domingo, 7 de junho de 2009

Eleições Europeias 09 - Análise

Antes de começar a análise nacional e europeia sobre as eleições disputadas hoje, quero felicitar o partido vencedor em Portugal, o PSD. A grande maioria das sondagens e projecções estavam erradas, especialmente na percentagem de votos conferida ao PS. Muito se falou sobre o voto de protesto e o cartão vermelho ao governo mas a fragilidade política do PSD foi também bastante discutida. Vamos então aos resultados e à respectiva análise.

A abstenção regista uma subida ficando nos 62,8%. Isto é uma derrota clara para todos os partidos (incluindo os pequenos). Demonstra que mesmo com pouca discussão sobre a Europa e com poucas propostas para a UE, os partidos não conseguem atrair os eleitores. Cada vez mais pessoas se sentem desmobilizadas do sistema político. Este fenómeno não é exclusivo de Portugal já que estas foram as eleições com menor participação a nível europeu. Cada vez mais os políticos e as instituições políticas se afastam do seu eleitorado o que em nada beneficia os interesses nacionais nem os interesses europeus.

Em relação à previsão que tinha feito na 4ª feira errei por 1 eurodeputado. Que "trocou" o PS pelo PSD. Confesso que não estava à espera de uma vitória de Paulo Rangel e ainda menos que esta fosse, efectivamente, expressiva. Por parte das sondagens houve 2 grandes "falhas". Uma delas foi a vitória do PS e a outra a vaticinação da quase extinção por parte do CDS.

O PSD envolto em turbulências (bem visíveis na campanha de Rangel) desde a eleição de Manuela Ferreira Leite, encontrou aqui um novo ânimo. Apesar da sua percentagem de votos não ser elevada, demonstrando não conseguir capitalizar totalmente o protesto em relação ao governo, uma vitória é sempre uma vitória e com certeza irá moralizar as hostes laranjas. Pedro Passos Coelho leva assim uma bofetada, especialmente após as declarações em plena campanha para estas eleições. Quando Paulo Rangel foi anunciado como cabeça-de-lista para as eleições europeias, muitos criticaram esse facto por ser o militante do PSD que vinha a "carregar com o partido às costas" no Parlamento, com especial destaque para os confrontos com José Sócrates. Uma vez mais Rangel conseguiu carregar o seu partido fazendo uma campanha notável culminando com esta vitória. Para mim, foi essencial o seu papel já que na minha opinião, MFL não seria capaz de mobilizar tantos eleitores.

O PS foi o grande derrotado. Perdeu votos e eurodeputados, tanto para a esquerda como para a direita. Era esperado um voto de protesto mas não nestas dimensões e as imagens vindas do Hotel Altis demonstravam que ninguém no Partido Socialista estava preparado para esta situação. Apesar de Sócrates se ter envolvido bastante na campanha, tal não foi suficiente para "contornar" as críticas face a Vital Moreira. A escolha do cabeça-de-lista foi interpretada pela maioria como uma má escolha. Nesse sentido penso que Vital teve o efeito oposto a Rangel, ou seja, enquanto que o segundo conseguiu dinamizar o PSD o primeiro fechou o PS. Talvez esteja a sobrevalorizar a importância dos cabeças-de-lista mas mesmo que tal facto não alterasse o partido vencedor, penso que a margem de diferença poderia ser encurtada.

O BE foi também um grande vencedor. Conseguiu triplicar o número de eurodeputados e tornar-se a terceira força política o que é um resultado excelente. Eleição após eleição, o Bloco tem vindo a aumentar a sua influência.

A CDU manteve o número de eurodeputados e em percentagem de votos não foi uma derrotada. Contudo foi derrotada a nível moral ao passar a ser a quarta força política ainda que num quase empate com o BE.

O CDS apesar de manter o número de eurodeputados e de estar em último no campeonato dos "grandes" surge como a surpresa da noite. Os trotskistas conseguiram superar os democratas-cristãos mas não ocorreu o descalabro que muitas sondagens previam. O CDS mantem a chama acesa mesmo com a vitória do PSD, provando ter uma identidade e eleitores próprios, não estando sujeita às movimentações feitas pelo principal partido de Direita.

O MEP apesar de não ter eleito a Laurinda Alves consegue uma votação algo expressiva e que dá alento a este novo partido.

Conclusões para as legislativas? Na minha opinião, somente a de que nenhum partido conseguirá a maioria absoluta. O embate das legislativas será muito diferente do combate para as eleições europeias. Com Sócrates e Ferreira Leite como protagonistas os resultados serão diferentes e aí o PSD partirá em desvantagem apesar desta vitória. Contudo, esta vitória dá um novo argumento e fôlego para a futura campanha do PSD onde a vitória (ao contrário do que se pensava somente há 1 ou 2 meses atrás) é uma possibilidade. Sobre a sondagem para as legislativas que a SIC revelou e que apontava o PS como vencedor (com 39,6% dos votos) e o PSD bem atrás (com 33% dos votos) tendo a discordar. Creio que se as eleições legislativas fossem hoje o PS sairia vencedor mas não com um margem de quase 7% de diferença para com o PSD. As eleições europeias não provaram que o PSD "vai à frente" mas provaram que vai bem mais perto do PS do que aquilo que a maioria do nós (eu incluido) imaginavamos.

Sobre a questão do voto de protesto tendo a discordar de algumas análises realizadas na SIC. Pacheco Pereira afirmou que o crescimento do BE se deveu ao mero voto de protesto enquanto que o crescimento do PSD se deveu a quem realmente procura uma alternativa para o poder em Portugal. E nesse sentido referiu que os portugueses iriam escolher essa alternativa nas legislativas, já que estava em jogo o futuro do nosso país e o PSD era o único que reunia condições para propôr essa "ruptura" com as políticas do governo de Sócrates. Eu penso ao contrário. O voto de protesto pode ter sido canalizado para o PSD e o crescimento do BE ter sido sustentado por eleitores que querem uma nova realidade política. O PSD é o maior partido da oposição. Quem quer apenas "humilhar" Sócrates (ou seja, não se interessa pelas propostas e ideias dos partidos, querendo somente castigar o governo vigente) vota num partido qualquer, já que esse mesmo partido não precisa de se encontrar alinhado com a ideologia do eleitor pois o seu objectivo é punir o governo. Se para o eleitor é indiferente o partido em que vota, qual será o melhor partido para castigar o governo? Talvez o seu principal opositor? Porque tem a possibilidade de ganhar eleições e assim derrotar o governo. Quem vota no BE pode sem dúvida estar em desacordo com as políticas do governo PS, mas sabe que pelo menos actualmente, o BE não tem capacidade para derrotar o PS. Quem vota BE quer uma nova política em Portugal e não apenas "protestar", porque o melhor partido para protestar é o PSD. Imagine-se que o BE obtinha o mesmo resultado que obteve nestas eleições mas que as votações entre PS e PSD trocavam. Nesta situação, o PS teria eleito 8 eurodeputados (contra 7 do PSD) e batido o PSD por 5,1% nos votos. O Bloco teria tido um excelente resultado na mesma, mas seria Sócrates humilhado? Com uma vitória em eurodeputados e com uma margem de 5,1% em votos, penso que não. Analisando a situação, penso que faz mais sentido o voto de protesto ter sido canalizado para o PSD e o crescimento do BE tenha sido realizado por eleitores que compreendem e concordam efectivamente com os projectos daquele partido.

A nível europeu vimos um crescimento importante da direita, tanto do PPE como da extrema-direita. Pessoalmente não são resultados que me agradem já que esperava um reforço no número de eurodeputados do PSE. Durão Barroso verá possivelmente a releição confirmada e as políticas comunitárias não deverão sofrer nenhum "abalo" para grande desgosto meu. A democracia é mesmo assim e no geral, a direita europeia está de parabéns. Mais combates se seguirão e em especial as legislativas, serão bastante interessantes de estudar e analisar.

sábado, 6 de junho de 2009

Livros - 2


"A Vingança de Gaia" é um livro de James Lovelock sobre alterações climáticas e o futuro do planeta Terra. A sua edição em Portugal cabe à Gradiva.

Neste livro James Lovelock oferece-nos a sua perspectiva pessoal acerca do estado de "saúde" do nosso planeta e que atitudes devemos tomar no futuro. Lovelock tem uma posição bastante extremista e é um acérrimo defensor da energia nuclear.

De uma forma directa e simples mas baseada em factos e análises, o autor desfaz as nossas esperanças de poder evitar as consequências das alterações climáticas. O planeta já está a mudar e a única coisa que podemos fazer é tentar adaptarmo-nos e desacelarar o processo. Não existe uma via fácil para a salvação da Terra e actualmente não estamos sequer perto de construir uma solução. O planeta Terra é um sistema vivo (Gaia) e está em guerra com a espécie humana. Se não mudarmos as nossas atitudes e os nossos pensamentos caminhamos para uma lenta e penosa guerra da qual não teremos hipóteses de sair vitoriosos.

Pessoalmente discordo do autor em bastantes aspectos, nomeadamente na questão da energia nuclear. Contudo, recomendo este livro pois dá-nos um "banho" de realidade demonstrando que a espécie humana não tem tudo controlado e que não existe uma "cura" milagrosa, fácil e rápida para enfrentar o nosso maior problema... A degradação do local onde vivemos e do qual dependemos para sobreviver.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Energia | Fusão Nuclear

Fez hoje uma semana que foi inaugurado o novo centro de fusão nuclear, sediado na Califórnia (EUA). Apesar da sua construção ter demorado mais 7 anos que o previsto (totalizando 15) e ter custado o triplo do previsto (num total de 2.500.000.000 de euros) a sua inauguração ocorreu num ambiente de grande festa onde participaram cerca de 3500 pessoas, incluindo Arnold Schwarzenegger (Governador da Califórnia) e Steven Chu (Secretário de Estado para a Energia).

A entidade responsável por explorar o projecto é a National Ignition Facility que deverá começar a fazer testes neste novo centro já em 2010 e aperfeiçoar a produção de energia através da fusão nuclear até 2040. Há muito que se debate a fusão nuclear devido ao seu enorme potencial de produção energética sem a emissão de gases poluentes associados. A fusão nuclear consiste em reproduzir os processos químicos existentes nas estrelas e é bastante diferente da energia nuclear actual (fissão nuclear) pois produz quantidades de energia muito superiores e é mais "amiga" do ambiente. Para termos uma ideia do potencial desta fonte energética alguns estudos apontam que um kilómetro cúbico de água seria o suficiente para igualar todas as reservas de petróleo a níve mundial. A fusão nuclear não é uma descoberta recente e já se concretiza a mesma com sucesso. O problema é que se gasta mais energia no processo do que aquela que se consegue retirar, sendo o objectivo desta investigação de 30 anos contrariar esta "tendência" e provar a rentabilidade energética desta fonte de energia renovável e limpa.

Pessoalmente tenho algumas reservas em relação à fusão nuclear e quero esperar por mais avanços neste tipo de tecnologia. Confesso que estou um pouco céptico em relação ao potencial desta fonte de energia. Contudo, a fusão nuclear merece por mérito próprio o "benefício da dúvida", ou seja, sou totalmente a favor da investigação e desenvolvimento. Só assim será possível comprovar se o potencial referido por alguns cientistas corresponde mesmo à realidade. Sou um apologista dos sistemas de micro-geração interligados por redes inteligentes de distribuição mas a "promessa" da fusão nuclear é a de energia infinita e isso é obviamente aliciante para uma sociedade totalmente dependente da energia e cuja necessidade anual tem vindo a aumentar de forma galopante. Com a intermitência do preço do petróleo, com o esgotamento das fontes fósseis energéticas e com a problemática das alterações climáticas, não nos podemos "dar ao luxo" de descurar nenhuma opção nem de retirar qualquer carta do baralho. Da mesma maneira que não devemos deixar de apoiar a investigação da fusão nuclear, também não devemos depositar a totalidade das nossas esperanças nesta fonte de energia. A fusão nuclear é um dos muitos caminhos a seguir onde cada vez mais formas inovadoras de produção de energia vão surgir e submeter-se ao teste da Humanidade, estando à partida condenadas ao sucesso ou ao fracasso mas onde a única forma de saber a resposta é através da investigação.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Pobreza | Solidariedade

A pobreza é um problema que afecta todo o mundo, com especial incidência nos países subdesenvolvidos. Uma das mais severas consequências desta crise foi o aumento que provocou no número de pobres. São cada vez mais e possivelmente o seu número vai continuar a aumentar num futuro próximo. São milhares de milhões e nesse grupo estão incluídas milhões de crianças. Ninguém no mundo devia ter fome. É uma necessidade básica e um direito de todos nós.

Seguramente que aquilo que mais me impressiona são imagens vindas de países africanos e asiáticos mas quando penso bem, verifico que existem muitos milhares de portugueses numa situação semelhante. Existem inúmeras instituições que todos os dias lutam contra este flagelo e fornecem alimentos a milhões de pobres pelo mundo fora. Em Portugal é bem conhecida a acção do banco alimentar contra a fome. Cada vez mais a generalidade das pessoas apercebe-se da importância deste tipo de associações e tende a sensibilizar-se com as mesmas, apoiando as suas campanhas. Tal deve-se em parte, ao facto de muitas pessoas adquirirem a noção de que hoje são elas a contribuir mas amanhã poderão ser elas a pedir. A ONU tem como objectivo erradicar a pobreza extrema até 2015. Para o fazer é necessário fazer mais e não desviar a nossa atenção de todos os pobres, utilizando a crise como argumento.

Para mim a chave não reside necessariamente em sucessivos aumentos de doações com vista a comprar géneros alimentares. É necessário assegurar que os pobres têm um "alívio" imediato mas não nos podemos esquecer que este tipo de solução apenas adia o problema para o dia seguinte. Além deste alívio "artificial" através da doação de géneros alimentares é necessário combater as causas daquela pobreza e inverter o ciclo social da pessoa tentando com que passe de um pobre para alguém com recursos para ajudar outros pobres. É preciso garantir que aquele pobre nunca mais volta a esse estatuto.

Muitas vezes as políticas de integração e reinserção social confundem-se com as políticas de combate à pobreza, especialmente nos países desenvolvidos. Isto deve-se à constante discriminação de que os pobres são alvo diariamente, muitas vezes considerados "cidadãos de 2ª". É preciso "cultivar" esta interligação já que é possível com uma só medida combater dois problemas graves e tentar iniciar uma espiral de solidariedade rumo a uma prosperidade futura. E que espiral é essa? Não é uma espiral mas sim duas e que para mim, representam a "ideologia" de como combater a pobreza e construir um futuro próspero. Uma espiral é ascendente e a outra descendente e estão directamente relacionadas (a subida da 1ª provoca a descida da 2ª).

1ª espiral) Simboliza a verdadeira solução para o problema da pobreza e da exclusão social. Conta com medidas que podem demorar algum tempo a ser implementadas mas têm como objectivo atingir um ponto de "não retorno" na situação do pobre, ou seja, têm a possibilidade de conferir uma solução a longo prazo para a pessoa visada e para as gerações futuras.

- Acesso massificado ao micro-crédito. Permite gerar riqueza e realização pessoal bem como experiência profissional.
- Investimento na educação. A educação é a base de tudo e é absolutamente essencial para a erradicação da pobreza em certas comunidades (especialmente as subdesenvolvidas). Começa-se pela escola primária, básica, secundária e de seguida as faculdades e institutos politécnicos. Estas são as "sementes" para uma comunidade capaz de gerar riqueza e prosperidade.
- Investimento na formação técnico-profissional. Quando falo em educação penso essencialmente na formação das crianças que 15/20 anos mais tarde vão tornar a sua comunidade em algo próspero e com fortes perspectivas de futuro. Entretanto é necessário uma formação específica para a classe adulta tendo em conta os níveis de instrução e de experiência profissional (por exemplo se um agricultor em África souber colocar adubos nas suas terras e escolher a técnica de rega adequada poderá obter melhores rendimentos na sua exploração agrária, levando a um aumento do seu rendimento).
- Fomentar o comércio justo. É preciso assegurar que os produtos que compramos não provêem de uma exploração em que os produtores não recebem nem o suficiente para comer. Comércio livre sim, desde que regulado e justo. Provavelmente esta seria uma medida que traria muitos benefícios aos pobres dos países subdesenvolvidos e poderia financiar o desenvolvimento das suas comunidades.
- Investimento em infra-estruturas básicas. Sistemas de captação e distribuição de água, electricidade (energias renováveis), fogos habitacionais, hospitais, etc. Tudo isto são investimentos necessários para assegurar o desenvolvimento de uma comunidade.

2ª espiral) Simboliza o alívio imediato prestado às populações em dificuldades. Conta com medidas que não sendo em si soluções para a efectiva resolução do problema, são essenciais para sustentar a comunidade no curto prazo.

- Doação de alimentos. É imperativo assegurar a alimentação da comunidade visada.
- Doação de dinheiro. Servirá para a construção das infra-estruturas básicas e que não tenham como propósito gerar riqueza no sentido de serem rentáveis (escolas e hospitais por exemplo).
- Concessão de micro-crédito para os micro-empresários gerarem riqueza e prosperidade.
- Concessão de crédito sem juros ou com juros fixos e baixos. Este tipo de crédito poderia servir para financiar actividades que mais tarde se tornariam rentáveis como a venda de água ou de electricidade, onde as comunidades pagavam as dívidas com os lucros desse tipo de explorações.
- Formação básica, técnica e profissional. Um pilar essencial para cimentar o futuro da comunidade.
- Outros apoios como auxílio na construção das infra-estruturas e respectiva gestão levando a uma adaptação progressiva da comunidade para que se torne autónoma.

Estas duas espirais relacionam-se no sentido em que é necessário um grande investimento inicial (2ª espiral) para colocar um "tampão" nos problemas de uma determinada comunidade e financiar a sua prosperidade futura. Essa prosperidade é assegurada pela 1ª espiral cujo aumento faz diminuir o tamanho da 2ª. Ou seja, de início é necessário um grande investimento mas à medida que os investimentos surtem o seu efeito a necessidade de financiamento e apoio vai diminuindo. Quanto mais desenvolvida estiver a comunidade (fruto do investimento inicial da 2ª espiral) menor vai ser a necessidade de apoio, daí o crescimento da 1ª significar um decréscimo da 2ª. Esta é para mim, uma "receita" a ser utilizada para a efectiva erradicação da pobreza e da exclusão social associada somente com a necessidade de ser adaptada especificamente quando posta em prática.

Termino este post com um apelo a todos aqueles que quiserem lutar contra a Fome já no dia 07 de Junho, através da Marcha Mundial Contra a Fome a realizar em Lisboa e no Porto. Cada inscrição na caminhada financia 25 refeições. Para quem não puder estar presente, pode dar o seu contributo através da caminhada online. Mais informações aqui e aqui.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Eleições Europeias

Este domingo dia 07 de Junho realizam-se as Eleições Europeias iniciando um ciclo de 3 actos eleitorais a realizar este ano. 2009 será provavelmente um dos anos mais importantes para a jovem democracia portuguesa. Apesar de o sufrágio ter como objectivo eleger os 22 representantes de Portugal no Parlamento Europeu (órgão com cada vez mais poderes e numa perspectiva em que cada vez mais decisões se tomam ao nível comunitário e não nacional) perspectiva-se uma elevada abstenção fruto da descredibilização do sistema político e aqueles que se dirigem às urnas, fazem-no na sua maioria para "punir" ou "premiar" o governo vigente.

Pessoalmente estou a achar a campanha um pouco fraca no sentido em que se privilegia pouco as propostas concretas e dá-se mais ênfase a ataques directos entre candidatos. Os cabeça-de-lista estão a reportar as opiniões dos partidos e a atacar/defender o governo em detrimento de informarem os eleitores daquilo que farão caso sejam eleitos no dia 07 de Junho. A comunicação social e a população como um todo também tem a sua quota de "culpa" pela forma como a campanha se está a desenrolar. A comunicação social privilegia nos seus espaços informativos as "picardias" entre candidatos e deixa que as propostas passem despercebidas contribuindo para uma menor qualidade da campanha. A população no geral peca pelo facto de se interessar nessas autênticas novelas entre partidos invés de estudar as propostas e os conteúdos de cada partido, fazendo de seguida o seu juízo e orientando o seu sentido de voto de acordo com o mesmo.

Estas eleições marcam também a estreia de novos partidos que tentam romper com os actuais e tentam aproveitar o actual descontentamento pelos políticos no geral para captar votos. Na minha opinião esta proliferação de novos partidos deve-se também à inflexibilidade dos existentes, ou seja, cada partido tem uma linha fixa de pensamento do qual nenhum militante pode discordar. Esta situação leva a que muitos partidos defendem ideologias muito similares somente com pequenas diferenças. Não sou a favor de que se imponha um limite ao número de partidos que podem existir mas acho que os próprios partidos teriam mais a ganhar se privilegiassem o debate interno invés de fomentarem o sucessivo fraccionamento.

De acordo com as sondagens/análises que consultei e de acordo com a minha opinião pessoal apresento a minha "aposta" para os resultados de domingo:

PS - 8 eurodeputados
PSD - 6/7 eurodeputados
BE - 3 eurodeputados
CDU - 2/3 eurodeputados
CDS/PP - 1/2 eurodeputado(s)
MEP - 0/1 eurodeputado

NOTA: Acredito que se a CDU conseguir um 3º eurodeputado o PSD não elegerá mais de 6 e se o MEP conseguir eleger a Laurinda Alves é porque o CDS não consegue ir além de Nuno Melo.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Mobilidade | Meios de Transporte

Cada vez mais as populações vivem mais afastadas do seu local de trabalho. As zonas centrais das grandes cidades são demasiado caras e os subúrbios estão geralmente ocupados pelas populações de fracos recursos, constituindo frequentemente problemas de ordenamento do território e de segurança pública. A classe média tende assim a afastar-se cada vez mais do centro na sua busca de qualidade de vida. Formam-se assim centros urbanos que funcionam como autênticos "dormitórios". Estes centros são constituídos na sua quase totalidade por edifícios habitacionais, não existindo comércio nem outros edifícios públicos ou privados que sejam prestadores de serviços. De dia parecem cidades fantasma pois não existem actividades que fixem pessoas nestes locais.

Com a multiplicação destes centros torna-se necessário fornecer vias de comunicação para a deslocação diária casa-emprego e vice-versa. Infelizmente, na maioria dos casos, a única forma de nos deslocarmos é de automóvel (exemplo aqui). Essa quase total dependência do transporte privado provoca graves problemas como a elevada emissão de gases poluentes, poluição sonora, acidentes de viação, congestionamento do trânsito, perda da qualidade de vida e uma excessiva concentração de veículos ligeiros provocando uma necessidade crescente de terrenos para parqueamento e um congestionamento da cidade como um todo. É urgente procurar novas alternativas e acima de tudo, torná-las atractivas para que tenham uma forte adesão. De seguida, vou analisar os vários meios de transporte e a sua evolução. Todos têm a sua utilidade e tal como nas energias renováveis, a "solução" será uma combinação de todos, potenciando as suas vantagens e construindo uma mobilidade segura, rápida, cómoda, barata e sustentável. Analisarei não só os transportes capazes de fazer a deslocação casa-trabalho mas todos aqueles que ligam os vários pontos do mundo, seja em em curtas, médias ou longas distâncias.

Comboio - Um meio de transporte cada vez mais versátil e que se apresenta como uma solução para vários problemas. Não depende das condições de tráfego e é capaz de transportar bastantes pessoas. Comboios urbanos e suburbanos conseguem fazer as ligações casa-emprego sem congestionar as cidades e sem toda a poluição associada. Poderia ser mais utilizado no transporte de mercadorias. Para se tornar sustentável necessita que a produção eléctrica para o seu funcionamento provenha de fontes renováveis. É necessário investir também na segurança e na competitividade económica. A grande desvantagem do comboio é a sua fraca mobilidade, ou seja, não se consegue adaptar a rotas alternativas, estando limitado às linhas ferroviárias. Para compensar este factor é necessário investir no transporte intermodal para que as estações ferroviárias disponham de outros meios de transporte (táxis, metro, autocarros, etc.) capazes de fazer as ligações mais específicas. Com a proliferação dos comboios de alta-velocidade poderia ser rápido e cómodo viajar por toda a Europa evitando os check-in e check-out que os aeroportos nos obrigam. Na minha opinião, este meio de transporte deveria ser privilegiado a nível local, regional, nacional e europeu tanto no transporte de mercadorias como de passgeiros. Uma mobilidade do futuro e com vista a resolver os problemas associados à mesma terá de englobar o comboio como uma solução principal.

Avião - O mais rápido dos meios de transporte. Excelente para transportar pessoas em viagens de longa distância e para transportar mercadorias perecíveis. Provavelmente o mais díficil de tornar sustentável tendo em conta a sua enorme necessidade de energia, contudo já existem motores de nova geração que consomem menos 15% que os actuais o que é um excelente primeiro passo. É necessário apostar fortemente na investigação para que os avioes se tornem cada vez mais rápidos e gastem cada vez menos energia o que consequentemente os tornará cada vez mais económicos. Penso que actualmente este meio de transporte poderia perder alguma da sua importância especialmente nos vôos domésticos e europeus em detrimento do ferroviário. O avião é insubstituível mas pode ser "fintado" em médias distâncias, continuando com a sua primazia no longo curso e numa crescente banalização da sua utilização consequência de preços cada vez mais atractivos e de uma burocracia cada vez menor. É necessário apostar na evolução do transporte aéreo mas numa perspectiva de mobilidade futura penso que este meio de transporte terá de perder "peso".

Barco - A grande vantagem do transporte marítimo é a sua gigantesca capacidade de carga. Consegue transportar enormes quantidades de mercadorias de uma ponta do globo para a outra. Nesta perspectiva não vejo, num futuro próximo, qualquer "concorrente" para este meio de transporte. Não havendo possibilidade de o substituir é necessário adaptá-lo à mobilidade futura. Tal como no avião, existem tecnologias que permitem consumir menos energia mas em relação ao comboio e ao automóvel, o barco continua bastante atrás numa óptica de mobilidade sustentável. A solução é a contínua aposta na investigação. Penso que é necessário as trocas comerciais se processarem mais próximas, tentando diminuir a necessidade de barcos de elevado porte. Contudo as trocas intercontinentais terão tendência para aumentar sendo necessário construir barcos cada vez maiores e que consumam cada vez menos energia. O desenvolvimento dos portos e sua ligação com outros meios de transporte é também um sector essencial para o desenvolvimento do transporte marítimo.

Automóvel - É o mais utilizado e aquele que acarreta maiores problemas. Todos nós nos temos que mentalizar que uma mobilidade futura compreende uma forte redução na quantidade de automóveis utilizados. Não é sustentável de nenhum ponto de vista cada um de nós se deslocar diariamente de automóvel, percorrendo distâncias cada vez maiores. Vejo o futuro do automóvel como um meio de transporte que utilizamos em casos de excepção e não como um meio de transporte para as deslocações rotineiras, independentemente da distância percorrida. É necessário apostar mais nos transportes colectivos como o autocarro e o comboio e desincentivar a utilização do automóvel. Sou a favor de medidas como portagens à entrada das cidades desde que existam alternativas e desde que os transportes colectivos sejam seguros, cómodos e económicos. É preciso estudar as alternativas, implementá-las e de seguida fomentá-las, incentivando a sua utilização e desincentivando a utilização do automóvel. Só reunindo todas estas condições é que será possível realizar mudanças em grande escala. A redução do número de automóveis particulares não se esgota apenas na utilização de transportes alternativas. Iniciativas como o car-sharing devem ser apoiadas e por fim, deve-se desenvolver uma tecnologia sustentátel em torno deste meio de transporte. É importante reduzir o seu número mas é igualmente importante que os existentes não poluam, e nesse campo, o automóvel apresenta-se numa estado avançado de desenvolvimento estando a sua massificação para breve.

Bicicleta - A utilização de meios de transporte como a bicicleta são completamente ignorados como uma solução para a mobilidade sustentável. Numa mobilidade do futuro o uso de bicicletas e outros meios de transporte similares (por exemplo a Segway) têm de ser encarados com seriedade e o seu uso massificado tem de ser promovido. É necessário uma autêntica "corrida" à construção de ciclovias dotando todos os centros urbanos de poderosas ligações. É necessário também um forte investimento na educação das populações para sensibilizar as mesmas em torno das várias vantagens que este tipo de transporte encerra (vantagens económicas, sociais, ambientais, etc.). Para assegurar o sucesso da massificação do uso da bicicleta nas deslocações diárias é necessário dotar as cidades e os outros meios de transporte de equipamentos que visem o seu transporte e parqueamento. Uma mobilidade futura tem de assegurar que os autocarros e os comboios conseguem transportar bicicletas e que as cidades têm locais para as parquear. Um veículo que actualmente se ignora encerra em si uma grande solução para a mobilidade futura.

Resumindo, a actual mobilidade não é sustentável de nenhum ponto de vista e é necessário alterar a realidade. Nenhum meio de transporte pode ser substituído na sua totalidade mas o seu peso tem de ser alterado e em todos eles é possível desenvolver tecnologias que levem a melhorias. Melhorias essas que podem começar em cada um de nós e com a forma como nos deslocamos pois devemos ser os primeiros a procurar soluções e a exigi-las caso não existam. A mobilidade é essencial para a nossa sociedade e reflectirá o futuro que queremos construir.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

China | Economia, Ambiente e Sociedade

O dragão vermelho é sem dúvida um país bastante interessante de estudar numa óptica do seu futuro e, consequentemente do futuro do mundo. A sua dimensão geográfica, a sua quantidade de população, a sua produção industrial e acima de tudo o seu dinheiro, tornam a China numa gigantesca potência em franco crescimento, mesmo com uma crise mundial.

A sua economia merece por mérito próprio ser estudada por todos nós, encerrando em si diversas lições. A mão-de-obra barata foi um pilar do milagre económico chinês tornando este país no "produtor do mundo", exportações essas facilitadas pela crescente globalização. Um crescimento "viral" que se multiplicava sozinho mas sempre com o olhar atento do Estado. Não era necessário dinamizar a procura interna enquanto os países ocidentais tivessem dinheiro para gastar e condições para se endividar consumindo sofregamente os produtos oriundos de Pequim. As obras megalómanas em torno do Jogos Olímpicos foram uma pequena amostra do poderio económico chinês revelando essa nova face ao mundo. Com uma crise de procura global que veio atingir fortemente as exportações chinesas, o tendão de Aquiles da sua economia, Pequim não esperou por uma cura milagrosa e decidiu agir. Quer se concorde ou não com a opção chinesa para solucionar a crise, há que dar o mérito devido a Wen Jiabao por agir de forma rápida e decisiva. Para contornar o problema da falta de procura dos seus produtos nos mercados internacionais, a China aposta agora numa dinamização do consumo interno, aproveitando o recursos endógeno que é a sua elevadíssima população. Isto permite à China "fintar" parte da crise e ao mesmo tempo assumir menores riscos em relação a crises futuras deste género. Apostou também no investimento público como forma de reanimar artificialmente a procura, ou seja, o Estado absorve a produção com as suas obras enquanto os privados se mostram relutantes. Ao mesmo tempo este investimento gera emprego e incentiva o consumo interno conferindo outra ajuda ao escoamento da produção. Seja a melhor opção ou não o governo chinês pode-se gabar de algo que a Europa não pode... Actuar! A China está a propor ao mundo uma alternativa a seguir, tal como um líder propoe um caminho à sua tribo.

As alterações climáticas e o meio ambiente estão cada vez mais na ordem do dia e o regime chinês está atento. Apesar de inaugurar 2 centrais a carvão por semana, a China será provavelmente pioneira em muitas áreas da conservação do meio ambiente e será capaz de fazer uma adaptação relativamente rápida à produção de energia por fontes renováveis. Costumo dizer que tudo o que é chinês é megalómano e a área do ambiente não será diferente. A China é o maior poluidor mundial em termos brutos (em emissões per capita continua muito atrás do maior poluidor, os EUA) mas será dos países com uma transação mais fácil para a sociedade "carbono zero". Veja-se o exemplo dos sacos de plástico. A sua distribuição gratuita foi pura e simplesmente proibida reduzindo a sua quantidade drasticamente. O regime de Pequim é, para o bem e para o mal, um regime forte e a população chinesa acata no geral as "ordens" do seu governo. O plano de estímulos chinês investe mais do dobro em energias "verdes" que o plano de Obama, plano esse apelidado de "Green New Deal". A China está actualmente a fazer investimento colossais em investigação ligada à problemática das alterações climáticas. O pós-Quioto será revelador da posição chinesa mas acredito que quando a China quiser mudar o seu rumo vai fazê-lo "à maneira chinesa", ou seja, de uma forma megalómana. E acredito que essa metamorfose ocorrerá rapidamente pois Wen Jibao já se apercebeu que ambiente e economia andam de mãos de dadas. Possivelmente a China passará de maior poluidor mundial para maior produtor mundial de energias renováveis num relativo curto espaço de tempo. E aí a Europa e os EUA vão lamentar todas as indecisões e todas as metas enfraquecidas e ainda assim, sucessivamente inatingidas.

O mundo está em constante evolução e esta crise é capaz de acelerar determinados fenómenos. Num país que está a sofrer as alterações que a China sofre, essa transformação na sociedade é ainda maior. Será interessante caracterizar o estilo de vida chinês em 2020-2030 e verificar que a política e economia chinesa são únicas e têm os seus trunfos para jogar na política internacional.

domingo, 31 de maio de 2009

Tortura | Pena de morte | Prisão

A propósito da prisão de Guantánamo já clarifiquei a minha posição acerca da tortura e dos métodos utilizados para se conseguirem informações supostamente vitais para a segurança interna. Hoje o debate centra-se não apenas na tortura mas em todo o leque de sanções/punições que existem e a forma como olhamos para o estabelecimento correccional e prisional.

Não sou a favor de qualquer tipo de tortura em nenhum caso bem como não sou a favor da pena de morte. Por dois motivos.

- Cometem-se erros e a pena de morte é irreversível.
- Não acredito que a maior punição para certos crimes seja a pena de morte. Vejo a prisão perpétua como algo bastante mais punitivo para crimes que me tiram do espectro racional (pedofilia, determinados homicídios, etc.).

Conclui-se portanto que a solução é encarcerar os criminosos. Sim, mas não neste modelo prisional.

É necessário reformular a imagem externa da prisões bem como a sua organização interna. Um complexo de celas onde os reclusos apenas aprendem a aumentar o seu ódio e onde ficam completamente desactualizados do mundo em redor não é um modelo que defendo. Uma sociedade que rejeita qualquer ex-recluso independentemente do seu valor e que discrimina esses indivíduos não é um modelo que defendo. Não sou ingénuo ao ponto de pensar que todos os reclusos que actualmente estão inseridos no nosso sistema prisional apenas lá estão por "culpa da sociedade". Alguns infelizmente estarão nessa situação mas acredito que uma percentagem alargada dos criminosos decida cometer crimes pela via do "facilitismo" e pela sensação de impunidade.

O que fazer então?

- Políticas de inclusão social correctamente aplicadas e com uma fiscalização eficaz. É necessário o Estado apoiar quem mais necessita e verificar se esse apoio está a ser correctamente aplicado. Esta é uma medida que vai fazer diminuir os índices de criminalidade. (Ver este belo post).

- Polícias bem equipados e formados. Se os próprios polícias vivem em condições deploráveis e têm condições de trabalho ainda piores é impossível desempenharem bem a sua função. Esta medida permite trazer mais e melhor segurança para as populações e evitar abusos de poder e revoltas por parte dos agentes da lei.

- Justiça devidamente aplicada. Quem comete crimes tem de ser punido. O sujeito X assalta Y porque os pais se divorciaram e ficou traumatizado. É necessário políticas de apoio e inclusão para evitar a "formação" de mais X mas Y não tem culpa que este X lhe tenha violado os direitos e portanto tem de ser punido. Não falo de uma política de medo mas simplesmente de todos termos a noção de que se cometermos crimes vamos ser punidos. Actualmente não acredito que todos tenhamos essa noção. Isto iria também diminuir os níveis de criminalidade.

- Prisões XXI. As prisões têm que ser locais de reabilitação e reinserção social e não edifícios degradantes onde se "enjaulam" pessoas. É necessário os criminosos serem punidos mas também é necessário acompanhá-los para que percebam o porquê de ser punidos e para que aproveitam a sua segunda oportunidade quando forem libertados. Isto iria essencialmente reduzir a taxa de reincidência criminosa (maior parte dos criminosos são reincidentes).

- Instituições de acompanhamento. Só existe em Portugal uma instituição que acompanha e auxilia reclusos e ex-reclusos. Está sediada em Lisboa, num terreno perto do Centro Comercial Colombo em vários contentores provisórios há mais de 20 anos. Perdeu a certificação profissional dos cursos que administrava aos ex-reclusos. Segundo palavras de um psicólogo membro da Direcção a taxa de sucesso é de 1%. É necessário dizer mais alguma coisa? Experimente-se apoiar esta instituição e formar outras e veremos a taxa de reincidência a diminuir.

- Educação da população. Muito ao jeito de Barack Obama eu digo (e acredito!) que a mudança começa em todos nós. É preciso sensibilizar a população no geral para as consequências da discriminação. Todo o tipo de discriminações. Porque elas são geradoras de novos criminosos e de reincidentes. Causam a desintegração de indivíduos consecutivamente e geram ódios que se desenvolvem como bolas de neve. Uma melhor sensibilização/informação de todos nós iria ser em si uma excelente política de integração social.

Porque é benéfico para "ambos os lados" existirem menos criminosos e aqueles que existem se conseguirem adaptar de novo à vida em sociedade. É benéfico para os indivíduos que terão mais possibilidades de ter uma vida próspera e completa e benéfico para a sociedade porque vê os seus direitos a serem violados cada vez com menos frequência.

Pense-se assim: O sujeito X assaltou uma loja. Foi condenado a 5 anos de prisão. Durante esses 5 anos tornou-se viciado em droga e foi violado várias vezes. Foi também vítima de maus tratos por parte dos guardas prisionais. O seu único "amigo" é um conhecido criminoso que, gere dentro de grades, uma grande rede de tráfico de droga. X nunca leu um livro/revista nem nunca viu um noticiário durante esses 5 anos. X tem o 4º ano. Ao fim de 5 anos X é libertado e não recebe qualquer apoio por parte de uma instituição. X não arranja emprego (por falta de ofertas e por ser um ex-recluso). X passa a traficar droga na rede do "amigo". X é apanhado e volta para a prisão.

Agora pense-se na alternativa: O sujeito X assaltou uma loja. Foi condenado a 5 anos de prisão. Durante esses 5 anos recebeu acompanhamento psicológico e apostou na sua formação, tendo conseguido um curso profissional em carpintaria (área em que trabalhava antes de ser preso) com equivalência ao 12º ano. Participou num programa de cooperação com a polícia. Com a sua ajuda foi desmantelada uma rede de tráfico de droga cujo cabecilha estava já dentro de grades, gerindo a sua rede na sua própria cela. O Estado deciciu que X iria receber 500 euros quando fosse libertado como forma de agradecer a sua ajuda. X é assinante de uma revista semanal e de um jornal diário. X tem direito a ver todos os dias o telejornal e a 2h de Internet por semana. Estes serviços são pagos com o trabalho de X na carpintaria da prisão. Ao fim de 5 anos X é libertado e acolhido por uma instituição que lhe assegura sustento até arranjar um emprego. Esta instituição auxilia também X a encontrar um emprego através do envio de CVs e contactando com o centro de emprego. X consegue um emprego na carpintaria onde trabalhava antes de ser preso. Como forma de agradecer a formação gratuita que recebeu durante os 5 anos em que esteve preso, X participa 1x por semana num programa do Governo onde ex-reclusos falam sobre as suas experiências aos jovens, tentando sensibilizar os mesmos para que estes não cometam delitos.

Nem todas as histórias poderão mudar o seu curso como X mudou mas acredito que muitas o poderiam fazer.

sábado, 30 de maio de 2009

Ciberguerra

O presidente Barack Obama decidiu criar um gabinete na Casa Branca responsável pela cibersegurança. Este gabinete é fruto de um relatório que o presidente pediu sobre o estado das defesas "online" dos EUA e encontra-se alinhado com a estratégia do Pentágono visto o mesmo estar a planear um comando militar inteiramente dedicado à ciberguerra.

O Público desenvolve esta notícia constatando que o novo gabinete ficará a cargo de um "ciber-czar" que terá como objectivo coordenar os esforços levados a cabo pelos vários organismos que dedicam parte dos seus recursos à cibersegurança. O relatório entregue a Obama terá apontado várias deficiências na resposta dos EUA a um ataque deste tipo e uma necessidade urgente de redobrar esforços. A preocupação de Obama tem sido crescente especialmente depois das suspeitas de ciber-espionagem por parte do governo de Pequim e após um pirata informático se ter conseguido infiltrar no sistema responsável pela rede eléctrica, ataque esse que não originou qualquer consequência.

Tal como qualquer outro campo/sector a defesa tem sofrido vários desenvolvimentos e apresentado a sua própria evolução. Bill Gates, Larry Page, Sergey Brin e companhia demonstraram que informação é poder. E cada vez mais o poder da informação suplanta o próprio poder bélico. Nenhum governo pode descurar a crescente importância da ciberguerra pois a mesma pode provocar efeitos tão nefastos como o lançamento maciço de bombas.

Tal como na guerra química é necessário construir defesas para a ciberguerra e preparar os organismos governamentais e a própria população para um cenário deste género. Actualmente é possível um míudo sediado numa garagem manipular o sistema de distribuição de água, o sistema de distribuição de electricidade, a gestão hospitalar, o tráfego aéreo, os movimentos bancários e bolsistas, estruturas políticas e militares, etc. É um novo tipo de guerra, com um novo tipo de inimigos e com um novo tipo de armamento. E pelo facto de um computador ligado à Internet não encerrar em si uma bomba nuclear, isso não significa que não possa ser tão ou mais letal para um país.

Num mundo globalizado tudo mudou e a guerra não fugiu a essa "regra". Quem pensar que a defesa de um Estado se faz somente com aviões, tanques e metralhadoras está ainda num cenário de guerra do século XX.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Ambiente | Futuro | Loucura?

A edição nº846 da revista Visão (referente a 21/05 até 27/05) tem como tema de capa "Como Salvar a Terra do Calor do Sol". Este título refere-se a vários megaprojectos que vão ganhando cada vez mais apoiantes e sobre os quais se pondera cada vez mais a sua efectiva concretização. Tal acontece porque cada vez mais cientistas (e não só) não acreditam que os líderes mundiais sejam capaz de agir atempadamente, reduzindo as emissões de gases poluentes e travando o aumento do aquecimento global. Seguem-se esses projectos inovadores:

1) Escudo Solar - Um escudo solar a orbitar em torno da Terra com 2 mil quilómetros quadrados constituído por 16 biliões de placas de vidro conseguiria filtrar 2% da radiação solar, o suficiente para conter o aquecimento global. Este escudo apesar de actuar directamente sobre o problema sem efeitos colaterais e com uma possibilidade de destruição caso algo corra mal tem como inconvenientes o seu transporte e o seu elevadíssimo custo de fabrico.

2) Água salgada na atmosfera - Mil aspersores (navios gigantes com chaminés) sediados nos vários oceanos seriam capazes de expelir 15.800 metros metros cúbicos de água por segundo em direcção ao céu, aumentando a capacidade de reflexão das nuvens. Apesar de na teoria este projecto não ter qualquer efeito negativo para o ambiente seria preciso um imenso esforço internacional para construir os mil aspersores e para os sustentar visto serem autênticos sorvedouros de energia.

3) Material reflector em larga escala - Plataformas de plástico ou película espelhada sediadas nos oceanos e nos desertos seriam capazes de aumentar o albedo da Terra. Este processo não interferiria com o ambiente visto apenas "imitar" o poder reflector do gelo mas somente quantidades inimagináveis de material poderiam aumentar os actuais 30% de luz solar que a Terra envia de volta para o espaço.

4) Dióxido de enxofre na atmosfera - A injecção de dióxido de enxofre na estratosfera (entre 1,5 a 4,5 milhões de toneladas) iria aumentar a quantidade de calor bloqueado pela Terra. Este método tem eficácia comprovada e as quantidades exigidas são perfeitamente exequíveis. Contudo o dióxido de enxofre interfere com a camada de ozono e pode provocar chuvas ácidas além das reservas demonstradas por vários cientistas quando se manipula quimicamente a atmosfera.

5) Aspiração do CO2 - Além da captação e sequestro do CO2 produzido pelas centrais termoeléctricas (CCS) existem projectos para máquinas que "purificam" o ar. Utilizando soda cáustica conseguem absorver ar contaminado com dióxido de carbono e "devolvê-lo" com níveis bastante inferiores. Os principais problemas são a quantidade de máquinas necessárias (tendo em conta os actuais níveis de CO2 e o seu presumível aumento), respectivo consumo de energia e locais onde se armazene em segurança o dióxido de carbono sequestrado.

6) Cultivo oceânico - O pó de ferro introduzido nos oceanos origina uma maior concentração de fitoplâncton à superfície. Esta teoria é provada pelas várias erupções vulcânicas. Tal como todas as outras plantas, o fitoplâncton absorve dióxido de carbono surgindo a ideia de "cultivar" os oceanos com ferro para que estes aumentem a sua capacidade de absorção de CO2. Apesar de ter eficácia comprovada desconhece-se os efeitos desta técnica nos cada vez mais frágeis ecossistemas marinhos.

Pessoalmente não considero que nenhum destes projectos seja a solução em si mas apenas um plano de recurso como afirmam muitos cientistas. A solução passa por parar a desflorestação, criar reservas naturais terrestres e marinhas e fazer uma fiscalização efectiva nas mesmas, remodelar as áreas urbanas e industriais florestando as mesmas, apostar fortemente na eficiência energética, investir em fontes de energia renovável com especial ênfase em projectos locais e continuar a investigação em melhorar a nossa mobilidade, rumo a uma alternativa sustentável. Estes são para mim, alguns passos essenciais para encarar o problema de "frente" e tentar resolvê-lo.

Não prevejo grande sucesso para a ideia dos aspersores visto ser demasiado complicado construir e manter um milhar deles, especialmente tendo em conta a quantidade de energia que gastam. O mesmo se aplica em relação à aplicação de materiais reflectores em desertos e oceanos. A quantidade é simplesmente demasiada para ser posta em prática. É verdade que o dióxido de enxofre tem a sua eficácia comprovada, contudo sou contra a alteração química da atmosfera pois temo os efeitos nefastos e irreversíveis que tal manipulação possa gerar. O CCS é uma tecnologia prometedora e com vários projectos já implantados com sucesso. Tal como os aspersores, para mim a solução não passa por milhares (milhões?) de máquinas purificadoras absorvendo quantidades cada vez maiores de CO2. Vejo o a aspiração como uma tecnologia de adaptação e de "remediação", ou seja, sou a favor que as centrais termoeléctricas enterrem o CO2 que produzem em poços de gás e petróleo já esgotados até que sejam substituídas por fontes de energia renovável. Sou também a favor que após atingirmos uma sociedade "carbono zero" (parando o aquecimento global) aspiremos algum CO2 para reverter aquilo que já poluímos em demasia. Em relação ao cultivo oceânico, sou completamente contra pelo mesmo motivo que da injecção de dióxido de enxofre na atmosfera. Os efeitos nos ecossistemas marinhos são imprevisíveis e possivelmente irreversíveis. A única solução que me alicia verdadeiramente como "plano B" é o tal escudo solar visto não interferir directamente com o nosso planeta e ser fácil de o desactivar caso se comprove que a sua utilização não é benéfica.