O planeta Terra é a nossa casa. Independentemente da nossa cor, raça, nacionalidade, crença religiosa, sexo, peso, altura, qualidade de vida, etc. Supostamente por ser a casa de todos nós, deveríamos instintivamente cuidar dela. Infelizmente não o fazemos muitas vezes por ignorância. Quantos de nós conhecem a verdadeira dimensão do nosso planeta, o conjunto de relações interdependentes existentes e todos os recursos disponíveis? Eu não e duvido que alguém conheça o nosso planeta a 100%. Contudo existem formas de nos informamos de uma maneira geral e simples mas que pode ser fundamental para uma melhor compreensão da nossa casa. E essa compreensão é a melhor forma de nos convencer a agir em prol dela e lutarmos pela sua preservação.
A Terra é uma só entidade, simbolizada por todos os seres vivos existentes e por todos os elementos que a compõem. O ser humano individualmente não existe. Apenas existe quando interligado com o meio que o rodeia, ou seja, ligado aos outros seres vivos e ao próprio ambiente. É essa ligação que por vezes é esquecida devido a um afastamento cada vez maior da Natureza e do mundo natural. Mas não nos podemos esquecer que tudo aquilo que construímos e desenvolvemos vem sempre de algo existente na natureza, de algo existente no planeta que habitamos. Podemos esquecer a natureza mas não podemos viver sem ela. Podemos criar uma "bolha" à nossa volta mas a única forma de a sustentarmos é com os recursos angariados fora da bolha. A preservação da Terra não é uma opção ou uma prova de bom coração mas sim uma obrigação e uma necessidade. Necessidade essa que ao não ser cumprida nos leva à extinção.
Home é um novo documentário de Yann Arthus-Bertrand acerca do planeta Terra. Este ambientalista é bastante conhecido pelas suas excelentes imagens aéreas que retratam o nosso planeta de uma forma única. Este documentário além de expor toda a beleza que a Terra encerra, lança também um olhar preocupado sobre o seu futuro, alertando para uma correcta e eficaz gestão dos recursos naturais. Essa será a única forma de mantermos o planeta saudável e belo. O vídeo está disponível no Youtube (na íntegra até 14 de Junho) e a sua estreia mundial realizou-se em mais de 50 de países. Sem duvida um excelente contributo para conhecermos melhor o nosso planeta e para nos envolvermos activamente na sua protecção.
Tenciono voltar a abordar este documentário após visionar o mesmo. O próximo post sobre Home será um resumo do vídeo e a minha crítica face ao mesmo.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
Água | Importância e gestão
Como forma de sinalizar o Dia Mundial do Ambiente (05 de Junho), a Câmara Municipal de Lisboa decidiu implementar duas medidas que contribuem para a sustentabilidade do município.
Actualmente existem apenas 2 pontos de recolha de equipamentos electrónicos e eléctricos em todo o município e esse número será alargado para 15, tentando aumentar a recolha deste tipo de resíduos que são extremamente prejudiciais para o ambiente quando atingem o seu "fim de vida" e não são devidamente tratados e reciclados. A outra medida anunciada pela CML é uma modificação na limpeza das ruas. A limpeza urbana envolve um consumo de 2 milhões de metros cúbicos por ano. A alteração implementada é a origem dessa água que actualmente deriva da própria rede, ou seja, consome água potável. A partir do Dia Mundial do Ambiente essa água passou a ser recolhida das ETAR de Chelas e Alcântara passando a consumir água tratada resultando numa enorme poupança de água potável pois a água tratada já foi previamente utilizada. Esta tarefa ficou a cargo dos camiões cisterna da autarquia e resulta de uma parceria entre a CML, a Simtejo e a EPAL.
Tomo o Dia Mundial do Ambiente e estas duas medidas implementadas pela Câmara Municipal de Lisboa somente como ponto de partida para analisar a temática da água, focando-me na sua importância enquanto recurso vital para a vida humana, bem como para todas as formas de vida que conhecemos. Cada vez existem mais cientistas, economistas, ambientalistas, etc. a denominar a água como o "ouro azul" ou o "ouro do séc.XXI".
Infelizmente a água não tem tido grande relevo quando se aborda a luta contra as alterações climáticas. Esse campo está monopolizado pela geração de energia renovável. É importante substituir o petróleo e o carvão enquanto geradores de energia mas temos que nos recordar que esse não é o nosso único problema e como tal, temos de abordar todos os outros que somente conjugados serão capazes de apresentar uma verdadeira solução para o planeta e para a Humanidade.
Actualmente, de uma forma teórica, a água é abundante para nós (habitantes dos países desenvolvidos) pois basta ligar a torneira e até é relativamente barata, especialmente quando comparada com os preços dos combustíveis. Tudo isto leva-nos a negligenciar a verdadeira importância da água e a crescente necessidade de reduzir os nossos consumos. Sem electricidade não seria possível o mundo de hoje. Sem água não seria possível qualquer mundo.
Também do ponto de vista económico é imperativo pouparmos água e garantir a sua sustentabilidade futura. O desenvolvimento de novas potências leva a numerosos crescimentos no consumo de água per capita e vem agudizar as dificuldades globais em fornecer quantidade equivalente à procura. Países como a China estão já a sentir os efeitos da escassez da água levando-a a realizar projectos megalómanos como a construção de um túnel subterrâneo entre o Rio Amarelo e o Rio Yantzé para transferir caudal do segundo para o primeiro. Mesmo em Portugal assistimos a uma exploração cada vez mais dispendiosa dos recursos hídricos (ligada à tão contestada taxa de recursos hídricos) fruto de uma oferta cada vez menor e de mais difícil acesso. A escassez de água afectará todo o mundo mas os países do sul da Europa serão dos mais afectados. Corremos também de risco de aumentar a pobreza nos países subdesenvolvidos e de proliferar mais doenças bem como de prejudicar seriamente a agricultura a nível mundial bem como a pecuária. O seu custo será cada vez maior e à medida que cada vez menos pessoas tiverem acesso a um bem absolutamente indispensável os conflitos e tensões sociais tornar-se-ão cada vez mais frequentes e violentos. Todos os países terão de participar numa solução global para este problema e comprometer-se a implementar medidas sérias. Os projectos megalómanos apenas adiam o problema e não podemos "confiar" no gelo para nos salvar pois está a derreter a uma velocidade recorde. A dessalinização não se apresenta como solução pela elevada quantidade de energia que necessita e pelo facto da água dessalinizada não ter os mesmos componentes que a água doce.
Uma nova gestão é urgente! E a responsabilidade dessa gestão é do governo, das empresas mas também nossa. Não podemos esperar que leis e incentivos governamentais ou campanhas nos media façam o nosso trabalho. Como forma de finalizar o meu post deixo uma pequena lista com algumas sugestões ao alcance de todos nós para reduzirmos o consumo de água.
- Não tomar banhos mas sim duches rápidos.
- Verificar e reparar todas as anomalias em torneiras e canalizações.
- Regar as plantas ao final da tarde ou anoitecer para evitar uma maior evaporação.
- Lavar o carro com um balde ou com uma mangueira de pressão.
- Colocar redutores de caudal nas torneiras.
- Colocar uma garrafa de 1,5L (cheia) no autoclismo.
- Ao lavar os dentes utilizar um copo e não água corrente.
- Reutilizar a água do banho para regar as plantas.
- Utilizar a máquina de lavar loiça e de lavar roupa somente com a carga cheia.
- Desligar a água enquanto ensaboa as mãos ou coloca shampôo ou gel de banho no corpo.
Actualmente existem apenas 2 pontos de recolha de equipamentos electrónicos e eléctricos em todo o município e esse número será alargado para 15, tentando aumentar a recolha deste tipo de resíduos que são extremamente prejudiciais para o ambiente quando atingem o seu "fim de vida" e não são devidamente tratados e reciclados. A outra medida anunciada pela CML é uma modificação na limpeza das ruas. A limpeza urbana envolve um consumo de 2 milhões de metros cúbicos por ano. A alteração implementada é a origem dessa água que actualmente deriva da própria rede, ou seja, consome água potável. A partir do Dia Mundial do Ambiente essa água passou a ser recolhida das ETAR de Chelas e Alcântara passando a consumir água tratada resultando numa enorme poupança de água potável pois a água tratada já foi previamente utilizada. Esta tarefa ficou a cargo dos camiões cisterna da autarquia e resulta de uma parceria entre a CML, a Simtejo e a EPAL.
Tomo o Dia Mundial do Ambiente e estas duas medidas implementadas pela Câmara Municipal de Lisboa somente como ponto de partida para analisar a temática da água, focando-me na sua importância enquanto recurso vital para a vida humana, bem como para todas as formas de vida que conhecemos. Cada vez existem mais cientistas, economistas, ambientalistas, etc. a denominar a água como o "ouro azul" ou o "ouro do séc.XXI".
Infelizmente a água não tem tido grande relevo quando se aborda a luta contra as alterações climáticas. Esse campo está monopolizado pela geração de energia renovável. É importante substituir o petróleo e o carvão enquanto geradores de energia mas temos que nos recordar que esse não é o nosso único problema e como tal, temos de abordar todos os outros que somente conjugados serão capazes de apresentar uma verdadeira solução para o planeta e para a Humanidade.
Actualmente, de uma forma teórica, a água é abundante para nós (habitantes dos países desenvolvidos) pois basta ligar a torneira e até é relativamente barata, especialmente quando comparada com os preços dos combustíveis. Tudo isto leva-nos a negligenciar a verdadeira importância da água e a crescente necessidade de reduzir os nossos consumos. Sem electricidade não seria possível o mundo de hoje. Sem água não seria possível qualquer mundo.
Também do ponto de vista económico é imperativo pouparmos água e garantir a sua sustentabilidade futura. O desenvolvimento de novas potências leva a numerosos crescimentos no consumo de água per capita e vem agudizar as dificuldades globais em fornecer quantidade equivalente à procura. Países como a China estão já a sentir os efeitos da escassez da água levando-a a realizar projectos megalómanos como a construção de um túnel subterrâneo entre o Rio Amarelo e o Rio Yantzé para transferir caudal do segundo para o primeiro. Mesmo em Portugal assistimos a uma exploração cada vez mais dispendiosa dos recursos hídricos (ligada à tão contestada taxa de recursos hídricos) fruto de uma oferta cada vez menor e de mais difícil acesso. A escassez de água afectará todo o mundo mas os países do sul da Europa serão dos mais afectados. Corremos também de risco de aumentar a pobreza nos países subdesenvolvidos e de proliferar mais doenças bem como de prejudicar seriamente a agricultura a nível mundial bem como a pecuária. O seu custo será cada vez maior e à medida que cada vez menos pessoas tiverem acesso a um bem absolutamente indispensável os conflitos e tensões sociais tornar-se-ão cada vez mais frequentes e violentos. Todos os países terão de participar numa solução global para este problema e comprometer-se a implementar medidas sérias. Os projectos megalómanos apenas adiam o problema e não podemos "confiar" no gelo para nos salvar pois está a derreter a uma velocidade recorde. A dessalinização não se apresenta como solução pela elevada quantidade de energia que necessita e pelo facto da água dessalinizada não ter os mesmos componentes que a água doce.
Uma nova gestão é urgente! E a responsabilidade dessa gestão é do governo, das empresas mas também nossa. Não podemos esperar que leis e incentivos governamentais ou campanhas nos media façam o nosso trabalho. Como forma de finalizar o meu post deixo uma pequena lista com algumas sugestões ao alcance de todos nós para reduzirmos o consumo de água.
- Não tomar banhos mas sim duches rápidos.
- Verificar e reparar todas as anomalias em torneiras e canalizações.
- Regar as plantas ao final da tarde ou anoitecer para evitar uma maior evaporação.
- Lavar o carro com um balde ou com uma mangueira de pressão.
- Colocar redutores de caudal nas torneiras.
- Colocar uma garrafa de 1,5L (cheia) no autoclismo.
- Ao lavar os dentes utilizar um copo e não água corrente.
- Reutilizar a água do banho para regar as plantas.
- Utilizar a máquina de lavar loiça e de lavar roupa somente com a carga cheia.
- Desligar a água enquanto ensaboa as mãos ou coloca shampôo ou gel de banho no corpo.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Educação | Formação profissional
Muito se tem debatido acerca do alargamento da escolaridade obrigatória para o 12º ano. A educação é uma temática que influencia todas as outras e, numa altura de crise, assume dimensões ainda maiores. A actual ministra da educação defende que Portugal pode aspirar de forma realista a este alargamento de 3 anos na escolaridade obrigatória bem como à generalização do ensino pré-escolar. Esta proposta recebe a aprovação de todos os outros partidos com acento parlamentar apesar de questionarem o oportunismo político desta proposta, devido à proximidade com as eleições legislativas.
Pessoalmente concordo com este alargamento e fico feliz por ver que os partidos, pelo menos uma vez, se unem em torno de uma proposta que efectivamente é importante para o futuro do país. Porque é importante alargar em 3 anos a escolaridade obrigatória? Que benefícios reais traz? Como pode isso resultar num desenvolvimento de Portugal no futuro e consequentemente em uma melhor capacidade de resposta a crises futuras?
Para um país se desenvolver necessita de pessoas formadas e especializadas. Actualmente é visível a urgência de formarmos cada vez mais e melhor as pessoas e é notório que a diminuta taxa de alfabetização e baixa escolaridade da generalidade dos portugueses durante o regime do Estado Novo trouxe consequências nefastas ainda patentes nos dias de hoje. Na minha opinião, a educação está muito relacionada com o facto de Portugal ser frequentemente apontado como estando na "cauda da Europa", ou seja, se estamos nessa cauda isso deve-se em grande parte à falta de formação académica/profissional da maioria da população portuguesa. Felizmente esta tendência está-se a inverter e alargar a escolaridade obrigatória até ao 12º ano seria mais um passo na direcção correcta para a construção não do presente, mas do futuro de Portugal.
Somente após a conclusão do ensino secundário é que nos podemos candidatar ao ensino superior. Ter um grau académico superior não confere emprego garantido mas aumenta essa probabilidade e aumenta o leque de funções que podemos desempenhar. Um licenciado pode desempenhar as funções daquele que tem o ensino secundário, mas aquele que tem apenas o ensino secundário não pode desempenhar todas as funções para as quais o licenciado está habilitado. Nesse aspecto será sempre melhor para a pessoa individualmente e para o país como um todo, ter um maior número de pessoas capazes de desempenhar um maior número de funções, adaptando-se a mais empregos e correspondendo com mais facilidade às necessidades do país. Ao aumentarmos a escolaridade obrigatória para o 12º ano, estamos a promover o ingresso no ensino superior, ingresso esse que é cada vez mais fundamental para o sucesso individual e colectivo. Mesmo que esse ingresso não se verifique imediatamente após a conclusão do ensino secundário existe sempre essa possibilidade no futuro. Enquanto que alguém com o 9º mesmo que decida já em idade adulta aumentar a sua formação, muito provavelmente ficar-se-à pelo 12º ano.
Actualmente existe um gama cada vez mais alargada de cursos profissionais e técnicos inseridos nos 3 anos que marcam a duração do ensino secundário. Estes cursos através de umas reformulações e de uma carga horária mais elevada, possibilitam em 3 anos que os estudantes obtenham o 12º ano e aprendam uma profissão ao mesmo tempo, adquirindo também experiência de trabalho com o estágio que têm incluído no curso. Estes cursos são também extremamente importantes para o desenvolvimento do país, pois conferem aptidões técnicas e profissionais que são muito procuradas no mercado de trabalho. Com o desaparecimento dos cursos médios (bacharelato) foi necessário "inventar" cursos que formassem técnicos. Esta "invenção" tem no geral corrido bastante bem já que o número de escolas profissionais e de cursos disponíveis têm vindo a multiplicar, bem como a adesão aos mesmos. Ao aumentarmos a escolaridade obrigatória para o 12º ano, estamos a fomentar a adesão a estes cursos que são essenciais para a formação dos técnicos e profissionais do nosso país. Profissões como a pesca e a agricultura renascem e renovam completamente a sua imagem com este tipo de cursos. Cada vez mais é essencial todos nós termos uma formação específica que complemente a nossa formação básica e estes cursos são a resposta a essa necessidade.
Sem recorrer a nenhum estudo, digo com toda a certeza que quanto maior é a formação de um indivíduo, melhor é a sua adaptação e capacidade de argumentação. Que significa isto? Significa que quanto maior formação uma pessoa tiver, mais possibilidade existe de essa pessoa desenvolver interesses que procurem aumentar cada vez o seu conhecimento. Ler livros, ver documentários, ler artigos na internet, comentar, debater, etc. Tudo isto é importante para a formação global de uma pessoa, pois vai "completando-a". Esse conhecimento contínuo que essa pessoa procura (fruto do estímulo da sua maior formação e consequente capacidade de compreensão e análise) vai significar melhorias para essa pessoa e para o seu país. Porque uma pessoa formada é capaz de se adaptar melhor a mudanças no seu emprego (por exemplo o primeiro plano que Salazar fez para desenvolver a indústria e a agricultura portuguesa encontraram fortes dificuldades porque os operários e agricultores não se conseguiam adaptar à elevada mecanização, fruto da sua fraca formação) o que será certamente melhor para essa pessoa. Além desta melhor adaptação no mercado de trabalho e às suas alterações, uma pessoa formada que desenvolva gostos e hábitos que aumentem sucessivamente o seu conhecimento pode mais facilmente verificar e contestar injustiças e propor soluções para os problemas que encontra. Isto reflecte-se em muitos campos, como por exemplo no político. Só se uma pessoa for capaz de analisar a actuação de um governo de uma forma coerente, é que será capaz de apontar os seus defeitos e propor alternativas ou apoiar um partido que proponha essas mesmas alternativas. Ao aumentarmos a escolaridade para o 12º ano, estamos a aumentar a probabilidade de cada vez mais pessoas procurarem o contínuo aumento do seu conhecimento, sendo essa a única via para a evolução e desenvolvimento. Se ninguém estiver disposto a procurar cada vez mais, não existem alterações.
Por tudo isto sou a favor de um alargamento da escolaridade obrigatória em 3 anos. Tal como a fraca escolaridade resultante de regimes antigos revela os seus efeitos ainda nos dias de hoje, tal medida vai ser sentida não daqui a 2 anos mas daqui a 20. E aí penso que Portugal olhará para trás e constatará com gosto a diferença que tal acto produziu.
Pessoalmente concordo com este alargamento e fico feliz por ver que os partidos, pelo menos uma vez, se unem em torno de uma proposta que efectivamente é importante para o futuro do país. Porque é importante alargar em 3 anos a escolaridade obrigatória? Que benefícios reais traz? Como pode isso resultar num desenvolvimento de Portugal no futuro e consequentemente em uma melhor capacidade de resposta a crises futuras?
Para um país se desenvolver necessita de pessoas formadas e especializadas. Actualmente é visível a urgência de formarmos cada vez mais e melhor as pessoas e é notório que a diminuta taxa de alfabetização e baixa escolaridade da generalidade dos portugueses durante o regime do Estado Novo trouxe consequências nefastas ainda patentes nos dias de hoje. Na minha opinião, a educação está muito relacionada com o facto de Portugal ser frequentemente apontado como estando na "cauda da Europa", ou seja, se estamos nessa cauda isso deve-se em grande parte à falta de formação académica/profissional da maioria da população portuguesa. Felizmente esta tendência está-se a inverter e alargar a escolaridade obrigatória até ao 12º ano seria mais um passo na direcção correcta para a construção não do presente, mas do futuro de Portugal.
Somente após a conclusão do ensino secundário é que nos podemos candidatar ao ensino superior. Ter um grau académico superior não confere emprego garantido mas aumenta essa probabilidade e aumenta o leque de funções que podemos desempenhar. Um licenciado pode desempenhar as funções daquele que tem o ensino secundário, mas aquele que tem apenas o ensino secundário não pode desempenhar todas as funções para as quais o licenciado está habilitado. Nesse aspecto será sempre melhor para a pessoa individualmente e para o país como um todo, ter um maior número de pessoas capazes de desempenhar um maior número de funções, adaptando-se a mais empregos e correspondendo com mais facilidade às necessidades do país. Ao aumentarmos a escolaridade obrigatória para o 12º ano, estamos a promover o ingresso no ensino superior, ingresso esse que é cada vez mais fundamental para o sucesso individual e colectivo. Mesmo que esse ingresso não se verifique imediatamente após a conclusão do ensino secundário existe sempre essa possibilidade no futuro. Enquanto que alguém com o 9º mesmo que decida já em idade adulta aumentar a sua formação, muito provavelmente ficar-se-à pelo 12º ano.
Actualmente existe um gama cada vez mais alargada de cursos profissionais e técnicos inseridos nos 3 anos que marcam a duração do ensino secundário. Estes cursos através de umas reformulações e de uma carga horária mais elevada, possibilitam em 3 anos que os estudantes obtenham o 12º ano e aprendam uma profissão ao mesmo tempo, adquirindo também experiência de trabalho com o estágio que têm incluído no curso. Estes cursos são também extremamente importantes para o desenvolvimento do país, pois conferem aptidões técnicas e profissionais que são muito procuradas no mercado de trabalho. Com o desaparecimento dos cursos médios (bacharelato) foi necessário "inventar" cursos que formassem técnicos. Esta "invenção" tem no geral corrido bastante bem já que o número de escolas profissionais e de cursos disponíveis têm vindo a multiplicar, bem como a adesão aos mesmos. Ao aumentarmos a escolaridade obrigatória para o 12º ano, estamos a fomentar a adesão a estes cursos que são essenciais para a formação dos técnicos e profissionais do nosso país. Profissões como a pesca e a agricultura renascem e renovam completamente a sua imagem com este tipo de cursos. Cada vez mais é essencial todos nós termos uma formação específica que complemente a nossa formação básica e estes cursos são a resposta a essa necessidade.
Sem recorrer a nenhum estudo, digo com toda a certeza que quanto maior é a formação de um indivíduo, melhor é a sua adaptação e capacidade de argumentação. Que significa isto? Significa que quanto maior formação uma pessoa tiver, mais possibilidade existe de essa pessoa desenvolver interesses que procurem aumentar cada vez o seu conhecimento. Ler livros, ver documentários, ler artigos na internet, comentar, debater, etc. Tudo isto é importante para a formação global de uma pessoa, pois vai "completando-a". Esse conhecimento contínuo que essa pessoa procura (fruto do estímulo da sua maior formação e consequente capacidade de compreensão e análise) vai significar melhorias para essa pessoa e para o seu país. Porque uma pessoa formada é capaz de se adaptar melhor a mudanças no seu emprego (por exemplo o primeiro plano que Salazar fez para desenvolver a indústria e a agricultura portuguesa encontraram fortes dificuldades porque os operários e agricultores não se conseguiam adaptar à elevada mecanização, fruto da sua fraca formação) o que será certamente melhor para essa pessoa. Além desta melhor adaptação no mercado de trabalho e às suas alterações, uma pessoa formada que desenvolva gostos e hábitos que aumentem sucessivamente o seu conhecimento pode mais facilmente verificar e contestar injustiças e propor soluções para os problemas que encontra. Isto reflecte-se em muitos campos, como por exemplo no político. Só se uma pessoa for capaz de analisar a actuação de um governo de uma forma coerente, é que será capaz de apontar os seus defeitos e propor alternativas ou apoiar um partido que proponha essas mesmas alternativas. Ao aumentarmos a escolaridade para o 12º ano, estamos a aumentar a probabilidade de cada vez mais pessoas procurarem o contínuo aumento do seu conhecimento, sendo essa a única via para a evolução e desenvolvimento. Se ninguém estiver disposto a procurar cada vez mais, não existem alterações.
Por tudo isto sou a favor de um alargamento da escolaridade obrigatória em 3 anos. Tal como a fraca escolaridade resultante de regimes antigos revela os seus efeitos ainda nos dias de hoje, tal medida vai ser sentida não daqui a 2 anos mas daqui a 20. E aí penso que Portugal olhará para trás e constatará com gosto a diferença que tal acto produziu.
domingo, 7 de junho de 2009
Eleições Europeias 09 - Análise
Antes de começar a análise nacional e europeia sobre as eleições disputadas hoje, quero felicitar o partido vencedor em Portugal, o PSD. A grande maioria das sondagens e projecções estavam erradas, especialmente na percentagem de votos conferida ao PS. Muito se falou sobre o voto de protesto e o cartão vermelho ao governo mas a fragilidade política do PSD foi também bastante discutida. Vamos então aos resultados e à respectiva análise.
A abstenção regista uma subida ficando nos 62,8%. Isto é uma derrota clara para todos os partidos (incluindo os pequenos). Demonstra que mesmo com pouca discussão sobre a Europa e com poucas propostas para a UE, os partidos não conseguem atrair os eleitores. Cada vez mais pessoas se sentem desmobilizadas do sistema político. Este fenómeno não é exclusivo de Portugal já que estas foram as eleições com menor participação a nível europeu. Cada vez mais os políticos e as instituições políticas se afastam do seu eleitorado o que em nada beneficia os interesses nacionais nem os interesses europeus.
Em relação à previsão que tinha feito na 4ª feira errei por 1 eurodeputado. Que "trocou" o PS pelo PSD. Confesso que não estava à espera de uma vitória de Paulo Rangel e ainda menos que esta fosse, efectivamente, expressiva. Por parte das sondagens houve 2 grandes "falhas". Uma delas foi a vitória do PS e a outra a vaticinação da quase extinção por parte do CDS.
O PSD envolto em turbulências (bem visíveis na campanha de Rangel) desde a eleição de Manuela Ferreira Leite, encontrou aqui um novo ânimo. Apesar da sua percentagem de votos não ser elevada, demonstrando não conseguir capitalizar totalmente o protesto em relação ao governo, uma vitória é sempre uma vitória e com certeza irá moralizar as hostes laranjas. Pedro Passos Coelho leva assim uma bofetada, especialmente após as declarações em plena campanha para estas eleições. Quando Paulo Rangel foi anunciado como cabeça-de-lista para as eleições europeias, muitos criticaram esse facto por ser o militante do PSD que vinha a "carregar com o partido às costas" no Parlamento, com especial destaque para os confrontos com José Sócrates. Uma vez mais Rangel conseguiu carregar o seu partido fazendo uma campanha notável culminando com esta vitória. Para mim, foi essencial o seu papel já que na minha opinião, MFL não seria capaz de mobilizar tantos eleitores.
O PS foi o grande derrotado. Perdeu votos e eurodeputados, tanto para a esquerda como para a direita. Era esperado um voto de protesto mas não nestas dimensões e as imagens vindas do Hotel Altis demonstravam que ninguém no Partido Socialista estava preparado para esta situação. Apesar de Sócrates se ter envolvido bastante na campanha, tal não foi suficiente para "contornar" as críticas face a Vital Moreira. A escolha do cabeça-de-lista foi interpretada pela maioria como uma má escolha. Nesse sentido penso que Vital teve o efeito oposto a Rangel, ou seja, enquanto que o segundo conseguiu dinamizar o PSD o primeiro fechou o PS. Talvez esteja a sobrevalorizar a importância dos cabeças-de-lista mas mesmo que tal facto não alterasse o partido vencedor, penso que a margem de diferença poderia ser encurtada.
O BE foi também um grande vencedor. Conseguiu triplicar o número de eurodeputados e tornar-se a terceira força política o que é um resultado excelente. Eleição após eleição, o Bloco tem vindo a aumentar a sua influência.
A CDU manteve o número de eurodeputados e em percentagem de votos não foi uma derrotada. Contudo foi derrotada a nível moral ao passar a ser a quarta força política ainda que num quase empate com o BE.
O CDS apesar de manter o número de eurodeputados e de estar em último no campeonato dos "grandes" surge como a surpresa da noite. Os trotskistas conseguiram superar os democratas-cristãos mas não ocorreu o descalabro que muitas sondagens previam. O CDS mantem a chama acesa mesmo com a vitória do PSD, provando ter uma identidade e eleitores próprios, não estando sujeita às movimentações feitas pelo principal partido de Direita.
O MEP apesar de não ter eleito a Laurinda Alves consegue uma votação algo expressiva e que dá alento a este novo partido.
Conclusões para as legislativas? Na minha opinião, somente a de que nenhum partido conseguirá a maioria absoluta. O embate das legislativas será muito diferente do combate para as eleições europeias. Com Sócrates e Ferreira Leite como protagonistas os resultados serão diferentes e aí o PSD partirá em desvantagem apesar desta vitória. Contudo, esta vitória dá um novo argumento e fôlego para a futura campanha do PSD onde a vitória (ao contrário do que se pensava somente há 1 ou 2 meses atrás) é uma possibilidade. Sobre a sondagem para as legislativas que a SIC revelou e que apontava o PS como vencedor (com 39,6% dos votos) e o PSD bem atrás (com 33% dos votos) tendo a discordar. Creio que se as eleições legislativas fossem hoje o PS sairia vencedor mas não com um margem de quase 7% de diferença para com o PSD. As eleições europeias não provaram que o PSD "vai à frente" mas provaram que vai bem mais perto do PS do que aquilo que a maioria do nós (eu incluido) imaginavamos.
Sobre a questão do voto de protesto tendo a discordar de algumas análises realizadas na SIC. Pacheco Pereira afirmou que o crescimento do BE se deveu ao mero voto de protesto enquanto que o crescimento do PSD se deveu a quem realmente procura uma alternativa para o poder em Portugal. E nesse sentido referiu que os portugueses iriam escolher essa alternativa nas legislativas, já que estava em jogo o futuro do nosso país e o PSD era o único que reunia condições para propôr essa "ruptura" com as políticas do governo de Sócrates. Eu penso ao contrário. O voto de protesto pode ter sido canalizado para o PSD e o crescimento do BE ter sido sustentado por eleitores que querem uma nova realidade política. O PSD é o maior partido da oposição. Quem quer apenas "humilhar" Sócrates (ou seja, não se interessa pelas propostas e ideias dos partidos, querendo somente castigar o governo vigente) vota num partido qualquer, já que esse mesmo partido não precisa de se encontrar alinhado com a ideologia do eleitor pois o seu objectivo é punir o governo. Se para o eleitor é indiferente o partido em que vota, qual será o melhor partido para castigar o governo? Talvez o seu principal opositor? Porque tem a possibilidade de ganhar eleições e assim derrotar o governo. Quem vota no BE pode sem dúvida estar em desacordo com as políticas do governo PS, mas sabe que pelo menos actualmente, o BE não tem capacidade para derrotar o PS. Quem vota BE quer uma nova política em Portugal e não apenas "protestar", porque o melhor partido para protestar é o PSD. Imagine-se que o BE obtinha o mesmo resultado que obteve nestas eleições mas que as votações entre PS e PSD trocavam. Nesta situação, o PS teria eleito 8 eurodeputados (contra 7 do PSD) e batido o PSD por 5,1% nos votos. O Bloco teria tido um excelente resultado na mesma, mas seria Sócrates humilhado? Com uma vitória em eurodeputados e com uma margem de 5,1% em votos, penso que não. Analisando a situação, penso que faz mais sentido o voto de protesto ter sido canalizado para o PSD e o crescimento do BE tenha sido realizado por eleitores que compreendem e concordam efectivamente com os projectos daquele partido.
A nível europeu vimos um crescimento importante da direita, tanto do PPE como da extrema-direita. Pessoalmente não são resultados que me agradem já que esperava um reforço no número de eurodeputados do PSE. Durão Barroso verá possivelmente a releição confirmada e as políticas comunitárias não deverão sofrer nenhum "abalo" para grande desgosto meu. A democracia é mesmo assim e no geral, a direita europeia está de parabéns. Mais combates se seguirão e em especial as legislativas, serão bastante interessantes de estudar e analisar.
A abstenção regista uma subida ficando nos 62,8%. Isto é uma derrota clara para todos os partidos (incluindo os pequenos). Demonstra que mesmo com pouca discussão sobre a Europa e com poucas propostas para a UE, os partidos não conseguem atrair os eleitores. Cada vez mais pessoas se sentem desmobilizadas do sistema político. Este fenómeno não é exclusivo de Portugal já que estas foram as eleições com menor participação a nível europeu. Cada vez mais os políticos e as instituições políticas se afastam do seu eleitorado o que em nada beneficia os interesses nacionais nem os interesses europeus.
Em relação à previsão que tinha feito na 4ª feira errei por 1 eurodeputado. Que "trocou" o PS pelo PSD. Confesso que não estava à espera de uma vitória de Paulo Rangel e ainda menos que esta fosse, efectivamente, expressiva. Por parte das sondagens houve 2 grandes "falhas". Uma delas foi a vitória do PS e a outra a vaticinação da quase extinção por parte do CDS.
O PSD envolto em turbulências (bem visíveis na campanha de Rangel) desde a eleição de Manuela Ferreira Leite, encontrou aqui um novo ânimo. Apesar da sua percentagem de votos não ser elevada, demonstrando não conseguir capitalizar totalmente o protesto em relação ao governo, uma vitória é sempre uma vitória e com certeza irá moralizar as hostes laranjas. Pedro Passos Coelho leva assim uma bofetada, especialmente após as declarações em plena campanha para estas eleições. Quando Paulo Rangel foi anunciado como cabeça-de-lista para as eleições europeias, muitos criticaram esse facto por ser o militante do PSD que vinha a "carregar com o partido às costas" no Parlamento, com especial destaque para os confrontos com José Sócrates. Uma vez mais Rangel conseguiu carregar o seu partido fazendo uma campanha notável culminando com esta vitória. Para mim, foi essencial o seu papel já que na minha opinião, MFL não seria capaz de mobilizar tantos eleitores.
O PS foi o grande derrotado. Perdeu votos e eurodeputados, tanto para a esquerda como para a direita. Era esperado um voto de protesto mas não nestas dimensões e as imagens vindas do Hotel Altis demonstravam que ninguém no Partido Socialista estava preparado para esta situação. Apesar de Sócrates se ter envolvido bastante na campanha, tal não foi suficiente para "contornar" as críticas face a Vital Moreira. A escolha do cabeça-de-lista foi interpretada pela maioria como uma má escolha. Nesse sentido penso que Vital teve o efeito oposto a Rangel, ou seja, enquanto que o segundo conseguiu dinamizar o PSD o primeiro fechou o PS. Talvez esteja a sobrevalorizar a importância dos cabeças-de-lista mas mesmo que tal facto não alterasse o partido vencedor, penso que a margem de diferença poderia ser encurtada.
O BE foi também um grande vencedor. Conseguiu triplicar o número de eurodeputados e tornar-se a terceira força política o que é um resultado excelente. Eleição após eleição, o Bloco tem vindo a aumentar a sua influência.
A CDU manteve o número de eurodeputados e em percentagem de votos não foi uma derrotada. Contudo foi derrotada a nível moral ao passar a ser a quarta força política ainda que num quase empate com o BE.
O CDS apesar de manter o número de eurodeputados e de estar em último no campeonato dos "grandes" surge como a surpresa da noite. Os trotskistas conseguiram superar os democratas-cristãos mas não ocorreu o descalabro que muitas sondagens previam. O CDS mantem a chama acesa mesmo com a vitória do PSD, provando ter uma identidade e eleitores próprios, não estando sujeita às movimentações feitas pelo principal partido de Direita.
O MEP apesar de não ter eleito a Laurinda Alves consegue uma votação algo expressiva e que dá alento a este novo partido.
Conclusões para as legislativas? Na minha opinião, somente a de que nenhum partido conseguirá a maioria absoluta. O embate das legislativas será muito diferente do combate para as eleições europeias. Com Sócrates e Ferreira Leite como protagonistas os resultados serão diferentes e aí o PSD partirá em desvantagem apesar desta vitória. Contudo, esta vitória dá um novo argumento e fôlego para a futura campanha do PSD onde a vitória (ao contrário do que se pensava somente há 1 ou 2 meses atrás) é uma possibilidade. Sobre a sondagem para as legislativas que a SIC revelou e que apontava o PS como vencedor (com 39,6% dos votos) e o PSD bem atrás (com 33% dos votos) tendo a discordar. Creio que se as eleições legislativas fossem hoje o PS sairia vencedor mas não com um margem de quase 7% de diferença para com o PSD. As eleições europeias não provaram que o PSD "vai à frente" mas provaram que vai bem mais perto do PS do que aquilo que a maioria do nós (eu incluido) imaginavamos.
Sobre a questão do voto de protesto tendo a discordar de algumas análises realizadas na SIC. Pacheco Pereira afirmou que o crescimento do BE se deveu ao mero voto de protesto enquanto que o crescimento do PSD se deveu a quem realmente procura uma alternativa para o poder em Portugal. E nesse sentido referiu que os portugueses iriam escolher essa alternativa nas legislativas, já que estava em jogo o futuro do nosso país e o PSD era o único que reunia condições para propôr essa "ruptura" com as políticas do governo de Sócrates. Eu penso ao contrário. O voto de protesto pode ter sido canalizado para o PSD e o crescimento do BE ter sido sustentado por eleitores que querem uma nova realidade política. O PSD é o maior partido da oposição. Quem quer apenas "humilhar" Sócrates (ou seja, não se interessa pelas propostas e ideias dos partidos, querendo somente castigar o governo vigente) vota num partido qualquer, já que esse mesmo partido não precisa de se encontrar alinhado com a ideologia do eleitor pois o seu objectivo é punir o governo. Se para o eleitor é indiferente o partido em que vota, qual será o melhor partido para castigar o governo? Talvez o seu principal opositor? Porque tem a possibilidade de ganhar eleições e assim derrotar o governo. Quem vota no BE pode sem dúvida estar em desacordo com as políticas do governo PS, mas sabe que pelo menos actualmente, o BE não tem capacidade para derrotar o PS. Quem vota BE quer uma nova política em Portugal e não apenas "protestar", porque o melhor partido para protestar é o PSD. Imagine-se que o BE obtinha o mesmo resultado que obteve nestas eleições mas que as votações entre PS e PSD trocavam. Nesta situação, o PS teria eleito 8 eurodeputados (contra 7 do PSD) e batido o PSD por 5,1% nos votos. O Bloco teria tido um excelente resultado na mesma, mas seria Sócrates humilhado? Com uma vitória em eurodeputados e com uma margem de 5,1% em votos, penso que não. Analisando a situação, penso que faz mais sentido o voto de protesto ter sido canalizado para o PSD e o crescimento do BE tenha sido realizado por eleitores que compreendem e concordam efectivamente com os projectos daquele partido.
A nível europeu vimos um crescimento importante da direita, tanto do PPE como da extrema-direita. Pessoalmente não são resultados que me agradem já que esperava um reforço no número de eurodeputados do PSE. Durão Barroso verá possivelmente a releição confirmada e as políticas comunitárias não deverão sofrer nenhum "abalo" para grande desgosto meu. A democracia é mesmo assim e no geral, a direita europeia está de parabéns. Mais combates se seguirão e em especial as legislativas, serão bastante interessantes de estudar e analisar.
sábado, 6 de junho de 2009
Livros - 2

"A Vingança de Gaia" é um livro de James Lovelock sobre alterações climáticas e o futuro do planeta Terra. A sua edição em Portugal cabe à Gradiva.
Neste livro James Lovelock oferece-nos a sua perspectiva pessoal acerca do estado de "saúde" do nosso planeta e que atitudes devemos tomar no futuro. Lovelock tem uma posição bastante extremista e é um acérrimo defensor da energia nuclear.
De uma forma directa e simples mas baseada em factos e análises, o autor desfaz as nossas esperanças de poder evitar as consequências das alterações climáticas. O planeta já está a mudar e a única coisa que podemos fazer é tentar adaptarmo-nos e desacelarar o processo. Não existe uma via fácil para a salvação da Terra e actualmente não estamos sequer perto de construir uma solução. O planeta Terra é um sistema vivo (Gaia) e está em guerra com a espécie humana. Se não mudarmos as nossas atitudes e os nossos pensamentos caminhamos para uma lenta e penosa guerra da qual não teremos hipóteses de sair vitoriosos.
Pessoalmente discordo do autor em bastantes aspectos, nomeadamente na questão da energia nuclear. Contudo, recomendo este livro pois dá-nos um "banho" de realidade demonstrando que a espécie humana não tem tudo controlado e que não existe uma "cura" milagrosa, fácil e rápida para enfrentar o nosso maior problema... A degradação do local onde vivemos e do qual dependemos para sobreviver.
Neste livro James Lovelock oferece-nos a sua perspectiva pessoal acerca do estado de "saúde" do nosso planeta e que atitudes devemos tomar no futuro. Lovelock tem uma posição bastante extremista e é um acérrimo defensor da energia nuclear.
De uma forma directa e simples mas baseada em factos e análises, o autor desfaz as nossas esperanças de poder evitar as consequências das alterações climáticas. O planeta já está a mudar e a única coisa que podemos fazer é tentar adaptarmo-nos e desacelarar o processo. Não existe uma via fácil para a salvação da Terra e actualmente não estamos sequer perto de construir uma solução. O planeta Terra é um sistema vivo (Gaia) e está em guerra com a espécie humana. Se não mudarmos as nossas atitudes e os nossos pensamentos caminhamos para uma lenta e penosa guerra da qual não teremos hipóteses de sair vitoriosos.
Pessoalmente discordo do autor em bastantes aspectos, nomeadamente na questão da energia nuclear. Contudo, recomendo este livro pois dá-nos um "banho" de realidade demonstrando que a espécie humana não tem tudo controlado e que não existe uma "cura" milagrosa, fácil e rápida para enfrentar o nosso maior problema... A degradação do local onde vivemos e do qual dependemos para sobreviver.
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sexta-feira, 5 de junho de 2009
Energia | Fusão Nuclear
Fez hoje uma semana que foi inaugurado o novo centro de fusão nuclear, sediado na Califórnia (EUA). Apesar da sua construção ter demorado mais 7 anos que o previsto (totalizando 15) e ter custado o triplo do previsto (num total de 2.500.000.000 de euros) a sua inauguração ocorreu num ambiente de grande festa onde participaram cerca de 3500 pessoas, incluindo Arnold Schwarzenegger (Governador da Califórnia) e Steven Chu (Secretário de Estado para a Energia).
A entidade responsável por explorar o projecto é a National Ignition Facility que deverá começar a fazer testes neste novo centro já em 2010 e aperfeiçoar a produção de energia através da fusão nuclear até 2040. Há muito que se debate a fusão nuclear devido ao seu enorme potencial de produção energética sem a emissão de gases poluentes associados. A fusão nuclear consiste em reproduzir os processos químicos existentes nas estrelas e é bastante diferente da energia nuclear actual (fissão nuclear) pois produz quantidades de energia muito superiores e é mais "amiga" do ambiente. Para termos uma ideia do potencial desta fonte energética alguns estudos apontam que um kilómetro cúbico de água seria o suficiente para igualar todas as reservas de petróleo a níve mundial. A fusão nuclear não é uma descoberta recente e já se concretiza a mesma com sucesso. O problema é que se gasta mais energia no processo do que aquela que se consegue retirar, sendo o objectivo desta investigação de 30 anos contrariar esta "tendência" e provar a rentabilidade energética desta fonte de energia renovável e limpa.
Pessoalmente tenho algumas reservas em relação à fusão nuclear e quero esperar por mais avanços neste tipo de tecnologia. Confesso que estou um pouco céptico em relação ao potencial desta fonte de energia. Contudo, a fusão nuclear merece por mérito próprio o "benefício da dúvida", ou seja, sou totalmente a favor da investigação e desenvolvimento. Só assim será possível comprovar se o potencial referido por alguns cientistas corresponde mesmo à realidade. Sou um apologista dos sistemas de micro-geração interligados por redes inteligentes de distribuição mas a "promessa" da fusão nuclear é a de energia infinita e isso é obviamente aliciante para uma sociedade totalmente dependente da energia e cuja necessidade anual tem vindo a aumentar de forma galopante. Com a intermitência do preço do petróleo, com o esgotamento das fontes fósseis energéticas e com a problemática das alterações climáticas, não nos podemos "dar ao luxo" de descurar nenhuma opção nem de retirar qualquer carta do baralho. Da mesma maneira que não devemos deixar de apoiar a investigação da fusão nuclear, também não devemos depositar a totalidade das nossas esperanças nesta fonte de energia. A fusão nuclear é um dos muitos caminhos a seguir onde cada vez mais formas inovadoras de produção de energia vão surgir e submeter-se ao teste da Humanidade, estando à partida condenadas ao sucesso ou ao fracasso mas onde a única forma de saber a resposta é através da investigação.
A entidade responsável por explorar o projecto é a National Ignition Facility que deverá começar a fazer testes neste novo centro já em 2010 e aperfeiçoar a produção de energia através da fusão nuclear até 2040. Há muito que se debate a fusão nuclear devido ao seu enorme potencial de produção energética sem a emissão de gases poluentes associados. A fusão nuclear consiste em reproduzir os processos químicos existentes nas estrelas e é bastante diferente da energia nuclear actual (fissão nuclear) pois produz quantidades de energia muito superiores e é mais "amiga" do ambiente. Para termos uma ideia do potencial desta fonte energética alguns estudos apontam que um kilómetro cúbico de água seria o suficiente para igualar todas as reservas de petróleo a níve mundial. A fusão nuclear não é uma descoberta recente e já se concretiza a mesma com sucesso. O problema é que se gasta mais energia no processo do que aquela que se consegue retirar, sendo o objectivo desta investigação de 30 anos contrariar esta "tendência" e provar a rentabilidade energética desta fonte de energia renovável e limpa.
Pessoalmente tenho algumas reservas em relação à fusão nuclear e quero esperar por mais avanços neste tipo de tecnologia. Confesso que estou um pouco céptico em relação ao potencial desta fonte de energia. Contudo, a fusão nuclear merece por mérito próprio o "benefício da dúvida", ou seja, sou totalmente a favor da investigação e desenvolvimento. Só assim será possível comprovar se o potencial referido por alguns cientistas corresponde mesmo à realidade. Sou um apologista dos sistemas de micro-geração interligados por redes inteligentes de distribuição mas a "promessa" da fusão nuclear é a de energia infinita e isso é obviamente aliciante para uma sociedade totalmente dependente da energia e cuja necessidade anual tem vindo a aumentar de forma galopante. Com a intermitência do preço do petróleo, com o esgotamento das fontes fósseis energéticas e com a problemática das alterações climáticas, não nos podemos "dar ao luxo" de descurar nenhuma opção nem de retirar qualquer carta do baralho. Da mesma maneira que não devemos deixar de apoiar a investigação da fusão nuclear, também não devemos depositar a totalidade das nossas esperanças nesta fonte de energia. A fusão nuclear é um dos muitos caminhos a seguir onde cada vez mais formas inovadoras de produção de energia vão surgir e submeter-se ao teste da Humanidade, estando à partida condenadas ao sucesso ou ao fracasso mas onde a única forma de saber a resposta é através da investigação.
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quinta-feira, 4 de junho de 2009
Pobreza | Solidariedade
A pobreza é um problema que afecta todo o mundo, com especial incidência nos países subdesenvolvidos. Uma das mais severas consequências desta crise foi o aumento que provocou no número de pobres. São cada vez mais e possivelmente o seu número vai continuar a aumentar num futuro próximo. São milhares de milhões e nesse grupo estão incluídas milhões de crianças. Ninguém no mundo devia ter fome. É uma necessidade básica e um direito de todos nós.
Seguramente que aquilo que mais me impressiona são imagens vindas de países africanos e asiáticos mas quando penso bem, verifico que existem muitos milhares de portugueses numa situação semelhante. Existem inúmeras instituições que todos os dias lutam contra este flagelo e fornecem alimentos a milhões de pobres pelo mundo fora. Em Portugal é bem conhecida a acção do banco alimentar contra a fome. Cada vez mais a generalidade das pessoas apercebe-se da importância deste tipo de associações e tende a sensibilizar-se com as mesmas, apoiando as suas campanhas. Tal deve-se em parte, ao facto de muitas pessoas adquirirem a noção de que hoje são elas a contribuir mas amanhã poderão ser elas a pedir. A ONU tem como objectivo erradicar a pobreza extrema até 2015. Para o fazer é necessário fazer mais e não desviar a nossa atenção de todos os pobres, utilizando a crise como argumento.
Para mim a chave não reside necessariamente em sucessivos aumentos de doações com vista a comprar géneros alimentares. É necessário assegurar que os pobres têm um "alívio" imediato mas não nos podemos esquecer que este tipo de solução apenas adia o problema para o dia seguinte. Além deste alívio "artificial" através da doação de géneros alimentares é necessário combater as causas daquela pobreza e inverter o ciclo social da pessoa tentando com que passe de um pobre para alguém com recursos para ajudar outros pobres. É preciso garantir que aquele pobre nunca mais volta a esse estatuto.
Muitas vezes as políticas de integração e reinserção social confundem-se com as políticas de combate à pobreza, especialmente nos países desenvolvidos. Isto deve-se à constante discriminação de que os pobres são alvo diariamente, muitas vezes considerados "cidadãos de 2ª". É preciso "cultivar" esta interligação já que é possível com uma só medida combater dois problemas graves e tentar iniciar uma espiral de solidariedade rumo a uma prosperidade futura. E que espiral é essa? Não é uma espiral mas sim duas e que para mim, representam a "ideologia" de como combater a pobreza e construir um futuro próspero. Uma espiral é ascendente e a outra descendente e estão directamente relacionadas (a subida da 1ª provoca a descida da 2ª).
1ª espiral) Simboliza a verdadeira solução para o problema da pobreza e da exclusão social. Conta com medidas que podem demorar algum tempo a ser implementadas mas têm como objectivo atingir um ponto de "não retorno" na situação do pobre, ou seja, têm a possibilidade de conferir uma solução a longo prazo para a pessoa visada e para as gerações futuras.
- Acesso massificado ao micro-crédito. Permite gerar riqueza e realização pessoal bem como experiência profissional.
- Investimento na educação. A educação é a base de tudo e é absolutamente essencial para a erradicação da pobreza em certas comunidades (especialmente as subdesenvolvidas). Começa-se pela escola primária, básica, secundária e de seguida as faculdades e institutos politécnicos. Estas são as "sementes" para uma comunidade capaz de gerar riqueza e prosperidade.
- Investimento na formação técnico-profissional. Quando falo em educação penso essencialmente na formação das crianças que 15/20 anos mais tarde vão tornar a sua comunidade em algo próspero e com fortes perspectivas de futuro. Entretanto é necessário uma formação específica para a classe adulta tendo em conta os níveis de instrução e de experiência profissional (por exemplo se um agricultor em África souber colocar adubos nas suas terras e escolher a técnica de rega adequada poderá obter melhores rendimentos na sua exploração agrária, levando a um aumento do seu rendimento).
- Fomentar o comércio justo. É preciso assegurar que os produtos que compramos não provêem de uma exploração em que os produtores não recebem nem o suficiente para comer. Comércio livre sim, desde que regulado e justo. Provavelmente esta seria uma medida que traria muitos benefícios aos pobres dos países subdesenvolvidos e poderia financiar o desenvolvimento das suas comunidades.
- Investimento em infra-estruturas básicas. Sistemas de captação e distribuição de água, electricidade (energias renováveis), fogos habitacionais, hospitais, etc. Tudo isto são investimentos necessários para assegurar o desenvolvimento de uma comunidade.
2ª espiral) Simboliza o alívio imediato prestado às populações em dificuldades. Conta com medidas que não sendo em si soluções para a efectiva resolução do problema, são essenciais para sustentar a comunidade no curto prazo.
- Doação de alimentos. É imperativo assegurar a alimentação da comunidade visada.
- Doação de dinheiro. Servirá para a construção das infra-estruturas básicas e que não tenham como propósito gerar riqueza no sentido de serem rentáveis (escolas e hospitais por exemplo).
- Concessão de micro-crédito para os micro-empresários gerarem riqueza e prosperidade.
- Concessão de crédito sem juros ou com juros fixos e baixos. Este tipo de crédito poderia servir para financiar actividades que mais tarde se tornariam rentáveis como a venda de água ou de electricidade, onde as comunidades pagavam as dívidas com os lucros desse tipo de explorações.
- Formação básica, técnica e profissional. Um pilar essencial para cimentar o futuro da comunidade.
- Outros apoios como auxílio na construção das infra-estruturas e respectiva gestão levando a uma adaptação progressiva da comunidade para que se torne autónoma.
Estas duas espirais relacionam-se no sentido em que é necessário um grande investimento inicial (2ª espiral) para colocar um "tampão" nos problemas de uma determinada comunidade e financiar a sua prosperidade futura. Essa prosperidade é assegurada pela 1ª espiral cujo aumento faz diminuir o tamanho da 2ª. Ou seja, de início é necessário um grande investimento mas à medida que os investimentos surtem o seu efeito a necessidade de financiamento e apoio vai diminuindo. Quanto mais desenvolvida estiver a comunidade (fruto do investimento inicial da 2ª espiral) menor vai ser a necessidade de apoio, daí o crescimento da 1ª significar um decréscimo da 2ª. Esta é para mim, uma "receita" a ser utilizada para a efectiva erradicação da pobreza e da exclusão social associada somente com a necessidade de ser adaptada especificamente quando posta em prática.
Termino este post com um apelo a todos aqueles que quiserem lutar contra a Fome já no dia 07 de Junho, através da Marcha Mundial Contra a Fome a realizar em Lisboa e no Porto. Cada inscrição na caminhada financia 25 refeições. Para quem não puder estar presente, pode dar o seu contributo através da caminhada online. Mais informações aqui e aqui.
Seguramente que aquilo que mais me impressiona são imagens vindas de países africanos e asiáticos mas quando penso bem, verifico que existem muitos milhares de portugueses numa situação semelhante. Existem inúmeras instituições que todos os dias lutam contra este flagelo e fornecem alimentos a milhões de pobres pelo mundo fora. Em Portugal é bem conhecida a acção do banco alimentar contra a fome. Cada vez mais a generalidade das pessoas apercebe-se da importância deste tipo de associações e tende a sensibilizar-se com as mesmas, apoiando as suas campanhas. Tal deve-se em parte, ao facto de muitas pessoas adquirirem a noção de que hoje são elas a contribuir mas amanhã poderão ser elas a pedir. A ONU tem como objectivo erradicar a pobreza extrema até 2015. Para o fazer é necessário fazer mais e não desviar a nossa atenção de todos os pobres, utilizando a crise como argumento.
Para mim a chave não reside necessariamente em sucessivos aumentos de doações com vista a comprar géneros alimentares. É necessário assegurar que os pobres têm um "alívio" imediato mas não nos podemos esquecer que este tipo de solução apenas adia o problema para o dia seguinte. Além deste alívio "artificial" através da doação de géneros alimentares é necessário combater as causas daquela pobreza e inverter o ciclo social da pessoa tentando com que passe de um pobre para alguém com recursos para ajudar outros pobres. É preciso garantir que aquele pobre nunca mais volta a esse estatuto.
Muitas vezes as políticas de integração e reinserção social confundem-se com as políticas de combate à pobreza, especialmente nos países desenvolvidos. Isto deve-se à constante discriminação de que os pobres são alvo diariamente, muitas vezes considerados "cidadãos de 2ª". É preciso "cultivar" esta interligação já que é possível com uma só medida combater dois problemas graves e tentar iniciar uma espiral de solidariedade rumo a uma prosperidade futura. E que espiral é essa? Não é uma espiral mas sim duas e que para mim, representam a "ideologia" de como combater a pobreza e construir um futuro próspero. Uma espiral é ascendente e a outra descendente e estão directamente relacionadas (a subida da 1ª provoca a descida da 2ª).
1ª espiral) Simboliza a verdadeira solução para o problema da pobreza e da exclusão social. Conta com medidas que podem demorar algum tempo a ser implementadas mas têm como objectivo atingir um ponto de "não retorno" na situação do pobre, ou seja, têm a possibilidade de conferir uma solução a longo prazo para a pessoa visada e para as gerações futuras.
- Acesso massificado ao micro-crédito. Permite gerar riqueza e realização pessoal bem como experiência profissional.
- Investimento na educação. A educação é a base de tudo e é absolutamente essencial para a erradicação da pobreza em certas comunidades (especialmente as subdesenvolvidas). Começa-se pela escola primária, básica, secundária e de seguida as faculdades e institutos politécnicos. Estas são as "sementes" para uma comunidade capaz de gerar riqueza e prosperidade.
- Investimento na formação técnico-profissional. Quando falo em educação penso essencialmente na formação das crianças que 15/20 anos mais tarde vão tornar a sua comunidade em algo próspero e com fortes perspectivas de futuro. Entretanto é necessário uma formação específica para a classe adulta tendo em conta os níveis de instrução e de experiência profissional (por exemplo se um agricultor em África souber colocar adubos nas suas terras e escolher a técnica de rega adequada poderá obter melhores rendimentos na sua exploração agrária, levando a um aumento do seu rendimento).
- Fomentar o comércio justo. É preciso assegurar que os produtos que compramos não provêem de uma exploração em que os produtores não recebem nem o suficiente para comer. Comércio livre sim, desde que regulado e justo. Provavelmente esta seria uma medida que traria muitos benefícios aos pobres dos países subdesenvolvidos e poderia financiar o desenvolvimento das suas comunidades.
- Investimento em infra-estruturas básicas. Sistemas de captação e distribuição de água, electricidade (energias renováveis), fogos habitacionais, hospitais, etc. Tudo isto são investimentos necessários para assegurar o desenvolvimento de uma comunidade.
2ª espiral) Simboliza o alívio imediato prestado às populações em dificuldades. Conta com medidas que não sendo em si soluções para a efectiva resolução do problema, são essenciais para sustentar a comunidade no curto prazo.
- Doação de alimentos. É imperativo assegurar a alimentação da comunidade visada.
- Doação de dinheiro. Servirá para a construção das infra-estruturas básicas e que não tenham como propósito gerar riqueza no sentido de serem rentáveis (escolas e hospitais por exemplo).
- Concessão de micro-crédito para os micro-empresários gerarem riqueza e prosperidade.
- Concessão de crédito sem juros ou com juros fixos e baixos. Este tipo de crédito poderia servir para financiar actividades que mais tarde se tornariam rentáveis como a venda de água ou de electricidade, onde as comunidades pagavam as dívidas com os lucros desse tipo de explorações.
- Formação básica, técnica e profissional. Um pilar essencial para cimentar o futuro da comunidade.
- Outros apoios como auxílio na construção das infra-estruturas e respectiva gestão levando a uma adaptação progressiva da comunidade para que se torne autónoma.
Estas duas espirais relacionam-se no sentido em que é necessário um grande investimento inicial (2ª espiral) para colocar um "tampão" nos problemas de uma determinada comunidade e financiar a sua prosperidade futura. Essa prosperidade é assegurada pela 1ª espiral cujo aumento faz diminuir o tamanho da 2ª. Ou seja, de início é necessário um grande investimento mas à medida que os investimentos surtem o seu efeito a necessidade de financiamento e apoio vai diminuindo. Quanto mais desenvolvida estiver a comunidade (fruto do investimento inicial da 2ª espiral) menor vai ser a necessidade de apoio, daí o crescimento da 1ª significar um decréscimo da 2ª. Esta é para mim, uma "receita" a ser utilizada para a efectiva erradicação da pobreza e da exclusão social associada somente com a necessidade de ser adaptada especificamente quando posta em prática.
Termino este post com um apelo a todos aqueles que quiserem lutar contra a Fome já no dia 07 de Junho, através da Marcha Mundial Contra a Fome a realizar em Lisboa e no Porto. Cada inscrição na caminhada financia 25 refeições. Para quem não puder estar presente, pode dar o seu contributo através da caminhada online. Mais informações aqui e aqui.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Eleições Europeias
Este domingo dia 07 de Junho realizam-se as Eleições Europeias iniciando um ciclo de 3 actos eleitorais a realizar este ano. 2009 será provavelmente um dos anos mais importantes para a jovem democracia portuguesa. Apesar de o sufrágio ter como objectivo eleger os 22 representantes de Portugal no Parlamento Europeu (órgão com cada vez mais poderes e numa perspectiva em que cada vez mais decisões se tomam ao nível comunitário e não nacional) perspectiva-se uma elevada abstenção fruto da descredibilização do sistema político e aqueles que se dirigem às urnas, fazem-no na sua maioria para "punir" ou "premiar" o governo vigente.
Pessoalmente estou a achar a campanha um pouco fraca no sentido em que se privilegia pouco as propostas concretas e dá-se mais ênfase a ataques directos entre candidatos. Os cabeça-de-lista estão a reportar as opiniões dos partidos e a atacar/defender o governo em detrimento de informarem os eleitores daquilo que farão caso sejam eleitos no dia 07 de Junho. A comunicação social e a população como um todo também tem a sua quota de "culpa" pela forma como a campanha se está a desenrolar. A comunicação social privilegia nos seus espaços informativos as "picardias" entre candidatos e deixa que as propostas passem despercebidas contribuindo para uma menor qualidade da campanha. A população no geral peca pelo facto de se interessar nessas autênticas novelas entre partidos invés de estudar as propostas e os conteúdos de cada partido, fazendo de seguida o seu juízo e orientando o seu sentido de voto de acordo com o mesmo.
Estas eleições marcam também a estreia de novos partidos que tentam romper com os actuais e tentam aproveitar o actual descontentamento pelos políticos no geral para captar votos. Na minha opinião esta proliferação de novos partidos deve-se também à inflexibilidade dos existentes, ou seja, cada partido tem uma linha fixa de pensamento do qual nenhum militante pode discordar. Esta situação leva a que muitos partidos defendem ideologias muito similares somente com pequenas diferenças. Não sou a favor de que se imponha um limite ao número de partidos que podem existir mas acho que os próprios partidos teriam mais a ganhar se privilegiassem o debate interno invés de fomentarem o sucessivo fraccionamento.
De acordo com as sondagens/análises que consultei e de acordo com a minha opinião pessoal apresento a minha "aposta" para os resultados de domingo:
PS - 8 eurodeputados
PSD - 6/7 eurodeputados
BE - 3 eurodeputados
CDU - 2/3 eurodeputados
CDS/PP - 1/2 eurodeputado(s)
MEP - 0/1 eurodeputado
NOTA: Acredito que se a CDU conseguir um 3º eurodeputado o PSD não elegerá mais de 6 e se o MEP conseguir eleger a Laurinda Alves é porque o CDS não consegue ir além de Nuno Melo.
Pessoalmente estou a achar a campanha um pouco fraca no sentido em que se privilegia pouco as propostas concretas e dá-se mais ênfase a ataques directos entre candidatos. Os cabeça-de-lista estão a reportar as opiniões dos partidos e a atacar/defender o governo em detrimento de informarem os eleitores daquilo que farão caso sejam eleitos no dia 07 de Junho. A comunicação social e a população como um todo também tem a sua quota de "culpa" pela forma como a campanha se está a desenrolar. A comunicação social privilegia nos seus espaços informativos as "picardias" entre candidatos e deixa que as propostas passem despercebidas contribuindo para uma menor qualidade da campanha. A população no geral peca pelo facto de se interessar nessas autênticas novelas entre partidos invés de estudar as propostas e os conteúdos de cada partido, fazendo de seguida o seu juízo e orientando o seu sentido de voto de acordo com o mesmo.
Estas eleições marcam também a estreia de novos partidos que tentam romper com os actuais e tentam aproveitar o actual descontentamento pelos políticos no geral para captar votos. Na minha opinião esta proliferação de novos partidos deve-se também à inflexibilidade dos existentes, ou seja, cada partido tem uma linha fixa de pensamento do qual nenhum militante pode discordar. Esta situação leva a que muitos partidos defendem ideologias muito similares somente com pequenas diferenças. Não sou a favor de que se imponha um limite ao número de partidos que podem existir mas acho que os próprios partidos teriam mais a ganhar se privilegiassem o debate interno invés de fomentarem o sucessivo fraccionamento.
De acordo com as sondagens/análises que consultei e de acordo com a minha opinião pessoal apresento a minha "aposta" para os resultados de domingo:
PS - 8 eurodeputados
PSD - 6/7 eurodeputados
BE - 3 eurodeputados
CDU - 2/3 eurodeputados
CDS/PP - 1/2 eurodeputado(s)
MEP - 0/1 eurodeputado
NOTA: Acredito que se a CDU conseguir um 3º eurodeputado o PSD não elegerá mais de 6 e se o MEP conseguir eleger a Laurinda Alves é porque o CDS não consegue ir além de Nuno Melo.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Mobilidade | Meios de Transporte
Cada vez mais as populações vivem mais afastadas do seu local de trabalho. As zonas centrais das grandes cidades são demasiado caras e os subúrbios estão geralmente ocupados pelas populações de fracos recursos, constituindo frequentemente problemas de ordenamento do território e de segurança pública. A classe média tende assim a afastar-se cada vez mais do centro na sua busca de qualidade de vida. Formam-se assim centros urbanos que funcionam como autênticos "dormitórios". Estes centros são constituídos na sua quase totalidade por edifícios habitacionais, não existindo comércio nem outros edifícios públicos ou privados que sejam prestadores de serviços. De dia parecem cidades fantasma pois não existem actividades que fixem pessoas nestes locais.
Com a multiplicação destes centros torna-se necessário fornecer vias de comunicação para a deslocação diária casa-emprego e vice-versa. Infelizmente, na maioria dos casos, a única forma de nos deslocarmos é de automóvel (exemplo aqui). Essa quase total dependência do transporte privado provoca graves problemas como a elevada emissão de gases poluentes, poluição sonora, acidentes de viação, congestionamento do trânsito, perda da qualidade de vida e uma excessiva concentração de veículos ligeiros provocando uma necessidade crescente de terrenos para parqueamento e um congestionamento da cidade como um todo. É urgente procurar novas alternativas e acima de tudo, torná-las atractivas para que tenham uma forte adesão. De seguida, vou analisar os vários meios de transporte e a sua evolução. Todos têm a sua utilidade e tal como nas energias renováveis, a "solução" será uma combinação de todos, potenciando as suas vantagens e construindo uma mobilidade segura, rápida, cómoda, barata e sustentável. Analisarei não só os transportes capazes de fazer a deslocação casa-trabalho mas todos aqueles que ligam os vários pontos do mundo, seja em em curtas, médias ou longas distâncias.
Comboio - Um meio de transporte cada vez mais versátil e que se apresenta como uma solução para vários problemas. Não depende das condições de tráfego e é capaz de transportar bastantes pessoas. Comboios urbanos e suburbanos conseguem fazer as ligações casa-emprego sem congestionar as cidades e sem toda a poluição associada. Poderia ser mais utilizado no transporte de mercadorias. Para se tornar sustentável necessita que a produção eléctrica para o seu funcionamento provenha de fontes renováveis. É necessário investir também na segurança e na competitividade económica. A grande desvantagem do comboio é a sua fraca mobilidade, ou seja, não se consegue adaptar a rotas alternativas, estando limitado às linhas ferroviárias. Para compensar este factor é necessário investir no transporte intermodal para que as estações ferroviárias disponham de outros meios de transporte (táxis, metro, autocarros, etc.) capazes de fazer as ligações mais específicas. Com a proliferação dos comboios de alta-velocidade poderia ser rápido e cómodo viajar por toda a Europa evitando os check-in e check-out que os aeroportos nos obrigam. Na minha opinião, este meio de transporte deveria ser privilegiado a nível local, regional, nacional e europeu tanto no transporte de mercadorias como de passgeiros. Uma mobilidade do futuro e com vista a resolver os problemas associados à mesma terá de englobar o comboio como uma solução principal.
Avião - O mais rápido dos meios de transporte. Excelente para transportar pessoas em viagens de longa distância e para transportar mercadorias perecíveis. Provavelmente o mais díficil de tornar sustentável tendo em conta a sua enorme necessidade de energia, contudo já existem motores de nova geração que consomem menos 15% que os actuais o que é um excelente primeiro passo. É necessário apostar fortemente na investigação para que os avioes se tornem cada vez mais rápidos e gastem cada vez menos energia o que consequentemente os tornará cada vez mais económicos. Penso que actualmente este meio de transporte poderia perder alguma da sua importância especialmente nos vôos domésticos e europeus em detrimento do ferroviário. O avião é insubstituível mas pode ser "fintado" em médias distâncias, continuando com a sua primazia no longo curso e numa crescente banalização da sua utilização consequência de preços cada vez mais atractivos e de uma burocracia cada vez menor. É necessário apostar na evolução do transporte aéreo mas numa perspectiva de mobilidade futura penso que este meio de transporte terá de perder "peso".
Barco - A grande vantagem do transporte marítimo é a sua gigantesca capacidade de carga. Consegue transportar enormes quantidades de mercadorias de uma ponta do globo para a outra. Nesta perspectiva não vejo, num futuro próximo, qualquer "concorrente" para este meio de transporte. Não havendo possibilidade de o substituir é necessário adaptá-lo à mobilidade futura. Tal como no avião, existem tecnologias que permitem consumir menos energia mas em relação ao comboio e ao automóvel, o barco continua bastante atrás numa óptica de mobilidade sustentável. A solução é a contínua aposta na investigação. Penso que é necessário as trocas comerciais se processarem mais próximas, tentando diminuir a necessidade de barcos de elevado porte. Contudo as trocas intercontinentais terão tendência para aumentar sendo necessário construir barcos cada vez maiores e que consumam cada vez menos energia. O desenvolvimento dos portos e sua ligação com outros meios de transporte é também um sector essencial para o desenvolvimento do transporte marítimo.
Automóvel - É o mais utilizado e aquele que acarreta maiores problemas. Todos nós nos temos que mentalizar que uma mobilidade futura compreende uma forte redução na quantidade de automóveis utilizados. Não é sustentável de nenhum ponto de vista cada um de nós se deslocar diariamente de automóvel, percorrendo distâncias cada vez maiores. Vejo o futuro do automóvel como um meio de transporte que utilizamos em casos de excepção e não como um meio de transporte para as deslocações rotineiras, independentemente da distância percorrida. É necessário apostar mais nos transportes colectivos como o autocarro e o comboio e desincentivar a utilização do automóvel. Sou a favor de medidas como portagens à entrada das cidades desde que existam alternativas e desde que os transportes colectivos sejam seguros, cómodos e económicos. É preciso estudar as alternativas, implementá-las e de seguida fomentá-las, incentivando a sua utilização e desincentivando a utilização do automóvel. Só reunindo todas estas condições é que será possível realizar mudanças em grande escala. A redução do número de automóveis particulares não se esgota apenas na utilização de transportes alternativas. Iniciativas como o car-sharing devem ser apoiadas e por fim, deve-se desenvolver uma tecnologia sustentátel em torno deste meio de transporte. É importante reduzir o seu número mas é igualmente importante que os existentes não poluam, e nesse campo, o automóvel apresenta-se numa estado avançado de desenvolvimento estando a sua massificação para breve.
Bicicleta - A utilização de meios de transporte como a bicicleta são completamente ignorados como uma solução para a mobilidade sustentável. Numa mobilidade do futuro o uso de bicicletas e outros meios de transporte similares (por exemplo a Segway) têm de ser encarados com seriedade e o seu uso massificado tem de ser promovido. É necessário uma autêntica "corrida" à construção de ciclovias dotando todos os centros urbanos de poderosas ligações. É necessário também um forte investimento na educação das populações para sensibilizar as mesmas em torno das várias vantagens que este tipo de transporte encerra (vantagens económicas, sociais, ambientais, etc.). Para assegurar o sucesso da massificação do uso da bicicleta nas deslocações diárias é necessário dotar as cidades e os outros meios de transporte de equipamentos que visem o seu transporte e parqueamento. Uma mobilidade futura tem de assegurar que os autocarros e os comboios conseguem transportar bicicletas e que as cidades têm locais para as parquear. Um veículo que actualmente se ignora encerra em si uma grande solução para a mobilidade futura.
Resumindo, a actual mobilidade não é sustentável de nenhum ponto de vista e é necessário alterar a realidade. Nenhum meio de transporte pode ser substituído na sua totalidade mas o seu peso tem de ser alterado e em todos eles é possível desenvolver tecnologias que levem a melhorias. Melhorias essas que podem começar em cada um de nós e com a forma como nos deslocamos pois devemos ser os primeiros a procurar soluções e a exigi-las caso não existam. A mobilidade é essencial para a nossa sociedade e reflectirá o futuro que queremos construir.
Com a multiplicação destes centros torna-se necessário fornecer vias de comunicação para a deslocação diária casa-emprego e vice-versa. Infelizmente, na maioria dos casos, a única forma de nos deslocarmos é de automóvel (exemplo aqui). Essa quase total dependência do transporte privado provoca graves problemas como a elevada emissão de gases poluentes, poluição sonora, acidentes de viação, congestionamento do trânsito, perda da qualidade de vida e uma excessiva concentração de veículos ligeiros provocando uma necessidade crescente de terrenos para parqueamento e um congestionamento da cidade como um todo. É urgente procurar novas alternativas e acima de tudo, torná-las atractivas para que tenham uma forte adesão. De seguida, vou analisar os vários meios de transporte e a sua evolução. Todos têm a sua utilidade e tal como nas energias renováveis, a "solução" será uma combinação de todos, potenciando as suas vantagens e construindo uma mobilidade segura, rápida, cómoda, barata e sustentável. Analisarei não só os transportes capazes de fazer a deslocação casa-trabalho mas todos aqueles que ligam os vários pontos do mundo, seja em em curtas, médias ou longas distâncias.
Comboio - Um meio de transporte cada vez mais versátil e que se apresenta como uma solução para vários problemas. Não depende das condições de tráfego e é capaz de transportar bastantes pessoas. Comboios urbanos e suburbanos conseguem fazer as ligações casa-emprego sem congestionar as cidades e sem toda a poluição associada. Poderia ser mais utilizado no transporte de mercadorias. Para se tornar sustentável necessita que a produção eléctrica para o seu funcionamento provenha de fontes renováveis. É necessário investir também na segurança e na competitividade económica. A grande desvantagem do comboio é a sua fraca mobilidade, ou seja, não se consegue adaptar a rotas alternativas, estando limitado às linhas ferroviárias. Para compensar este factor é necessário investir no transporte intermodal para que as estações ferroviárias disponham de outros meios de transporte (táxis, metro, autocarros, etc.) capazes de fazer as ligações mais específicas. Com a proliferação dos comboios de alta-velocidade poderia ser rápido e cómodo viajar por toda a Europa evitando os check-in e check-out que os aeroportos nos obrigam. Na minha opinião, este meio de transporte deveria ser privilegiado a nível local, regional, nacional e europeu tanto no transporte de mercadorias como de passgeiros. Uma mobilidade do futuro e com vista a resolver os problemas associados à mesma terá de englobar o comboio como uma solução principal.
Avião - O mais rápido dos meios de transporte. Excelente para transportar pessoas em viagens de longa distância e para transportar mercadorias perecíveis. Provavelmente o mais díficil de tornar sustentável tendo em conta a sua enorme necessidade de energia, contudo já existem motores de nova geração que consomem menos 15% que os actuais o que é um excelente primeiro passo. É necessário apostar fortemente na investigação para que os avioes se tornem cada vez mais rápidos e gastem cada vez menos energia o que consequentemente os tornará cada vez mais económicos. Penso que actualmente este meio de transporte poderia perder alguma da sua importância especialmente nos vôos domésticos e europeus em detrimento do ferroviário. O avião é insubstituível mas pode ser "fintado" em médias distâncias, continuando com a sua primazia no longo curso e numa crescente banalização da sua utilização consequência de preços cada vez mais atractivos e de uma burocracia cada vez menor. É necessário apostar na evolução do transporte aéreo mas numa perspectiva de mobilidade futura penso que este meio de transporte terá de perder "peso".
Barco - A grande vantagem do transporte marítimo é a sua gigantesca capacidade de carga. Consegue transportar enormes quantidades de mercadorias de uma ponta do globo para a outra. Nesta perspectiva não vejo, num futuro próximo, qualquer "concorrente" para este meio de transporte. Não havendo possibilidade de o substituir é necessário adaptá-lo à mobilidade futura. Tal como no avião, existem tecnologias que permitem consumir menos energia mas em relação ao comboio e ao automóvel, o barco continua bastante atrás numa óptica de mobilidade sustentável. A solução é a contínua aposta na investigação. Penso que é necessário as trocas comerciais se processarem mais próximas, tentando diminuir a necessidade de barcos de elevado porte. Contudo as trocas intercontinentais terão tendência para aumentar sendo necessário construir barcos cada vez maiores e que consumam cada vez menos energia. O desenvolvimento dos portos e sua ligação com outros meios de transporte é também um sector essencial para o desenvolvimento do transporte marítimo.
Automóvel - É o mais utilizado e aquele que acarreta maiores problemas. Todos nós nos temos que mentalizar que uma mobilidade futura compreende uma forte redução na quantidade de automóveis utilizados. Não é sustentável de nenhum ponto de vista cada um de nós se deslocar diariamente de automóvel, percorrendo distâncias cada vez maiores. Vejo o futuro do automóvel como um meio de transporte que utilizamos em casos de excepção e não como um meio de transporte para as deslocações rotineiras, independentemente da distância percorrida. É necessário apostar mais nos transportes colectivos como o autocarro e o comboio e desincentivar a utilização do automóvel. Sou a favor de medidas como portagens à entrada das cidades desde que existam alternativas e desde que os transportes colectivos sejam seguros, cómodos e económicos. É preciso estudar as alternativas, implementá-las e de seguida fomentá-las, incentivando a sua utilização e desincentivando a utilização do automóvel. Só reunindo todas estas condições é que será possível realizar mudanças em grande escala. A redução do número de automóveis particulares não se esgota apenas na utilização de transportes alternativas. Iniciativas como o car-sharing devem ser apoiadas e por fim, deve-se desenvolver uma tecnologia sustentátel em torno deste meio de transporte. É importante reduzir o seu número mas é igualmente importante que os existentes não poluam, e nesse campo, o automóvel apresenta-se numa estado avançado de desenvolvimento estando a sua massificação para breve.
Bicicleta - A utilização de meios de transporte como a bicicleta são completamente ignorados como uma solução para a mobilidade sustentável. Numa mobilidade do futuro o uso de bicicletas e outros meios de transporte similares (por exemplo a Segway) têm de ser encarados com seriedade e o seu uso massificado tem de ser promovido. É necessário uma autêntica "corrida" à construção de ciclovias dotando todos os centros urbanos de poderosas ligações. É necessário também um forte investimento na educação das populações para sensibilizar as mesmas em torno das várias vantagens que este tipo de transporte encerra (vantagens económicas, sociais, ambientais, etc.). Para assegurar o sucesso da massificação do uso da bicicleta nas deslocações diárias é necessário dotar as cidades e os outros meios de transporte de equipamentos que visem o seu transporte e parqueamento. Uma mobilidade futura tem de assegurar que os autocarros e os comboios conseguem transportar bicicletas e que as cidades têm locais para as parquear. Um veículo que actualmente se ignora encerra em si uma grande solução para a mobilidade futura.
Resumindo, a actual mobilidade não é sustentável de nenhum ponto de vista e é necessário alterar a realidade. Nenhum meio de transporte pode ser substituído na sua totalidade mas o seu peso tem de ser alterado e em todos eles é possível desenvolver tecnologias que levem a melhorias. Melhorias essas que podem começar em cada um de nós e com a forma como nos deslocamos pois devemos ser os primeiros a procurar soluções e a exigi-las caso não existam. A mobilidade é essencial para a nossa sociedade e reflectirá o futuro que queremos construir.
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segunda-feira, 1 de junho de 2009
China | Economia, Ambiente e Sociedade
O dragão vermelho é sem dúvida um país bastante interessante de estudar numa óptica do seu futuro e, consequentemente do futuro do mundo. A sua dimensão geográfica, a sua quantidade de população, a sua produção industrial e acima de tudo o seu dinheiro, tornam a China numa gigantesca potência em franco crescimento, mesmo com uma crise mundial.
A sua economia merece por mérito próprio ser estudada por todos nós, encerrando em si diversas lições. A mão-de-obra barata foi um pilar do milagre económico chinês tornando este país no "produtor do mundo", exportações essas facilitadas pela crescente globalização. Um crescimento "viral" que se multiplicava sozinho mas sempre com o olhar atento do Estado. Não era necessário dinamizar a procura interna enquanto os países ocidentais tivessem dinheiro para gastar e condições para se endividar consumindo sofregamente os produtos oriundos de Pequim. As obras megalómanas em torno do Jogos Olímpicos foram uma pequena amostra do poderio económico chinês revelando essa nova face ao mundo. Com uma crise de procura global que veio atingir fortemente as exportações chinesas, o tendão de Aquiles da sua economia, Pequim não esperou por uma cura milagrosa e decidiu agir. Quer se concorde ou não com a opção chinesa para solucionar a crise, há que dar o mérito devido a Wen Jiabao por agir de forma rápida e decisiva. Para contornar o problema da falta de procura dos seus produtos nos mercados internacionais, a China aposta agora numa dinamização do consumo interno, aproveitando o recursos endógeno que é a sua elevadíssima população. Isto permite à China "fintar" parte da crise e ao mesmo tempo assumir menores riscos em relação a crises futuras deste género. Apostou também no investimento público como forma de reanimar artificialmente a procura, ou seja, o Estado absorve a produção com as suas obras enquanto os privados se mostram relutantes. Ao mesmo tempo este investimento gera emprego e incentiva o consumo interno conferindo outra ajuda ao escoamento da produção. Seja a melhor opção ou não o governo chinês pode-se gabar de algo que a Europa não pode... Actuar! A China está a propor ao mundo uma alternativa a seguir, tal como um líder propoe um caminho à sua tribo.
As alterações climáticas e o meio ambiente estão cada vez mais na ordem do dia e o regime chinês está atento. Apesar de inaugurar 2 centrais a carvão por semana, a China será provavelmente pioneira em muitas áreas da conservação do meio ambiente e será capaz de fazer uma adaptação relativamente rápida à produção de energia por fontes renováveis. Costumo dizer que tudo o que é chinês é megalómano e a área do ambiente não será diferente. A China é o maior poluidor mundial em termos brutos (em emissões per capita continua muito atrás do maior poluidor, os EUA) mas será dos países com uma transação mais fácil para a sociedade "carbono zero". Veja-se o exemplo dos sacos de plástico. A sua distribuição gratuita foi pura e simplesmente proibida reduzindo a sua quantidade drasticamente. O regime de Pequim é, para o bem e para o mal, um regime forte e a população chinesa acata no geral as "ordens" do seu governo. O plano de estímulos chinês investe mais do dobro em energias "verdes" que o plano de Obama, plano esse apelidado de "Green New Deal". A China está actualmente a fazer investimento colossais em investigação ligada à problemática das alterações climáticas. O pós-Quioto será revelador da posição chinesa mas acredito que quando a China quiser mudar o seu rumo vai fazê-lo "à maneira chinesa", ou seja, de uma forma megalómana. E acredito que essa metamorfose ocorrerá rapidamente pois Wen Jibao já se apercebeu que ambiente e economia andam de mãos de dadas. Possivelmente a China passará de maior poluidor mundial para maior produtor mundial de energias renováveis num relativo curto espaço de tempo. E aí a Europa e os EUA vão lamentar todas as indecisões e todas as metas enfraquecidas e ainda assim, sucessivamente inatingidas.
O mundo está em constante evolução e esta crise é capaz de acelerar determinados fenómenos. Num país que está a sofrer as alterações que a China sofre, essa transformação na sociedade é ainda maior. Será interessante caracterizar o estilo de vida chinês em 2020-2030 e verificar que a política e economia chinesa são únicas e têm os seus trunfos para jogar na política internacional.
A sua economia merece por mérito próprio ser estudada por todos nós, encerrando em si diversas lições. A mão-de-obra barata foi um pilar do milagre económico chinês tornando este país no "produtor do mundo", exportações essas facilitadas pela crescente globalização. Um crescimento "viral" que se multiplicava sozinho mas sempre com o olhar atento do Estado. Não era necessário dinamizar a procura interna enquanto os países ocidentais tivessem dinheiro para gastar e condições para se endividar consumindo sofregamente os produtos oriundos de Pequim. As obras megalómanas em torno do Jogos Olímpicos foram uma pequena amostra do poderio económico chinês revelando essa nova face ao mundo. Com uma crise de procura global que veio atingir fortemente as exportações chinesas, o tendão de Aquiles da sua economia, Pequim não esperou por uma cura milagrosa e decidiu agir. Quer se concorde ou não com a opção chinesa para solucionar a crise, há que dar o mérito devido a Wen Jiabao por agir de forma rápida e decisiva. Para contornar o problema da falta de procura dos seus produtos nos mercados internacionais, a China aposta agora numa dinamização do consumo interno, aproveitando o recursos endógeno que é a sua elevadíssima população. Isto permite à China "fintar" parte da crise e ao mesmo tempo assumir menores riscos em relação a crises futuras deste género. Apostou também no investimento público como forma de reanimar artificialmente a procura, ou seja, o Estado absorve a produção com as suas obras enquanto os privados se mostram relutantes. Ao mesmo tempo este investimento gera emprego e incentiva o consumo interno conferindo outra ajuda ao escoamento da produção. Seja a melhor opção ou não o governo chinês pode-se gabar de algo que a Europa não pode... Actuar! A China está a propor ao mundo uma alternativa a seguir, tal como um líder propoe um caminho à sua tribo.
As alterações climáticas e o meio ambiente estão cada vez mais na ordem do dia e o regime chinês está atento. Apesar de inaugurar 2 centrais a carvão por semana, a China será provavelmente pioneira em muitas áreas da conservação do meio ambiente e será capaz de fazer uma adaptação relativamente rápida à produção de energia por fontes renováveis. Costumo dizer que tudo o que é chinês é megalómano e a área do ambiente não será diferente. A China é o maior poluidor mundial em termos brutos (em emissões per capita continua muito atrás do maior poluidor, os EUA) mas será dos países com uma transação mais fácil para a sociedade "carbono zero". Veja-se o exemplo dos sacos de plástico. A sua distribuição gratuita foi pura e simplesmente proibida reduzindo a sua quantidade drasticamente. O regime de Pequim é, para o bem e para o mal, um regime forte e a população chinesa acata no geral as "ordens" do seu governo. O plano de estímulos chinês investe mais do dobro em energias "verdes" que o plano de Obama, plano esse apelidado de "Green New Deal". A China está actualmente a fazer investimento colossais em investigação ligada à problemática das alterações climáticas. O pós-Quioto será revelador da posição chinesa mas acredito que quando a China quiser mudar o seu rumo vai fazê-lo "à maneira chinesa", ou seja, de uma forma megalómana. E acredito que essa metamorfose ocorrerá rapidamente pois Wen Jibao já se apercebeu que ambiente e economia andam de mãos de dadas. Possivelmente a China passará de maior poluidor mundial para maior produtor mundial de energias renováveis num relativo curto espaço de tempo. E aí a Europa e os EUA vão lamentar todas as indecisões e todas as metas enfraquecidas e ainda assim, sucessivamente inatingidas.
O mundo está em constante evolução e esta crise é capaz de acelerar determinados fenómenos. Num país que está a sofrer as alterações que a China sofre, essa transformação na sociedade é ainda maior. Será interessante caracterizar o estilo de vida chinês em 2020-2030 e verificar que a política e economia chinesa são únicas e têm os seus trunfos para jogar na política internacional.
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