos a promover o ingresso no ensino superior, ingresso esse que é cada vez mais fundamental para o sucesso individual e colectivo. Mesmo que esse ingresso não se verifique imediatamente após a conclusão do ensino secundário existe sempre essa possibilidade no futuro. Enquanto que alguém com o 9º mesmo que decida já em idade adulta aumentar a sua formação, muito provavelmente ficar-se-à pelo 12º ano.

Actualmente existe um gama cada vez mais alargada de cursos profissionais e técnicos inseridos nos 3 anos que marcam a duração do ensino secundário. Estes cursos através de umas reformulações e de uma carga horária mais elevada, possibilitam em 3 anos que os estudantes obtenham o 12º ano e aprendam uma profissão ao mesmo tempo, adquirindo também experiência de trabalho com o estágio que têm incluído no curso. Estes cursos são também extremamente importantes para o desenvolvimento do país, pois conferem aptidões técnicas e profissionais que são muito procuradas no mercado de trabalho. Com o desaparecimento dos cursos médios (bacharelato) foi necessário "inventar" cursos que formassem técnicos. Esta "invenção" tem no geral corrido bastante bem já que o número de escolas profissionais e de cursos disponíveis têm vindo a multiplicar, bem como a adesão aos mesmos. Ao aumentarmos a escolaridade obrigatória para o 12º ano, estamos a fomentar a adesão a estes cursos que são essenciais para a formação dos técnicos e profissionais do nosso país. Profissões como a pesca e a agricultura renascem e renovam completamente a sua imagem com este tipo de cursos. Cada vez mais é essencial todos nós termos uma formação específica que complemente a nossa formação básica e estes cursos são a resposta a essa necessidade.

Sem recorrer a nenhum estudo, digo com toda a certeza que quanto maior é a formação de um indivíduo, melhor é a sua adaptação e capacidade de argumentação. Que significa isto? Significa que quanto maior formação uma pessoa tiver, mais possibilidade existe de essa pessoa desenvolver interesses que procurem aumentar cada vez o seu conhecimento. Ler livros, ver documentários, ler artigos na internet, comentar, debater, etc. Tudo isto é importante para a formação global de uma pessoa, pois vai "completando-a". Esse conhecimento contínuo que essa pessoa procura (fruto do estímulo da sua maior formação e consequente capacidade de compreensão e análise) vai significar melhorias para essa pessoa e para o seu país. Porque uma pessoa formada é capaz de se adaptar melhor a mudanças no seu emprego (por exemplo o primeiro plano que Salazar fez para desenvolver a indústria e a agricultura portuguesa encontraram fortes dificuldades porque os operários e agricultores não se conseguiam adaptar à elevada mecanização, fruto da sua fraca formação) o que será certamente melhor para essa pessoa. Além desta melhor adaptação no mercado de trabalho e às suas alterações, uma pessoa formada que desenvolva gostos e hábitos que aumentem sucessivamente o seu conhecimento pode mais facilmente verificar e contestar injustiças e propor soluções para os problemas que encontra. Isto reflecte-se em muitos campos, como por exemplo no político. Só se uma pessoa for capaz de analisar a actuação de um governo de uma forma coerente, é que será capaz de apontar os seus defeitos e propor alternativas ou apoiar um partido que proponha essas mesmas alternativas. Ao aumentarmos a escolaridade para o 12º ano, estamos a aumentar a probabilidade de cada vez mais pessoas procurarem o contínuo aumento do seu conhecimento, sendo essa a única via para a evolução e desenvolvimento. Se ninguém estiver disposto a procurar cada vez mais, não existem alterações.

Por tudo isto sou a favor de um alargamento da escolaridade obrigatória em 3 anos. Tal como a fraca escolaridade resultante de regimes antigos revela os seus efeitos ainda nos dias de hoje, tal medida vai ser sentida não daqui a 2 anos mas daqui a 20. E aí penso que Portugal olhará para trás e constatará com gosto a diferença que tal acto produziu.